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O PERFIL DOS PROFISSIONAIS DA SAÚDE NA PRÁTICA EDUCATIVA: UMA BREVE REFLEXÃO SOBRE A ATUAÇÃO

Saúde

A educação para a saúde pode ser compreendida como fator de promoção e proteção à saúde e estratégia para a conquista dos direitos de cidadania, essencial para o desenvolvimento da consciência sanitária da população e dos governantes garantindo que o direito à saúde seja encarado como prioridade.

RESUMO

O presente artigo de estudo exploratório e de abordagem qualitativa visa salientar a importância dos profissionais da área de saúde na utilização de ações pedagógicas, ações estas capazes de desenvolver práticas educativas, baseadas em instrumentos metodológicos e técnicas de ensino voltadas á promoção, prevenção, recuperação e reabilitação da saúde dos indivíduos, bem como família e comunidade. De forma a orientar, conscientizar a fim de, promover um processo educativo em saúde com qualidade e eficiência. Tendo enfoque na obtenção de resultados satisfatórios, tais como consciência e percepção do indivíduo em relação ao seu auto cuidado, além de proporcionar um desenvolvimento de um sujeito crítico e reflexivo diante da garantia de seus direitos e de suas

ações sanitárias perante a sociedade. Os objetivos deste estudo compreendem a descrição e analise das práticas educativas em saúde desenvolvidas e utilizadas pelos profissionais de saúde, bem como a atuação destes profissionais frente a estas técnicas metodológicas.

PALAVRAS-CHAVE: Profissionais de saúde, atuação, prática educativa

ABSTRACT

This article exploratory and qualitative approach seeks to emphasize the importance of health professionals in the use of pedagogical actions, these actions can develop educational practices based on methodological tools and teaching techniques geared to the promotion, prevention, and recovery rehabilitation of the health of individuals as well as family and community. In order to guide, in order to raise awareness, promote health education process with quality and efficiency. Having focused on satisfactory results, such as awareness and perception of the individual in relation to their self care, and provide a development of a critical and reflective subject before ensuring their rights and health of their actions in society. The objectives of this study include the description and analysis of health education developed and used by health professionals, as well as the work of these professionals face these methodological techniques.

KEYWORDS: Health professionals, health education, educational practice

INTRODUÇÃO

Conforme a Organização Mundial de Saúde (OMS), o conceito de saúde define-se por um estado dinâmico de bem-estar físico, mental, espiritual e social e não apenas a ausência de doenças, ou seja, observa-se a saúde do individuo de forma integral, compreendendo sua complexidade e analisando-a sistematicamente.

De acordo com a Lei Orgânica de Saúde (Lei nº 8.080/1990), define em seu artigo 3º que a saúde tem como fatores determinantes, dentre outros, a alimentação, a moradia, o saneamento básico, o meio ambiente, o trabalho, a educação, o transporte, o lazer e o acesso aos bens e serviços essenciais.

Analisada e conceituada a expressão saúde, podemos concluir que seu conceito pode ser compreendido de forma ampla e não meramente apenas ausência de doenças, ou seja, existem fatores diversos, sejam eles: intrínsecos ou extrínsecos ao ser humano que definem o estado de saúde de cada indivíduo.

Um fator determinante da saúde, que merece destaque, é consideravelmente a educação, uma vez que associada à saúde remete quanto à importância de serem justapostas permitindo criar ações pedagógicas no processo de educação em saúde ao indivíduo, família e comunidade. Com isso, realizando um processo de despertar dos indivíduos em relação a seu auto cuidado, consciência crítica e garantia dos seus direitos sociais.

Sendo assim, este trabalho de abordagem qualitativa; realizado pesquisa bibliográfica visa ressaltar a importância dos profissionais de saúde, quanto sua atuação de produção em educação e saúde. Os objetivos deste estudo, além disso, compreendem a analise das técnicas de abordagem de ensino e mecanismos metodológicos que efetivamente são utilizadas atualmente nas praticas educativas voltadas à saúde.

Esse estudo justifica-se pela necessidade de promover massiçamente uma educação continuada e permanente em saúde, proporcionando uma reflexão sobre os hábitos saudáveis de vida, tais como alimentação equilibrada, prática esportiva, lazer, ações sanitárias etc. Até porque é impossível falar de saúde sem deixar de falar nas condições de moradia, saneamento básico, meio ambiente e entre outros.

A necessidade de abordar este assunto provém da falta de conhecimento de muitos indivíduos a cerca do seu papel como sujeito social e referente ao seu auto cuidado. Esta falta de esclarecimento infelizmente ainda é consideravelmente significativa, o que gera indivíduos pouco conscientes de hábitos saudáveis e de ações sanitárias, refletindo na qualidade de saúde da população. Pois um indivíduo educado em saúde é um agente transformador da sociedade.

Em um país em que a grande maioria das pessoas possui a visão e ação de remediar, ao invés de prevenir, por isso se faz necessário a inclusão da educação em saúde tanto para jovens quanto para adultos, especialmente para os jovens e as crianças, visto que sua formação como indivíduo compreende esta etapa da vida. Uma criança e um jovem politicamente educado quanto aos aspectos que compreendem a saúde, consequentemente este será um adulto consciente referente às ações sanitárias, encarando a saúde como um direito e uma prioridade social.

A educação para a saúde pode ser compreendida como fator de promoção e proteção à saúde e estratégia para a conquista dos direitos de cidadania. Sua inclusão na sociedade responde a uma forte demanda social, num contexto em que a tradução da proposta constitucional em prática requer o desenvolvimento da consciência sanitária da população e dos governantes para que o direito à saúde seja encarado como prioridade.

EDUCAÇÃO EM SAÚDE

Segundo a Constituição Federal de 1988, a saúde é vista como um direito de todos e um dever do Estado, visto que se faz necessário a elaboração e implantação de políticas públicas voltadas á saúde, para melhor atender à população (BRASIL, 1998).

Neste contexto de saúde, é importante ressaltar a construção de uma integração e um paralelo ao que se refere à educação, objetivando um processo de educação em saúde, visando suscitar nos indivíduos uma construção de consciência sanitária afim de, reverter o quadro da saúde da população enfatizando a participação popular nas políticas públicas exercendo dessa forma, sua autonomia como sujeito; além da democracia e cidadania.

A educação em saúde é compreendida como um processo, onde se estabelece trocas de saberes e experiências entre os indivíduos. Sendo assim, realizando combinações referentes às experiências de aprendizagem conducentes a saúde. Pode ser também definida como um processo que abrange a participação de toda a população no contexto de sua vida cotidiana e não apenas das pessoas sob risco de adoecer (CANDEIA, 1997).

O binômio saúde e educação são considerados interfaces que articulam entre si, e que de nenhuma forma podem se dissociarem, pois caminham juntas na realidade das práticas sociais. Nesta perspectiva de educação em saúde, configura-se a presença dos profissionais de saúde que atuam como colaboradores, atores e responsáveis no desenvolvimento da prática educativa. Para que o profissional de saúde possa atingir com excelência seu desempenho nas práticas educativas, requer que o mesmo possua proximidade com a realidade com a qual será objeto de trabalho, além de possuir visão crítica da sua atuação, bem como reflexão do seu papel como educador (FERNANDES et al., 2010).

De acordo com o Ministério da Saúde (MS), a educação em saúde denomina-se como um processo de capacitação da comunidade para atuar na melhoria da qualidade de vida e de saúde dos indivíduos. A discussão a cerca deste tema, é de grande relevância, pois se for discutido e abordado para com a sociedade, pode ser entendida como um mecanismo estratégico, afim de, estabelecer e fortalecer o vinculo entre o profissional de saúde e a população de forma geral. Este elo proporciona a consciência do indivíduo como protagonista da sua história, bem como sujeito de sua própria autonomia desenvolvendo uma visão crítica (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2005).

Historicamente o processo evolutivo da educação em saúde, compreende desde o marco das disputas dos modelos assistenciais de saúde, no final do século XIX, perpassando pelo movimento da Reforma Sanitária que objetivava transformações no contexto da saúde no Brasil, assim como a criação do Sistema Único de Saúde (SUS), até os modelos atuais de políticas públicas vigentes em nosso país (PAIM, 2003).

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Atualmente, a temática educação em saúde configura um dos assuntos mais debatidos e questionados ora pela saúde pública, ora pelos profissionais da área de saúde. Com isso discute-se sobre a interação entre educadores e educandos; ressaltando a troca de experiências e conhecimentos entre os mesmos a fim de capacitar a população de forma geral, quanto à promoção de hábitos saudáveis (PAIM, 2003).

De acordo com Paulo Freire (1996, p. 47), educar é saber que ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua criação.

Na perspectiva que a prática educativa é considerada também um processo político em que os mecanismos metodológicos e as técnicas pedagógicas, propiciam as transformações, assim como desalienação e emancipação dos sujeitos envolvidos. Por isso a educação em saúde não tem por objetivo meramente informativo, entretanto trata-se de uma prática educativa que busca conduzir os indivíduos a uma reflexão sobre as bases sociais da vida, fazendo-os perceber que a saúde é um direito social e não uma concessão (SOARES et al., 2009).

De acordo com Paulo Freire (2004), a sua concepção de educação resume-se a:

“ato sociopolítico e uma situação gnoseológica aonde as pessoas, mediadas pela realidade histórica social, em relação dialógica, umas com as outras e em permanente leitura analítico-crítico daquela realidade superavam a pobreza política e a consciência ingênua construindo até a morte, a consciência política pela rejeição a todas as formas de opressão” (FREIRE, 2004, p: 59).

Os profissionais de saúde podem ser representados por médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, cirurgiões-dentistas, psicólogos, nutricionistas e outros que atuam de forma multidisciplinar. Juntos devem atuar de acordo com os seus saberes específicos, porém é necessário somar todos esses saberes para obter respostas satisfatórias, efetivas a problemática que envolve a perspectiva de viver com qualidade (SOARES et al., 2009).

Sem dúvida a troca de conhecimentos entre sociedade, profissionais da saúde e autoridades competentes realiza um trabalho conjunto, resultando na produção de saúde.

Práticas Educativas

As práticas educativas são consideradas relevantes no processo em saúde, visto que o objetivo primordial da educação em saúde baseia-se na melhoria das condições de vida e saúde da população. Para atingir este objetivo é necessário que as práticas educativas estejam voltadas para a realidade da população à qual se destina, destacando seus reais problemas, bem como a etiologia dos mesmos (KRUSCHEWSKY et al., 2008).

Para tanto é imprenscídivel ir ao encontro dos interesses da sociedade, ou seja, dos educandos; proporcionando-os contéudos e práticas que estejam em consonância com suas necessidades. partindo deste pressuposto as intervenções poderão ser efetivamente desenvolvidas e aplicadas.

Para que haja eficiência e qualidade na aplicação das atividades educativas, é importante caracterizar e analisar o público-alvo à qual se pretende atingir, desde pessoas saudáveis, como também pessoas saudáveis, porém expostas a risco de contrair doenças e pessoas com doenças instaladas e ou crônicas. Após esta análise, segue se a identificação da fase do ciclo, a exemplo da infância, adolescência, adulto e idoso. Em seguida observa-se qual nível de atenção a ser abordado, seja primário, secundário ou terciário. Após isso deve se apropriar de u embasamento teórico para a prática pedagógica em saúde, ou seja, quais teorias melhor se aplicam a realidade de derteminada comunidade (KRUSCHEWSKY et al., 2008).

Os profissionais da área de saúde são educadores por natureza, visto que desempenha funções voltadas a prevenção de doenças e promoção da saúde. Neste contexto atuam desenvolvendo atividades de educação em saúde, atendendo às necessidades socias, de forma a orientar, respeitando o nível de instrução escolar e o contexto social em que vivem, adequando a uma linguagem e abordagem específica a cada indivíduo, grupo ou comunidade (BORDENAVE et al., 2002).

Embora todos os profissionais de saúde sejam educadores por natureza, é necessário que os mesmos desenvolvam suas atividades pedagógicas, aperfeiçoando suas técnicas teórico e pedagógicas.

Para que a educação em saúde tenha qualidade e atue atendendo as necessidades e anseios da sociedade se faz necessário que haja estratégias de ensino e aprendizagem, utilizando-se de artifícios didáticos que valorizem o educando como um ser singular e capaz de participar ativamente do seu processo educacional (BORDENAVE et al., 2002).

Existem inúmeras vertentes ou modelos a serem trabalhados nas atividades educativas em saúde. Os modelos pedagógicos de certa forma refletem ideologias distintas referente à conduta individual e coletiva. Destacam-se alguns, entre les a pedagogia de transmissão ou tradicional e a pedagogia da problematização, crítica e libertadora.

A pedagogia tradicional baseia-se na importância das ideias e conhecimentos, e a figura do aluno é de receber essas novas ideias e conhecimentos feitos uma página em branco; deixando de desenvolver seu crescimento e participação ativa. Já a pedagogia problematizadora possibilita uma prática educativa em saúde mais participativa, proporcionando transformação social (LOPES et al., 2009).

Logo a pedagogia tradicional visa apenas à transmissão de informação e conhecimento, enquanto a teoria problematizadora de Freire objetiva despertar a consciência política e critica, por meio da educação popular (LOPES et al., 2009).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A atuação dos profissionais da área da saúde voltados à educação em saúde, mediante práticas educativas e/ ou pedagógicas, são consideradas fundamentais para o processo de formação reflexiva e crítica da sociedade. É por meio da educação que se atinge objetivos satisfatórios tais como o despertar da consciência dos indivíduos quanto ao seu auto-cuidado, bem como consciência das ações sanitárias, garantia dos direitos e entre outros.

A educação em saúde perpassa pela importância da promoção, prevenção, recuperação e reabilitação da saúde dos indivíduos. Além disso, promove a aplicação de hábitos de vida saudáveis, proporcionando assim melhor qualidade de vida para a população, pois uma sociedade bem orientando e conscientizada desenvolve suas competências, habilidades e ações sanitárias com qualidade e eficiência.

Há de se ressaltar também que a aplicação e instrumentalização das praticas pedagógicas se dá por meio de inúmeros modelos pedagógicos. Um dos modelos mais utilizados e que se aplica de acordo com as reais necessidades do público–alvo a de se atingir, compreende a teoria problematizadora, crítica e libertadora, que analisa o indivíduo como sujeito de sua própria autonomia, trabalhando o desenvolvimento do seu pensamento crítico e reflexivo, bem como agente transformador da sociedade.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ABREU, A.R; PEREIRA, M.C.R; SOARES, M.T.P; NOGUEIRA, N. Saúde. Disponível em <HTTP:// <www.portal.mec.gov.br/sec/arquivos/pdf/livro092.pdf>. Acesso em: 05 de out de 2012.

BORDENAVE, J. D; PEREIRA, A. M. Estratégias de ensino aprendizagem. 23ºed. Rio de Janeiro: Vozes, 2002.

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CANDEIA, N.M.F. Conceitos de educação e de promoção em saúde: mudanças individuais e mudanças organizacionais. Rev. Saúde Pública, 31 (21): 209-13, 1997.

FERNANDES, M.C.P; BACKES, V.M.S. Educação em saúde: perspectivas de uma equipe da Estratégia Saúde da Família sob a óptica de Paulo Freire. Rev. Brasileira de Enfermagem, 63 (4): 567-73, 2010.

FREIRE.P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 39 ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996, p 47.

FREIRE. P. Paulo Freire para educadores. 6 ed. São Paulo: Arte e Ciência, 2004, p. 59.

KRUSCHEWSKY, J.E; KRUSCHEWSKY, M.E; CARDOSO, J.P. Experiências pedagógicas de educação popular em saúde: a pedagogia tradicional versus a problematizadora. Rev. Saúde, 4(2): 160-160, 2008.

GAVIDIA, V. Salud, educación y calidad de vida: De cómo las concepciones del profesorado inciden en la salud. Santa Fe de Bogotá: Magistério; 1998.

LOPES, M.E; ANJOS, S.J.S.B; PINHEIRO, A.K.B. Tendência das ações de educação em saúde. Rev. Brasileira de Enfermagem, 17 (2): 273-7, 2009.

MINISTÉRIO DA SAÚDE: A educação que produz saúde. Disponível em: < http:// www.portal.saúde.gov.br/portal/arquivos/pdf/educação_que_produz_saude.pdf>. Acesso em 04 de out de 2012

PAIM, J.S. Saúde: política e reforma sanitária. Salvador: Instituto de Saúde Coletiva, 2009


Publicado por: Edileusa Ferreira Costa

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