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Análise do filme "O Último Selvagem" sobre a ótica antropológica

Pedagogia

Clique e confira a análise do filme "O Último Selvagem" de acordo com a ótica antropológica.

O filme O Último Selvagem, retrata sobre a vida do índio Ishi que e o último índio de uma tribo americana, e que depois de “descoberto” reage de forma aceitável diante do comportamento das outras pessoas em relação a ele. Ele está vulnerável ao que os brancos pensam que é certo para ele, por isso ele aceita o que lhe é imposto sem reclamar. E uma das cenas em que ela não aceita o que lhe é imposto, é quando o pesquisador afirma que não é bom ele ter relações sexuais então ele revida dizendo que ele vai trabalhar porque trabalhar é bom é uma das únicas cenas que Ishi se opõe a algo.

No meu ponto de vista a relação dos principais personagens em relação ao índio é de superioridade. O antropólogo dr. Kroeber acredita que ele sabe decidir o que é melhor para o índio e como ele é o único estudioso que sabe a língua yahi e acredita ser o “dono” do índio. A esposa do antropólogo tem mais interesse em saber como é a cultura do índio. O médico procura fazer a vontade de Ishi e demonstra interesse pela vida e costumes indígenas. Os outros personagens como o funcionário e a funcionária do museu e a própria sociedade americana da época tratam Ishi como se exercem uma função de poderio em relação a ele e julgam que são detentores da    “cultura certa” e o índio teria que se adaptar a essa cultura. Mas uma das atitudes mais marcantes do filme é que no decorrer do filme o dr. Kroeber vai enxergando a cultura indígena de uma outra forma e com isso tem algumas cenas que podemos perceber o relativismo cultural como na cena em que ele canta para Ishi encontrar “O Caminho dos Mortos”.

As cenas em que os conceitos de etnocentrismo, alteridade, relativismo, cultura e diversidade estão explícitas; são as seguintes:

O conceito de cultura está nas cenas em que apresentam os costumes do índio o seu modo de vida em seu habitat, e também na cultura e modo de vida do homem urbano. Como na cena em que o pai do índio mata o urso e eles passam a chamar o local de esconderijo do curso.

Nas cenas do funeral da esposa do dr. Kroeber, onde todos ficam tristes e de vestes pretas com isso Ishi fica intrigado sem saber como ela iria achar o caminho dos mortos sendo que não cantaram para ela; já na cena do funeral da mãe e da irmã de Ishi, os corpos são cremados e ele corta o cabelo em sinal de luto.

Já o etnocentrismo está nas cenas que o índio é encontrado e vai para a prisão aguardar a decisão do que será feito com ele. Na cena da recepção do índio na casa do pesquisador e é recebido com ponche e café. Também na cena quando o antropólogo debate junto com um representante da justiça americana e o funcionário do museu sobre o futuro do índio. Na cena em que o antropólogo julga que não é bom Ishi ter relações sexuais. Nas cenas em que logo na prisão colocam roupas no índio e também sapato e como ele não tem costume ele carrega o sapato nas mãos. Indignação de Ishi com a autópsia ele acredita que é um absurdo depois que as pessoas morrem seus corpos serem abertos e também acredita que os corpos devem ser cremados.

O conceito de alteridade é observada em todas as cenas em que o índio yahi se relaciona com a sociedade americana do século XX. Nas cenas da relação índio com o pesquisador. Nas cenas da relação do antropólogo com sua esposa. Nas cenas da relação com o antropólogo com os funcionários do museu.

O Relativismo Cultural é relatado na cena em que o médico pede para o índio não demorar em seu ritual e o antropólogo diz que é a hora de fazer as coisas segundo a vontade de Ishi, o que demonstra que ele passa a enxergar a cultura indígena com outros olhos. Na cena de ritual da morte do animal que foi morto pela flecha de Ishi o ritual causou admiração nos demais. Quando o antropólogo pede que não seja feita autopsia no corpo no índio e quando o professor vê a máscara da morte ele canta uma música cantada nos rituais funerais dos yahi e com isso Ishi encontra o caminho dos mortos.

Sobre diversidade cultural o filme “O último selvagem” é uma ótima oportunidade para observamos a cultura americana e a cultura indígena e concomitantemente a diversidade cultural que é apresentada nas cenas em que demonstram as diferenças entre a cultura americana e a cultura indígena e essas diferenças compõem a diversidade.

O conceito antropológico de cultura é uma idéia abstrata e geral do modo de vida de um grupo social, de uma sociedade, uma representação da vida social, de sua organização e de seus conteúdos, seus costumes, seus valores. O conceito é uma noção abstrata que nos possibilita pensar não somente o modo de vida de um dado grupo social, mas também a diversidade de modos de existência coletiva criados pelo homem, de modos de vida em comum, em sociedade, aprendidos e transmitidos como herança social. Sendo assim, a cultura do índio e do homem branco vai sendo mostrada no decorrer do filme, nas suas vestes, alimentação, hábitos, costumes, valores, religião, funerais, arquitetura das casas, alimentação, móveis e etc.

Etnocentrismo é uma visão de mundo onde o nosso próprio grupo é tomado como centro de tudo, e todos os outros são pensados e sentidos através dos nossos valores, nossos modelos, nossas definições do que é a existência. No plano intelectual, pode ser visto como a dificuldade de pensarmos a diferença, no plano efetivo, como sentimento de estranheza, medo, hostilidade etc. Os personagens do filme se julgam portadoras de cultura superior em relação ao índio. O homem branco determina o que será feito com o índio como se ele não tivesse livre-arbítrio então sem saber o que está acontecendo Ishi fica na prisão. Nas cenas a seguir depois de descobrirem que ele é um yahi, ele irá viajar, e é colocado vestimentas nele e os sapatos ele resolve carregar nas mãos; e uma senhora oferece uma cesta de frutas e profere um discurso em inglês o que não cumpri o papel comunicacional, porque ela fala mais ele não entende. E observamos esse conceito nas cenas da recepção do índio na casa do pesquisador onde não foi levado em consideração que ele era um índio e por isso seus costumes e hábitos são diferentes do branco e isso devia ser respeito, ele foi recebido com ponche e café e o seu quarto era um quarto comum com uma cama e guarda roupa mais para o índio aquilo causou muita estranheza porque a arquitetura das casas e os móveis são totalmente diferentes de uma cultura para a outra. Outra cena que demonstra muito o etnocentrismo é o debate sobre o futuro do índio onde ele não participa como se ele fosse incapaz de decidir seu futuro, e o pesquisador faz até uma tradução infiel julgando que o era melhor para o índio é ficar ali. Indignação de Ishi com a autópsia ele acredita que é um absurdo depois que as pessoas morrem seus corpos serem abertos e também acredita que os corpos devem ser cremados.

Alteridade são as relações entre eu e o outro, entre nós e os outros. O conceito do outro enquanto diferente do eu, do nós é um conceito fundamental do pensamento antropológico, como enfatizamos acima. É importante reiterar que o conceito do outro é indispensável à consciência de si, à consciência do eu, à consciência do nós, à consciência da subjetividade coletiva, à consciência da intersubjetividade possível, à consciência da inclusão e da exclusão mediada pela diferença, à consciência da manipulação da diferença para produção de desigualdades.

A alteridade é observada na relação do homem branco com o índio, na relação da antropólogo com a esposa, do antropólogo com os funcionários do museu, na relação do índio com a sociedade do século XX.

O Relativismo Cultural propõe o diálogo, o reconhecimento do outro, buscando compreendê-lo mediante seus próprios valores, buscando conhecer a lógica interna da sua cultura, dos seus modelos e definições de ser no mundo. No relativismo, o plano intelectual neutraliza e supera sentimentos etnocêntricos, ensejando posturas mais generosas na relação de contato. A concepção de relativismo cultural crítico vem se incorporando à análise das culturas, apontando as hierarquizações historicamente produzidas, dando suporte teórico à crítica das desigualdades que afetam as relações entre povos e culturas. Nenhuma cultura é superior ou inferior à outra, mas os processos históricos de contato produziram desigualdades que não podem ser ignoradas. As cenas da visita ao lugar onde moravam os yahi, a admiração pelo exímio atirador de fechas que Ishi era; a relação que o índio tem com a natureza; e no fim dr. Kroeber se espanta ao ver que no museu de Nova Iorque possui crânio de índios da maioria das tribos indígenas americanas; quando Ishi falece o pesquisador pede para que não seja feita autópsia no corpo, mas o pedido foi enviado tarde demais e foi feita a autopsia do corpo de Ishi, quando o professor vê a máscara da morte ele canta uma música cantada nos rituais funerais dos yahi e com isso Ishi encontra o caminho dos mortos; o que mostra que ele passou a ter outra visão da cultura indígena admirando e respeitando a cultura.

A diversidade diz respeito à pluralidade. O objeto da Antropologia é a diversidade cultural. Essa pluralidade e mostrada na diversidade encontra tanto na cultura indígena quanto na cultura do homem branco, são vários elementos que se distinguem de uma para outra e que formam a identidade cultural de ambas.


Por Maria Madalena Cardoso Macedo Gomes - Graduada em Jornalismo pela Universidade do Estado de Mato Grosso, especialista em Gestão Pública Municipal pela UAB/UNEMAT. E graduanda em Pedagogia pela Universidade do Estado de Mato Grosso.


Publicado por: Maria Madalena Cardoso Macedo Gomes

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.

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