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Enem sem susto?

Educação

Visão e pensamentos sobre a anulação das questões do Enem 2011.

A decisão da Justiça Federal que a anula as questões vazadas do ENEM 2011 é absurdamente injusta. Pois, prejudica as pessoas que acertaram as questões de forma lícita. Além do mais, os candidatos empregaram tempo para fazer as questões. Será que nada disso foi levado em conta na hora da decisão da Justiça?

O INEP já provou a sua falta de capacidade de gerir o referido concurso em escala nacional, diante das sucessivas falhas ocorridas. E o Estado não pode continuar atuando de forma arbitrária, tomando para si a responsabilidade daquilo que não tem preparo para realizar. Está na hora d’ele começar a arcar com as conseqüências de seus maus atos. Afinal de contas não é esse o julgo que é imposto aos seus cidadãos?

Quanto ao ENEM em si, os critérios adotados de avaliação dos candidatos já são motivos de péssimas críticas. Pois, na tentativa de evitar que alguém seja aprovado por sorte importaram fórmulas no mínimo equivocadas, que comparam os acertos entre candidatos de forma axiológica. Mas, na verdade o acerto de uma questão pode envolver aspectos subjetivos que são descartados por tal método, pois o mesmo enunciado pode apresentar-se mais fácil para uns que para outros. Sendo assim, padronizar questões por nível de dificuldade não é uma tarefa tão simples ou justa. Já que, para assegurar a igualdade é preciso respeitar as diferenças. E assim a sorte é muito mais justa, um evento natural da vida.

As intenções para o ENEM são boas. Porém, como em qualquer utopia existe um entrave na execução. Utopia porque em um país que apresente sintomas agudos de corrupção, negligência e impunidade a obra que demande tanta transparência, zelo, segurança e respeito aos preceitos que assegurem uma maior igualdade de condições de acesso e êxito dos candidatos está fadada ao infortúnio. E tão grave quanto isso, é quando a obra é atrapalhada pela vaidade daqueles que querem o mérito pelo feito. Os que estão loucos para dizer: eu fiz o ENEM acontecer. As custa de que e de quem?

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Sem dúvidas o ENEM, mesmo com suas falhas, proporcionou o ingresso ao Ensino Superior a muitos que estavam às margens da corrida dos vestibulares. Então não é o ENEM que tem que acabar e sim mudar a postura do Governo. Descentralizando o poder de suas mãos, tornando o INEP o órgão regulador dos Estados, que por sua vez realizariam as provas, de acordo com as características regionais. O que evitaria que um erro apontado em uma região não a afetasse as demais. E também obrigaria o Governo a investir nas regiões que apresentam menor investimento em Educação.

Infelizmente o mais justo é que o ENEM 2011, assim como deveria ter sido nos anos anteriores, precisa ser anulado. O que é um pecado. Pois, um evento como esse não pode ser reeditado da mesma forma. Já que é impossível repetir as condições dos candidatos nos momentos das avaliações. Por isso que é necessário muito cuidado, que não tiveram por consecutivos anos, na elaboração e aplicação do exame. Mas, mais danoso do que repetir o exame para todos, seria refazê-lo para alguns ou descartar as questões vazadas o como o sugerido, nisso se desrespeitaria o princípio da isonomia, porque vai prejudicar os candidatos que estavam em melhor colocação do que os outros por ter acertado as referidas questões ou propiciar uma nova leitura da prova para alguns. Às vezes uma nova forma de abordagem material facilita ou dificulta a resolução do proposto pelo enunciado da questão da prova.

Então, pelo amor de Deus e/ou pela razão e/ou pela compaixão ou qualquer motivo que faça com que as autoridades responsáveis por legislar sobre o assunto e/ou as por zelar pelo direito de todos e/ou as competentes para decidir adotem medidas decentes. Ou então que venha Povo.

Niteroi, 01de novembro de 2011


Publicado por: julio cesar manhaes lyrio

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.
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