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O Percurso da Línguística: Ideia e Razão

Português

Confira os principais conceitos de gramáticas e a sua articulação como estruturas pertencentes a um modelo definido de produção textual.

Resumo

Este artigo se fundamenta na identificação dos principais conceitos de gramáticas e a sua articulação como estruturas pertencentes a um modelo definido de produção textual. Com efeito, a referência para este trabalho é a análise da linguística textual, que tem como preocupação maior o estudo do texto, envolvendo as ações linguísticas, cognitivas e sociais de organização, produção, compreensão e de funcionamento, no meio social. O conhecimento e o reconhecimento dos tipos de gramáticas possibilitam a contextualização e o uso adequado dos procedimentos metodológicos para a consecução de resultados na pesquisa e em sala de aula, tendo como modelo os pressupostos da Educação 3.0.

Palavras-chave: Gramáticas, texto, Linguística Textual, procedimentos metodológicos e Educação 3.0.

Abstract

This article is based on identification of key grammar concepts and their link structures as belonging to a defined model of textual production. Indeed, the reference for this work is the analysis of textual linguistics, whose main concern is the study of the text, involving all language, cognitive and social action organization, production, understanding and functioning in the social environment. The knowledge and recognition of the types of grammars enable the contextualization and proper use of methodological procedures for the achievement of results in research and in the classroom, taking as a model the assumptions of Education 3.0. 

Keywords: Grammar, Text, Textual Linguistics, methodological procedures and Education 3.0.

1. Introdução

A linguística é o estudo científico da linguagem humana. Torna-se redundante falar em linguagem humana, sendo que a linguagem é um fenômeno que, segundo Vygotski interdepende do pensamento, na contraposição à Piaget que afirma que este antecede ao fenômeno interacional, mas ambos se condicionam à faculdade humana.

A linguística, na sua concepção atual, é entendida como relação transdisciplinar que permite a interação social por meio da linguagem. Assim, pode-se instituir uma valoração sem marcas estigmatizadoras. O percurso da linguística tem na sua gênese uma análise muito mais antropológica do que lexicológica. As relações de intercâmbio cultural, concebidas e catalisadas pela dimensão pragmática, reverberam vozes, ações e fatos de civilizações, espaços e fronteiras ora dominados, ocupados, contudo sempre enriquecidos. Encontramos um norte seguro em Aristóteles que argumentava:

"E assim, poder-se-ia até levantar a questão de saber se as palavras caminhar , ter saúde , sentar , implicam que cada uma dessas coisas seja existente, e do mesmo modo em outros casos deste gênero; pois nenhuma delas subsiste por si própria nem é capaz de manter-se separada da substância mas, antes, se realmente é alguma coisa, é aquilo que anda, ou se senta ou é saudável que é uma coisa existente. Ora, tais palavras são tidas na conta de mais reais porque existe algo definido que lhes é subjacente (isto é, a substância, ou indivíduo), que está implícito nesse predicado; pois nunca usamos a palavra "bom" ou "sentado" sem subentender isso". (Livro Zeta, capítulo 1.)

Na metafísica de Aristóteles, na filosofia da linguagem, percebe-se o fato de que as substâncias, as "coisas", têm uma espécie independente de existência que as ações não têm, que as substâncias são ontologicamente mais fundamentais do que as ações. Notam-se aspectos flexionais orientados pela diacronia da língua sendo subordinados à existência real dos elementos circundantes. Esta subserviência tão permissiva tem seu “locus” de retroalimentação na semiótica Peirciana.

As relações de primeridade, secundidade e terceridade mantêm resistentes estas hierarquias a que se submetem as ações. Mesmo a ortografia que define o sistema social de código linguístico de uma comunidade interdepende das coisas. O signo ocupa nos interstícios da linguagem uma função eminentemente ideológica. Precede a análise saussureana que vê uma forma imanente de associação entre conceito e imagem acústica.       Extrapola uma noção verticalizada do paradigmático e a horizontalidade do sintagmático. Institui sua veia arbitrária e, posteriormente, alega uma linearidade correspondente ao seu preceito maior que é ser social.

Ratificou Saussure:

Como instituição social, a língua “não está completa em nenhum [indivíduo], e só na massa ela existe de modo completo” (p. 21), por isso, ela é, simultaneamente, realidade psíquica e instituição social. Para Saussure, a língua “é, ao mesmo tempo, um produto social da faculdade da linguagem e um conjunto de convenções necessárias, adotadas pelo corpo social para permitir o exercício dessa faculdade nos indivíduos” (p. 17); é “a parte social da linguagem, exterior ao indivíduo, que, por si só, não pode nem criá-la nem modificá-la; ela não existe senão em virtude de uma espécie de contrato estabelecido entre os membros da comunidade” (p. 22).

2. Desenvolvimento

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Neste “curriculum” se percebe um “continuum”. Mas este percurso linear, progressivo e uniforme se interpõe às comunicabilidades da língua. Ao citarmos o internetês, analfabetismo virtual ou linguagem de internet, novos códigos e tecnologias, alçaremos voos ainda maiores, insustentáveis pelo ponto de vista de uma lógica ortodoxa e restrita aos dicionarizáveis analogistas de um passado austero e cruel para o linguista. Somos produtos da linguagem. Não somos acervos indivisos de uma propriedade inerte e sem substrato.

Um redator postou na internet o seguinte comentário:

Até onde chegaremos? Atualmente temos até o inglês incorporado em meio ao português: "vo fase um fake profile ai tuadd e deixa um scrap" (o certo: Vou fazer uma outra conta com meu perfil, com isso você me adiciona e me deixa um recado) ou "vo por um mod pra dá um clean no visual" (o certo: Vou colocar uma modificação para dar uma limpada no visual), e cada vez mais se não formos "aprendendo" o internetês ficamos de fora das comunicações com os jovens.

E continua sua linha de raciocínio se amparando no formalismo e na instituição que é a norma padrão da língua portuguesa. Esta que é nossa e dos mais de 250 milhões de falantes espalhados pelo mundo, com previsão para 335 milhões, em 2050, segundo o periódico Público Digital.

E o pior: o internetês é uma técnica que tende a crescer. Segundo a E-Consulting, o Brasil tem 25 milhões de internautas. E, de acordo com pesquisa do Ibope/NetRating, os brasileiros ficaram, em julho do ano passado, em média, cerca de 16h e 54min conectados, ou seja, somos a população que passa mais tempo na internet no mundo. Fica claro que a web e sua linguagem são coisas cada vez mais presentes no cotidiano brasileiro.(https://meuartigo.brasilescola.uol.com.br/portugues/internetes-ou-portuguesanalfabetismo-virtual.htm)

O improvável é o conservacionismo imperar. O que concluímos de todo fato histórico sobre a formação e coexistência entre ações e coisas é que a arena é farta e se amplia com os arquétipos, protótipos e scripts remanescentes de culturas que tentaram escravizar e deter esta forma de vida autônoma e benfazeja, mas não sobreviveram para divisar seu maior pesadelo: a permanência viril e fugaz do“substractum” da língua: o produto que é a fala.

A linguística pré-saussureana é aquela fase que antecede aos princípios de Ferdinand de Saussure e é vista como uma fase de especulação, investigação, ensejo de linearidade e formatação, bem como analisa de forma comparada as famílias linguísticas, com vistas ao entendimento das formas precursoras da língua.

  1. Gramática filosófica – A análise da forma e conteúdo, no que se refere à língua. Será que os nomes são instituídos segundo uma lógica sistemática ou são atribuídos de acordo ao princípio meramente arbitrário?; Ex.: uma cadeira tem este nome por se parecer com algum elemento constitutivo da sua matéria ou a denominação foi instituída de forma aleatória.
  2. Gramática universal – Razoada ou de Port Royal – Séc. XII - A linearidade da língua pela necessidade imanente da própria estrutura. O desejo da universalidade do ponto de vista comunicacional. O enredo da Torre de Babel e o esperanto, língua artificial criada em laboratório pelo médico polonês L. L.Zamenhof, em 1887.
  3. Gramática histórico-comparatista – Estudos comparados com o “substractum” de outras línguas e por similaridade lexical, possibilitou-se, por meio de pesquisa, principalmente com o Hindu, o reconhecimento da língua indo-européia como precursora de todas as línguas. No caso da língua portuguesa, por análise diacrônica, relacionando os falares das comunidades de albaneses e pelos dialetos como o osco, o umbro e o latim primitivo, originou-se então o itálico e, posteriormente, as línguas neo-românicas, dentre elas o rético, o provençal, o sárdico, o italiano, o sardo, o espanhol,  o português e etc.

Linguística Saussureana – Séc. XVI – Curso de Linguística Geral – Ferdinand de Saussure (1857-1913).

A linguística institui que Por meio dele, pode ser produzido o arcabouço de relações entre o sonoro, o visual e o verbal.

O Signo (semeion) é a união do: Signifié ou significado – conceito e Signifiant ou significante – imagem acústica. O signo, para Saussure, é a associação entre imagem acústica e conceito. Imagem acústica – significante – sonoro e conceito – significado – visual. Esta relação se diferencia quando se refere à semiótica. Na semiótica, a identidade do signo se encontra nas relações de primeridade, secundidade e terceridade. O ícone, o índice e o símbolo revestem o signo de sua natureza dialógica, polifônica e transdisciplinar.

 
   

O signo possui como princípio uma natureza arbitrária (aleatória). Não se tem ato motivacional para que o cão se chame cão. Na natureza arbitrária do signo, não há nenhum elo entre o significado e o significante. As relações de associação se dão por meio da convenção da sociedade por meio da denominação imotivada de cada signo. A comunidade linguística se incumbe de sistematizar os nomes por meio de sua criatividade inata.

Saussure entende que a linguagem não é uma nomencla-tura, seus conceitos não são preexistentes, mas conceitos mutáveis e contingentes que variam de um estado de uma língua para outra. É neste contexto que se observam relações de pertinência de acordo aos aspectos culturais, espaço este que se inclui o sistema de código de uma comunidade. Não se outorga uma valoração totalmente antropológica, remetendo à análise do alemão Franz Boas, porém se ancora na propriedade autônoma de uma geografia linguística instituída socialmente e posicional.

Assim, como a relação entre significante e significado é arbitrária, não há nenhuma razão para um conceito, em vez de outro, ser ligado a determinado significante. Não há motivação nesta ligação, a não ser pelo seu caráter de arbitrariedade. O linguista afirma que o significado associado a um significante pode tomar qualquer forma, pois, para ele, as unidades linguísticas têm identidade relacional.

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O CARÁTER LINEAR DA IMAGEM ACÚSTICA – SIGNIFICANTE

“O significante, sendo de natureza auditiva, desenvolve-se no tempo, unicamente, e tem as características que toma do tempo: a) representa uma extensão, e b) essa extensão é mensurável numa só direção: é uma linha”. (C.L.G. Pág. 84 )

  • Langue: é o sistema de uma língua, a língua como sistema de formas: Social. Este pressuposto se concebe de forma material quando se percebe o desenvolvimento conjunto de sua asserção. A concepção sincrônica da língua se materializa na fala. A comunidade que compartilha o seu código socializa muito mais que letras, sílabas, palavras, frases, orações ou períodos, ela compartilha cultura pura, traços constitutivos de sua identidade. Ao imaginar o intercâmbio de milhões, bilhões de aspectos socioculturais.
  • Parole: é a fala real, os atos de fala: Individual. A materialidade da língua se fundamenta nas características identitárias de pertencimento social de cada falante da língua. Ela reveste a língua de características de propriedade viva, mutável e que recebem influências transitórias ou permanentes, dependendo do caráter ideológico e da natureza persuasiva dos seus elementos operatórios. Estes aparelhos que funcionam como equipamentos sociais que reverberam vozes dialógicas por meio da polifonia, em uma arena de vozes constante.
  • Estudo sincrônico: estudo do sistema linguístico num estado particular, sem referência a tempo. Isso se depreende de uma análise inicial por meio de um recorte. As características são estacionárias e produzem um efeito de composição uniforme e sendo mera representação do real indica uma fantasiosa ideia de harmonia constante. A sincronia permite a combinação de regras sob ótica e abordagens distintas.
  • Estudo diacrônico: estudo de acordo com a evolução do tempo. A análise do corpus linguístico por meio da sua progressão.  O estudo que envolve a historicidade é marcado pelo desenvolvimento. O estudo diacrônico tem uma constância uniforme, que se depara com recortes para a análise do curpus em momentos de referência determinada.
  • O signo está sujeito à história: nem o significante, nem o significado contêm qualquer núcleo essencial que o tema não possa tocar. As relações posteriormente evocadas pela linguística textual, como tema/rema ou tópico e desenvolvimento são caracterizados por influências sociais e históricas, ou seja seu elemento constitutivo é eminetemente cultural, matizado pela materialidade dos componentes externos a ele.  

As relações associativas, chamadas paradigmáticas, são aquelas que se encontram constituídas no eixo de profundidade, permitindo uma natureza intimamente substitutiva.  As relações sequenciais ou sintagmáticas são denominadas de superficiais pelo efeito de combinação. Estas relações compreendem as propriedades de reposição e preenchimento das lacunas da comunicação orientadas por insights e codificações do sistema nervoso central, no hemisfério direito, Área de Broca e Wernicke, codificação e compreensão do arcabouço sistematizado da Língua.

A – Paradigmática – Associativas;

B – Sintagmáticas – Sequenciais.

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A LINGUÍSTICA PÓS-SAUSSUREANA

ESTRUTURALISMO: análise das estruturas de forma imanente – segmentação – Edward Sapir. Esta corrente é ampla e compreende, de forma transversalizada, a antropologia, a história, literatura e a psicanálise. Ao conceituar a língua, evoca-se a ideia do sistema organizado de signos como expressão destas mesmas ideias na forma codificada da linguagem. O objetivo da linguística é estudar as regras desse sistema e os sentidos que são produzidos por meio dele.

A fragmentação da linguagem permite o conhecimento íntimo estrutural destas unidades e, assim, ao perceber suar relações no interior da frase, oração ou período, há possibilidade de entendimento da forma própria da linguagem, como essência constitutivamente elementar do vocábulo. 

A palavra semiologia vem do grego “semeion”, que tem como significado o signo. A semiologia compreende o estudo do sistema de signos, sua substância, seus ditames, o simulacro, o gestual, o sonoro, os objetos e os complexos dessas substâncias em que encontramos ritos, parâmetros que catalisa os elementos constitutivos da linguagem e do sistema codificado da comunicação.

Na sua aplicabilidade da sala de aula, no aspecto da Língua Portuguesa, o professor deve se situar em um percurso estruturalista quando percebe a necessidade de segmentar as estruturas de uma forma sincrônica, todavia esta fragmentação deve se resultar em significado, mesmo que imanente no que tange à gramática sincrônica.

  1. DISTRIBUCIONALISMO: é um tipo de estruturalismo de forma binária – behaviorismo – Leonard Bloomfield. A forma binária se efetiva por meio do condicionamento: estímulo/resposta. Ao transpormos estes fatos para a sala de aula, nas aulas de língua portuguesa, observam-se as relações internas de estruturas imanentes caracterizadas pela dimensão gramatical da linguagem: sintaxe. A sintaxe é constituinte dos termos essenciais da oração: sujeito e predicado e termos acessórios: vocativo e aposto.
  2. FUNCIONALISMO: unidades distintivas: as letras são unidades distintivas e são capazes de instituir carga semântica diferenciada às palavras. Ex.: Banda/Panda e Mundo/Fundo. Funções da linguagem: emotiva, conativa, fática, poética e metalinguística. Círculos linguísticos de Moscou, de Viena, de Copenhague e etc - Roman Jakobson foi um nome de destaque.
  3. GERATIVISMO: institui uma natureza sincrônica, marcadamente pela ato notacional do número finito de vocábulos para a geração de uma número infinito de sentenças linguísticas – gramaticalidade, agramaticalidade, competência e desempenho – performance. Noam Chomsky. A gramática gerativa transformacional estabelece a análise por meio de estruturas que combinadas se transformam, gerando assim novas sentenças comunicativas.
  4. PRAGMÁTICA: adequação da linguagem em função do usuário – contextualização – níveis da fala – Pragmática Coversacional, de H. Grice. Esta adequação se efetiva por meio dos aspectos socioculturais e geográficos. Os aspectos socioculturais: idade, gênero, local de residência, status, profissão e etc. Os aspectos geográficos: urbano e rural. A pragmática institui a contextualização por meio da identidade do falante e as características do ouvinte.
  5. TEORIA DOS ATOS DA FALA: todo dizer é um fazer. Atos locucionários, ilocucionários e perlocucionários. Austin e Searle são nomes de destaque. Ao produzir a linguagem, a fala vem impregnada de persuasão e ideologia. O ato locucionário se constitui de organização estrutural e ser extralinguístico. O ato ilocucionário compreende a força que se expressa pela negação, afirmação, dúvida e etc. E, por fim, o ato perlocucionário se efetiva pelo convencimento. O silêncio, na sua concepção dialógica, dialética e polifônica, é uma resposta.
  6. ANÁLISE DO DISCURSO: uma janela para a exterioridade. A semântica é o ponto nodal do discurso. Ideologia. Aparelhos ideológicos e repressores do estado. Formação ideológica e formação discursiva. Subjetividade e intersubjetividade. Enunciado e enunciação. Desttut de Tracy, Marx e Engels, Ricoeur, Althusser, Pecheux, Focault, Benveniste, Bakhtin, Authier-Revuz. A análise do discurso possibilita uma leitura transdisciplinar. A compreensão de todas as correntes de forma progressiva conduz ao conhecimento e exercício da análise do discurso. A ideologia é o percurso pelo qual se desloca quando o objeto de estudo é o discurso.

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PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS DE NATUREZA LINGUÍSTICA

1. As dimensões da linguagem

O professor de língua portuguesa tem uma série de instrumentos metodológicos que possibilitam situacionalidade e exercício dos aspectos de coerência textual relacionados aos conhecimentos linguístico, textual e de mundo. O conhecimento das três dimensões da linguagem: a primeira é a gramatical, morfologia, estrutura e formação das palavras (monema/semantema/afixos/prefixo/sufixo/tema/vogal temática/desinências) e classe de palavras (artigo, substantivo, pronome, adjetivo, advérbio, interjeição, conjunção, numeral, preposição e verbo.) e sintaxe, termos essenciais (sujeito e predicado) e acessórios (vocativo e aposto) da oração. As gramáticas, quanto ao objeto de estudo, podem ser classificadas: descritiva, prescritiva, internalizada, teórica, reflexiva, gerativa, universal, comparada, contrastiva transferências, de uso, universal entre outras. A segunda é a semântica que é o ponto nodal do discurso. A semântica tradicional que se constitui do sentido conotativo, figurado, e denotativo, real, científico, de dicionário. A terceira é a pragmática, a linguagem em função do usuário. As perspectivas do ouvinte, identidade, e as características socioculturais do falante. A situação se denota como fatores extralinguísticos que influenciam a fala.

2. A língua, a linguagem, a fala e o texto

A relação entre língua, linguagem e fala é indissociável. A língua é um consubstancial de signos que se organizam, segundo uma estrutura uniforme e se concebe na codificação por meio social. A concepção da língua ainda é vista, como código, integrante do aparelho fonoarticulatório. A linguagem é a ação por meio da língua. A linguagem pode ser verbal, oral ou escrita, não-verbal, imagens e pictórico, e paraverbal, aspectos sociais reproduzidas pelo corpo, no seu constructo fisiológico. A fala é a materialização da língua. É o individual, o real. A língua matizada pelos fatores socioculturais e geográficos. O texto é uma unidade de sentido. O texto também pode ser verbal, não-verbal e paraverbal.

3. O Estruturalismo

O professor estruturalista é aquele que se situa em um parâmetro estrutural. A análise de estruturas fragmentadas, ou seja, sem princípio de contextualização. Partindo da premissa da prescrição, descrição e produção, a propriedade do estruturalismo como teoria de situacionalidade do professor de língua portuguesa infere um valor morfológico, na concepção descritiva do processo. Há quem se permita a fundamentação da organização metodológica de suas aulas na prescrição purista, vernacular e tradicional. É necessário compreender que a exercitação desta teoria não obriga o professor a permanecer em uma corrente pedagógica amparada pela escola conservadora e uma pedagogia tradicional, tecnicista ou nova.

O estruturalismo na sua vertente morfológica analisa elementos constitutivos das formas das palavras, formas estas livres ou presas. Ainda se fundamenta na estrutura e formação das palavras sob ponto de vista das unidades mínimas significativas. A análise dor morfemas/monemas/semantemas, afixos, desinências e as classes de palavras: do artigo à interjeição. É necessária uma percepção diacrônica. O pressuposto temporal permite que o professor de língua portuguesa se veja imerso à teoria que se inicia por meio dos pressupostos saussureanos, princípios do signo. No século XX, ano de 1916, Ferdinand de Saussure, por meio do Curso de Linguística Geral, institui cientificidade à linguística.  Década de 20. 

4. O Distribucionalismo

Este tipo de estruturalismo se relaciona à ordem binária de estudo, com uma natureza eminentemente behaviorista. Matiza a prática pedagógica por meio da gramática sincrônica, de ordem descritiva, podendo ser assinalada, quando trabalhada pela ótica da norma padrão, por meio da prescrição. A sintaxe é a vertente de análise da dimensão gramatical sob efeito de uso.

O professor não deve incorrer no erro de dissecar a língua até a última análise da estrutura, voltando-se assim para a morfologia. Na sintaxe, os termos de constituição são descritos como essenciais e acessórios da oração. Esta denominação é estruturalista e delimita o desenvolvimento do sentido. Neste contexto, as relações de sentido de Hjelmslev, primeira e segunda incursões no universo do sentido, são relegadas a interpretação purista e tradicional. Ao se circunscrever em um processo prescritivo ou estruturalmente tradicional, o professor se limita a uma análise restrita. Década de 30.

O Funcionalismo

A teoria funcionalista, com forte influência do pensador Russo Roman Jackbson, fundamenta-se em duas vertentes, sendo que a primeira diz respeito às menores unidades distintivas dos fonemas da Língua Portuguesa. Ou seja, é importante que o professor em sala de aula, nos iniciais do Ensino Fundamental, como reconhecimento e nos anos finais deste Ensino. e no Ensino Médio, possa desenvolver o letramento e efetivar a alfabetização tendo este conteúdo, fonética e fonologia, como referência para as atividades de exercitação de unidades mínimas significativas. Esta referência possibilita a associação e ao mesmo tempo a distinção destes fonemas. Ex.: Mala/Sala/Fala,  VaLa/VaCa e Rato/Pato.

Além desta perspectiva linguística da década de 40, tem-se ainda a relação imanente das funções da linguagem: emotiva, centralizada na primeira pessoa (eu/nós), conativa, centralizada na segunda pessoa (característica de persuasão), fática, contato, poética, centralizada na mensagem, código, fundamentada na função metalinguística, e referencial, no contexto, que é a própria realidade circundante e no texto vem simbolizada pela fonte. Esta teoria linguística possibilita ao professor a analise do arcabouço constitutivo dos símbolos codificados da escrita e as suas funções no contexto da linguagem. 

O Gerativismo/Gramática Gerativa Tranformacional

A década de 50 vem matizada por uma teoria de natureza gramaticalmente explícita e formal. A gramática gerativa transformacional desenvolve sua linha de trabalho na transformação de um número de finito de estruturas gramaticais em um número infinito de sentenças linguísticas. Este modelo se fundamenta em dois polos que se subdividem em conceitos interdependentes entre si: competência (conjunto consubstancial da língua/conceito) e performance/desempenho (o uso que se faz destes conceitos constituídos, sistematizados e codificados), ainda gramaticalidade (arcabouço de termos/vocábulos/palavras que constituem a gramática normativa da língua ou da norma padrão desta) e agramaticalidade (termos que não estão inseridos na norma padrão, contudo podem constituir esta norma por qualquer fator de inserção.).

Faz-se necessário ressaltar a análise dos eixos superficial e profundo. O eixo superficial se forma pela codificação sintagmática de superfície, relacionando-se, filosoficamente, ao eixo sintagmático saussureano. O eixo profundo de constitui dos elementos de profundidade, associando-se ao eixo paradigmático. Para o professor de Língua Portuguesa, este aporte teórico permite a análise de diversos fatores essenciais para o conhecimento do percurso da língua. É importante perceber que o acesso ao sistema vocabular da língua, na sua constituição, desenvolvimento, relações de sentido e inclusão sincrônica, depende do entendimento destes fatores. Uma observação importante é que se pode aplicar o princípio gerativo na alfabetização linguística em qualquer instância de ensino. O pensador Noam Chomsky é o responsável pelas diretrizes difundidas por esta Teoria.

A Pragmática

A teoria pragmática se refere à adequação da linguagem em função do usuário e se fundamenta nas relações indissociáveis da sociolinguística. A pragmática se trata das relações de adequação por meio da identidade do falante e dos aspectos socioculturais e geográficos do ouvinte, que são: idade, gênero, status, local de residência, profissão e etc. É necessário ressaltar que as dimensões do ouvinte, do falante e da situação são essenciais para a identificação das características das três dimensões constitutivas da pragmática. A situação se refere aos elementos externos ao texto e à produção da fala. Todos os fatores externos que contribuem para a produção da fala e influenciam tanto falante quanto ouvinte são classificados como situação comunicativa. O Professor de Língua Portuguesa deverá se atentar ao nível da fala para que o seu texto seja inteligível e possa culminar em conhecimento historicamente produzido. O pensador Willian Bright pesquisou aspectos importantes da fala.

A Teoria dos Atos da Fala

 Esta teoria se fundamenta na linguagem performativa. Nesta tendência todo dizer é um fazer, segundo os pensadores Austin & Searle. Os atos locucionários, ilocucionários e perlocucionários possibilitam ao professor de Língua Portuguesa em sala de aula mediar os atos da fala e orientar os alunos para uma produção da fala mediatizada por elementos constitutivos da realidade deles. A elaboração da fala, desde sua articulação, em instância cognitiva, até a sistematização por meio de estruturas abstratas de codificação da escrita.

A locução exige do autor do primeiro ato da fala uma organização ordenada das estruturas e, posteriormente, o ato instaurador da fala por meio de um ser externo a ela. A força instituída pelo locutor institui marcas tais como afirmação, negação, hipótese, conjecturas, injunção e etc. O professor deve acompanhar os elementos de persuasão utilizados pelos locutores.

Análise do Discurso

A teoria que se fundamenta por meio da análise da ideologia, dos aparelhos ideológicos e dos repressores do estado é o resultado da análise crítica das teorias do percurso linguístico moderno. O professor se apropria do discurso e nele circunscreve todas as práxis sociais referentes aos seus aspectos socioculturais. Sua identidade se revela na dimensão do falante que é. Na sala de aula, a ideologia, como mascaramento da realidade, possibilita a este mediador instrumentos capazes de libertar transitoriamente e/ou aprisionar.

A prática do discurso, sua produção, sua análise e sua mediação social revela a plasticidade necessária ao envolvimento dos enunciatários. Uma janela para exterioridade é a júbilo pela incursão em uma arena de vozes munido de aparatos ideologicamente matizados. Autores como Destutt de Tracy, Napoleão, Althusser, Foucault, Pêcheux, Ricoeur, Benveniste, Bakhtin, Authier Revuz entre outros marcam um percurso heterogênio com articulação da Teoria da Literatura, Psicanálise e Sociolinguística. O legado deixado por estes pensadores é inimaginavelmente mensurável. 

Seção 6

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS DE NATUREZA LINGUODIDÁTICA

A Leitura

A leitura acompanha os conceitos recebidos pelo texto e a linguagem, quando se pretende classificá-la. A leitura se dá por meio do verbal, nao-verbal e paraverbal, contudo na leitura psicolinguística se depreende uma leitura por extração, superficial imediata e facilmente caracterizável e de atribuição, inerente aos aspectos socioculturais e conhecimento de mundo atribuídos pelos níveis constitutivos da coerência. A coerência se fundamenta nos conhecimentos linguístico, textual e de mundo.

As Escolas

O professor de Língua Portuguesa possui um norte para o mapeamento de suas aulas. Além dos planejamentos e planos, o conhecimento e reconhecimento das escolas pedagógicas, com suas características constitutivas subsidiam sobremaneira para a consecução de resultados. As Escolas Conservadora e Progressista se relacionam em um constructo progressivo, heterogêneo e sistemático. A Escola Conservadora (Pedagogias Tradicional, Tecnicista e Nova.) e a Escola Progressista (Libertadora e Crítica Social dos Conteúdos.). Os professores de Língua Portuguesa se classificam em: Prescritivo (normativo), Descritivo (analista) e Produtivo (o constructo dialético).

A pesquisa

O iniciador do modelo teórico-metodológico de pesquisa sociolinguística quantitativa é o americano Willian Labov. Este modelo propõe a operação com números e tratamento estatístico dos dados coletados, se fundamentando nas variáveis e variantes linguísticas. No caso das variantes, pode-se identificar as variantes-padrão/não-padrão, conservadoras/inovadoras e estigmatizadas e de prestígio. O fato sociolinguístico se fundamenta na relação entre os conceitos de teoria, método e objeto. Ao pensar na comunidade falante, é necessário efetivar a seleção de informantes por meio das células sociais. A pesquisa sociolinguística é necessária para esclarecer nuances e depreender aspectos da variação da língua falada.

Considerações Finais

A linguística é o estudo científico da linguagem humana e ao se tornar uma ciência eminentemente social sobrepôs sua natureza interdisciplinar para se tornar transdisciplinar. Ao imaginar a análise do discurso uma teoria que não se fundamenta na interdisciplinaridade exatamente por se constituir de liberdade de objeto, ou seja por se denominar entremeio. O percurso é o caminho heterogêneo pelo qual se depreende as marcas sociais, culturais, estruturais, antropológicas e ideológicas da língua. A linguagem emerge de toda a manifestação da comunidade falante. A ideia é a pressuposição do limite de sentido e de controle do aparato da língua. A razão é que a língua é viva, dinâmica e está em processo e atividade constante. A linguística, o percurso, a ideia e a razão subjazem a identidade maior da língua: ser eminentemente social. 

REFERÊNCIAS

Bibliográfica

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CÂMARA JÚNIOR, Joaquim M. Princípios de Linguística Geral. Rio de Janeiro: Acadêmica,1973.

CRYSTAL, David. Que é Linguística. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico. 1981.

GUIMARÃES, Eduardo. Os limites do sentido: um estudo histórico e enunciativo da linguagem. Campinas, SP: Pontes, 1995.

LOPES, Edward. Fundamentos da Linguística Contemporânea. São Paulo: Cultrix, 1995.

LYONS, John. Linguagem e Lingüística: uma introdução. Rio de Janeiro: Zahar, 1987.

ORLANDI, Eni Puccinelli. Interpretação: autoria, leitura e efeitos do trabalho simbólico. Rio de Janeiro: Vozes, 1996.

SAUSSURE, Ferdinand de. Princípios de Linguística Geral. São Paulo: Cultrix,1969.

TARALLO, Fernando. A Pesquisa Sociolinguística. São Paulo. Ática, 2001.

Webgráficas:

https://meuartigo.brasilescola.uol.com.br/portugues/internetes-ou-portuguesanalfabetismo-virtual.htm


Publicado por: Cleuber Cristiano de Sousa

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do site por meio do canal colaborativo Meu Artigo. O Brasil Escola não se responsabiliza pelo conteúdo do artigo publicado, que é de total responsabilidade do autor. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.