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Face fiction: Tempos de violência

Atualidades

Que tal conferir uma reflexão acerca da violência em que estamos vivendo? Confira!

O comportamento humano, ao mesmo tempo em que nos fascina com sua complexidade e exuberância (em alguns casos), nos assusta e nos põe em uma constante indagação do que esperar das próximas gerações, cada vez mais sinistramente apegadas ao pessimismo, voyeurismo virtual e culto à violência.  Quando me refiro à violência, não critico o nível de brutalidade em filmes, seriados ou videogames como um censurador moralista ou crítico conservador. Não, longe de mim. Quem vos fala (escreve) possui 24 anos e é um admirador de boa parte da cultura pop, seja em videogames, cinema, música entre outros. Não sou hipócrita. Ao pagarmos uma entrada de cinema para um filme de Jet Li ou Tony Jaa o mínimo que se espera são bons chutes e lutas de tirar o fôlego. Não critico a “violência artística”, mas sim a real e a necessidade desesperada que o público tem de ser informado da mesma todo santo dia.

Não importa o boletim econômico, pouco importam as propostas a serem votadas na câmara hoje, amanhã ou depois (Simples, é só culpar o governo e dizer que políticos são todos ladrões que se preenche a cota de assuntos políticos naquele dia. Joia.). O que importa é saber quem morreu, foi esquartejado, torturado, queimado ou apedrejado até a morte. De que me adianta saber sobre o que a manifestação se tratava? Eu quero saber sobre os black blocks  e o que eles quebraram! Dê-me minha dose diária de violência! Agora!

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O incrível é ver essas mesmas pessoas, que muitas vezes nem se dão conta de seus vícios subconscientes de violência, reclamarem do conteúdo violento de seus telejornais, graciosamente sensacionalistas (o cliente tem sempre a razão). Quem nunca teve aquela tia hipócrita que apenas parava na frente de um telejornal quando a noticia estava sangrando e em seguida censurava você por seu péssimo gosto em filmes/games violentos?

A violência assume varias facetas, formas e nuances, mas nenhuma delas deixa de ser adorada e venerada durante o nosso cotidiano. Se impregna em discursos religiosos, em discriminações étnicas e sociais. Patricinhas passeando em um shopping  e “dando mole” para seus “paquerandos” é algo extremamente aceitável e comum, porém quando isso ocorre com meninas e meninos originários de comunidades mais pobres nós temos as reportagens sobre o “rolezinho”. 

Se por um lado a garotada é doutrinada ao pessimismo e ao “vira-latismo” por outro, os menos interessados desenvolvem verdadeiros cultos a imagem. É de assombrar a quantidade de fotos, nas mais diferentes edições e proezas que um photoshop pode produzir. E cada “like” no facebook conta.

E assim caminhamos rumo à sabe se lá o que. Soei pessimista? Droga, fui contaminado. Vou ler minha auto-ajuda, abraços.  


Publicado por: Franco Nogueira

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.
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