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JUVENTUDE NEGRA: VIOLÊNCIA SIMBÓLICA E OPRESSÃO POR PARTE DOS CANAIS DE MÍDIA

Psicologia

Descrever sobre a influência dos poderes de opressão na vida de jovens negros, identificar a violência simbólica praticada pela midia contra esses jovens negros e elucidar sobre o racismo institucional e a opressão.

RESUMO

Neste estudo será apresentada uma breve pesquisa sobre a violência simbólica feita por parte da mídia referente aos enfrentamentos de vulnerabilidade sociais vivenciados por jovens negros no estado brasileiro, demonstrando a importância da sociedade receber informações que sejam verdadeiras sobre a população negra que vive as margens enfrentando e tentando sobreviver aos ataques de quem deveria assegura-las de sua segurança e qualidade de vida.

Palavras-chave: juventude, negra, violência, opressão, racismo.

INTRODUÇÃO

O pré-conceito leva a ignorância e a mesma leva a violência, para iniciar esse assunto precisamos primeiro apresentar a população negra antes da criação do pré-conceito sediado e disseminado pela mídia. É comum (o que não deveria ser) todos os dias encontrarmos jovens negros precisando se reafirmar como seres que estudam, trabalham e buscam seus lugares na sociedade, bem como se encontra em lutas constantes de manifestação pelos seus direito que são violados – por exemplo: viver –, esses jovens são quem sobe e desce todos os dias dos guetos, das favelas, das periferias e comunidades.

Esses jovens clamam por segurança todos os dias, e ainda precisam enfrentar a mentira velada pela mídia citando toda vez que morre um jovem negro que o mesmo era traficante, bandido e criminoso, ou melhor, às vezes não é nem noticiado. No Brasil, passamos por vários casos de assassinatos, homicídios, feminicidios da população negra todo dia e ainda se discute entre os senhores que estão à frente do poder no país que a segurança pública deveria ser privatizada.

Entretanto, o objetivo desse trabalho é fazer um breve levantamento bibliográfico sobre os enfrentamentos cotidianos da juventude negra em relação à marginalização que a mídia cria como identidade dessa população, a importância da não privatização de serviços essenciais de segurança pública e como a juventude negra é segregada e assassinada todos os dias, muitas vezes sendo referenciada até como alvo de extermínio.

OBJETIVO GERAL

Compreender como a juventude negra precisa se reafirmar todos os dias diante da violência realizada pelos canais de mídia, bem como, entender o impacto que essas informações causam em diversos momentos da vida de jovens negros da favela, periféricos e de comunidades.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

  • Descrever sobre a influência dos poderes de opressão na vida de jovens negros.
  • Identificar a violência simbólica praticada pela midia contra esses jovens negros.
  • Elucidar sobre o racismo institucional e a opressão.

METODOLOGIA

Os dados utilizados para realização da pesquisa foram Scielo, Google acadêmico, Google chrome, livros, repositórios e entre outros. A pesquisa bibliográfica para ser realizada é importante o comprometimento do pesquisador em se atentar a levantamentos e temas trabalhados por outros estudiosos, explorando as obras e escritos já publicados (BARROS; LEHFELD, 2007).

DESENVOLVIMENTO

O LUGAR QUE O PODER OPRESSOR COLOCA A JUVENTUDE NEGRA

O Estatuto da Igualdade Racial (2010) assegura “[...] à população negra a efetivação da igualdade de oportunidades, a defesa dos direitos étnicos individuais, coletivos e difusos e o combate à discriminação e às demais formas de intolerância étnica” (BRASIL, 2010).

Em todo lugar na sociedade existe a intolerância, e a infâmia em oposição à juventude negra, que reside muitas vezes em favelas, periferias, comunidades e são pobres que em muitos casos se encontram em situação de vulnerabilidade escolar. Órgãos e instituições de abrangência mundiais, bem como, os bancos de direitos têm se manifestado sobre as consequências antagônicas da criação dessa conspurcação, tais como o exercício de extermínio dos jovens negros pobres ou o aprisionamento em massa destes (LEMOS et al, 2017).

Segundo Freitas e Cintra (2018), ao falarmos sobre a violência é inevitável que nossos pensamentos se voltem para a relação do uso da força que é reproduzida fisicamente, porém, é importante compreender que a violência não se resume apenas a isso, existem condições advindas do ambiente em que vivemos como as questões ideológicas, sociais, psicológicas e econômicas que são atualmente parte desse acontecimento.

Ainda de acordo com a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, 52ª edição (2017), assegura que todos são iguais perante a lei; sendo assim partindo do artº 5º : “[...] é preciso se manter assegurados nossos direitos e deveres e quando estão sendo violados”. De acordo com a Constituição, parágrafo 1º dos princípios fundamentais artº 3º os objetivos fundamentais são: “I – construir uma sociedade livre, justa e solidária; [...] IV – promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação” (BRASIL, 2017, p. 9).

Desse modo, mesmo que existam leis que visam a proteção e a seguridade de direitos como sendo todos iguais, a população jovem negra enfrenta o julgamento de ser somente pertencente ao destino de encarceramento, invalidação sobre o direito à educação, e ser um indivíduo de alta periculosidade. Todavia, a sociedade em um todo entende que o destino empregado a esse grupo social frequentemente é a prisão (privação de liberdade) ou o caixão (morte), lastimavelmente. Os estudos na área de psicologia com contribuição de multiprofissionais são de extrema importância para o desenvolvimento de políticas de intervenção nas forças que potencializam esses fatos (LEMOS et al, 2017).

A grande quantidade de prisões provisórias (quase 40%) indica que estas são resultado de policiamento ostensivo baseado em “identificação de suspeitos” e flagrante, e não em investigação policial. Se há muitos jovens e muitos negros na prisão não é porque a polícia esteja vigiando em suas atividades cotidianas os mais violentos, os que cometem os crimes bárbaros. Só 12% dos presos brasileiros estão cumprindo penas por terem cometido homicídios. O centro da política criminal é pautado pela punição aos crimes patrimoniais e ligado às drogas ilícitas, seguindo a doutrina de “guerra às drogas”. A punição recai desigualmente sobre negros e brancos, jovens e não jovens (SINHORETTO e MORAIS, 2018, p. 7).

Entretanto, o que se alimenta nos dias atuais é uma perspectiva de uma política comprometida em realizar a defesa de uma sociedade que venha a amparar, no Estado Democrático de Direito, exercícios de aprisionamento e de extermínio de pessoas que são consideradas inqualificáveis para viver, tendo sua existência social invalidada por opressões, em resposta de estigmas e racionalidades racistas (LEMOS et al, 2017).

A VIOLÊNCIA REALIZADA PELA MIDIA CONTRA JOVENS NEGROS

Os tipos de violências aumentam conforme o conceito de “poder” se emprega nos sujeitos, os tipos mais conhecidos de violências são: violência de opressão, violência psicológica, violência física, violência moral, violência simbólica, entre outras. Das violências citadas, todas têm em comum ligação direta com os jovens negros, todos os dias esses jovens sofrem algum desses tipos de violências e extermínio. Sendo assim, não importa qual seja a forma manifestada de agressão, a violência emocional e a moral sempre se fazem existente e decorrente disso (FREITAS; CINTRA, 2018).

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Em relação ao trabalho feito pela mídia ao noticiar casos em que a juventude negra está inserida, em muitos acontecimentos a mídia reproduz contra essa juventude a violência simbólica, que fomenta discussões em que a classifica como uma das violências mais retumbantes mundialmente, entendendo que é após ela que se concretiza a ocorrência dos variados tipos de violência que existem. Entretanto, seguindo a linha de pensamento de Bourdieu “[...] a violência simbólica nada mais é do que uma relação de domínio, na qual pessoas com mais poder impõem regras e deveres sobre os menos poderosos” (BOURDIEU, ------ apud NIELSSON E PINTO, 2017, p. 320).

Com tudo, a violência simbólica que a juventude negra sofre quando os canais de mídias querem falar sobre esse extermínio e exclusão é decorrente de uma linhagem que regulamenta de forma coletiva os corpos, usando de uma metodologia de segregação das partes, provocam uma organização da pluralidade humana por traços e atitudes, por investigações e análises, por lugar em que reside e a escolaridade, pelo âmbito profissional e principalmente a cor da pele, bem como, o pertencimento de qual cultura e qual tipo familiar, por  sua idade e em qual comunidade está inserido (LEMOS et al, 2017).

RACISMO INSTITUCIONAL E A OPRESSÃO

De acordo com o dicionário, a palavra racismo (Etimologia raça + ismo) é um substantivo masculino e tem como sinônimo o termo “preconceito”. Essa palavra também une a ideia de afirmação da existência de uma hierarquização entre as etnias e raças. Ou seja, como descreve o dicionário: “Preconceito e discriminação direcionados a quem possui uma raça ou etnia diferente, geralmente se refere à segregação racial” e também “comportamento hostil dirigido às pessoas ou aos grupos sociais que pertencem a outras raças e/ou etnias” (DICIO, 2009 - 2020).

Com base nos estudos feitos por Campos (2017), o primeiro ponto do racismo se manifesta como circunstância que se fixa em um conjunto de convicções, pensamentos ou conjuntos de concepções que faculta uma pequenez comum a um deliberado agrupamento que tenha ascendência ou traços contíguo específicos. “Por essa perspectiva, o adjetivo “racista” só pode ser atrelado a práticas que decorrem de concepções ideológicas do que é raça” (CAMPOS, 2017, p.1).

Sendo assim, o racismo institucional surge em 1967, criado e disseminado pelos ativistas Stokely Carmichael e Charles Hamilton, esses eram membros do grupo Panteras Negras. Dessa forma, o racismo institucional expõe o grau político- programático que as instituições possuem, em relação às múltiplas atividades que são voltadas para o coletivo, do qual causa um efeito consecutivo a atividade maior, como resultado desta. Ou seja, “essa prática é marcada pelo tratamento diferenciado, desigual. Indica, pois, falha do Estado em prover assistência igualitária aos diferentes de grupos sociais” (CREPOP, 2017, p.48).

A segunda abordagem, por seu turno, concede uma precedência causal e semântica às ações, atitudes, práticas ou comportamentos preconceituosos e/ou discriminatórios na reprodução do racismo. Para essa postura analítica, as práticas racistas prescindem de ideologias articuladas e, portanto, as ideias deixam de ser o elemento definidor do racismo. Por fim, a terceira abordagem crê que o racismo teria assumido características mais sistêmicas, institucionais ou estruturais nos dias atuais. Embora práticas e ideologias sejam dimensões importantes do fenômeno, são as estruturas racistas os princípios causais fundamentais que devem ser investigados (CAMPOS, 2017, p.2).

Enquanto o Conselho Regional de Psicologia CREPOP (2017) sinaliza essas duas dimensões do racismo como intersubjetivo e o internalizado, cabe entender que a profundidade do racismo intersubjetivo alude acerca dos procedimentos decorrentes da desigualdade política que refletem na raça/cor dos sujeitos em convívio, isto é, se concretiza por meio de condutas que são diretamente manifestadas ou ocultadas. Entretanto, o racismo internalizado aponta para um modo convencional dentro da população, de forma em que pessoas negras sofrem essa opressão e pessoas brancas por privilégios concedidos, reprimem e em alguns casos demonstram, comportamentos sociais imaginários que fomentam uma representação de autoridade e desvantagens entre as raças (CREPOP, 2017).

CONCLUSÃO

Com base nas pesquisas realizadas é importante que os profissionais que trabalham diretamente com canais de mídia se atentem na hora de repassar as notícias e quando se referirem à juventude negra. Dessa forma, a atuação dos profissionais em Psicologia e nas equipes de profissionais multidisciplinar na área social preze pela desconstrução do racismo e da promoção da igualdade, ao cogitar o estudo para o serviço desses profissionais em políticas públicas voltadas para as relações raciais, necessita observar a função das políticas públicas em relação a essa temática e o comprometimento em discutir as premências da sociedade brasileira.

REFERÊNCIA

BARROS, Aidil Jesus da Silveira. Fundamentos de metodologia científica/ Aidil Jesus da Silveira Barros, Neide Aparecida de Souza Lehfeld. – 3. Ed. – São Paulo :Editora Pearson Prentice Hall, 2007.

BRASIL, Constituição 1988. CONSTUTIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL/ Câmara dos deputados. – Alterações adotadas pelas emendas constitucionais nº 1/1992 a 96/2017. – 52. ed. – Brasília, Edições Câmara, 2017. p. 9 a 16.

CAMPOS, Luiz Augusto. RACISMO EM TRÊS DIMENSÕES/ Uma abordagem realista-crítica. – Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP-UERJ), Rio de Janeiro – RJ, 2017. Disponível em: < https://www.scielo.br/pdf/rbcsoc/v32n95/0102-6909-rbcsoc-3295072017.pdf>;. Acesso em: 12 de jun. 2021.

CREPOP. Conselho Federal de Psicologia | Conselhos Regionais de Psicologia. RELAÇÕES RACIAIS/ Referências Técnicas para a atuação de psicólogas (os). Brasilia, CFP, 2017.

DICIO, Dicionário Online de Português. Racismo/definições e significados de mais de 400 mil palavras. Todas as palavras de A a Z. – Significado de Racismo. © 7Graus. 2009 - 2020 Disponível em: < https://www.dicio.com.br/racismo/>. Acesso em: 18 de maio de 2021.

FREITAS, Annelise Alves Freitas. CINTRA, Soraia Veloso. A violência contra a mulher negra./ Sociedade, Cultura e Patrimonio. IV semana de história do pontal. FACES /UFU. Disponível em: . Acesso em: 7 de jun. de 2021.

LEMOS, Flávia Cristina Silveira. AQUIME, Rafaele Habib Souza. FRANCO, Ana Carolina Farias. PIANI,  Pedro Paulo Freire. O extermínio de jovens negros pobres no Brasil: práticas biopolíticas em questão. Pesqui. prát. psicossociais vol.12 no.1 São João del-Rei jan./março 2017. Disponível em: < http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1809-89082017000100012 >. Acesso em: 13 de jun. 2021.

NIELSSON, Joice Graciele. PINTO, Raquel Cristiane Feistel. Direito e gênero/Reflexões críticas. ISBN 9788567584225 - Associação Refletindo o Direito. 1ª Edição. Bento Gonçalves, RS. 2017.

SINHORETTO, Jacqueline. MORAIS, Danilo de Souza.Violência e racismo: novas faces de uma afinidade reiterada. rev.estud.soc.  no.64 Bogotá Apr./June 2018. Disponível em: < http://www.scielo.org.co/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0123-885X2018000200015 >. Acesso em: 14 de jun. 2021.


Liliana Rodrigues Monteiro - Graduada em psicologia, Faculdade Multivix – ES. Pós-graduanda em psicologia social UniBF – Paraná.


Publicado por: LILIANA RODRIGUES MONTEIRO

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