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Educando meninas

Educação

Clique e conheça sobre a Ann Cotton, que fundou e preside há mais de 20 anos a Camfed Internactional.

Uma grande educadora britânica, infelizmente ainda pouco conhecida entre nós, Ann Cotton, acaba de receber um importante prêmio da área educacional. Trata-se do Wize Prize for Education, honraria oferecida pela WISE, organização criada com o objetivo de promover a inovação e construir o futuro da educação por meio da colaboração, oferecendo uma plataforma global para o desenvolvimento de novas ideias; e que tem estimulado e financiado abordagens inovadoras para propostas educacionais, promovendo práticas bem-sucedidas em vários setores do mundo, para construir o futuro da educação. O Prêmio WISE para a Educação é atribuído a um indivíduo ou uma equipe, como reconhecimento de uma excelente contribuição para a vanguarda educacional.

A reunião dessa organização ocorreu no início deste mês de novembro, em Doha, no Qatar, e tinha como tema "Criatividade no Coração da Educação”, congregando representantes dos setores público e privado que, juntos, aproveitaram para partilhar soluções, discutir práticas mais eficientes e também para desafiar as formas mais tradicionais do fazer educacional, preparando a educação futura.

Ann Cotton fundou e preside há mais de 20 anos a Camfed Internactional (Campanha para Educação Feminina), organização promotora de instrução feminina que atua no Zimbábue, Malawi, Zâmbia, Gana e Tanzânia; acredita que a educação de meninas africanas constitui a melhor forma de tira-las do ciclo da pobreza. O trabalho da Camfed é sério, bem realizado e extremamente necessário, mereceu a distinção e fará diferença significativa, em médio prazo, no continente africano.

No entanto, surpreendente é que em pleno século XXI ainda precisemos atenção especial à questão da educação feminina, ou seja, ainda não estejamos globalmente educando a todos e a todas, e que em especial as jovens precisem ser inseridas em projetos específicos, por falta de compreensão de que são seres humanos, com direitos iguais aos dos meninos de adquirir conhecimento e cultura, exercer uma profissão e ter reconhecimento nela.

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Mulheres constituem força de trabalho nada desprezível na economia de qualquer país, embora em muitos deles realizem seus afazeres na informalidade, porem garantindo que familiares do sexo masculino possam, de fato e de direito, exercer suas profissões. Como domésticas, cuidadoras, exercendo funções subalternas ou humilhantes, sem carteira de trabalho, são geralmente quem mantém coesa a unidade familiar e educam as crianças, mesmo carecendo de escolaridade.

Agravando este fato, a mulher ainda é alvo de violência explícita ou daquela não declarada, que acontece no recesso do lar, produto de relações assimétricas entre homens e mulheres, quando aqueles são seus únicos provedores materiais, e podem criar situações de abandono, implicando em dificuldades na criação dos filhos e na própria sobrevivência.

Apenas agora, graças aos esforços das mulheres que, tendo tido acesso aos estudos e assumindo postos de comando, preocupadas quanto às questões de gênero, orientam as demais sobre direitos humanos, para que agressões não permaneçam impunes, e que o acesso aos estudos seja efetivamente universal.

Se, por um lado, é maravilhoso que pessoas como Ann Cotton existam, é lamentável que ainda precisemos tanto delas.

* Professora  Wanda Camargo -  assessora da presidência do Complexo de Ensino Superior do Brasil.


Publicado por: Wanda Camargo

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.
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