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Fazer uma coisa de cada vez já não basta

Administração

Aprendendo a não ser escravo do tempo.

Estamos vivendo dias em que o tempo parece ser a moeda mais preciosa do mundo capitalista. Muita gente já não tem paciência para quase nada. Quase tudo tem que ser feito as pressas para evitar descontentamento. Agora mesmo enquanto você lê esse artigo, é possível, que esteja tentando fazer algo mais, como comer ou beber, falar ao telefone, atender a chamados, fazer anotações que nada têm a ver com essa leitura, teclar em chats ou digitar um torpedo, não é verdade? Isso parece tão normal que até nos sentimos incomodados quando fazemos apenas uma coisa de cada vez.

Recentemente, fui ao meu cardiologista fazer o check up periódico. Fiquei impressionado ao ver um homem de meia idade (entre 30 e 40 anos) sair do exame de esforço físico se estressando tanto com uma funcionária do centro médico a ponto de quase agredi-la fisicamente. Fiquei imaginando, poxa vida, como pode? Estamos no Rio de Janeiro, uma das cidades mais civilizadas do país, em uma clínica de classe média, onde se espera um comportamento mais educado, o cara está fazendo exames cardíacos e o que estávamos assistindo era algo muito distante de tudo disso. Mas o que leva as pessoas a se tornarem, a cada dia, mais intolerantes com relação ao tempo?

Muitos fatores provavelmente, mas tenho o palpite de que o uso constante da tecnologia pode estar influenciando o nosso comportamento. Eu já não me imagino mais vivendo sem computador, celular, internet, smartfhone e tantos outros equipamentos tão úteis para facilitar a nossa vida. Porém, eu quero crer que a tecnologia em si não é o motivo de tanto estresse e sim a forma como lidamos com ela. Há pessoas que se irritam com o elevador que demora mais de 20 segundos para chegar; que já não segura mais a porta para o próximo, pois não tem tempo a perder, já não pára para cumprimentar ao próximo, pois estamos quase sempre atrasados. O fato é que tem muita gente confundindo pressa com produtividade.

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Se almoçamos ou engolimos o sanduíche, também falamos ao telefone, trocamos torpedos, conversamos com quem está nos acompanhando, anotamos coisas, pegamos o dinheiro na carteira para pagar e, se o caixa demora um minuto para devolver o troco, ficamos impacientes e reclamamos. Daí, saimos rapidamente pelas ruas sem ver ou ouvir quem estiver em nossa rota. Quantas vezes ouvimos alguém nos dizer: “lhe vi atravessando a rua semana passada...” E você indaga com tom de surpresa: “é mesmo, aonde e quando foi?”

Tenho a sensação que temos mais meios de contato e menos qualidade de comunicação. Não consigo entender como muitos imaginam que a velocidade ganha da qualidade. Não seria melhor executar de forma otimizada uma coisa de cada vez, ao invés de tentar fazer muitas de qualquer jeito? Às vezes fico imaginando se no comando de um jato o piloto fica tentando fazer meia dúzias de coisas ao mesmo tempo; se enquanto opera, o cirurgião fala ao celular, tecla torpedos e muitas outras atividades.

Seria isso mesmo que desejamos? Tornaremo-nos eternos servos do tempo ou ele que deve nos servir? Aonde pretendemos chegar com tanta pressa? Não é preferível ser paciente com os outros para evitar ser paciente no hospital? Li uma passagem que relatava a morte de uma pessoa de muitas posses. Daí, no dia do velório, dois de seus amigos conversavam e um perguntou para o outro: “o que ele deixou?” Ao que o companheiro respondeu: “deixou tudo.” Estaríamos esquecendo que dessa vida nada se leva, só se deixa?

Pense nisso e ótima semana,

Evaldo Costa

Escritor, consultor, conferencista e professor.

Autor dos livros: “Alavancando resultados através da gestão da qualidade”, “Como Garantir Três Vendas Extras Por Dia” e co-autor do livro “Gigantes das Vendas”

Site: www.evaldocosta.com.br

E-mail: evaldocosta@evaldocosta.com.br


Publicado por: evaldocosta

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.
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