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Brasil ante o Século XXI

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Brasil ante o Século XXI, A formação do poder imperial detido pelos Estados Unidos, A funcionalização da vida, A América Saxônica é o universo de “know how” .

Aldo Ferrer, um autor por muitas vezes esquecido, já nos salientava em sua época o preceito de “Vivir com lo nuestro”, como sendo uma modalidade quase que exclusiva para o crescimento e desenvolvimento independente da América Latina.
Hoje como bem sabemos, o termo globalização esta em voga, quase tudo é global ou globalizado está. Mas um dos aspectos mais interessantes da presente conjuntura global é o predomínio dos meios pelos fins, da técnica sobre os valores superiores do homem, do “know how” sobre o “know for”. E é especialmente sobre estes aspectos que gostaria de atentar.

O declínio das crenças religiosas no mundo ocidental, o fato de que a civilização teocentrica, como ocorreu com a civilização ocidental da Idade Média até princípio do século XX, se tenha tornado cada vez mais, uma civilização centrada sobre a ciência e a tecnologia, creio não ser presunçoso de mais ao dizer que, nunca na história do homem a tecnologia e a ciência foram tão exaltados, assimilados como parte da cultura de um povo. Isso contribuiu para que o objetivo de consumo se fosse convertendo cada vez mais no objetivo predominante do homem contemporâneo. Como conseqüência direta, a procura dos meios proporcionadores de capacidade de consumo se tornou à motivação central do homem.

Bem, estas características de simples constatação de nosso tempo, nos permitem fazer a alusão de duas conseqüências fundamentais para entender a atual conjuntura.

1. A formação do poder imperial detido pelos Estados Unidos.

2. A funcionalização da vida, convertendo as pessoas em mera engrenagem de um sistema produtivo-alocativo, que vai dos postos mais altos aos mais modestos da sociedade. Colocado desta maneira este sistema converte as pessoas, ao que chamo de funcionários de turno, que por sua vez são substituíveis por outros funcionários de turno. É o surgimento terrível do homem descartável.

Para a América Latina neste sentido surgem dois desafios. Por um lado, o desafio de os paises da região perderem sua identidade nacional e destino próprio, convertendo-se, como já está ocorrendo com a maioria dos países do mundo, em meros segmentos do mercado internacional, países internacionais. Por outro lado, o desafio de os latinos americanos perderem os valores humanistas e se converterem em agentes intransitivos – e descartáveis – do sistema produtivo-alocativo internacional.

No auspício deste novo milênio a América Latina apresenta ainda (e ainda bem) muitas características heterogêneas. E é claro, contém nos países que a integram resíduos consideráveis de subdesenvolvimento. Mas por outro lado, apresentam uma cultura bastante homogênea, a despeito de importantes diversidades nacionais. Podemos observar isso tudo facilmente desde fora, principalmente no contraste entre América Latina e América Saxônica. O contraste se dá na distinção em que cada uma das Américas dispõe de condições tecnológicas e de valores humanistas.

O que sustento é que: A América Saxônica é o universo de “know how” e o sítio da mais alta e difundida tecnologia do mundo. Ao passo que, a América Latina é justamente o contrário, pois está se tecnificando, e isso leva por outro lado, a conservação elevada do teor de humanismo. E isso tanto em sua cultura erudita quanto em sua cultura popular e praticada cotidianamente, está impregnada na cultura desse povo e essa é uma característica impar desta região do planeta. Em suma, se está tecnificando e desenvolvendo, mas, contudo, preservando sem embargo seu legado humanista, e isto é precisamente aquilo que mais carece a América Saxônica e o mundo de forma geral. Num contexto de internacionalização de quase tudo, e da conseqüente e rápida tecnificação e desenvolvimento dos países compelindo constrangimentos irreversíveis, situa-se a América Latina uma região chave para a universalização de um novo humanismo.

Mas para que algumas destas considerações aconteçam, os países da América Latina necessitam antes de tudo, que o bloco comercial Mercosul se firme economicamente e culturalmente com sua articulação e seus movimentos. Para isso que importa a argumentação de nosso Ferrer: “vivir com lo nuestro”. Talvez nem tudo esteja perdido no final...

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Publicado por: Amilson Barbosa Henriques

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