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As melhores escolas

Educação

Resultados acadêmicos x Desenvolvimento Humano, nem sempre as melhores escolas aparecem no hanking.

O final do ano aproxima-se e muitos pais começam a visitar escolas e creches para colocarem seu(a) filho(a) estudando no próximo ano. Hoje vive-se dois grandes discursos para educação escolar por um lado, o discurso de Resultados Acadêmicos, instituições que centram seu ensino treinando as crianças e jovens para passar nos testes e obter notas boas, por outro, creches e escolas que implementam o discurso do Desenvolvimento Humano, através da sua educação subsidiam crianças e jovens para que pensem por si mesmos e não aceitem a primeira idéia que lhes é oferecida. Nestas escolas encontram-se propostas educativas de longo prazo, mais evidentes em avaliações qualitativas.

Para o psicólogo, americano, Thomas Armstrong nem sempre as melhores escolas são aquelas que aparecem como as primeiras dos ranks divulgados pela mídia. Para ele na Educação Infantil (creche e pré-escola) a educação deve derivar do lado lúdico. A ênfase dos primeiros anos do Ensino Fundamental (1º ao 5º ano) deve ser a de ajudar as crianças a entender como o mundo funciona, engajando-as ativamente em atividades cotidianas. Nos últimos do Ensino Fundamental (6º ao 9º ano) a escola deve enfatizar o crescimento social, emocional e metacognitivo. E por fim as escolas de Ensino Médio deveriam devotar-se à preparação dos estudantes no mundo com independência.

A partir dessa breve reflexão sobre as funções da escola em seus diferentes níveis apresento a seguir alguns pontos importantes na hora de escolher a escola para seu (sua) filho (a):

1 – O propósito educativo da escola deve ser o desenvolvimento integral de crianças e jovens, não se restringindo à preparação para exames e provas. Educar é muito mais do que ensinar para a prova.

2 – As ações da escola não devem estar centradas somente no desenvolvimento intelectual. Seu projeto deve contemplar o desenvolvimento integral das crianças e dos jovens: social, afetivo, psicomotor e cognitivo. Sujeitos educados assim são capazes de dialogar, criticar e se autocriticar.

3 – Ela deve ir além do objetivo de ensinar a ler, escrever e contar. Deve ser uma parceira dos pais na tarefa de educar para formar cidadãos conscientes. A educação é um propósito coletivo.

4 – A estrutura física não precisa ser sofisticada, mas tem de ser saudável, com acessibilidade para todos, e obedecer a todas as normas de segurança. O espaço da escola deve expressar o que é vivido pelo grupo.

5 – Os pequeninos devem iniciar em uma escola menor, acolhedora, que inspire mais "aconchego", pois nesse período o mais importante é a formação do vínculo com os professores e outras crianças. Afetividade é um ingrediente indispensável no processo educativo.

6 – As turmas devem ser pequenas, para que os professores conheçam seus alunos pelo nome e possam acompanhar seu desenvolvimento. As turmas devem se constituir em grupos, e não em bandos.

7 – Os professores e profissionais da escola devem ser habilitados para desenvolver suas funções, trabalhar coletivamente e estar permanentemente em processo de formação continuada. O foco não deve ser o professor, mas a equipe, o sujeito coletivo.

8 – A livre expressão e o estímulo à criatividade devem ser incentivados. São competências importantes na formação de todos os indivíduos. Sujeitos autônomos são educados em espaços onde se vive a democracia.

9 – Num ambiente democrático disciplina é importante. O fundamental é que crianças e jovens aprendam a respeitar os outros, reconhecendo seus direitos e tendo a noção dos limites e das regras sociais. Educar exige liberdade e limite ao mesmo tempo.

10 – A escola deve ter seu projeto político-pedagógico elaborado com a participação de toda a comunidade escolar (estudantes, pais, funcionários, professores, coordenadores e diretores). Participação e cooperação são princípios fundamentais.

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11 – A escola deve estar registrada na Secretaria de Educação. Educação escolar não é coisa para curiosos e/ou leigos.

12 – É importante que, entre os objetivos propostos pela escola, esteja prevista a aprendizagem do pensar, de como resolver situações problemas, desde cedo, porque só assim crianças e jovens saberão fazer suas escolhas. Saber escolher é um aprendizado.

13 – No projeto pedagógico devem estar previstas atividades artísticas, culturais e esportivas, como passeios, viagens, festas, oficinas, apresentações, feiras, palestras, entre outras. Participar dessas atividades irá fortalecer a autoria de seu (sua) filho(a), ampliar sua compreensão do mundo e propiciar um melhor entendimento dos conteúdos relacionados a outras áreas do conhecimento. Aprende-se efetivamente na vida, nas situações reais, concretas e cotidianas.

14 – Ao matricular seu (sua) filho (a) numa escola, você passa a integrar a comunidade escolar. Nesse sentido, é necessário que a escola planeje ações educativas também para os pais: palestras, debates, filmes etc.

15 – A escola tem de servir para todas as crianças, pois todas têm necessidades especiais e necessitam de cuidado individualizado. Não é responsabilidade da criança ou do adolescente se adaptar à escola, e sim a escola é que deve se adaptar a eles. Crianças e jovens, juntos, cada um com suas diferenças, aprendem mais e melhor porque não aprendem apenas a ler e escrever, mas também a conviver com as diferenças. Isso é que "vai fazer a diferença", quando forem adultos, quando forem conviver com os colegas no trabalho, com os namorados, com maridos e mulheres, enfim, com e na sociedade, feita de diferenças. Nada mais humano do que as diferenças.

16 – Crianças e jovens devem ter oportunidade de viver de forma saudável. A educação alimentar é ponto fundamental em uma proposta que não pensa que crianças e jovens (sujeitos sociais) devam ser tratados somente como alunos (cérebros). O corpo também precisa ser educado, para promover a saúde como um todo. Desde cedo as crianças devem aprender a cuidar do seu corpo e da sua saúde. Assim é que a proposta educativa precisa envolver projetos contra uso de cigarro, droga, álcool; discutir consumismo, violência etc. A escola deve promover reflexões sobre temas que contribuam para o desenvolvimento de valores importantes para si e para a sociedade.

17 – A ecologia, e as sustentabilidade devem integrar os componentes curriculares da proposta educativa da escola. Estamos num momento crítico da história da Terra, a Humanidade deve escolher o seu futuro. Ou formar uma aliança global para cuidar da Terra e uns dos outros, ou arriscar a nossa destruição e o da diversidade da vida.

18 – Um bom indicador de qualidade da escola é o sentimento das crianças e dos jovens que a freqüentam. Procure observar se eles estão felizes, alegres. Escola deve ser um espaço de prazer, mesmo existindo regras, disciplinas, compromissos e cobranças.

O mundo globalizado em que vivemos, segundo o geógrafo brasileiro, Milton Santos é horrível. É fruto de um desenvolvimento histórico e para nós pais e professores a esperança deve ser uma opção de futuro. Pensar na educação dos nossos filhos e alunos é escolher o melhor caminho para equipá-los para viver a partir do legado que estamos deixando para eles com competências para transformar o mundo repleto de males sociais em um novo mundo possível.


Publicado por: Aristeo Leite Filho

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.
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