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O USO DO CELULAR COMO FERRAMENTA PEDAGÓGICA NAS AULAS DE LÍNGUA PORTUGUESA

Português

Incluir as tecnologias do uso do celular de forma ética na sala de aula, incutindo limites e regras ao aluno quanto ao seu uso de forma adequada nas aulas de Língua Portuguesa.

RESUMO

O presente artigo tem a intenção de incluir as tecnologias do uso do celular de forma ética na sala de aula, incutindo limites e regras ao aluno quanto ao seu uso de forma adequada nas aulas de Língua Portuguesa. Sendo assim, é intuito desse trabalho instigar o alunado a refletir sobre o uso ético do celular e conscientizá-los da importância que esta ferramenta tem e pode ser um aliado do professor, caindo por terra que esta ferramenta só atrapalha as aulas.

Palavras-chaves: Educação, Tecnologia, Aparelho celular, Língua Portuguesa.

1 INTRODUÇÃO

Não é verdade que o aparelho celular só vem a prejudicar o aprendizado nas aulas, principalmente nas de língua portuguesa. Ao contrário, este aparelho pode ser um recurso didático a ser utilizado em diferentes momentos na escola, desde que conste no planejamento do plano de aula do docente e da instituição escolar.

Há várias possibilidades de se utilizar um celular em sala de aula e fora dela, seja de um aparelho simples até mais moderno. Um celular simples, por exemplo, que tem como aplicações, a calculadora, o conversor de moeda, de comprimento, de peso, de volume, de área, e de temperatura, tem também a contagem regressiva e o cronômetro, podendo assim auxiliar nas mais diversas atividades na sala ou fora dela. E os aparelhos mais modernos possuem, além disso, tudo como aplicações, também o tradutor de línguas que bastante conhecido por ser utilizado no Google, mais que em alguns não têm necessidade da internet para o uso, o gravador de voz, a filmadora a câmera, e a internet, o que pode tornar as aulas mais interativas e dinâmicas.

Diante de um leque de possibilidades e mediante as facilidades da utilização de diferentes aplicativos do celular, fica nítida para nós a possibilidade de sua utilização em sala de aula desde a calculadora ao acesso de bibliotecas virtuais e tudo isso depende da forma como o professor usa a tecnologia para si mesmo em sua sala de aula e com os seus alunos.

Para tanto se faz necessário, nós professores, estimularmos nossos alunos a estimulá-los a utilizarem os recursos tecnológicos disponíveis dos aparelhos eletrônicos trazidos pelos discentes à sala de aula, associando-os ao seu cotidiano, despertando o prazer e o interesse aos conteúdos curriculares aplicados na disciplina de Língua Portuguesa, remetendo melhor ao aluno reflexões sobre a temática aplicada pelos professores.

2 O USO DO CELULAR COMO FERRAMENTA PEDAGÓGICA NAS AULAS DELÍNGUA PORTUGUESA

Estamos vivemos sob o mundo do desenvolvimento informacional, de mudanças tecnológicas, instigando-nos a necessidade de analisar a mudança do papel do conhecimento ao longo da história, mas na maioria das vezes esses conceitos são utilizados sem muita precisão, dificultando a compreensão da realidade.

O docente enquanto educador necessita de atualizações constantes para discutir temas relacionados à disciplina que leciona, procurando ainda, desenvolver novas formas metodológicas para trabalhar os conteúdos em sala de aula. E para que essa metodologia seja inserida, o educador precisa estar preparado para atuar em sua sala de aula de forma dinâmica, atualizada e interdisciplinar, desenvolvendo ações pedagógicas de orientação e sistematização na busca de informações, recontextualizar as situações de aprendizagem, incentivar a experimentação e a explicitação, bem como o processo de refletir e de depurar ideias.

Entre as tecnologias largamente utilizadas no momento, figura o celular. A Wikipédia Enciclopédia Livre (2011), o conceitua como um equipamento tele móvel, ou seja: Aparelho de comunicação por ondas eletromagnéticas que permite a transmissão bidirecional de voz e dados utilizáveis em uma área geográfica que se encontra dividida em células (de onde provém a nomenclatura celular), cada uma delas servida por um transmissor/receptor.

Essa tecnologia veio para ficar, e se traduz em nova forma de escrita cultural. Seu alto índice de uso é regra também no ambiente escolar. Contudo, esse uso carece de normas e de esclarecimento sobre a étnica de suas práxis, pelo fato de que vivenciamos a era da informação e do conhecimento, desta forma é necessária investigação para que se possa estabelecer seu uso de forma ética nas salas de aula, visto que esta ferramenta paulatinamente está adentrando o universo escolar. Necessário se faz a busca do verdadeiro conhecimento com o qual se justificará o uso dessa tecnologia como forma de agregar conhecimento no ambiente escolar.

Para Bueno (1999, p.87), tecnologia se expressa como “um processo contínuo através do qual a humanidade molda, modifica e gera a sua qualidade de vida”.

No contexto educacional, a tecnologia serve ao determinado por Moran (2006): “É importante conectar sempre o ensino com a vida do aluno. Chegar ao aluno por todos os caminhos possíveis: pela experiência, pela imagem, pelo som, pela representação (dramatizações, simulações), pela multimídia, pela interação online e off-line”.

Em extensão à citação de Moran, conectar o aluno com os outros e demais pessoas pelo celular. As tecnologias, a exemplo do celular devem ser vislumbradas como aliado da educação.

Quando o professor transforma, transcende seu aluno ao prazer de compreender e reconstruir conhecimento. E, para que professor e aluno sejam transformados, eles carecem de capacitação. "Não basta ter acesso à tecnologia para ter o domínio pedagógico. Há um tempo grande entre conhecer, utilizar e modificar processos" (MORAN, 2007, p. 90). Neste processo de aprendizagem, podemos utilizar o celular, a mais importante ferramenta de comunicação do século XXI, cada vez mais enriquecido com novas funções. Até há pouco tempo era um mero telefone móvel com serviço de mensagens curtas (SMS), câmara fotográfica e vídeo. Hoje, já incorpora wi-fi, Internet, correspondência (mail), prestação de serviços (Office), televisão, gráficos e GPS. Apesar de inicialmente ser concebido como um mecanismo que torna possível a comunicação entre duas pessoas, atualmente a tecnologia tanto dos aparelhos quanto dos serviços estão evoluindo. Num futuro próximo, incluirá reconhecimento de voz, leitores de impressão digital e outras tecnologias compatíveis ao aparelho “os celulares estão prestes a virar computadores minúsculos”. Na escola, a proposta de utilização da tecnologia disponível nos aparelhos móveis de comunicação, o celular, deve fazer parte do processo educativo, pois contribui para o desenvolver intelectual, bem como para a interação sociocultural do indivíduo, premissa da educação.

O uso dos telefones celulares pelos meus alunos favorece sua aprendizagem permitindo práticas, dinâmicas e atividades que seriam inviáveis sem eles. Além disso, o uso dos celulares melhora a produtividade da aula permitindo ganhos de tempo e qualidade da aprendizagem. Entendo que é parte do meu ofício como professor orientar meus alunos quanto aos bons usos do telefone celular de maneira a permitir-lhes que exercitem esse bom uso em atividades escolares cotidianas para que, por extensão, também o façam fora dos limites da escola (no seu trabalho, na sua casa e em diferentes meios de convívio). E eu não poderia fazer isso deforma efetiva sem que eles usassem os telefones celulares em minhas aulas. Os relatos de experiências de professores com os quais tenho contato em projetos que participo nas redes sociais e em oficinas de formação onde atuo como formador dão conta de resultados bem parecidos com os meus. Logo, não apenas a “teoria” sobre o uso pedagógico do telefone celular, como também a prática, têm mostrado que é possível, viável e recomendável que ele seja usado cada vez mais em nossas aulas. Nesse sentido percebemos que a utilização das tecnologias na educação não é mais uma opção, mas uma exigência desta sociedade. É imprescindível que o professor vença resistências, pois é um desafio, e vá à busca do conhecimento para que possa estar competente e atuar afinado com as tecnologias. Afinal, “O celular é e será aquilo que nós fizermos dele [...] aqui abrange todos os envolvidos nos processos: produtores, consumidores, críticos, formadores, etc.” (MACHADO, 2001, p.15 -16).

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Diante disso, o professor tem necessidade de querer, de motivar-se, enfrentar desafios impostos muitas vezes pelo comodismo. E Moran (2000, p. 24) afirma que “aprendemos pela credibilidade que alguém nos merece. Um professor que transmite credibilidade facilita a comunicação com os alunos e a disposição para aprender”.

Portanto, diante de tantos argumentos com relação ao uso das TIC da sala de aula, se não interagirmos o ensino com as tecnologias que fazem parte do dia a dia dos alunos estaremos – nós professores – incorrendo no risco de ficarmos falando sozinhos na sala de aula, como muitos de nós já estamos.

2.1  SUGESTÕES PARA PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Como planejamento de atividades diversificadas e interdisciplinares de acordo com nesta temática sugerimos para as aulas de Língua Portuguesa tendo como ferramenta o aparelho celular:

 - Utilização da filmadora do celular em trabalhos que pedem para o aluno entrevistar uma pessoa, e o gravador como uma maneira de corrigir o próprio modo se falar, como uma autoajuda melhora a fala em relação a linguagem correta.

 - Pesquisas pela internet, através de site de buscas assuntos pertinentes à disciplina;

- Trabalhos com fotografias:

  • *Produção de um jornal da sala/escola e usar as fotografias para ilustrar as matérias escritas e entrevistas colhidas pelos alunos;
  • *Documentário sobre as aulas externas e passeios mantendo um diário de bordo da turma;
  • * Fotografias das páginas importantes do livro ou aquelas que foram explicadas pelo professor;
  • *Fotografias da lousa para obter as anotações colocadas pelo professor durante as aulas;

-Utilização da agenda do celular para marcar datas de provas, entregas de trabalho ou outras datas que considera importante que os alunos se lembrem de já que ele é uma agenda que tem até mecanismo de alerta;

-Criação de um serviço de envio de mensagens de aviso por e-mail ou via torpedos. Pelo celular é possível receber atualizações de sites, blogs e até mesmo de mensagens do Twitter, bem como fazer o caminho oposto.

-Criação de um serviço de leitura de notícias e de publicação de notícias e disponibilizar para os alunos;

-Trabalhos com o gravador de áudio:

  • * Registro através do celular de sons, imagens (fotos) e ambos (filmes) assuntos pertinentes às aulas de língua portuguesa, permitindo assim o aluno a prestar atenção no professor, enquanto este fala e escreve, em vez de repartirem a atenção entre o que o docente diz e o que eles estão copiando nos cadernos. O mesmo vale para as suas explicações importantes que podem ser gravadas como sons ou como filmes. Imagine o quanto é mais interessante para o aluno “assisti-lo” ou mesmo “ouvi-lo” na hora de estudar do que apenas conferir anotações, nem sempre fiéis, feitas nos cadernos.
  • * Produção de jornal falado;
  • *Letras de músicas: o professor pode permitir que os alunos escutem sua rádio favorita e selecionem músicas que gostem em língua estrangeira. Eles podem buscar a letra escolhida na Web e traduzi-la com o auxílio de um dicionário.

-Trabalhos com áudio e vídeo: por mais que o vídeo tenha seu áudio original, o docente pode trabalhar de outras formas:

  • Registros através de fotos, vídeos e gravador de voz eventos da escola como Feira de Ciência, apresentação, desenvolvimento e culminância de projetos temáticos da escola, etc.;
  • Utilização os recursos do aparelho celular para registrar atividades feitas com os alunos uma vez que ele é uma câmera fotográfica digital, uma filmadora digital e um rádio gravador digital;
  • Envio de MS de trabalhos produzidos, por exemplo, podendo exercitar a escrita correta e o hábito de pensar e construir suas respostas.

3 CONSEDERAÇÕES FINAIS

Este artigo buscou refletir sobre o uso das novas tecnologias na educação, visto a evidente necessidade de acender uma nova visão no processo de ensino-aprendizagem tendo como obstáculo peculiar a resistência por parte de profissionais que se encontram inseridos num mundo de práticas pedagógicas tradicionais não permitindo a facilidade na luta pela mudança no processo de normalização das novas tecnologias na educação.

Também propusemos: Discutir a importância do uso do celular como ferramenta tecnológica no contexto educacional, especificamente nas aulas da língua pátria; Questionar a utilização do aparelho celular: é indispensável? Como, onde, quando e para que usá-lo? Incentivar a aprendizagem numa linguagem atual e dinâmica, aproximando-se da realidade e dos interesses do aluno, além de propormos o uso do aparelho celular como ferramenta de recurso de estímulo para os alunos desenvolverem suas atividades interdisciplinares nas mais diversas formas como gravação de imagens e de áudio; pesquisas pela internet; utilização da agenda do celular; serviço de envio de mensagens de aviso por e-mail ou via torpedos; gravar aulas, debates, contação de histórias e produção de texto diverso utilizando o celular.

4 REFERÊNCIAS BIBIOGRÁFICAS

BEGOÑA, Gros. Novas tecnologias, velhas polêmicas: o percurso interminável pelo dilema instruir-construir. Substratum ArtMed: Temas fundamentais em psicologia e educação. v. 2. n. 5. Porto Alegre: ArtMed, 1995.

BELLONI, Maria Luiza. Educação a Distância. 2.ed. São Paulo: Editora Autores Associados, 1999. (p.53-77).

FREIRE, Paulo. A pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.

LÉVY, Pierre. Cibercultura. Tradução de Carlos Irineu da Costa. 2.ed. São Paulo: Editora 34, 2003. (p.157-167).

FERRETTI, Celso João et. al: (org). Novas Tecnologias, trabalho e Educação: um debate multidisciplinar. 9.ed. Petrópolis: Editora Vozes, 2003. (p.151-166).

MENEZES, Vera (org). Interação e aprendizagem em ambiente virtual. Belo Horizonte: Editora Fale – UFMG; 2001. (p.15-36).

MORAN, José Manuel. Como utilizar a Internet na Educação. Disponível em Acesso em 2 ago.2008.

MORIN, Edgard. A Ciência com consciência. São Paulo: Bertrand Brasil, 1998.

PAIVA, Vera Lúcia Menezes de Oliveira. O Uso da Tecnologia no Ensino de Línguas Estrangeira: breve retrospectiva histórica.

PAPERT, S. A máquina das crianças: repensando a escola na era da informática. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994.

SANCHO, Juana (Org.). Para uma tecnologia educacional. Porto Alegre: Editoras Artes Médicas Sul Ltda., 1998.

ZANELA, Mariluci. O Professor e o “laboratório” de informática: navegando nas suas percepções. 43f. Dissertação (Mestrado em Educação). Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2007. (p. 25-27).

Sites consultados

Escola Secundária Carlos Amarante-Braga (Portugal):

http://geramovel.googlepages.com/telemovel

Método de ensino via celular: http://www.m-learning.org/

Sala de aula interativa: http://www.saladeaulainterativa.pro.br/

http://botandopra-fora.blogspot.com/2008/04/um-relato-pessoal.html


Publicado por: Mário Augusto Silva

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.
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