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Teoria de Ausubel: Cognoscitiva ou Cognitiva

Pedagogia

Teoria de Ausubel, teoria cognitivista e procura explicar os mecanismos internos que ocorrem na mente humana com relação ao aprendizado e à estrutura do conhecimento.

Amorezio Coelho De Souza[1]

Lanuzia Celestrini[2]

Neliane Antonio Grigorio[3]

Judite Filgueiras Rodrigues[4]

Mediante estudos e explanações, podemos dizer que a teoria da assimilação de David Paul Ausubel (1989), ou teoria da aprendizagem significativa, é uma teoria cognitivista e procura explicar os mecanismos internos que ocorrem na mente humana com relação ao aprendizado e à estruturação do conhecimento. O autor concentra-se principalmente nesta questão, de modo que dos seus trabalhos percebe-se uma proposta concreta para o cotidiano acadêmico. Ele acredita no valor da aprendizagem por descoberta, mas volta a valorizar a aula do tipo expositiva. Segundo a teoria de Ausubel (1989), os principais conceitos relativos à aprendizagem se articulam esquematicamente da seguinte forma:

  • Estrutura cognitiva - A estrutura cognitiva é o conteúdo total e organizado de idéias de um dado indivíduo; ou, no contexto da aprendizagem de certos assuntos, refere-se ao conteúdo e organização de suas idéias naquela área particular de conhecimento. Ou seja, a ênfase que se dá é na aquisição, armazenamento e organização das idéias no cérebro do indivíduo.
  • Aprendizagem - Para Ausubel (1989), a aprendizagem consiste na “ampliação” da estrutura cognitiva, através da incorporação de novas idéias a ela. Dependendo do tipo de relacionamento que se tem entre as idéias já existentes nesta estrutura e as novas que se estão internalizando, pode ocorrer um aprendizado que varia do mecânico ao significativo.

A aprendizagem significativa tem lugar quando as novas idéias vão se relacionando de forma não-arbitrária e substantiva com as idéias já existentes. Por “não-arbitrariedade entende-se que existe uma relação lógica e explícita entre a nova idéia e algumas outras já existentes na estrutura cognitiva do indivíduo. Além de não-arbitrária, para ser significativa, a aprendizagem precisa ser também substantiva, ou seja, uma vez aprendido determinado conteúdo desta forma, o indivíduo conseguirá explicá-lo com as suas próprias palavras. Assim, um mesmo conceito pode ser expresso em linguagem sinônima e transmitir o mesmo significado (Aragão, 1976, p 21).

O extremo oposto da aprendizagem significativa é a mecânica. Neste caso, as novas idéias não se relacionam de forma lógica e clara com nenhuma idéia já existente na estrutura cognitiva do sujeito, mas são “decoradas”. Desta maneira, elas são armazenadas de forma arbitrária, o que não garante flexibilidade no seu uso, nem longevidade. Como conseqüência dessa não flexibilidade, o indivíduo não é capaz de expressar o novo conteúdo com linguagem diferente daquela com que este material foi primeiramente aprendido. É importante ressaltar que, apesar de Ausubel ter enfatizado sobremaneira a aprendizagem significativa, ele compreendia que no processo de ensino-aprendizagem existem circunstâncias em que a mecânica era inevitável.

Ausubel ainda aborda a Aprendizagem por descoberta e por recepção:

• descoberta: o aluno deve aprender “sozinho”, deve descobrir algum princípio, relação, lei, etc., como pode acontecer na solução de um problema.

• recepção: recebe-se a informação pronta e o trabalho do aluno consiste em atuar ativamente sobre esse material, a fim de relacioná-lo a idéias relevantes disponíveis em sua estrutura cognitiva.

Contrariamente a Piaget, que enfatiza a aprendizagem por descoberta como a ideal, Ausubel não só propõe o inverso para o contexto da sala de aula, como alerta para fato de que ambas podem ser mecânicas.

Uma vez existente um conjunto de idéias na estrutura cognitiva do sujeito, com as quais novas idéias podem se articular de maneira não-arbitrária e substantiva, este relacionamento pode acontecer de três formas diferentes:

A Subordinação acontece quando a nova idéia é um exemplo, uma especificação de algo que já se sabe. Mas esta relação pode acontecer segundo duas formas:

• derivativa: o que se aprende é mais um exemplo daquilo que já se sabe, não trazendo qualquer alteração para a idéia mais geral à qual está relacionado.

• correlativa: a nova idéia que se aprende é um exemplo que alarga o sentido de algo mais amplo que já se sabe.

A Superordenação ocorre quando a nova idéia que se aprende é mais geral do que uma ou um conjunto de idéias que já se sabe. Segundo Ausubel, é mais fácil para o ser humano aprender por subordinação do que por superordenação.

A combinatória acontece quando a nova idéia não está hierarquicamente acima nem abaixo da idéia já existente na estrutura cognitiva à qual ela se relacionou de forma não-arbitrária e lógica.

Ainda existem os Fatores internos para que ocorra a aprendizagem significativa. Até o presente momento consideramos, na explicação dos conceitos básicos da teoria de Ausubel, a condição em que já existem, na estrutura cognitiva do sujeito, idéias que possam servir como âncora para idéias novas. No entanto, não se teceram quaisquer considerações sobre a existência, a clareza e a firmeza destas idéias, nem sobre a disposição do indivíduo em aprender significativamente. Como estes fatores são relativos a cada indivíduo particularmente, convencionou-se chamá-los de fatores internos. Além disso, segundo propõe a teoria, eles podem ser divididos em duas classes: fatores cognitivos e fatores afetivo-sociais.

Fatores cognitivos - Existem três fatores relativos à estrutura cognitiva do indivíduo e que devem ser considerados no processo ensino-aprendizagem:

1. A existência de idéias âncoras às quais podem se conectar com uma nova idéia que se deseja ensinar.

2. A extensão em que a tarefa que se deseja assimilar é discriminável das idéias que lhe servirão de âncora.

3. A clareza e a firmeza das idéias que servirão como âncoras determinam o nível e a estabilidade do aprendizado da nova idéia.

Fatores afetivo-sociais - Dentro desta categoria existem vários aspectos que foram identificados. Porém o que nos parece mais pertinente: a disposição do aluno para aprendizagem significativa. A aprendizagem é significativa quando se estabelece uma ligação não-arbitrária e substantiva entre uma nova idéia e uma idéia de esteio ou âncora. Internalizar as relações exige do aluno vontade de fazê-lo, visto que este é um processo ativo.

Na classe Fatores externos para aprendizagem significativa se enquadram os fatores sobre os quais os professores têm acesso e podem manipular “livremente” de modo a propiciar as melhores condições possíveis para que os alunos possam aprender significativamente. São denominados fatores externos, porque estão relacionados a condições exteriores ao aluno que caracterizam o ambiente escolar, no qual ele está inserido.

A facilitação pedagógica consiste na manipulação da estrutura cognitiva do aluno de modo a favorecer um aprendizado significativo. Quando ocorre a ligação entre uma idéia nova e outra já existente na estrutura cognitiva do indivíduo, o processo que se dá é uma interação e não uma associação. Isto acontece porque tanto a idéia nova, quanto aquela que lhe serviu como âncora modifica-se em função desta ligação.

A Avaliação, segundo Ausubel, tem a função de determinar o grau em que os objetivos educacionais relevantes estão sendo alcançados. Desta forma, uma vez determinados os pontos mais relevantes da disciplina, e que serão trabalhados com os alunos, a avaliação assumiria o caráter de verificar se sua internalização se deu a contento.

Não poderíamos deixar de citar a importância dos Mapas Conceituais, para Ausubel, no sentido de se tornarem evidentes as relações hierárquicas existentes entre os diversos conceitos relativos a um determinado conteúdo. Segundo Moreira & Masini (1982, p 45), num sentido amplo, mapas conceituais são apenas diagramas indicando relações entre conceitos (...). Mais especificamente, no entanto, eles podem ser vistos como diagramas hierárquicos que procuram refletir a organização conceitual de uma disciplina ou parte de uma disciplina. Por conta disso, estas representações podem ajudar a entender o relacionamento entre os vários conceitos envolvidos, permitindo-se ter uma visão holística do conteúdo como um todo.

CRUZ, Cristiano Cordeiro. Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação – Unicamp

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[1] Licenciatura plena em História, Pós graduado em Gestão, Administração e Historiografia, Mestrando em Ciências da Educação.

[2] Licenciatura plena em Pedagogia, Pós graduada em Metodologia do Ensino Superior, Mestranda em Ciências da Educação.

[3] Licenciatura plena em Pedagogia, Pós graduada em Gestão Ambiental, Mestranda em Ciências da Educação.

[4] Dra em Ciências do Movimento Humano. Docente da UTIC.


Publicado por: Lanuzia Celestrini

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.

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