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Respeito & Medo

Educação

Entenda acerca da imposição do respeito e do medo nas crianças.

Quando falamos em Educação temos que observar a diversidade de fatores que a envolvem num contexto de múltiplos valores. As famílias vêem sofrendo transformações através dos tempos e com as mudanças a educação percorre novos caminhos.

É comum ouvir dos mais velhos que em seu tempo bastava um olhar do pai ou da mãe para que abaixasse a cabeça e obedecesse, nem se pensava em contestação. Na escola antiga, a palmatória e os joelhos no milho eram instrumentos de “educar” e conseguir respeito. Entretanto este tipo de obediência e respeito era conseguida por meio do medo!

Durante muito tempo a educação ficava quase que exclusivamente a cargo das mães, pois os pais, ausentes a maior parte do dia, só retornavam à noite. Hoje entretanto, com as mães envolvidas no mercado de trabalho, muitas ocupando cargos de mais destaque que os próprios companheiros, há a exigência de uma participação maior dos pais na educação dos filhos. Nas reuniões das escolas, não raras vezes a presença dos pais é maior que a das mães.

Outrossim, com famílias se reorganizando de múltiplas formas, pais divorciados formando outras famílias com meio irmãos, padrastos e madrastas, onde as crianças têm, não raras vezes, com a guarda compartilhada, aposentos em duas casas, surge a dificuldade de uma educação mais coesa, pois o que é permitido em um lar, não o é no outro. Sem falar no fato de que hoje temos famílias diferentes constituídas por casais homossexuais com duas mães ou dois pais.

E quando a criança mostra dificuldades na escola, quer seja de aprendizagem ou relacionamento com colegas e professores, é provável que seja em consequência de mudanças radicais na família. É preciso fazer uma releitura da família, se adequar aos novos padrões e, se necessário, buscar ajuda profissional.

Além desta reorganização familiar, hoje  os pais têm dificuldade em impor limites, dizer não aos filhos. Em muitos casos são permissivos na tentativa de suprir a ausência. Não raro as crianças passam o dia com estranhos ou na creche e mal vêem os pais, ou então, em consequência de separação do casal, os filhos acabam por conviver pouco com um deles.

De outro lado, alguns pais ainda persistem em obter o controle por meio do medo e intimidação. Com esta postura dificilmente conseguirão a confiança dos filhos e estes o equilíbrio emocional necessário para discernir a necessidade de corrigir o próprio comportamento. O autoritarismo acaba por gerar insegurança na criança e o desequilíbrio vai se refletir nos bancos escolares.

Algumas sugestões para pais e educadores indicam que o adequado é estabelecer um clima afetivo e de compreensão, com interesse real pela vida dos filhos; esforço em conhecer seus sonhos, dificuldades, esperanças, dúvidas e anseios. O contrário, ou seja o limite obtido por meio do autoritarismo é inadequado, pois uma criança não se sentirá segura em confiar seus sonhos a alguém em quem não confie ou de quem sinta medo. Ainda mais indesejável é o limite por meio do menosprezo, humilhação, criticas destrutivas, pois esta postura sonega o afeto que a criança necessita para se sentir amada e segura.

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É incontestável, portanto, que a aprendizagem está relacionada à autoestima. Respeitando as potencialidades individuais da criança, evitando comparações e chantagens, permissividade ou rigidez, o desenvolvimento da autoestima encontrará campo favorável. Tanto a superproteção quanto a indiferença, a ausência ou excesso de elogios podem ser perniciosos, portanto, o equilíbrio entre os dois extremos é o desejável. Isto não quer dizer que o “não” esteja excluído, ao contrário se o pai for afetivo, quando disser não , a criança compreenderá que aquele “não” é dito em seu benefício e que faz parte do seu aprendizado.

Portanto, levando-se em consideração que a escola tem o objetivo de significar o conhecimento, tanto a família quanto a escola tem que preparar a criança para viver no mundo real e não imaginário, onde tudo se consegue com facilidade, sem esforço.

A criança deve aprender a respeitar os pais porque eles inspiram virtudes admiráveis tais como sabedoria, dignidade, caráter reto e não pelos presentes que trazem para compensar a ausência no almoço, jantar, passeios, ou conversas aquecidas pelo afeto, ao entardecer. Os pais precisam encontrar um meio de conquistar o respeito dos filhos, não o imposto pelo medo ou excesso de permissividade. O respeito ligado ao amor é o ideal, pois o respeito ligado ao medo pode gerar revolta e desprezo.

Não se pode esquecer da exiguidade de valores morais da sociedade nos dias de hoje, onde levar vantagem, ser esperto, vencer por meio da corrupção é a tônica dos noticiários. Cabe aos pais recuperar valores importantes como honestidade, lealdade, sinceridade, pois educar é um ato que exige dedicação, paciência, tempo e perseverança. Não há uma receita única para todos, pois cada criança é um indivíduo particular com características próprias. É comum ouvirmos de pais que têm dois filhos que, embora tenham dado a mesma educação para ambos, cada um se tornou diferente do outro em conduta.

Em relação ao professor, é preciso que se esforce para manter o meio-termo entre respeito e autoridade.Ter regras claras de conduta, assim como a consciência de que erros e acertos fazem parte do processo. Em face de um conflito, ou de uma regra que não estiver funcionando, ter a flexibilidade de trocar idéias com os próprios alunos a fim de repensá-la.

Os limites e regras quando combinados, pensados e elaborados em conjunto, podem levar à conquista de um relacionamento construtivo e harmonioso entre aluno-professor, escola-pais, pais-filhos, assim como a construção de uma educação de respeito sem medo.

Ivanir Pineda Sanches
Coordenadora Pedagógica da EMEF DEODORO DA FONSECA, Mal.
Pedagoga, Matemática e Escritora


Publicado por: Ivanir Pineda Sanches

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.
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