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Uma introdução a Liturgia Liturgica

Religião

A liturgia é a realidade mais viva e mais dinâmica que os homens inventaram e é a expressão mais eloqüente e mais consistente do fazer teológico e da Igreja.

Introdução

A liturgia é a realidade mais viva e mais dinâmica que os homens inventaram e é a expressão mais eloqüente e mais consistente do fazer teológico e da Igreja. Através da liturgia, a Igreja anuncia sua identidade, sua missão e sua finalidade. Na liturgia , a Igreja faz a experiência da salvação e dá ao mundo a essência do seu ser e existir. Na liturgia, a Igreja expressa de maneira simbólica a relação de Deus com a totalidade dos homens.

Esta liturgia , posta em ação pode ter várias reações ou atitudes. Mas, graças às seu pluralismo , continuará sendo o símbolo maior e mais original de que dispomos para falar da salvação que nos foi dada e da esperança que nos inunda.

Tudo o que veio depois do Vaticano II, tem desencadeado uma nova consciência litúrgica. Passados, os extremismo iniciais, se encaminham as novas tendências para a consolidação. As abordagens “movimentos”, e correntes de   opinião litúrgica pós-vaticano (desacralização-secularização, simbolismo-festa, intimismo-experiência...) contribuíram para melhorar o sentido e se ter mais discernimento sobre a liturgia.

O que segue nos próximos capítulos, é uma síntese dos principais tópicos da estrutura e elementos que fazem as ações da liturgia. As perguntas essenciais, do “conhecer” para “saber como celebrar” serão esmiuçadas para se ter um pouco mais de “consciência” e desse, modo participar ativa e plenamente dos Sagrados Mistérios.

A Liturgia como fonte e ápice da vida da Igreja

A Teologia litúrgica deixa claro a definição de liturgia, conservando a sua originalidade e etimologia como ação, práxis. Nela o divino torna-se eficaz em sua ação. Fala de modo simbólico aos homens e este responde. Ali se conserva a pedagogia da tradição judaico-cristã. Sem sua estrutura dialógica acontece a comunicação e o entretenimento de Deus com a humanidade. Todos os fiéis encontram nesse Tesouro espiritual a fonte da sabedoria. Através da Palavra, Deus dá a entender o seu querer, a sua vontade benevolente. Usando da própria palavra, o crente dialoga e responde ao divino, através de adoração, ação de graças, petições para a sua vida, suas necessidades bem como presta o culto expiatório. Todo o dinamismo dos ritos litúrgicos tem a eficácia de abastecer a vida da Graça e dar os auxílios necessários para que cresça e aumente sempre mais para se chegar à maturidade plena.

Para atingir os fins, a atividade central é a “ação litúrgica” fundada objetivamente na “ação de Cristo” no interior da “ação da Igreja”.

Mais precisamente o documento conciliar nos instrui a esse respeito:

Com razão, pois, a Liturgia é tida como o exercício do múnus sacerdotal de Jesus Cristo, no qual, mediante sinais sensíveis, é significada e, de modo peculiar a cada sinal, realizada a santificação do homem; e é exercício o culto público integral pelo Corpo Místico de Cristo, Cabeça e membros (SC 31)

Na liturgia a Igreja se representa pelo presidente e é representada por ele. Os ministros ordenados agem “in persona Cristi” e ao mesmo tempo “in nomine ecclesia”. Tanto ele age na pessoa de Cristo quanto faz as vezes da igreja da qual também é membro. No entanto, essa iniciativa é de Deus. Antropologicamente orgânica, a pedagogia de Deus atua usando a simbologia e o modo humano para conduzir sua ação salvadora. Necessita de um referencial para representá-lo e conduzir o povo de Deus ao mistério de sua presença e atuação no meio dos homens.

A liturgia é, por conseguinte, práxis simbólica, isto é, ortopráxis profundamente unida à ortodoxia à medida que não se reduz a mera cerimônia ritual – já que expressa, atualiza e torna operativa a práxis pascal de Cristo.(BOROBIO, 1990)

A Liturgia como Ciência

A grande questão no tocante a liturgia como ciência é interpretar o conhecimento ou “como saber” para poder celebrá-la. Assim, envolve aspectos desde técnicos, passando pela sua execução e a estética facilitando a compreensão das dimensões teológico-pastoral-mistagógica. Sem esse conhecimento, a liturgia passa como um ato distante, sem vida como se fosse uma encenação teatral. Não conduz ao mistério, não faz a ligação da experiência Deus que salva. Definição de liturgia como ciência:

Trata-se de estudo planejado, ordenado e crítico da liturgia: dos vários tipos de celebrações (sacramentos e sacramentais, liturgia da palavra, liturgia das horas, ano litúrgico), das suas formas celebrativas, de seus atores, dos textos, da dinâmica e lógica interna, dos objetos usado, do tempo e do local em que é celebrada... trata-se de apreender o sentido da liturgia como um todo e cada uma de suas partes(o que é celebrado, por que, para quem...) e chegar a conjunto sistematizado e lógico de categorias, leis e teorias. Haverá um momento de observação e de registro do que se tem observado, como que desmontado a liturgia em suas várias facetas (momento de análise); e haverá um momento de construir uma teoria (síntese) BUYST, i. 1989. P. 25).

Além de seus elementos constituintes, que iremos detalhar nas páginas seguintes, outro detalhe importante a ser mencionado é a de que a ciência litúrgica, ou as ações rituais da liturgia conta com o auxílio de outras ciências, como a Sociologia (para entender a estratificação social da assembléia), a psicologia (para discernir a identificação psicológica da realidade dos fiéis e desse modo saber que ações e reações se tem), a lingüística (os recursos da língua permite a comunicação eficiente da revelação de Deus), a arqueologia (sobretudo a arqueologia litúrgica tem contribuído para resgatar os valores litúrgicos das primeiras comunidades), as artes (na arquitetura e dimensões artísticas e plásticas dos templos) a Música ( na animação dos rituais elevando os fiéis para a contemplação do mistério).

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A Liturgia e recursos antropológicos

A Celebração do Mistério Cristão é uma expressão usada e significativa para indicar as ações litúrgicas. O Verbo “celebrar” nos remete conotativamente a uma festa, uma reunião de pessoas com um mesmos sentimentos, com conhecimentos comuns. Celebrar é sinônimo de glorificar, exaltar, festejar uma pessoa, um evento. No caso litúrgico tem como objeto o Mistério da salvação, o memorial da paixão-morte-ressurreição do evento de Jesus Cristo.

Toda celebração é festa, mas nem toda festa é celebração: é um evento simbólico com clima de festa levando os participantes a sentirem bem. Após terem feito a experiência do contato com o sagrado.

Não acontece festa se não tiver um motivo para se reunir em comunidade. O ponto alto da festa é a vivência do sentimento originário que levou às pessoas até ela. Esse sentido é a ruptura com o quotidiano.

O acontecimento pascal celebra o mistério feito na existência histórica, num tempo linear. Ele é único porque se realiza de modo místico sincronicamente ao memorial da Cruz e diacronicamente enquanto igreja local fazendo união com a igreja universal. Não é só lembrança, o hoje de Deus, se comunica, se manifesta, torna-se epifania entre os homens.

Os protagonistas da celebração são atores que realizam a ação salvífica como doadores de modo descendente (o mistério da Santíssima Trindade) e de modo ascendente (os homens sujeitos da celebração), constituídos em povo sacerdotal. O presidente in persona cristi e in nomime ecclesiae.

Toda celebração, desde a de benção até a eucaristia, constitui-se de quatro partes: introdução, liturgia da palavra, liturgia sacramental, conclusão e envio.

Na introdução somos chamados ao relacionamento com a vida; na liturgia da Palavra acontece o diálogo de Deus e do povo a Deus: ele fala, e espera uma reação. Três fatores são envolvidos: a palavra é emitida, é recebida e surge a resposta à palavra (CELAM I, 2009. P. 85).

A Oração universal dos fiéis, mesmo a comunidade sendo pequena se une em comunhão com a Igreja universal e com ela compartilha os mesmo sentimentos e preocupações.

Na Oração universal, a assembléia dos fiéis, à luz da Palavra de Deus, à qual de certo modo responde, pede normalmente pelas necessidades de toda a Igreja e da comunidade local, pela salvação do mundo e por aqueles que se acham em qualquer necessidade, por determinados grupos de pessoas. Sob a direção do celebrante, um diácono, um ministro ou alguns fiéis propõem oportunamente alguns pedidos breves e compostos com uma sábia liberdade, com os quais “o povo, exercitando seu ofício sacerdotal, roga por todos os homens, de modo que, completando em si mesmo os frutos da liturgia da Palavra, possa fazer de forma mais adequada a passagem à liturgia eucarística” (cf. OLM 30).

A liturgia Sacramental, rememora o evento salvífico da Páscoa de Cristo. O Atualiza e motiva a assembléia a celebrá-lo; Em nome da trindade, a comunidade é enviada para proclamar as maravilhas celebradas.

Considerações Finais

Fazemos as últimas palavras indagando, a modo das crianças na idade em que deixam as operações concretas e partem para as abstratas “por que celebramos?”. Já que a liturgia se concretiza na celebração, essa pergunta é bastante oportuna.

É importante menciona que na caminhada para se viver a espiritualidade concreta, é necessário experimentar o acontecimento da salvação, ou seja, a comunhão com Deus. Não só isso, mas também a comunhão fraterna. Viver isso, significa encontrar-se com o Cristo. Na liturgia, o cristão sente a convocação para a vivência em plenitude; presta um serviço à comunidade; vive a experiência do Espírito; experimenta a filiação divina; compreende a distribuição dos diferentes carismas; entra em contato com o germe de sua vocação e realização, assim como o seu destino escatológico. Por último, entende a intercessão feita pela Mãe de Deus e os dons pelos quais a enriqueceu para ser mediadora.

Referencias

CONSTITUIÇÃO DOGMÁTICA “DEI VERBUM”(DV) .Ed. Vozes.Petrópolis, RJ, 1987.

BOROBIO, Dionísio(org.). A Celcebração na Igreja. Tradução: Adail U. Sobral: Edições Loyola: São Paulo, 1990

BUYST, I. Celebrar é preciso. In: BUYST, I.; SILVA, J.A. O Mistério celebrado: memória e compromisso. Teologia litúrgica 1, Valencia (Espanha): siquem Ediciones, 2002, p 13-26.

(OLM) Ordo de Leitura na Missa.

Manual de Liturgia 1: A celebração do mistério pascal – Introdução à celebração litúrgica – CELAM; [tradução : Maria Stela Gonçalves]. – São Paulo: Paulus, 2004.

(CEC) Catecismo da Igreja Católica. Editora Vozes Paulinas Loyola Ave-Maria, 3ª edição: 1993.

OGRM . Ordenação Geral do Missal Romano.


Publicado por: Robson Stigar

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.
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