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Lingua Gitonga tem mais dois Livros

Religião

Falantes da língua gitonga querem resgatar seus valores, tradições da bíblia, Frei Amaral, Pentatêuco, Inhambane...

Falantes da Língua Gitonga querem resgatar os seus valores

Foram apresentados no salão do Centro Juvenil da Maxixe, no passado dia 23 de Agosto, dois livros em Gitonga. Trata se da tradução dos primeiros 5 livros que compõem a Bíblia Sagrada chamados Pentatêuco e o Compêndio do Dicionário Português Gitonga e Gitonga Português que foram apresentados pelo autor Frei Amaral Bernardo Amaral em parceria com Adetonga (Associação para o Desenvolvimento da língua Gitonga), numa cerimónia muito concorrida por vários grupos entre religiosos, organizações não governamentais, académicos e outros interessados bem como membros do governo.

Na cerimónia presidida pelo padre Luca Pellis na qualidade de pároco, Frei Amaral como autor dos livros e membro da Adetonga e pelo presidente da Adetonga José Siniquinha, o frade menor fez um corolário sobre todos livros traduzidos de entre eles: Testamenta nya Yiphya, Nombelo nya Komunidade, libhuku la mayi, dzindzimu, Misal, e outros livros (alguns dos quais, ainda não publicados como é o caso de dzitekatekane -provérbios) e outros livros da Bíblia.

Frei Amaral disse que traduz livros para Gitonga porque prometeu não parar com a obra iniciada por Frei Frederico Samuel, assassinado em Xai-Xai durante a luta de desestabilização, ele que fez muito trabalho no sentido de permitir que os falantes da língua Gitonga pudessem ouvir a palavra de Deus na sua língua e responder a ela com maior clareza. Continuando, agradeceu e cuidou de citar alguns nomes e comunidades cristãs que muito ajudam nas traduções da Bíblia, bem como na sua correcção.

Frei Amaral, padre Amaral como muitos o tratam, disse que preocupa se em traduzir a Bíblia e dzitekatekane para Gitonga, como primeiro passo para dar um salto ao surgimento da literatura escrita em Gitonga. Nesse contexto, fez o dicionário que deu esse nome por falta de outro, porque na verdade, trata se de um grande livro que para além de dar os significados, explica assuntos muito curiosos que nenhum outro livro ou autor já o fez, trata se de uma grande poesia em Gitonga e que espera crítica de académicos e investigadores. Deu exemplo de muita palavra. Likhondzo, que aparece no dicionário Gitonga-Português, diz que é rato. Disso todos sabem, mas este provérbio que aparece: Likhondzo nya mwama gu landra ndzila; Nyamayi nya wufu gu lapha thamu (o rato macho segue caminho; a mulher ciumenta alonga pescoço) no final do dicionário aparece uma gramática completa para ensinar a formular correctamente enunciados em Gitonga. É mesmo uma relíquia de livro.

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Para terminar, pediu a Adetonga e sobretudo aos jovens para recolher a poesia Gitonga que é bem conhecida pelos mais velhos oralmente e registar para não se perder. “Há muita poesia bela quanto a que estudamos na literatura portuguesa, entre os falantes da língua Gitonga. Deve ser recolhida. Os velhos estão a morrer e nós seremos responsáveis pelo desaparecimento da nossa cultura. Uma raça sem cultura está sujeita a desaparecer”.

Depois dessa oração, houve cânticos em Gitonga onde frei Amaral foi homenageado de acordo com a cultura Gitonga por palavras como estas, ditas pelo presidente da Adetonga enquanto se batiam palmas: …Gyanana gegi, Kwambe wa na Nyassengo, khyadi ngudzu… Houve poesia em Gitonga e um improvisado e breve discurso do presidente da Assembleia Municipal da Maxixe, o qual apelou aos jovens a contactar os velhos para transmissão de valores e costumes da língua Gitonga. Secundou a ideia de que a morte de um velho é uma biblioteca que arde.

Depois houve venda de vários livros em Gitonga de entre eles o mais vendido foi a tradução do Pentatêuco que não satisfez nem a metade, pois só havia pouca quantidade para mostrar. Porém, segundo o autor, este livro está já em viagem da Europa, pois foram 3000 exemplares. Está triste com o dicionário pois os patrocinadores da impressão criam politica de distribuição e ele não tem controle.

De referir que Adetonga está preparar um festival a ter lugar no dia 29 de Novembro na Cidade da Maxixe. Esse festival da língua e cultura Gitonga, terá entre outras actividades: música, canto e dança, culinária e exposição da comida e produtos, pintura e arte tudo dos Vatongas limpeza das urbes de Maxixe, Jangamo, Morrumbene, Inhambane. Um outro facto curioso desse festival é que haverá corrida de trepar coqueiros. Prevê se que estejam todos músicos que cantam em Gitonga. Este plano de se realizar anualmente um festival surgiu na Adetonga e este vai ser o seu primeiro festival cuja data foi marcada na reunião tida na comunidade de São Lourenço com representantes das delegações da Adetonga de Inhambane, Maxixe e Maputo.

Neste momento, a Adetonga está a procura de financiamentos para efectivação deste festival que vai difundir esta cultura e língua Gitonga. Língua muito falada na famosa terra de Boa Gente Inhambane.


Publicado por: Francisco Miguel

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.
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