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Atravesse o vazio

Atualidades

Atravessar o vazio significa tomar a decisão de fazer diferente, e fazer.

Obviamente que, assim com um pintinho dentro do ovo, dá um medo danado de romper a casca, e nos decepcionarmos com os resultados. Mas não há outra maneira de sabermos dos resultados, se não atravessarmos o vazio entre o que temos e somos e aquilo que sonhamos ter e ser.

Certa vez, um estudante iniciante perguntou a um empresário de sucesso: “o que separa uma pessoa de sucesso, e alguém que sente ter fracassado na vida?” E o empresário respondeu: “apenas um vazio”. 

“Como assim”, arguiu o estudante. “A pessoa de sucesso atravessou o vazio entre aquilo que ela era, e o que queria ser”, respondeu o empresário.

Qual é o vazio que você precisa atravessar? O que precisa fazer, para cruzá-lo, chegando do outro lado? Que pontes, talvez, precise construir, antes de tentar atravessar?

Qual é a distância entre a renda que tem agora, e aquela que sonha em ter? Entre a profissão dos seus sonhos, da qual exerce neste momento? Da empresa que construiu, da expansão que deseja realizar? Da relação a dois que tem hoje, e aquela relação maravilhosa que prometeu no dia em que se conheceram? O que separa você dos seus sonhos? O que você precisa fazer, para ter e ser tudo aquilo que arde na sua alma, tamanho é seu desejo de conseguir? Eu respondo:

 VOCÊ PRECISA E ATRAVESSAR O VAZIO.

Do mesmo modo que o pintinho tem de ter coragem para desbravar a casca, e atravessar o vazio que o separa do mundo aqui de fora, você também precisa atravessar o vazio que tem impedido de realizar seus projetos mais ousados. Senão, também vai morrer, e do pior jeito: preso no vazio.

Atravesse o vazio pessoal que pode estar matando você em vida. Muitas pessoas vivem de aparências, sofrendo de um jeito tão doído, e que só elas sabem o quanto são tristes intimamente, ainda que esbanjem sorrisos do lado de fora.

Eu atendi a um senhor de pouco mais de sessenta anos, que havia conquistado tudo o que imaginava materialmente. Mas, sua vida pessoal era vazia de prazeres e de saúde física. Viveu para manter as aparências, conservando um casamento falido. Se doou aos negócios, na tentativa de preencher o buraco que a infelicidade pessoal deixara na sua vida. Como era de se esperar, não conseguiu. E isso lhe trouxe uma série de sintomas físicos, como gastrite, fibromialgia, cefaleia, tudo associado à ansiedade e estresse elevados.

Em suas longas conversas comigo, dizia que jamais dividira com os filhos suas angustias, suas dores, sempre suportou sozinho, e seu alento maior era ganhar mais e mais dinheiro, pois achava que assim a lacuna existencial seria preenchida.

Esse é um pensamento comum a quem vive essas angústias, recheadas de medos, insegurança, falta de pertencimento a um propósito. As pessoas acreditam que podem preencher o vazio da alma com coisas. Isso é impossível.

E o pior: muitas vezes, elas acreditam que a culpa é das coisas que conquistaram, sem se darem conta de todas as conquistas que têm, são maravilhosas. O problema está, geralmente, na forma como foram conquistadas, no preço que pagaram para obtê-las

Num desses encontros, fomos até uma área arborizada, com muitos pássaros cantando, borboletas revoando e uma brisa deliciosa. Sentados em um banco, ele me pergunta: “Paulo, como é que eu vou mudar minha vida, meu jeito, se passei mais de 20 anos casados com uma pessoa maravilhosa, mas, que não fui capaz de amar e fazer bem a ela? Meus filhos mal conversam comigo, parece que há um abismo entre nós”.

Com muita força, respondi: “você precisa atravessar o vazio”.

E continuei: “Você, se Deus quiser, ainda tem, pelo menos, duas décadas de vida. Portanto, precisa decidir, agora, de que maneira quer passar esse período. Se do mesmo jeito que passou as duas décadas anteriores, ou, de uma maneira tão feliz, tão extraordinária, que toda parte ruim de outrora, será sobreposta pela nova maneira que viverá”.

Ele me questiona: “Me fale mais como é isso de atravessar o vazio?”

Ensinei, dizendo:

“Parece complexo, mas é muito simples. Faça uma lista com pelo menos dez atitudes erradas, que o conduziram a ter essa vida lamentável que diz ter. Depois, escreva para cada uma delas, pelo menos, duas atitudes que sabe que deveria ter tido. Por exemplo, você diz que seus filhos mal conversam com você, não é? Por que isso acontece? O que você fez de errado? Que atitudes acredita que levaram a esse ponto? Depois que estiver com essa lista em mãos, escreva como acredita que deveria ter agido com eles, o que deveria ter feito diferente. Assim que tiver as respostas, saia do campo da teoria, e transporte do papel para as páginas da sua vida essas ações, sem desculpas. Simplesmente faça, sem criar expectativas por enquanto. Apena atravesse esse vazio entre teoria e prática. Não atribua culpa aos seus filhos. Estamos atrás dos seus erros, das suas falhas. Vamos fazer você atravessar esse vazio entre o que fez e faz, e aquilo que precisa ser feito. Quando nós atravessamos o vazio, automaticamente, nos aproximaremos das pessoas, das coisas, enfim, de tudo aquilo que queremos, sem que elas precisem fazer um movimento sequer, pois nós faremos a travessia”.

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Outra vez, atendi uma jovem senhora de quarenta e sete anos, que se sentia muito infeliz, pois tinha vendido sua vida aos filhos e ao marido. Na juventude, sonhava ser massoterapeuta, no entanto, engavetou o sonho, pois tivera filhos muito cedo. Agora, em nossas conversas, o choro lhe vinha fácil, pois, além de não se sentir feliz com o momento atual, lá no fundo, culpava aos filhos por seus fracassos profissionais.

Entediada e sufocada, me pediu ajuda, dizendo: “professor, sempre ouço as pessoas dizendo que algumas vendem a alma ao diabo, para terem seus sonhos realizados. Eu fiz o contrário. Vendi minha alma à minha família, mas deu tudo errado, e hoje vivo triste, trancafiada em casa, porque meus filhos já foram cuidar de suas vidas, e tudo o que tenho são a louça e a casa para zelar. O que eu fiz de errado? Como posso mudar isso?”

É muito triste ver as pessoas assim. Mas, ao mesmo tempo, é ótimo quando alguém se dá conta do mal que fez a si mesmo, pois, geralmente, é o ponto de propulsão que a pessoa precisa para dar uma guinada.

Então, eu lhe disse:

“Não se dê por vencida. Sua vida está só começando. Estou ciente de que deixou muitas coisas para trás, e realmente há coisas que não poderão ser feitas como antes. Porém, veja quanta experiência acumulou, e quantas coisas formidáveis há ainda por fazer, quem sabe, melhores agora do que se tivessem sido realizadas anteriormente. Você precisa parar de ruminar o passado. Seu papel agora é atravessar o vazio que a separa de construir a vida que ainda tem o direito de viver. Ninguém está preocupada com suas dores, e esperar que o mundo carregue você no colo é uma ilusão. A travessia para o outro lado da ponte terá de ser feita apenas por você. Se puder contar com o apoio de alguém, ótimo. No entanto, caminhe seus próprios passos, e mesmo que ninguém apoie, ainda assim, chegará do outro lado”.

Com algumas novas atitudes, ela encorpou sua postura, e uma das primeiras coisas que fez foi se inscrever no curso de massoterapia. Com sua mudança, algumas pessoas começaram a se reaproximar dela, principalmente, os filhos e o esposo, que nunca tinham visto aquela sua face proativa, dinâmica. Sempre existiu, mas ela própria havia encoberto com uma conduta de coitadinha.

Em dois anos concluiu o curso, abriu uma pequena clínica, que, aos poucos, expandiu-se para mais duas filiais. Da última vez que a vi, estava esbanjando jovialidade, rodeada pelos filhos e netos, além de viver um caso de amor com seu cônjuge. Afinal, atravessou o vazio, e passou a ter um romance com ela mesma. E não há quem resista a amar alguém que se ama.

Atravessar o vazio significa tomar a decisão de fazer diferente, e fazer. Chamar para si a responsabilidade pelas mudanças, sem dar desculpas ou esperar que os outros façam a travessia que cabe a nós fazer.

Seja na profissão, ou na vida:

QUAL É O VAZIO QUE VOCÊ PRECISA ATRAVESSAR PARA TER E SER TUDO AQUILO QUE MERECE?

Forte abraço, fique com Deus, sucesso e felicidades sempre.

Prof. Paulo Sérgio


Publicado por: Paulo Sérgio

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.
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