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Aspectos relevantes sobre sociedade da informação, educação e tecnologia

Educação

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A sociedade do conhecimento, que não conhece nada de si mesma, não tem mais nada a produzir senão sua própria ruína. Sua notória fraqueza de memória é ao mesmo tempo seu único consolo.
Robert Kurz

O conhecimento é poder. Este é o lema da filosofia burguesa moderna que foi largamente utilizado pelo movimento operário europeu do século XIX. Desde os tempos antigos o conhecimento era visto como algo sagrado pela nobreza que detinha conhecimentos, outros homens se esforçavam para também acumular e transmitir conhecimentos. O conhecimento era do domínio de poucos e a sua difusão seguia o ritmo da vida cotidiana, nas universidades, nas indústrias, nas bibliotecas e na vida privada.

O termo “sociedade do conhecimento” é próprio de nossa época, isso não quer dizer que somente agora temos conhecimentos verdadeiros que outras épocas não alcançaram, mas que hoje há efetivamente um progresso intelectual, um novo significado, uma generalização do conhecimento na sociedade jamais vista em épocas passadas.

O conceito de “sociedade do conhecimento” tem sido usado como sinônimo de “sociedade da informação”. Talvez isto seja um erro. Será que vivemos numa sociedade do conhecimento porque somos em todo momento bombardeados por informações transmitidas simultaneamente?. O problema reside no fato de que talvez estas informações não se traduzam por conhecimentos. Por uma razão simples, nem sempre os processos de informação passam por uma compreensão mais elaborada do sujeito que leva ao conhecimento como força produtiva da inteligência. A grande questão é se uma avalanche de informações leva necessariamente à produção de conhecimentos em escala equivalentes.

É lógico que a produção de conhecimentos não tem efetivamente uma relação direta com o volume de informação, mas esta é fundamental para alavancar um maior número de ações na busca do conhecimento. Porém, deve-se estar atento sobre a qualidade da informação, se esta é falsa ou verdadeira, sua origem, e a legitimidade da informação. A Internet é a vitrine da informação. Neste sentido, é valiosa a crítica de Carlos Heitor Cony (Folha Online), na crônica entitulada “Mentira e Verdade”:

Alguns estudiosos afirmam que a mercadoria mais importante do mundo moderno é a informação. Pensando bem, foi sempre mais ou menos assim. Quem detinha a informação era poderoso... daí que a mídia foi elevada a quarto poder, tese contra a qual sempre me manifestei, achando que a mídia é uma força mas não o poder.

Com a chegada da Internet, suas imensas e inesperadas oportunidades, o monopólio da informação pulverizou-se. Os jornais, creio eu, foram os primeiros a sentir o golpe, os livros logo em seguida, havendo até a previsão de que ele acabará na medida em que se limitar ao seu atual desenho gráfico, que vem de Gutemberg.

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Acontece que, mais cedo ou mais tarde, a mídia impressa ficará dependente não dos seus quadros profissionais, de sua estrutura de captação das informações. Qualquer pessoa, a qualquer hora do dia ou da noite, acessando blogs e sites individualizados, ficará por dentro do que acontece ou acontecerá.

Na atual crise que o país atravessa, a imprensa em muitas ocasiões foi caudatária do que os blogs informavam duas, três vezes ao dia. Em termos de amplidão, eles sempre ganharão de goleada da imprensa escrita e falada.

O gigantismo da Internet tem porém pés de barro. Se ganha no alcance, perde no poder de concentração e análise. Qualquer pessoa, medianamente informada ou sem informação alguma, pode manter uma fonte de notícias ou comentários com responsabilidade zero, credibilidade zero, coerência zero.

O mercado da informação, que formaria o poder no mundo moderno, em breve estará tão poluído que dificilmente saberemos o que ainda não sabemos: o que é mentira e o que é verdade”.

A educação tem o papel fundamental de ser mediadora entre a informação e o conhecimento, restabelecendo o poder de concentração e análise para que tenhamos pessoas com o senso crítico desenvolvido, que possam discernir o que é verdadeiro do que é falso, tornando-se autônomas diante de um universo de informações, muitas vezes, contraditórias pelos seus próprios fundamentos.

Estas pessoas conhecedoras das realidades com as quais se convive, aliadas à tecnologia que lhe disponibiliza o acesso ao conhecimento, se tornarão, a um só tempo, espectadoras e atoras de feitos intelectuais extraordinários que despertem a consciência de si para o verdadeiro sentido da vida, como essência auto-organizadora capaz definir o que é melhor para si e para a sociedade.

Referências:
CONY, Carlos Heitor. Mentira e verdade. Folha Online. Acessado em: 13.ago.2006.
KURZ, Robert. A ignorância da sociedade do conhecimento. Jornal Folha de São Paulo. 13/01/2002. p. 14-15


Donaldo de Assis Borges. Advogado. Graduado em Ciências (Universidade de Franca/SP). Graduado em Direito (Faculdade de Direito de Franca/SP). Graduando em Filosofia (Ceuclar - Batatais/SP). Especialista em Direito Tributário (Universidade de Franca/SP). Mestre em Direito (Universidade de Franca). Professor dos Cursos de Direito, Ciências Contábeis e de Pós-Graduação em Direito Tributário e Processual Tributário (Universidade de Franca/SP) e dos Cursos de Comunicação Social e de Turismo e Hotelaria do Centro Universitário de Franca - Uni-FACEF. Professor Titular de Ética e Legislação Publicitária do Curso de Comunicação Social – Publicidade e Propaganda – e de Direito Aplicado ao Turismo do Curso de Turismo e Hotelaria do Uni-FACEF.


Publicado por: DONALDO DE ASSIS BORGES

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.
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