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CONHECIMENTOS E PRÁTICAS DOS MUNÍCIPES DE CHÓKWÈ, GAZA, EM RELAÇÃO A PREVENÇÃO DA COVID-19

Saúde

Conhecimentos e práticas que os munícipes da Cidade de Chókwè, na Província de Gaza, têm em relação a prevenção da COVID-19, face aos elevados índices de seropositividade da doença registados na cidade.

Resumo

A COVID-19 é uma doença nova e um problema de saúde pública. A cidade de Chókwè tem uma das maiores taxas de seroprevalência da COVID-19 por agregado familiar a nível nacional (5.3%), no entanto, nota-se um incumprimento das medidas de prevenção da mesma por parte dos munícipes. Objectivo: Descrever os conhecimentos e práticas que os munícipes da cidade de Chókwè têm sobre a prevenção da COVID-19. Metodologia: Foi realizado um estudo descritivo transversal qualitativo na cidade de Chókwè, província de Gaza, entre os meses de Fevereiro a Março de 2021. Através de uma amostragem por conveniência, foram seleccionados 376 munícipes entre 18 a 59 anos, dentre transportadores, vendedores de mercadoe de estabelecimentos comerciais, Forças de Defesa e Segurança, e outros, que foram entrevistados sobre aspectos relacionados com COVID-19, e observadas as práticas adoptadas por estes grupos para sua prevenção. Os dados foram analisados através do método de análise de conteúdo dos depoimentos dos entrevistados. Resultados: A maioria dos entrevistados era do sexo masculino (247/376), com 25-34 anos (188/376), de nível secundário (245/376), residentes no 1° e 2° Bairros (94/376), e vendedores de mercado (76/376).Em termos de conhecimentos com relação a COVID-19,a maioria demonstrou ter conhecimentos adequados quanto as formas de transmissão (351/376), manifestação (348/376), importância do uso da máscara (374/376), cuidados a ter com a máscara (370/376), momento ideal para se fazer a higienização das mãos (374/376), material necessário para a higienização (346/376), e de como lidar com pessoas com a doença (244/376). Quanto à adopção de comportamentos preventivos à COVID-19, notou-se uma variedade. Nos munícipes, a maioria não usava máscaras (206/376), não obedecia o distanciamento físico (217/376), e dos poucos que tinham máscaras (170/376), muitos não tinham bons cuidados (92/170). Nos estabelecimentos comerciais, emmuitos delesnão se usava viseira (63/76), não se fazia avaliação de temperatura à entrada (57/76), e nem se observava o distanciamento físico (48/76).Quanto a fonte de informação, a maioria adquire através das redes sociais (160/376). Conclusão: Os munícipes têm conhecimento satisfatório sobre a pandemia da COVID-19, porém, a implementação de medidas preventivas desenhadas pelo Governo poderia ser melhorada.

Palavras-Chave: COVID-19, Chókwè, Conhecimentos, Práticas.

Abstract

Introduction: COVID-19 is a new disease and a public health problem.  The city of Chókwè has one of the highest seroprevalence rates in COVID-19 per household at a national level (5.4%), however, there is a failure to comply with its prevention measures by the residents.  Objective: To describe the knowledge and practices that residents of the city of Chókwè have about the prevention of COVID-19.  Methodology: A qualitative cross-sectional descriptive study was carried out in the city of Chókwè, in the province of Gaza, from February to March 2021. Through a convenience sample, 376 residents between 18 and 59 years of age were selected, among carriers, market and commercial establishments, Defense and Security Forces, and others, who were interviewed on aspects, related to COVID-19, and observed the practices adopted by these groups for its prevention.  The data were analyzed using the content analysis method of the interviewees' testimonies.  Results: Most of the interviewees were male (247/376), 25-34 years old (188/376), secondary level (245/376), residing in the 1st and 2nd Neighborhoods (94/376), and market sellers (76/376).  In terms of knowledge regarding COVID-19, the majority demonstrated to have adequate knowledge regarding the forms of transmission (351/376), manifestation (348/376), importance of wearing the mask (374/376), care with the mask (370/376), ideal time for hand hygiene (374/376), material necessary for hygiene (346/376), and how to deal with people with the disease (244/376).  As for the adoption of preventive behaviors to COVID-19, a variety was noted.  In the residents, the majority did not wear masks (206/376), did not obey physical distance (217/376), and of the few who had masks (170/376), many were not well cared for (92/170).  In commercial establishments, many of them did not use a visor (63/76), there was no assessment of temperature at the entrance (57/76), nor did physical distance (48/76) be observed.  As for the source of information, the majority acquired through social networks (160/376).  Conclusion: Citizens have satisfactory knowledge about the COVID-19 pandemic, however, the implementation of preventive measures designed by the Government could be improved.

Key words: COVID-19, Chókwè, Knowledge, Practices.

Introdução

Em Dezembro de 2019, surgiu no continente Asiático concretamente na China, Wuhan, uma nova doença denominada COVID-19 causada por coronavírus. A doença demonstrou-se altamente agressiva pela sua forma de transmissão e propagação rápida, permitindo que chegasse a todos os continentes e afectando indivíduos de todas as idades, raças e condições sociais e desta forma, colocando em risco a saúde pública.¹²

Face ao crescente número de pessoas com confirmação positiva e ao número de mortes causadas pela COVID-19, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou esta doença como uma emergência mundial no dia 11 de Março de 2020.¹²

De acordo com o Boletim diário da Vigilância de COVID-19, edição n° 382 de 03 de Abril de 2021, o mundo tinha um cumulativo total de 130.844.897 casos registados a COVID-19, dos quais 22.650.604 activos, 2.851.025 óbitos e 105.343.268 recuperados.África tinha um cumulativo de 4.252.676 de casos da doença, dos quais 339.117 activos, 113.429 óbitos e 3.800.130 recuperados. Moçambique tinham sido registados um cumulativo de 68.005 casos positivos, 10.254 activos, 782 óbitos e 56.965 doentes recuperados.⁹

Ainda de acordo com o mesmo Boletim, em termos de países mais afectados a nível mundial, destacava-se os Estados Unidos de América com 31.314.625 casos positivos, seguido de Brasil com 12.912.379 e Índia com 12.392.260. Em África destacava-se a África de Sul com um cumulativo de 1.550.724 casos positivos, seguido de Marrocos com 497.257 e Tunísia com 256.931 casos.⁹

Na província de Gaza, de acordo com o Boletim Informativo local da COVID-19, edição n° 318, até 03/04/2021 tinha sido registado um cumulativo de 3.617 casos positivos da doença, sendo 3550 casos notificados localmente e 77 casos fora,50 casos activose 17 óbitos. Em termos de distritos com mais casos, destacava-se Xai-Xai, Chókwèe Bilene com 595, 349 e 247 respectivamente.³

No distrito de Chókwè, de acordo com a base de dados diária de informação de Infecções das Vias Respiratórias Superiores, até 03/04/2021 havia um cumulativo de 353 casos da COVID-19, sendo a maioria deles no Posto Administrativo Sede (327), seguido de Lionde (15), Macarretane (08) e por fim, Chilembene com dois (03) casos. Desses, 342 casos foram de transmissão local, 11 importados, 4 óbitos e 349 recuperados.²

Tendo em conta a alta taxa de morbi-mortalidade e o impacto social e económico negativo que COVID-19 provoca, o Governo Moçambicano, através do Decreto Presidencial n° 11/2020 de 30 de Março, declarou estado de emergência no qual foram anunciadas várias medidas de contenção da propagação da doença, com vista a salvaguardar a vida e a saúde pública.Dentre as medidas tomadas destaca-se a suspensão de aulas e alguns serviços públicos, a limitação de número de passageiros nos transportes públicos, a obrigatoriedade de quarentena a todos os suspeitos, o isolamento a todos os doentes de COVID-19, a obrigatoriedade de uso de máscara, a obrigatoriedade da higienização frequente das mãos e medição de temperatura nos estabelecimentos comerciais, a observância do distanciamento social de pelo menos 1.5metro, dentre outras.⁴

E recentemente, os resultados do Inquérito Sero-epidemiológico da COVID-19 realizado na Cidade de Chókwè, colocam Chókwè como a cidade que apresenta uma das maiores taxas de seropositividade da COVID-19 por agregado familiar (5.3%) no país, com exposição a infecção pelo coronavírus presente em quase todas faixas etárias e grupos profissionais, e estando dispersapor todos os bairros da Cidade.⁸

No entanto,tem se verificado muita renitência por parte de muitos munícipes para o cumprimento das várias medidas de prevenção da propagação desta doença, apesar das actividades de sensibilização levadas a cabo pelas autoridades competentes para o cumprimento das mesmas.

Deste modo, o estudo foi realizado com o objectivo de descrever os conhecimentos e práticas que os munícipes da Cidade de Chókwè, na Província de Gaza, têm em relação a prevenção da COVID-19, face aos elevados índices de seropositividade da doença registados na cidade.

Metodologia

Local e tipo de estudo: Foi realizado um estudo descritivo transversal de abordagem qualitativa na cidade de Chókwè, Província de Gaza, durante os meses de Fevereiro a Março de 2021.

Universo populacional: A população do estudo foi constituída por um total de 35.646 munícipes com 18 anos de idade ou mais, que vivem nos 7 bairros da autarquia da cidade de Chókwè, segundo dados do último Recenseamento Geral da População.⁷

Amostra: Para o calculo de tamanho de amostra do estudo, usou-se um intervalo de confiança de 95% e proporção de 0.5 (50%), com a seguinte fórmula: n = Z2.p.q.N/e²(N-1)+z^2.p.q,  onde, n = tamanho da amostra; Z = nível de confiança escolhido, expresso em número de desvios-padrão (1,96); p = Percentagem com a qual o fenómeno se verifica; q = percentagem complementar (com a qual o fenómeno não se verifica); N = tamanho da população (N=35 646); e2 = erro máximo permitido (5%). Neste caso, a amostra foi de 376 munícipes.⁶ʹ¹³

Amostragem: Com vista a seleccionar os 376 munícipes, foi usada uma amostragem não probabilística por conveniência. No entanto, com vista a garantir maior aleatoriedade, foram seleccionados indivíduos com base num intervalo pré-determinado de ocorrência, em múltiplos de 10 munícipes que se cruzavam com o pesquisador na via pública, tendo-se entrevistado aqueles que tinham máscaras e sem máscaras.

Procedimento de recolha de dados: Para a recolha de dados foram usadas técnicas de entrevista semiestruturada e observação directa. Os pesquisadores entrevistaram alguns munícipes que se fizeram presentes no centro comercial da cidade durante o período de recolha de dados, e ao mesmo tempo foram observadas as práticas que estes munícipes e gestores de estabelecimentos comerciais adoptavam para a contenção da propagação da COVID-19.Os grupos profissionais, foram escolhidos propositadamente tendo em conta a maior exposição a doença que esses apresentaram, no Inquérito Sero-epidemiológico realizado na cidade de Chókwè.

Os instrumentos de recolha de dados usados para o efeito foram, um guião de entrevista, contendo perguntas abertas sobre as formas de manifestação, transmissão e prevenção, da COVID-19; e dois guiões de observação, sendo um dirigido aos munícipes para avaliar as práticas adoptadas pelos mesmos para a prevenção da COVID-19, e outro dirigido aos estabelecimentos para se avaliar o nível de preparação destes no que tange a prevenção da propagação da COVID-19.

Método de análise de dados: Para a análise de dados dapresente pesquisa foi usado o método de análise de conteúdo como forma de analisar as informações fornecidas pelos munícipes com a literatura existente.

A análise de dados foi feita obedecendo-se os seguintes passos:Leitura exaustiva e repetida dos depoimentos;Identificação de categorias das respostas;Revisão bibliográfica de modo a classificar o conteúdo das respostas.Na fase do tratamento dos resultados, as respostas foram analisadas de maneira descritiva e caracterizadas por meio de dados absolutos e estimados em percentagem, de forma a facilitar a interpretação dos mesmos.

Resultados

Fizeram parte da pesquisa cerca de 376 munícipes, e os resultados são apresentados a seguir, de acordo com os objectivos previamente propostos:

Caracterização Sociodemográfica dos entrevistados: A maioria dos entrevistados era do sexo masculino (247/376) e poucos do sexo feminino (129/376). No que diz respeito a idade, grande parte dos entrevistados tinha entre 25-34 anos (188/376), seguido dos 35-59 anos (141/376) e por fim, dos 35-59 anos (47/376).

No que diz respeito ao nível de escolaridade, a maioria tinha nível secundário (245/376), seguido de nível superior (47/376), e dos níveis primário incompleto, primário completo e sem nenhum nível de escolaridade (28/376).

Com relação à residência, a maioria dos entrevistados residiam no 1° e 2° Bairros (94/376), seguido de 3° Bairro (66/376), 5° Bairro (55/4376), 4° Bairro (29/376), e por fim, 6° e 7° Bairros (19/376).

No que tange aos grupos profissionais, verificou-se que a maioria dos entrevistados era vendedores de mercado e de Estabelecimentos comerciais (76/376), seguido de transportadores de passageiros (74/376), dos que não realizavam nenhuma actividade comercial (60/376), de Forças de Defesa e Segurança (55/376),e por fim, dos que desempenhavam outro tipo de actividades comerciais na cidade (35/376).

Conhecimentos em relação as formas de transmissão, manifestação, prevenção e tratamento da COVID-19: Quando questionados se já ouviram falar do coronavírus ou COVID-19, todos entrevistados (376/376) responderam positivamente. Quanto as formas de transmissão da doença, a maioria (351/376) demonstrou ter conhecimentos adequados, e quanto as formas de manifestação também a maioria (348/376), demonstrou ter conhecimentos dos sinais e sintomas presentes numa pessoa com infecção pelo coronavírus.

“…aperto das mãos, tocar na mesma superfície que alguém contaminado tocou, tossir sem usar máscara…”

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(Munícipe 09, Masculino, 25-34 anos, Primário incompleto, 1° Bairro, Transportador)

“…febres, tosse, falta de respiração…”

(Munícipe 19, Masculino, 35-59 anos, Secundário, 1° Bairro, FDS)

Quando questionados se era importante usar a máscara para a prevenção da COVID-19, todos os entrevistados (376/376) afirmaram que sim, e também a maioria (374/376) conseguiu demonstrar a importância que este equipamento tem para a prevenção da propagação da doença, tendo esses realçado a importância para a pessoa doente bem como a pessoa saudável.

“…Sim. Evitar a transmissão, para prevenir para não ter a doença e aquele que tem não transmitir…”

(Munícipe 20, Masculino, 25-34 anos, Secundário, 2° Bairro, FDS)

Ainda sobre as medidas de prevenção da doença, grande parte dos entrevistados demonstrou aceitáveis com relação aos cuidados que devemos ter com a máscara (370/376),e em que momento se deve fazer a higienização das mãos(374/376), e também conhecia o material ou produtos recomendados para o efeito(346/376).

“…os cuidados são muitos mas muitos não cumprem. A máscara cirúrgica não pode passar 24 horas e as máscaras de capulana devemos sempre lavar a noite quando voltarmos do trabalho e engomar…”

(Munícipe 22, Masculino, 25-34 anos, Secundário, 3° Bairro, FDS)

“…podemos lavar as nossas mãos com água e sabão sempre entrarmos nos mercados, nas lojas, na padaria, na igreja para prevenir-se da doença. Usar álcool também…”

(Munícipe 27, Feminino, 25-34 anos, Secundário, 2° Bairro, Vendedor de mercado)

Quando questionados se conheciam outras formas da prevenção da COVID- 19 além do uso da máscara e higienização das mãos, a maioria (368/376) afirmou conhece-las, e também conseguiram explicar as outras formas de prevenção desta doença (366/376).

“…evitar estar nos aglomerados, ficar em casa se for possível…”

(Munícipe 05, Masculino, 25-34 anos, Secundário, 4° Bairro, Transportador)

Questionados sobre como lidar com uma pessoa suspeita da COVID-19, a maioria dos entrevistados destacou algumas formas convencionais (244/376), seguido dos que afirmaram não saber (94/376), e por fim, alguns falaram de formas tradicionais (38/376).

“…não pode sair de casa, temos de cuidar o paciente com luvas e máscaras e o doente sempre deve usar máscara…”

(Munícipe 02, Masculino, 25-34 anos, Primário incompleto, 5° Bairro, Vendedor do mercado)

“…fazer bafo de eucalipto, folhas de limoeiro, alho e tomar limão consecutivamente...”

(Munícipe 23, Feminino, 25-34 anos, Secundário, 5° Bairro, Vendedor de mercado)

Quando questionados sobre a fonte de informação através da qual adquirem conhecimentos relacionados a COVID-19, foi notório que muitos dos entrevistados adquirem informação através de redes sociais (160/376), seguido dos que ouviram através dos meios de comunicação social (131/376), através das autoridades sanitárias (122/376), e finalmente, a partir de outras fontes (37/376).

“…TV, rádio, palestras do pessoal de saúde…”

(Munícipe 14, Masculino, 35-59 anos, Secundário, 4° Bairro, Transportador)

“…através de órgãos sociais, pesquisa na internet, através do ministério ou agentes da saúde...”

(Munícipe 17, Masculino, 25-34 anos, Secundário, 2° Bairro, Outro)

“…TV, redes sociais...”

(Munícipe 09, Feminino, 25-34 anos, Secundário, 1° Bairro, Vendedor de estabelecimento comercial)

Práticas adoptadas pelos munícipes e gestores de estabelecimentos comerciais para a prevenção da propagação da COVID-19: De um modo geral verificou-se uma variabilidade na adopção de comportamentos preventivos à COVID-19 no seio dos munícipes e gestores de estabelecimentos comerciais.

Com relação as práticas adoptadas pelos munícipes, observou-se que a maioria não tinha usado máscara (206/376) e nem obedecia o distanciamento físico entre as pessoas (217/376). Entretanto, dos poucos que usavam máscara, a maioria tinha usado correctamente (151/170), tinha máscaras adequadas que fechavam a boca e o nariz (150/170), não obstante a falta de bons cuidados das mesmas (92/170), visto que frequentemente tocavam nelas.

Com relação as práticas adoptadas pelos proprietários de estabelecimentos comerciais, foram avaliados cerca de 76, dentre lojas, bares, lanchonetes, supermercados e farmácias, tendo em conta o número dos entrevistados que consentiram participar da pesquisa estando a trabalhar nesses locais. Os resultados apontam que grande parte dos trabalhadores tinha usado máscaras (57/76) e tinha montado sistemas de lavagem das mãos à entrada (65/76); porém, a maioria não tinha viseira (63/76), não observava o distanciamento físico (48/76) e nem fazia medição de temperatura dos utentes à entrada (57/76).

Discussão

De um modo geral, os resultados deste estudo corroboram com os resultados de muitos estudos realizados no País e no mundo, sobre conhecimentos e práticas relacionados a prevenção da COVID-19.

Caracterização Sociodemográfica: Neste estudo foram entrevistados vários grupos profissionais, dentre vendedores de mercados e de estabelecimentos comerciais (76/376), transportadores (74/376) e Forças de Defesa e Segurança (55/376); e também foram igualmente abrangidos todos bairros da Cidade. A escolha desses grupos e locais, foi por ter se notado, segundo o Inquérito Sero-epidemiológico de SARS-COV-2 realizado na Cidade de Chókwè, que todos grupos profissionais são afectados pelo Coronavírus e que o vírus, está disperso em todos bairros da cidade.⁸ Com isso, pode se afirmar que a exposição verificada na cidade de Chókwè, não foi por falta de conhecimento de prevenção da doença pelos munícipes.

Conhecimentos em relação as formas de transmissão, manifestação e prevenção da COVID-19: A maioria dos entrevistados demonstrou ter conhecimentos adequados no que tange as formas de transmissão da doença, manifestação e prevenção da doença. Esses resultados corroboram muitos estudos similares realizados no Mundo, onde em Moçambique a maioria da população demonstrou ter conhecimentos consideráveis com relação as medidas de prevenção da COVID-19;¹¹ Em Portugal, onde constatou-se que a maioria dos portugueses tinha conhecimento da doença e tinham boas atitudes para a prevenção da doença;¹⁵ na Nigéria, cerca de 80% da população tinha um bom conhecimento sobre COVID-19;¹³ na China e Turquia, onde verificou-se que90%da população tinha bom conhecimento em relação a prevenção da COVID-19;¹⁹ na Arábia Saudita se concluiu haver um conhecimento significativo da população com relação a doença;¹⁷ na Malásia, cerca de 80.5% demonstrou ter bom conhecimento;¹ na Uganda, verificou-se que 80% tinha conhecimento satisfatório;¹⁸ no Egipto, concluiu que 70.2% da população tinha um conhecimento satisfatório.¹⁰

Fontes de informação: As fontes através das quais os entrevistados adquirem informações sobre COVID-19 são diversas, entretanto a maioria falou das redes sociais. Esses resultados corroboram com a pesquisa realizada na Nigéria, onde conclui-se também que a maioria dos entrevistados teve informação através de redes sociais em 55.7%.¹⁶

Práticas adoptadas pelos munícipes para a prevenção da propagação da COVID-19: A maioria não praticava comportamentos preventivos à COVID-19, pois não usava máscaras, não tinha bons cuidados com a máscara e nem obedecia o distanciamento físico. Situações similares, foram verificadas na Nigéria em 58.4% dos inquiridos;¹³ no Egipto, em 50.8%;¹⁰ e nas cidades de Maputo, Beira e Nampula durante o estado de emergência, onde verificou-se que o uso da máscara e observância do distanciamento físico era muito baixo.⁵Por outro lado, os resultados não corroboram com os estudos realizados na Malásia, concluiu-se que a maioria 83.4% tinha boas práticas;¹ e na Uganda, onde 99.3% adoptava práticas positivas para a prevenção da COVID-19.¹⁸

Práticas adoptadas pelos gestores de estabelecimentos comerciais para a prevenção da propagação da COVID-19: Com relação aos estabelecimentos comerciais, verificou-se que a maioria dos entrevistados usava máscara e tinha montado sistemas de lavagem das mãos à entrada, entretanto não tinha o hábito de auxiliar com viseira e nem fazia avaliação de temperatura à entrada. Esses resultados demonstram o cumprimento das medidas desenhadas pelo governo para a prevenção da doença em locais de muitos aglomerados populacionais, mas por outro lado, divergem pela inexistência de sistemas de rastreio de casos suspeitos da COVID-19 através da avaliação da temperatura à entrada dos estabelecimentos comerciai se pela não observância de distanciamento físico.⁴

Conclusões

  • Em suma, os munícipes têm conhecimento satisfatório sobre a pandemia da COVID-19, com relação as formas de transmissão, manifestações e prevenção da doença, entretanto, não cumprem com as medidas de prevenção;
  • Nos estabelecimentos comerciais, locais de maior aglomeração populacional, não se cumpre com todas medidas desenhadas pelo governo para se evitar a transmissão e propagação da COVID-19;
  • As redes sociais são a grande fonte de informação para os munícipes da cidade de Chókwè.

Recomendações

  • As autoridades sanitárias e outras organizações ou instituições, continuem a sensibilizar os munícipes, para que a implementação de medidas preventivas desenhadas pelo Governo seja melhorada;
  • Nos estabelecimentos comerciais, que se cumpram com todas medidas desenhadas pelo governo para se evitar a propagação da COVID-19;
  • Na divulgação de informações sobre a saúde, que as redes sejam consideradas como uma plataforma de maior importância. 

Limitações de estudo

O desenho do estudo apresenta alguns vícios ou limitações próprias de metodologia de estudos qualitativos podendo ter havido muita influência nas respostas. Primeiro, respostas influenciadas por determinantes sociodemográficas dos participantes. Segundo, o tipo de amostragem escolhida que não deu a mesma oportunidade aos munícipes para participar do estudo.

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Conflito de interesses

Os autores declaram não haver conflito de interesse.

Aspectoséticos

Foram obtidos consentimentos por escrito, de todos os participantes. Este estudo foi aprovado pelo Comité Institucional de Bioética para Saúde de Gaza, versão do protocolo 2.0 de 15 de Janeiro de 2021, aprovado aos 26 de Janeiro de 2021 com a referência n°. 04/CIBS-GAZA/2021

Agradecimentos

À Direcção Província de Saúde de Gaza, o Serviço Distrital de Saúde, Mulher e Acção Social de Chókwè pelo encorajamento e apoio na implementação do estudo, o Governo do Distrito e as Autoridades Municipais por ter permitido a realização do mesmo.

Reconhecem ainda o contributo do Dr. Edy Nacarapa e ao Dr. Egildo Uazanga pelo apoio durante todas fases de investigação.

Por: FÉLIX CUBAI;

ZAINABO MONGOÉ;

MAURÍCIO CHARLES;

FELISBERTO ALIQUE


Publicado por: Felix Fane Cubai

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