Topo
pesquisar

Nenhum de nós é tão bom quanto todos nós juntos - Construindo a escola de tempo integral

Educação

Construindo a históra do tempo integral no estado de Goiás com conjunto com várias outras unidade de ensino.

Trabalho há três anos em uma escola estadual de tempo integral em Goiânia. Comecei como dinamizadora do laboratório de informática e no ano seguinte fui convidada a cooperar com a escola como coordenadora pedagógica do contraturno, ou seja, da jornada ampliada. Durante este tempo, estamos construindo a história do tempo integral em nosso estado em conjunto com várias outras unidades de ensino que abraçaram este desafio.

Porém, quero escrever sobre algumas coisas que têm me incomodado bastante neste processo de construção. Anísio Teixeira disse que"Educar é crescer. E crescer é viver. Educação é, assim, vida no sentido mais autêntico da palavra. " Quando disponibilizamos às nossas crianças uma escola de tempo integral, durante as séries iniciais e também durante o ensino fundamental, devemos ter como objetivo e preocupação a formação integral deste educando, ou seja, a escola deve ter em mente que estará formando o aluno não somente em nível acadêmico, mas em sentido amplo e real, terá muitas vezes um papel bem mais compungente no crescimento social e humano deste indivíduo, tendo em vista que o mesmo terá o seu caráter forjado em grande parte pelas experiências que estará vivendo na escola, pois passa a maior parte do seu tempo, em conjunto com colegas e professores que lhe servirão de modelo para que faça suas escolhas e forme suas opiniões. Porém me vejo cada vez mais assustada com esta “responsabilidade”, pois é papel da escola contribuir com a formação do educando, e não ser completamente responsável por ela.

Não é o fato do aluno passar grande parte do seu dia, ou até mesmo todo o seu dia na escola, que desabona a família de cumprir o seu papel nesta complicada e gratificante construção de personalidade. Só que infelizmente é o que tem acontecido. Pais acreditam que o fato de matricularem seus filhos em uma escola de tempo integral faz com que os mesmos não tenham nenhuma responsabilidade com os mesmos, e isto é um absurdo pois todos sabemos que é a família que deve oferecer a base, o alicerce para que então a construção seja feita. J. Petit Senn afirma que “Os filhos tornam-se para os pais, segundo a educação que recebem, uma recompensa ou um castigo ", como professora me vejo impelida a questionar sobre a importância desta parceria, e da conscientização dos órgãos mantenedores destas escolas a olhar diferentemente para os educadores que fazem parte das escolas de tempo integral.

Não pare agora... Tem mais depois da publicidade ;)

Há que se perceba que são realidades diferentes e que por isso, o educador desta unidade de ensino, precisa ser visto com outros olhos e aqui leia-se, precisa ter um incentivo financeiro para trabalhar nestas, pois ele tem arcado com mais do que o oficio de ensinar; tem arcado com o ofício de ser pai, ser mãe, ser amigo, como a maioria de nossos educadores atualmente, porém, em tempo integral. As Políticas públicas educacionais precisam ser repensadas e redirecionadas para um incentivo ao educador e ao educando. Escola de tempo integral é muito mais que estrutura física, merenda escolar, números do IDEB... é suor, amor,realização, frustração,despreendimento. Então... escolho ensinar, mas com mestria! Amar... porém com respeito! Contribuir... ser parte de um todo! “Não posso ser professor se não percebo cada vez melhor que, por não ser neutra, minha prática exige de mim uma definição. Uma tomada de posição. Decisão. Ruptura. Exige de mim que escolha entre isto e aquilo.” Paulo Freire


Publicado por: lizia machado

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.
  • SIGA O BRASIL ESCOLA
MeuArtigo Brasil Escola