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Tratamento anaeróbio de efluentes líquidos de café

Química

O café, o beneficiamento do café, elevado potencial poluidor, tratamentos anaeróbios para o tratamento das águas residuárias.

O café, planta originária da Etiópia (África), tem se destacado na agricultura brasileira desde a época da escravidão. O Brasil é o maior produtor de café do mundo e o Estado de Minas Gerais é o maior produtor do país. Nosso país é responsável por cerca de 35% da produção mundial de café e Minas Gerais por 47% da produção brasileira, possuindo cerca de 2,876 bilhões pés de café distribuídos em 80.000 propriedades agrícolas (Guimarães et al., 2001; Agrianual, 2006; Prado, 2006).

A obtenção de uma boa bebida requer adequado procedimento de pós-colheita, capaz de agregar alto valor na melhoria de sua qualidade (Campos et. al.,2002). O beneficiamento do café pode ser feito de duas maneiras: por via seca e por via úmida. No processamento por via seca o café é lavado depois da colheita e submetido a um processo de secagem. A casca é o principal resíduo gerado por esse processamento. No processamento por via úmida o café é lavado e despolpado. As atividades de lavagem e despolpa dos frutos do cafeeiro geram grandes volumes de rejeitos sólidos e líquidos com considerável teor de matéria orgânica e inorgânica, possuindo elevado potencial poluidor, exigindo assim, tratamento anterior ao descarte.

A poluição de corpos d’água originada pela emissão de rejeitos líquidos do processamento do café por via úmida, denominados águas residuárias do café (ARC), provoca além da poluição visual, alterações em ciclos biológicos devido ao consumo de oxigênio dissolvido no meio aquático, além de produzir substâncias mal cheirosas como resultado da digestão anaeróbia.

A utilização de tratamentos anaeróbios para o tratamento das águas residuárias possibilita a produção de energia por meio do biogás, demanda pequena área, é de simples construção e permite a compostagem com a utilização de nutrientes (fósforo e nitrogênio) e micronutrientes após o tratamento em outras atividades agrícolas (Campos et. al., 2005).

O Reator Anaeróbio de Manta de Lodo (UASB) foi inicialmente desenvolvido e utilizado largamente na Holanda. Nos últimos anos vários foram os projetos de reatores anaeróbios desenvolvidos no Brasil com o objetivo de otimizar o tratamento de resíduos líquidos. São considerados parte do grupo RAFA (reatores anaeróbios de fluxo ascendente), nos quais, o afluente entra pela parte inferior e prossegue em fluxo ascendente, até a parte superior do sistema atravessando três estágios: o leito de lodo, onde há grande concentração de biomassa ativa, que se apresenta de forma floculada ou granulada; em seguida passa por uma biomassa menos densa, denominada manta de lodo; e finalmente por um separador trifásico, onde ocorre a separação dos sólidos em suspensão (lodo), do líquido efluente e do biogás formado no tratamento. Neste sistema a matéria orgânica é convertida principalmente em biogás (Chernicharo,1997).

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A utilização de tratamentos anaeróbios para o tratamento das águas residuárias possibilita a produção de energia por meio do biogás, demanda pequena área, é de simples construção e permite a compostagem com a utilização de nutrientes (fósforo e nitrogênio) e micronutrientes após o tratamento em outras atividades agrícolas (Campos et. al., 2005).

Referências citadas

AGRIANUAL,2006. Anuário da agricultura brasileira. São Paulo: FNP Consultoria e Agroinformativo, 2006. 520p.

CHERNICHARO, C. A. de L. Reatores Anaeróbios. Belo Horizonte: UFMG/DESA, 1997. v.5, 246p.

CAMPOS, C. M. M.; CARMO, A. C. do; LUIZ, F. A. R. de. Impacto ambiental causado pela poluição hídrica proveniente do processamento úmido do café. Revista de Cafeicultura, Patrocínio, v.1, n.4, nov.2002.

CAMPOS, C. M. M., et. al. Avaliação do desempenho do reator anaeróbio de manta de lodo (UASB) em escala laboratorial na remoção de carga orgânica de águas residuárias da suinocultura. Ciência e Agrotecnologia, Lavras, v.29, n.2, p.330-399, mar./abr., 2005.

GUIMARÃES, P. et al. Transmissão de tecnologia para diferentes zonas produtoras. In: SIMPÓSIO DE PESQUISA DOS CAFÉS DO BRASIL, 2., 2001, Vitória. Anais...Vitória, ES, 2001. Disponível em < www.ufv.br > acesso em 10 de janeiro de 2007.

PRADO, M. A. C. Produção de biogás no tratamento dos efluentes líquidos de coffea arabica L. em reator UASB para o potencial aproveitamento na secagem do café. 2006. 206p. Dissertação (Mestrado em Engenharia Agrícola). Universidade Federal de Lavras, Lavras, MG.

Juliana Ribeiro do Carmo - Licenciada em Química


Publicado por: Juliana Ribeiro do Carmo

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do site por meio do canal colaborativo Meu Artigo. O Brasil Escola não se responsabiliza pelo conteúdo do artigo publicado, que é de total responsabilidade do autor. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.