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A SUBJETIVIDADE DO INDIVÍDUO EM UM CONTEXTO SOCIAL MOVIDO PELA TECNOLOGIA

Psicologia

Reflexão sobre o entendimento do indivíduo em sua subjetividade e a influência do meio social ao qual está inserido que o transforma constantemente.

índice

1. Resumo

Este presente estudo baseou-se em revisão da literatura sobre a influencia da tecnologia na subjetividade do indivíduo a ponto de transformá-lo. Este novo sujeito da história que sofre “mutações constantes” por conta de avalanges de informações que recebe a cada “segundo” e acaba se tronando um ser conexo e desconexo ao mesmo tempo. Objetivou- se primeiramente contextualizar a evolução da sociedade e as mudanças significativas ocorridas a partir da revolução industrial até a revolução tecnológica com a era digital. Num segundo momento abordaram-se os aspectos positivos e negativos da revolução tecnológica e o que esta nova era digital traz de importante para esse novo homem que surge. Para analisar a interferência da tecnologia na subjetividade do indivíduo, refletiu-se a respeito da influencia e interferência do conhecimento tecnológico na particularidade do indivíduo e as transformações ocorridas no comportamento deste novo homem, as ocorrências pelo intercâmbio contínuo entre o interno e o externo e as conseqüências desse movimento sob influencia do mundo digital. Como conclusão do estudo, analisou-se que essa revolução tecnológica tem o poder de alterar hábitos e formas de agir e de certa maneira, alterar também pensamentos, como se percebe e organiza o mundo externo e interno, como o indivíduo se relacionar com outros e consigo mesmo. Refletiu-se sobre a convivência com a tecnologia da melhor forma possível para compreendê-la de uma forma construtiva através das experiências que ela proporciona. Espera-se com o presente estudo contribuir para debates acadêmicos a fim de expandir pesquisas a respeito do tema abordado.

Palavras-chave: Indivíduo – Tecnologia - Subjetividade

2. Introdução

Tema

A SUBJETIVIDADE DO INDIVÍDUO EM UM CONTEXTO SOCIAL MOVIDO PELA TECNOLOGIA.

 Problema

Como aprofundar na subjetividade do individuo diante da influencia da sociedade que o isola?

 Justificativa

O tema escolhido da pesquisa vem em busca do entendimento do indivíduo em sua subjetividade e a influência do meio social ao qual está inserido que o transforma constantemente.

Podemos observar no cotidiano das pessoas que apesar de estarem próximas, ao mesmo tempo estão distantes por influência de uma “avalanche” de informações que recebem diariamente através de tecnologias avançadas como por exemplos as redes sociais, aplicativos de “bate papo” entre outros, que interferem significativamente nas relações pessoais e sociais.

O indivíduo está “mutante” sem perceber, transformando-se ao ponto de abolir conceitos, tradições, culturas, ditar comportamentos, se alienar.

Compreender esse universo vasto onde as coisas são fascinantes é um desafio para os profissionais especializados.

Pesquisas nas áreas vêm sendo realizadas com o objetivo de compreender esse novo indivíduo que se apresenta, porém, grande parte das pesquisas se baseia em uma concepção liberal do individuo que procura sua individualidade e subjetividade e apresenta certos comportamentos, ou seja, a liberdade do ser que se deixa influenciar sem se incomodar.

Dessa forma, a pretensão deste tema é de contribuir para o meio acadêmico visando à compreensão do indivíduo e suas transformações que ocorrem a partir de um contexto social onde a tecnologia dita as “regras” da sociedade onde o “ser social” é um mero componente deste sistema sendo sua subjetividade menos importante para toda essa engrenagem.

3. Objetivos

Objetivo Geral

  • Compreender a evolução da sociedade e a influencia que a mesma exerce sobre o indivíduo.

Objetivos Específicos

  • Contextualizar a sociedade e seu movimento;

  • Identificar as mudanças significativas ocorridas a partir da evolução da sociedade;

  • Analisar os aspectos positivos e negativos da evolução tecnológica no contexto social;

  • Identificar as interferências da tecnologia no comportamento da sociedade;

  • Demonstrar a influencia e interferência do conhecimento tecnológico na particularidade do indivíduo;

4. Revisão de Literatura

CAPÍTULO I: MUDANÇAS SIGNIFICATIVAS NO CONTEXTO SOCIAL MOVIDO PELA TECNOLOGIA

Revolução Industrial

Importante destacar a revolução industrial como um marco nas mudanças ocorridas no contexto social.

A revolução industrial se deu em três momentos. Teve início com o pioneirismo inglês e o acumulo de capital durante o capitalismo comercial. Nesse período, houve grande êxodo rural e mão de obra disponível para exploração da abundancia de ferro e carvão.

Na primeira revolução industrial (1750-1850), o combustível era o carvão, a indústria têxtil avançava com a mecanização, com máquinas de fiar, tear hidráulico e mecânico, máquina a vapor e a mecanização do setor metalúrgico. Surgem as locomotivas e barcos a vapor.

Após a revolução francesa, no governo de Napoleão, a Franca se moderniza. Com a modernização, surge nova forma de trabalho. Trabalhadores perderam a posse das ferramentas e máquinas, passando a viver só com a sua força de trabalho sendo super explorada, em condições terríveis de trabalho e de vida subumanas. Nesse período, surgem os sindicatos que passam a lutar pela classe trabalhadora, assim, tem início a luta entre capital x trabalho.

A segunda revolução industrial se deu entre 1850-1950. O combustível da época era a eletricidade e o petróleo. O país pioneiro deste momento foram os Estados Unidos da América (EUA).

Houve a substituição do vapor pela eletricidade, a transformação do ferro em aço e motores com combustível derivado do petróleo. Ampliaram-se as ferrovias e foram surgindo automóveis, aviões, telégrafos, entre outros. Houve grande expansão industrial e consequentemente especialização do trabalho.

Formaram-se os cartéis, concentração econômica e monopolização dos produtos.

A terceira revolução industrial teve início nos anos de 1950 até os dias de hoje, sendo marcada pelos avanços na microeletrônica e o pioneirismo do Japão. Surge também, a era atômica.

Com o desenvolvimento das indústrias houve avanços na robótica industrial, computadorização dos serviços, avanços na química fina, na biotecnologia.

Com essa retrospectiva, podemos observar que o marco da revolução industrial transformou a sociedade, houve uma mudança muito grande, uma ruptura com o que havia anteriormente. O surgimento das fábricas, a produção em série e o trabalho assalariado são as principais características desta transformação, que alterou a economia, as relações sociais e até mesmo a geografia dos espaços.

A industrialização define fortemente a era contemporânea e o mundo em que vivemos hoje é fruto direto dela.

Revolução Tecnológica – Era Digital

​​​​ A revolução tecnológica assim como a industrial, marcou e transformou radicalmente a sociedade.

Para COSTA (2002), a partir da revolução industrial houve uma nova forma da sociedade se organizar sendo uma mudança visível e impactante. O mesmo vem ocorrendo pelo desenvolvimento da tecnologia. Cada vez mais avançada em vários seguimentos da sociedade, a internet de modo especial, surpreende com o poder que esse novo espaço e essa nova realidade têm de cativar e prender seus freqüentadores, causando mudanças radicais na vida contemporânea.

Diante da realidade que estamos vivendo com esta nova era digital presente em tudo que fazemos ou necessitamos, faz-se necessário a compreensão deste processo onde tudo está acontecendo muito rápido. Precisamos entender como tudo se deu.

Conforme CHATFIELD (2012), os primeiros computadores digitais foram desenvolvidos na década de 40, eram enormes e complexos e operados por poucas mentes brilhantes. As gerações de computadores que vieram a seguir no final da década de 1950 continuavam sendo enormes e ocupavam salas inteiras, estavam presentes nas instituições acadêmicas e militares. Ainda segundo o autor, tudo começou a mudar nos anos de 1970 com a chegada dos primeiros computadores aos lares.  A partir de então, as máquinas têm se tornado cada vez mais poderosas, mais interconectadas e mais fáceis de usar.

Isso foi apenas o começo da ininterrupta integração das interações entre os seres humanos e a tecnologia digital.

Conforme SILVA (2012), a mídia se destaca como instrumento fundamental nesse social. Nos tempos atuais, ela tem uma dimensão capital e central nos diversos âmbitos da sociedade moderna. A política, o esporte, a escola, a economia são atravessados e marcados pela influência dos meios de comunicação de massa. Devido aos avanços tecnológicos que fazem com as informações veiculem de forma rápida e real, o domínio da mídia cresce de forma exacerbada.

A velocidade como tudo acontece nesta era digital, impressiona. Pode-se se dizer que não está dando tempo das pessoas processarem as informações, pois a cada “minuto” algo novo é criado e rapidamente passa a fazer parte do cotidiano.

A sociedade está mergulhada numa ampliação profunda de conhecimento. Nosso mundo está cada vez mais digital. Hoje, mais da metade da população adulta do planeta passa mais tempo no trabalho “conectado” do que “desconectado”.

A tecnologia faz parte da vida profissional, dos relacionamentos e até da vida familiar. Podemos observar no cotidiano das pessoas que apesar de estarem próximas, ao mesmo tempo estão distantes por influência de uma “avalanche” de informações que recebem diariamente através das redes sociais, aplicativos de “bate papo” entre outros, que interferem significativamente nas relações pessoais e sociais. 

O indivíduo está “mutante” sem perceber, transformando-se ao ponto de abolir conceitos, tradições, culturas, ditar comportamentos, se alienar.

Vivemos na era da tecnologia, emerge o homem do século XXI.

CAPÍTULO II: ASPECTOS POSITIVOS E NEGATIVOS DA EVOLUÇÃO TECNOLÓGICA

Aspectos positivos da era digital

Para que possamos entender esse novo homem que está surgindo,  precisamos analisar os aspectos positivos e negativos  nesse processo de transformação influenciado pela era digital.

Importante ressaltar no primeiro momento o que essa nova era nos proporciona de comodidade e agilidade em tudo que fazemos, desde tarefas mais simples e corriqueiras, como por exemplo, uma receita rápida de um prato, até, dentre tantos benefícios como transações bancárias, compras online, agendamentos, documentações, imprensa online e muito mais. Benefícios que favorecem muito a vida dinâmica do homem moderno que tem o mundo em suas mãos diante das inúmeras possibilidades que o mundo virtual lhe oferece.

Vale ressaltar aspectos positivos desta evolução tecnológica na área da medicina. A cada dia, novos exames e novas técnicas  de alta sensibilidade vão sendo acrescentados aos recursos auxiliares do diagnóstico clínico como raio laser, computadores, robótica, manipulação genética, clonagem de seres vivos, mudando com isso a face da medicina, trazendo benefícios para a humanidade. 

Não podemos deixar de pontuar também, os benefícios desta era digital no campo acadêmico. Além de diversos recursos disponíveis através da internet como livros online, artigos, teses, vídeos, dentre outros, algo super inovador e importante a ressaltar nesse processo de evolução tecnológica, é a capacitação profissional em Educação à Distância (EAD). Esta modalidade de ensino viabiliza ao homem moderno a possibilidade de qualificação profissional e aprimoramento do conhecimento adquirido de maneira segura, com economia de tempo e recursos.   

Apesar dos tempos modernos, onde o saber está em nossas mãos, estas experiências que vivenciamos no cotidiano com uso da tecnologia necessitam ser processadas diariamente para que não prejudique o homem e o contexto ao qual está inserido.

Conforme CHATFIELD (2012), se quisermos conviver com a tecnologia da melhor forma possível, precisamos reconhecer que o que importa, acima de tudo, não são os dispositivos individuais que utilizamos, mas as experiências humanas que eles são capazes de criar. As mídias digitais são tecnologias da mente e da experiência. prosperar junto a elas, a primeira lição que devemos aprender é que só podemos ter esperança de compreendê-las de uma forma construtiva falando não da tecnologia de modo abstrato, mas das experiências que ela proporciona.

Estamos vivendo neste início do século XXI em aldeia global onde todos estão conectados. As novas tecnologias da informação se expandem, penetram todo o tecido social e transformam o planeta, cabe a cada um discernir o uso consciente da tecnologia digital. 

Aspectos negativos da era digital

Os homens e mulheres dos tempos atuais estão passando por transformações internas radicais em função de tanta exposição a essas novas tecnologias.

De acordo com COSTA (2002), a primeira constatação a que se chega quando se examina o que já foi produzido sobre a revolução da internet é a de que a história se repete. Tal como aconteceu antes, as novas formas de organização social (virtual e em rede) e o novo espaço (imaginário, porém vivido como concreto) geraram (e ainda vêm gerando) alterações não somente nos comportamentos, mas também na constituição psíquica dos homens, mulheres e crianças dos nossos dias.

Os avanços tecnológicos permitiram um melhor bem-estar à sociedade, porém, com todos esses avanços, a própria vida humana está passando por um processo de reestruturação.

Algumas tecnologias estão causando impactos tão profundos nos indivíduos, como por exemplo os celulares.

Diante desta afirmativa, CHATFIELD (2012) diz:

"estamos, eu acredito, gradualmente deixando o mero “computador pessoal” e adotando o que pode ser chamado de “computador íntimo”, representando um nível inteiramente novo de integração de tecnologias digitais às nossas vidas. Em cafés e outros espaços públicos, aparelhos digitais pessoais são manuseados com a mesma atenção e a mesma frequência antes reservada apenas a um amigo ou a um animal de estimação. Para a geração dos chamados “nativos” da era digital, o telefone celular é a primeira coisa que você pega  quando acorda, pela manhã, e a última a largar à noite, antes de dormir."

ARAUJO (2007) afirma que, não resta dúvida que a modernidade trouxe grandes conquistas, isto é inegável e realmente é fundamental o uso da tecnologia no nosso cotidiano para que possamos prosperar como indivíduos e sociedade, porém, temos que ficar atentos para que essa poderosa influencia externa não nos transforme ao ponto de perdermos nossa “essência”.

De acordo com SILVA (2012), a mídia digital, mais especificamente, vem se configurando como uma poderosa ferramenta formuladora e criadora de opiniões, saberes, normas, valores e subjetividades. Não dialoga, mas sim unidireciona sua mensagem fazendo com que um grande contingente de pessoas aviste o mundo por suas lentes.

O que podemos observar no cotidiano das pessoas é de que apesar de estarem próximas, ao mesmo tempo estão distantes por influência de uma “avalanche” de informações que recebem diariamente através das mídias. O individuo procura mais sua individualidade e subjetividade, apresenta certos comportamentos e se deixa influenciar sem se incomodar.

Devemos prestar atenção para que as “avalanches” de informações que recebemos diariamente, não nos transformem em seres “mutantes” e alienados que sem perceber, passamos a abolir conceitos, tradições, culturas, e esquecemos-nos de explorar nosso potencial neste mundo e a forma de relacionar com as pessoas de um jeito mais humano possível. Viver em um século digital sem perder a humanidade.

Segundo SILVA (2012), a mídia é chamada e considerada o Quarto Poder, ou seja, o quarto maior segmento econômico do mundo, sendo a maior fonte de informação e entretenimento que a população possui. O poder de manipulação da mídia pode atuar como uma espécie de controle social, que contribui para o processo de massificação da sociedade, resultando num contingente de pessoas que caminham sem opinião própria. Subliminarmente, através da televisão, das novelas, jornais e internet, é transmitido um discurso ideológico, criando modelos a serem seguidos e homogeneizando estilos de vida. Diante disso surgem questões a se pensar: onde está o sujeito e sua subjetividade? Será que em prateleiras midiáticas estão sendo ofertados modos de ser, de pensar e agir? Interessante apontar, aqui, que por ser apresentada, muitas vezes, como uma maneira de comunicação de massa, preocupa-nos a utilização da mesma para a massificação, colocando os humanos no lugar do indivíduo, dificultando ou até mesmo, impossibilitando o reconhecimento do sujeito de direito e o assumir do exercício de cidadania, uma vez que a mesma incentiva e provoca atitudes reificadas.

Podemos considerar que essa era digital influencia a sociedade de tal maneira a ponto de prejudica os indivíduos, suas relações e até a própria dinâmica da sociedade, onde a grande massa influenciada por uma mídia manipuladora permanece alienada e estagnada tendo como conseqüência o quarto poder dominante a ditar às regras.  

Analisando por esse viés, a era digital traz em seu bojo aspectos negativos para a sociedade, conforme dito pela autora acima, num processo de massificação, o sujeito perde sua identidade, não se reconhece como sujeito de direito e não assume seu papel no exercício de sua cidadania.

Se pararmos para pensar sobre a influencia massificadora da mídia, é o que estamos vivendo atualmente em todos os aspectos, inclusive socioeconômico e cultural. Vimos gradualmente tudo se perder pela ausência de manifestação e interesse da grande massa. Um exemplo simples, a geração dos chamados “nativos” da era digital, conforme diz CHATFIELD (2012), essas crianças, adolescentes e adultos desta era, em sua grande maioria, desconhece cultura, tradições de um povo, como por exemplo, brincadeiras dos tempos dos avôs/avós, contos e lendas, exercício de cidadania como algo muito simples, cantar o Hino Nacional, Hino à Bandeira e assim vai.

Refletir sobre os aspectos negativos da era digital é importante para analisar o que de ruim acarreta à todos  nesse contexto onde a informação chega em uma velocidade absurda sem tempo para processar causando danos que prejudicam as relações sociais e individuais do sujeito que sem perceber acaba se tronando um ser conexo e desconexo ao mesmo tempo.

Podemos concluir que essa revolução tecnológica tem o poder de alterar nossos hábitos e a nossa forma de agir e de certa maneira, alterar também nossos pensamentos, como percebemos e organizamos o mundo externo e interno, como nos relacionamos com os outros e com nós mesmos e assim por diante.

CAPÍTULO III: A SUBJETIVIDADE DO INDIVÍDUO SENDO TRANSFORMADA PELA TECNOLOGIA

A interferência da tecnologia na subjetividade do indivíduo

Com a expansão das novas tecnologias que penetram todo tecido social, a sociedade está vivendo um momento impar sendo transformada. Consequentemente homens e mulheres desta nova era digital também estão passando por transformações radicais.

De acordo com ARAUJO (2007), o mundo moderno colocou o homem no centro onde tudo passa a ser julgado a partir do ser humano. Há o descobrimento da subjetividade, da autonomia e, por fim, também a visão de que o ser humano é o sujeito de sua própria história. No entanto, tudo favorecerá a uma tendência cada vez maior ao individualismo, ao consumismo e ao egocentrismo.

Diante dos meios midiáticos que tanto influenciam o comportamento dos indivíduos é de fundamental importância analisar e refletir sobre o poder da mídia no âmbito da subjetividade e como esta atua na construção de formas de ser e agir dos humanos, bem como a sua influência nas interações relacionais destes.

Para COSTA (2002),

não parece haver dúvidas de que nossos comportamentos e hábitos podem sofrer alterações em função do desenvolvimento de novas tecnologias. O difícil é perceber que algumas tecnologias têm impactos bem mais profundos sobre os seres humanos que a ela são expostos, chegando mesmo, embora em raros casos, a gerar transformações internas radicais. Em outras palavras, embora seja fácil detectar que novas tecnologias têm o poder de alterar nossos hábitos e nossas formas de agir, é bem mais difícil registrar que algumas tecnologias também podem alterar radicalmente nossos modos de ser (como pensamos, como percebemos e organizamos o mundo externo e interno, como nos relacionamos com os outros e com nós mesmos, como sentimos, etc.).

O vício na internet, sexo virtual como uma conseqüência do atual desregramento social, a emergência de novas formas de defesa da intimidade estresse tecnológico, investigações empíricas com usuários da internet, isolamento, depressão são objetos de investigação realizada por alguns pesquisadores. Esses e outros estudos da subjetividade contemporânea apontam numa mesma direção: tal como a primeira revolução industrial deu origem a um longo processo de mudanças que resultou na emergência do homem do século XX, a revolução da internet desencadeou um processo de transformações, ainda em curso, que está gerando o homem do século XXI.

ARAUJO (2007), afirma que, com a modernidade, houve uma valorização da subjetividade, da livre escolha pessoal, da liberdade e da consciência dos direitos fundamentais, decisivos para uma autêntica promoção humana. Mas, por outro lado, houve uma tendência a um subjetivismo exacerbado, levando ao narcisismo do indivíduo demasiadamente preocupado consigo mesmo, e que exalta o consumismo materialista como grande objetivo de vida, trazendo um empobrecimento das relações pessoais e sociais.

Os tempos modernos produzem uma sensação de liberdade e poder a esse novo homem, que gradualmente, sem perceber, está cada vez mais alienado de tudo e de todos, pode-se dizer, conexo e desconexo ao mesmo tempo. Preocupado consigo mesmo e influenciado por um consumismo materialista onde o SER=TER é exaltado, o mesmo, nessa concepção liberal, se deixa influenciar sem se incomodar, aparentemente se sente realizado empobrecendo as relações pessoais e sociais.

Para COSTA (2002), do ponto de vista da psicologia torna-se preocupante o que estamos vivendo nos tempos atuais em função da exposição a essas novas tecnologias, que de certa forma, causa o empobrecimento do ser humano. Provoca alterações não somente nos comportamentos, mas também na constituição psíquica dos homens, mulheres e crianças dos nossos dias.

Pesquisas nas áreas vêm sendo realizadas com o objetivo de compreender esse novo indivíduo que se apresenta, porém, grande parte das pesquisas se baseia em uma concepção liberal do individuo que procura sua individualidade e subjetividade e apresenta certos comportamentos, ou seja, a liberdade do ser que se deixa influenciar sem se incomodar.

Segundo SILVA (2012), “a mídia é uma arma poderosa concentrada nas mãos daqueles que controlam o fluxo de informações e funciona como agente formador de opiniões e criador-reprodutor de cultura, interfere, forma e transforma a realidade, as motivações, os modos de pensar e de agir do homem”.

Diante do contexto, podemos dizer que no mundo digital o indivíduo pode prosperar se relacionar com as pessoas da forma mais humana possível, porém, manipulado pela mídia fica confuso, frustrado ao ponto de perder a sua essência e se torna um ser humano vulnerável.

Intercâmbio contínuo entre o interno e o externo e as conseqüências desse movimento sob influencia da mídia

O interno da pessoa humana está intrinsecamente ligado ao movimento externo. É nesse intercambio em que se dão as relações sociais, pessoais e individuais (consigo mesmo) que o indivíduo estabelece. Quando o meio externo favorece é saudável, as conseqüências deste intercâmbio são benéficas ao ponto de transformá-lo, possibilita uma abertura para uma possível integração de mente e coração, de teoria e pratica, conduzindo a uma integração melhor da pessoa humana no nível existencial de seu conhecimento e afetividade.

Contudo se esse movimento entre o interno e externo recebe influencias maléficas, as conseqüências poderão ser muitos graves para a raça humana.

Nos tempos atuais, a forma como os indivíduos estão se relacionando com o movimento externo, principalmente da mídia, gera preocupação.

Conforme SILVA (2012), novas subjetividades estão surgindo perante o bombardeio de informações que a mídia impõe ao homem contemporâneo, o que influencia direta e indiretamente no seu modo de viver e dificulta-o a fazer escolhas de forma autêntica. Um grande agravante dessas questões é a inércia, o silêncio, o não questionamento sobre a forma como essa revolução está ocorrendo e nem as implicações que tem acarretado para si próprias, as organizações, instituições e para a sociedade.

A influência que esse mundo digital está tendo sobre a aldeia global é maçante causando transformações profundas na sociedade. O indivíduo está “mutante” sem perceber, transformando-se ao ponto de abolir conceitos, tradições, culturas, ditar comportamentos, se alienar.

Para CHATFIELD (2012), “o mundo digital atual não é apenas uma idéia ou um conjunto de ferramentas, da mesma forma que um dispositivo digital moderno não é apenas algo ativado para nos entreter e nos agradar. Ao contrário, para um número cada vez maior de pessoas, é uma passagem para o lugar onde lazer e trabalho estão interligados, uma arena em que conciliamos de forma contínua”.

Essa interligação que se estabelece entre o indivíduo e o externo necessita ser harmoniosa para que o ser não perca sua essência. A produção da subjetividade requer estratégias diante de tamanha sedução que o mundo digital oferece o tempo todo.

Conforme Araújo (2007), nenhuma perspectiva moderna passou a ser assumida como única em validade ou ser considerada inquestionavelmente correta. De uma certa forma, isto é visto como grande libertação, como abertura de novos horizontes e possibilidades de vida. Mas este processo passou a ser percebido também como um peso, onde a maioria das pessoas sente-se insegura num mundo confuso e cheio de possibilidades de interpretação. Ou seja, a maioria das pessoas sente-se perdida nas tomadas de decisões.

Apesar da grande abertura de novos horizontes e possibilidades de vida que os tempos modernos proporcionam a maioria das pessoas sente-se insegura e confusa e de certa forma perdidas na tomada de decisões, pois tudo é questionável e submetido a várias interpretações e nem tudo é “politicamente” correto.

A produção da subjetividade sendo transformada pelo mundo digital 

Esse novo indivíduo que vem surgindo em decorrência dos novos espaços, modos de produção e estilo de vida têm a necessidade de ser compreendido em sua nova organização subjetiva, caso contrário, os profissionais especializados na área, como os psicólogos, por exemplo, correm o risco de perder a capacidade de estudá-lo, descrevê-lo, interpretá-lo, compreendê-lo e conseqüentemente, ajudá-lo. Distanciar-se dos tempos atuais atua como neutralizador. O que está acontecendo agora é que o velho e o novo convivem lado a lado e torna tudo mais confuso. Os turbilhões de mudanças geram intensas reações nos profissionais e muito medo do desconhecido, compreender que o ser humano está sendo tocado pelas transformações radicais que o mundo vem sofrendo, para muitos, é desafiador.

Além de novos comportamentos, os analistas da nova ordem digital abordam, também, novos problemas e conflitos psicológicos.

Conforme SARTRE (2014, p.71; 72) em seu Livro O que é Subjetividade, em discussão em uma Conferência diz:

"queria apenas aproveitar para voltar mais profundamente à idéia de subjetividade [...]. para mim, a subjetividade é interiorização e retotalização, isto é, no fundo, para retomar termos mais vagos e, ao mesmo tempo, mais conhecidos: vive-se; a subjetividade é viver o seu ser, vive-se o que se é, e o que se é em uma sociedade, pois não conhecemos outro estado do homem; ele é precisamente um ser social, ser social que, ao mesmo tempo, vive a sociedade inteira do seu ponto de vista. Considero que um indivíduo, seja ele quem for, ou um grupo, ou um conjunto qualquer, é uma encarnação da sociedade total enquanto ele tem de viver o que ele é. Aliás, é apenas porque podemos conceber o jogo dialético de uma totalização de envolvimento, isto é, de uma totalização que se estende ao conjunto social, e de uma totalização de condensação, o que chamo de encarnação, que faz com que cada indivíduo seja, de certo modo, a representação total de sua época. É apenas por causa disso que se pode conceber uma verdadeira dialética social; em tais condições, considero que essa subjetividade social é a própria definição da subjetividade. A subjetividade no nível social é uma subjetividade social. O que isso quer dizer? Quer dizer que tudo o que um indivíduo faz, todos os seus projetos, todos os seus atos, tudo o que ele suporta também, só reflete."

De acordo com o autor, a subjetividade é o próprio ser, é o que se é em uma sociedade, uma totalização que se estende ao conjunto social. O indivíduo nada mais é do que a representação de sua época e reflete todo contexto em que se encontra inserido.

Como conseqüência da influencia do mundo digital, um fator preponderante é o isolamento do indivíduo, sendo um dificultador para a compreensão subjetividade.

Diante do que presenciamos no cotidiano, onde a essência do ser é menos importante, o isolamento distancia mais e mais e o materialismo imposto pelo quarto poder (mídia) domina, corremos o risco de tratar os outros de maneira fria e insensível sendo puramente objetivos e instrumentais. 

O mundo, a sociedade, a vida e a identidade tornaram-se cada vez mais problematizados.

Para SILVA (Ellen, 2012), a mídia, com seu “domínio carismático”, forma, deforma, comanda e impõe os sonhos, os gostos, os hábitos, pensamentos e dizeres da massa. Para tal manipulação, recorre-se a caixas de idéias e teorias altamente sofisticadas da psicologia em busca da conquista do imaginário. A mídia, com sua grande força e acúmulo de poder, constrói a realidade, ou seja, algo existe, ou não, nos dias de hoje, se é, ou não, veiculado na mídia; e cria a pauta de discussão da população, ou seja, grande parte do que é discutido nos diversos segmentos sociais tem origem na mídia, é determinado, até certo ponto por ela.

Ainda segundo Ellen, “o poder de manipulação da mídia pode atuar como uma espécie de controle social, que contribui para o processo de massificação da sociedade, resultando num contingente de pessoas que caminham sem opinião própria.”

O domínio convincente da mídia comanda a massa de tal maneira que além de induzir o indivíduo a um comportamento homogêneo imposto, manipulado sutilmente, constrói uma realidade a ponto de conduzir as discussões nos mais diversos segmentos sociais.

Logicamente que podemos argumentar que temos a possibilidade de discordar do que é dito e mesmo criticar o que chega até nós, porém, diante de   grandes conteúdos subliminares que recebemos a cada segundo, uma coisa não podemos saber,  o que foi propositadamente ocultado, não-dito, silenciado.    A mídia utiliza de manobras estratégicas endereçadas às emoções humanas nos mais variados apelos que interferem na produção de subjetividades nos dias atuais.

Para SILVA, (Flávia, 2009),a singularidade é o que distingue um homem de outros, é o que o torna único na ontogênese humana. A singularidade é produto da história das condições sociais e materiais do homem, a forma como ele se relaciona com a natureza e com outros homens. Conforme a complexificação dessas relações (que foram perdendo o caráter eminentemente imediato para mediato), o indivíduo se distancia das relações imediatas, apropria-se das mediações e objetiva outras. É por isso que o homem só se individualiza, por meio da subjetividade, na relação com outros homens. A forma como indivíduo percebe e representa a realidade possibilita a construção e a atribuição de significado às suas apropriações e objetivações, produzindo, a partir das relações sociais, sentidos a de maneira única; é a sua singulari­dade, que é construída pela mediação do particular entre o singular e o universal.

A singularidade do ser que o torna único está ameaçada por um mundo digital, que conforme SILVA (Ellen, 2012), “subliminarmente, através da televisão, das novelas, jornais e internet, é transmitido um discurso ideológico, criando modelos a serem seguidos e homogeneizando estilos de vida. Diante disso surgem questões a se pensar: onde está o sujeito e sua subjetividade? Será que em prateleiras midiáticas estão sendo ofertados modos de ser, de pensar e agir?”

Diante do exposto, torna-se desafiador compreender a subjetividade do ser e suas transformações que ocorrem a partir de um contexto social onde a tecnologia dita as “regras” da sociedade onde o “ser social” é um mero componente deste sistema sendo sua subjetividade menos importante para toda essa engrenagem.

5. Metodologia

A pesquisa de cunho explicativo terá uma abordagem teórica qualitativa que segundo autores como Diehl (2004) é uma abordagem que apresenta maior liberdade teórico-metodológica para realizar os estudos sendo os limites da iniciativa fixados pelas condições exigidas a um trabalho científico e deve apresentar coerência, consistência, originalidade e um nível de objetivo capaz de merecer aprovação.

A coleta de informações se dará a partir de fontes advindas da revisão de literatura de autores que versam sobre o assunto, como os já citados, e os dados serão analisados a partir das teorias apresentadas pelos mesmos.

6. Cronograma

ATIVIDADES

Outubro

Novembro

 

1. Termo de ciência e responsabilidade (enviar ao link Memorial)

X

 

 

2.Temas, introdução, objetivos: geral e específicos (enviar ao link Memorial)

X

 

 

3. Redação 1º capítulo (enviar ao link Memorial)

X

 

 

4.Redação 2º capítulo(enviar ao link Memorial)

X

 

 

5.Redação 3º capítulo(enviar ao link Memorial)

X

 

 

6. Redação das considerações finais e referências (enviar ao link Memorial)

X

 

 

7. Finalizado o TCC (enviar ao link Memorial)

X

 

 

8. Versão final do TCC aprovado pelo orientador (enviar ao link Memorial)

 

X

 

9. Apresentação (Resposta a um questionário no dia da prova presencial)

 

 

Indefinida

7. Conclusão

A presente pesquisa buscou trazer uma análise sobre a subjetividade do indivíduo em um contexto social movido pela tecnologia.

O tema escolhido procurou refletir sobre o entendimento do indivíduo em sua subjetividade e a influência do meio social ao qual está inserido que o transforma constantemente.

Em resposta a problemática apresentada com a pergunta: como aprofundar na subjetividade do individuo diante da influencia da sociedade que o isola, podemos pontuar a relevância dos assuntos abordados nos capítulos I, II e III.

No capitulo I, de forma sintetizada observou-se que o indivíduo assim como a sociedade, está em processo de evolução constante permitindo o surgimento de um novo homem do século. Nos segundo capitulo, a análise se deu a partir dos aspectos positivos e negativos da evolução tecnológica, o que de bom e ruim acarreta à todos em um contexto onde a informação chega em uma velocidade absurda sem tempo para processar que interfere nas relações sociais e individuais do sujeito.

Para finalizar a reflexão sobre o tema no ultimo capítulo a abordagem se deu justamente na influencia e interferência do conhecimento tecnológico na particularidade do indivíduo e as transformações que ocorrem no comportamento deste novo homem que surge e como a subjetividade do indivíduo se desenvolve neste contexto de intercâmbio contínuo entre o interno e o externo e a influencia do mundo digital neste movimento.

Diante do exposto, a partir das análises apresentadas, a conclusão a que se chega é que essa revolução tecnológica tem o poder de alterar nossos hábitos e a nossa forma de agir e de certa maneira, alterar também nossos pensamentos, como percebemos e organizamos o mundo externo e interno, como nos relacionamos com os outros e com nós mesmos e assim por diante.

Importante analisar, se nós quisermos conviver com a tecnologia da melhor forma possível, precisamos compreendê-la de uma forma construtiva falando não da tecnologia de modo abstrato, mas das experiências que ela proporciona.

Diante do que foi apresentado a partir da revisão de literatura os mais diversos autores interpretam a subjetividade subliminarmente sendo algo inerente ao ser humano, intrínseco que apesar das influencias externas, permanece.

Conclui-se que o conteúdo exposto contemplou os objetivos propostos na pesquisa sendo a abordagem deste tema relevante para debates acadêmicos a fim de expandir pesquisas a respeito.

8. Referência Bibliográficas

ARAÚJO, J. W. C. et al. A noção de consciência moral em Bernhard Häring e sua contribuição à atual crise de valores. Tese de Doutorado – Departamento de Teologia, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 24 p. 2007. Disponível em: https://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/10103/10103_3.PDF - Acesso em 16/10/2017

CHATFIELD, Tom. Como viver na era digital, tecnologias digitais Rio de Janeiro, editora objetiva Ltda, 2012. Disponível em: http://lelivros.bid/book/baixar-livro-como-viver-na-era-digital-tom-chatfield-em-pdf-epub-e-mobi-ou-ler-online/ - Acesso em 27/09/2017

COSTA1, Ana-Maria-Nicolaci - Revoluções Tecnológicas e Transformações Subjetivas Psicologia: Teoria e Pesquisa Mai-Ago 2002, Vol. 18 n. 2, pp. 193-202 Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/ptp/v18n2/a09v18n2.pdf - Acesso em 17/01/2017

SARTRE, Jean-Paul - O que é a subjetividade? / Jean-Paul Sartre; [tradução Estela dos Santos Abreu]. - 1. ed. - Rio de Janeiro : Nova Fronteira, 2015. 160 p. Disponível em: https://lelivros.pro/book/baixar-livro-o-que-e-a-subjetividade-jean-paul-sartre-em-pdf-epub-e-mobi-ou-ler-online/ - Acesso em 17/01/2017

SILVA, Ellen Fernanda Gomes. O impacto e a influência da mídia sobre a produção da subjetividade, 2012. Disponível em: http://www.abrapso.org.br/siteprincipal/images/Anais_XVENABRAPSO/447.%20o%20impacto%20e%20a%20influ%CAncia%20da%20m%CDdia.pdf - Acesso em 18/09/2017

SILVA, Flávia Gonçalves da. Subjetividade, individualidade, personalidade e identidade: concepções a partir da psicologia histórico-cultural. Psicol. educ.,  São Paulo ,  n. 28, p. 169-195, jun.  2009 .   Disponível em . Acessos em  20  out.  2017.


Publicado por: Leonilda

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