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Pedagogia Hospitalar: A Leitura nutrindo a Alma

Pedagogia

Saiba quais são as contribuições da Literatura Infantil no processo de ensino-aprendizagem e na humanização do ambiente hospitalar.

Resumo:

Este artigo apresenta um estudo no âmbito da Pedagogia Hospitalar e têm a finalidade de demonstrar as contribuições da Literatura Infantil no processo de ensino-aprendizagem e na humanização do ambiente hospitalar. Através dos contos é possível fazer com que as crianças diminuam o estresse causado pelos procedimentos dolorosos; pela falta da sua casa; dos seus brinquedos; da escola e de familiares. A Literatura faz com que as crianças descubram lugares fascinantes criados através da imaginação podendo assim viajar para outros planetas sem sair do leito do hospitale ainda propicia a continuidade do seu desenvolvimento cognitivo e social, mesmo estando afastadas da escola tradicional.

Palavras-chave:Literatura Infantil, Classe Hospitalar, Educação em Espaços Não- Escolares.

ABSTRACT

These articles present a study in the Pedagogy Hospital and are intended to demonstrate the contributions of Children's Literature in the teaching-learning process and the humanization of the hospital environment. Through the stories can make children reduce stress caused by painful procedures, the lack of your home; their toys, school and family. Literature makes kids discover fascinating places created through imagination, can travel to other planets without leaving the hospital bed, and still provides the continuity of their cognitive and social development, despite being away from the traditional school.

Keywords:Children's Literature, ClassHospital, EducationSpacesNon-School.

INTRODUÇÃO

Desafiadoramente, o Pedagogo vem conquistando novas oportunidades no mercado de trabalho. De modo histórico, os cursos de Pedagogia têm formado profissionais para funções ligadas à gestão educacional, orientação, supervisão e educadores que acabam por atuar dentro das escolas, entretanto, na atualidade são possíveis perceber outras possibilidades para os Pedagogos.

O profissional da Pedagogia é considerado importante não apenas nas escolas, mas em todas as instâncias em que haja a necessidade da prática educativa, fazendo com que a sua atuação no que diz respeito àaprendizagem, deixe de ser reservada somente em espaços escolares, atravessando os muros da escola e atuando também em Associações, Empresas, Igrejas, ONGs, Eventos e Hospitais.

A proposta desse estudo consiste em revelar uma realidade que a maioria das pessoas, inclusive Pedagogos, desconhece. A atuação do Pedagogo dentro dosHospitais.

Os Hospitais são centros de referência de tratamento e saúde, onde na maioria das vezes é comparado a um local de dor, sofrimento e morte, causando um rompimento em crianças e adolescentes no que diz respeito ao seu cotidiano e a aprendizagem. Mediante essa situação: Como o Pedagogo poderá ensinar crianças que se encontram fora do ambiente escolar e que não podem correr e brincar?Como amenizar o sofrimento, a irritabilidade e o estresse dessas crianças que se encontram na maioria das vezes  fraca,sentindo dor com todo o tipo de enfermidades?

O estudo mostra ainda, como a literatura pode ajudar no processo de recuperação das crianças hospitalizadas, pois, através de histórias, elas podem trocar experiências variadas, se divertir, encontrar conforto, ter senso crítico, sentir novas emoções, imaginar, sonhar, se emocionar, aprender valores essenciais à vida como: amizade, perdoar, além de ajudar a ler e escrever e a relacionar-se melhor socialmente.

A PEDAGOGIA E O PEDAGOGO

A palavra Pedagogia é de origem grega e deriva da palavra paidagogos. Paidós significa criança e agogé condutor, portanto, Pedagogo significa condutor de crianças, aquele que ajuda a conduzir o ensino. Esse era o trabalho do escravo que não parava por aí, ele também era encarregado de dar formação (Paidéia) intelectual e cultural às crianças. Sendo assim, a Pedagogia está ligada ao ato de condução do saber e até hoje esta é sua grande preocupação: encontrar formas de levar o indivíduo ao conhecimento.

No entanto, o termo Pedagogia que se designou de um fazer escravo, faz com que a ideia do senso comum, inclusive de muitos Pedagogos é que uma pessoa estuda Pedagogia para ensinar crianças. O trabalho Pedagógico seria o modo de ensinar, fazendo com que o termo pedagogia fosse associado exclusivamente ao ensino.

O propósito de estudo do Pedagogo e da Pedagogia é a Educação, a ação cultural do educador em intervir e transmitir tecnicamente “o conhecimento” e o Processo Ensino e Aprendizagem.

A ideia de conceber o curso de Pedagogia como formação de professores é redudicionista pelo senso comum. De fato a Pedagogia se ocupa com a formação escolar de crianças, com métodos, maneira de ensinar, processos educativos, mas também tem um significado bem mais amplo. Ela é um campo de saberes e conhecimentos sobre os problemas educativos na sua totalidade e historicidade e, ao mesmo tempo, uma diretriz orientadora da ação educativa. O alemão SCHIMIED-KOWARZIK (1983) manifesta que a Pedagogia é uma ciência da e para a educação, é, portanto, a teoria e a prática da educação, tendo um caráter explicativo, estudando as condutas e as ações humanas, pois investiga o fenômeno educativo, formula orientações para a prática a partir da própria ação prática e propõe princípios e normas relacionados aos meios e fins da educação. 

Então, a Pedagogia é o campo do conhecimento que se ocupa do estudo sistemático da educação, do ato educativo, da prática educativa e social, modificando os seres humanos na condição dos seus estados físicos, mentais, espirituais, culturais, que a existência humana precisa. Ou seja, ela não se refere apenas às práticas escolares, mas a um imenso conjunto de outras práticas ligadas a família, trabalho, na rua, na fábrica, nos meios de comunicação, na política, na escola, por isso, não se pode reduzir a educação ao ensino e nem a Pedagogia aos métodos de ensino.

O PEDAGOGO ALÉM DOS MUROS DA ESCOLA

O momento atual é de significativas transformações. O século XXI vem trazendo novas perspectivas para o profissional da educação que se insere no mercado de trabalho. A tarefa do Pedagogo se modifica sua profissão ganha espaço, ao contrário de outras áreas que ficam limitadas pela especialização.

O profissional da Pedagogia é considerado importante não apenas nas escolas, mas em todas as instâncias em que haja a necessidade da prática educativa, fazendo com que seutrabalho deixe de ser reservado somente para espaços escolares, atravessando os muros da escola e atuando também em Associações, Empresas, Igrejas, ONGs, Eventos, Hospitais.

A atuação do Pedagogo em Hospitais vem crescendo timidamente.Os hospitais são centros de referência de tratamento e saúde, onde na maioria das vezes é comparado a um local de dor, sofrimento e morte, causando um rompimento em crianças e adolescentes com o seu cotidiano e com a aprendizagem. Mediante dessa situação, através de políticas públicas e estudos acadêmicos, surge à necessidade da implantação da Pedagogia Hospitalar.

A Pedagogia Hospitalar está dividida em: Classe Hospitalar, que se refere ao estudo dado às crianças que se encontram internado provisoriamente ou permanente, assim, quando retornarem ao seu grupo escolar, não estarão atrasadas em relação aos estudos; a Brinquedoteca, que é muito importante para a criança, pois através dela são desenvolvidas novas competências, socializa, e é o espaço assegurado à criança o direito de brincar; e por fim a Recreação Hospitalar, onde são oferecidas atividades onde há a possibilidade de mudar a rotina hospitalar trazendo alegria e ânimo para as pessoas que passam pelo processo de hospitalização.

PEDAGOGIA HOSPITALAR

Os tempos mudaram. Qualidade de vida, bem estar, saúde física e mental em equilíbrio virou uma busca constante e é o grande tema da atualidade.

A Pedagogia Hospitalar é um exemplo dessas mudanças. O atendimento a crianças que se encontram internadas em hospitais vem se expandindo, e com a prática deste trabalho humanista, os “olhos” da sociedade se voltam para as necessidades físicas, afetivas, emocionais e sociais do indivíduo.

Estar em um ambiente hospitalar não é fácil para ninguém, principalmente para crianças que estão em um ambiente desconhecido, estando debilitadas e sendo submetidas a procedimentos que na maioria das vezes causam dor. Estão privadas de brincar e afastadas de seu ambiente social e familiar, das atividades cotidianas e da escola que são tão importantes nesta fase da vida.

Ceccim (1997 apud BATISTA, 2003 p.27) diz que:

[...] o medo do desconhecido e mundo novo que ela vislumbra quando entra no hospital são experimentados com tal ansiedade que, diante disso, poderá reagir de forma a negar o que lhe assusta, não cooperando com o tratamento, com atitudes reivindicadoras, com agressividade ou até com a total submissão aos procedimentos.

Reduzir essa condição que causa o estresse é um desafio para todos, principalmente para a equipe médica, que preparada para intervir no corpo do doente e, muitas vezes não sabe como lidar com a criança no sentido integral, como ser humano, e dessa forma acabam contribuindo para a piora da situação, aumentado o quadro de sintomas da criança enferma.

A Pedagogia Hospitalar não pode ser vista simplesmente como uma sala de aula funcionando dentro de um hospital, mas sim como um atendimento pedagógico especializado, onde a sua finalidade é recuperar a socialização, dar continuidade à aprendizagem e incluir o aluno hospitalizado.

Cada classe Hospitalar encontra sua forma de desenvolver o seu trabalho, dependendo muito do suporte institucional recebido, da interação entre equipe médica e a equipe pedagógica, o espaço físico oferecido, a clientela atendida, além da formação dos profissionais de educação que estão presentes em cada hospital.

O que se é trabalhado na prática educativa com os alunos que se encontram hospitalizados é diferente dos espaços escolares. Há sempre o bom senso, a construção da prática pedagógica, e tem características próprias entre professor e alunos.

[...] Exigências acadêmicas formais, com programas curriculares de curso a cumprir, associados à demanda, geralmente familiar, para que a criança não sofra reprovação no ano letivo cursado, podem, em vez de contribuir para seu bem estar, se somar àquele estresse já estabelecido pela hospitalização. (BARROS, 2007, p.3).

Leite (2004) relata que vivenciar experiências escolares no hospital poderá ser gostoso e agradável se o professor utilizar o lúdico como estratégia da atuação pedagógica. Assim, o ambiente de tristeza será convertido em um ambiente convidativo e alegre.

A classe Hospitalar é uma necessidade para o hospital, para as crianças, para a família e para a equipe de profissionais ligados a educação e a saúde. Sua criação é social e deve ser vista com seriedade.

O ambiente hospitalar onde é feito o atendimento as crianças e adolescentes deve ser diferenciado, acolhedor, com brinquedos e jogos, com estimulações visuais, um ambiente alegre e aconchegante. Assim, através de brincadeiras, as crianças e os adolescentes internados encontraram uma maneira mais positiva e criativa para viver a situação de doença, diminuindo o comprometimento mental, emocional e físico dos enfermos. No entanto, é imprescindível que haja um planejamento juntamente com a escola de origem dessas crianças para que seja dada a continuidade do trabalho escolar e as crianças possam ser reintegradas à escola assim que obtenham alta do hospital.

O TRABALHO PEDAGÓGICO NO CONTEXTO HOSPITALAR

O trabalho pedagógico em ambientes hospitalares é reconhecido com um fator positivo em diversos estabelecimentos clínicos, tendo como objetivo o restabelecimento da criança doente e hospitalizada. Nesse sentido, a instrução educacional que a Pedagogia Hospitalar se ocupa, não deve ser vista como uma simples instrução formalizada. Ela preserva os aspectos de transmissão de conhecimentos formais da educação que a criança hospitalizada pode e deve aprender.

O Pedagogo Hospitalar deve desenvolver habilidades para exercer suas atividades que o faça capaz de refletir sobre suas ações pedagógicas, como poder oferecer uma atuação que sustente as necessidades de cada criança hospitalizada. Para tal condição requer que o educador esteja livre para desenvolver e criticar a sua ação pedagógica, fazendo uma abordagem reflexiva e progressista da realidade hospitalar e da realidade do escolar hospitalizado.

Cardoso (1995, p. 48) destaca:

Educar significa utilizar práticas pedagógicas que desenvolvam simultaneamente razão, sensação, sentimento e intuição e que estimulem a integração intercultural e a visão planetária das coisas, em nome da paz e da unidade do mundo. Assim, a educação – além de transmitir e construir o saber sistematizado – assume um sentido terapêutico ao despertar no educando uma nova consciência do eu individual para o seu transpessoal.

A visão do educador, nesse contexto é que seu papel não será o de resgatar a escolaridade, mas, de transformar essas realidades, fazendo fluir sistemas que se aproximem e as integram; deve abranger uma perspectiva integradora, uma concepção de prática pedagógica que visualize o conceito integral de educação.

A LEITURA NUTRINDO A ALMA.

A literatura é considerada por muitos autores a forma da criança ter acesso ao mundo da ficção, da poesia, arte e imaginação. Pesquisadores têm contribuído para o entendimento das ações transformadoras que a literatura faz na vida do ser humano.

            Para Bettelheim (1980):

“[...] Os conto de fadas diverte as crianças, esclarece situações para elas mesmas e favorece o desenvolvimento da personalidade humana. Eles ainda estão repletos de significados psicológicos que promovem respostas conscientes e inconscientes na psique da criança.” (1980, p.20)

Zilbermann (1987) diz que: “A literatura possibilita ao leitor o reconhecimento da realidade da organização social que o cerca e o acesso ao mundo do imaginário e da fantasia.”

O autor Paulo Coelho (1991) ao analisar obras clássicas da Literatura Infantil acredita que ela tem como finalidade a instrução e o divertimento.       

E é por todo o bem que a Literatura pode fazer ao ser humano, é que ela está sendo inserido nos hospitais do Brasil, ganhando um espaço muito importante na recuperação de crianças e adolescentes hospitalizados, que se sentem enfadonho, e por esse motivo, o tempo se torna interminável, propiciando uma negatividade em relação à cura de sua enfermidade.

A partir desta temática, vários projetos de contação de história estão sendo desenvolvido em diferentes estados do país. Segundo Paula (2007), o primeiro hospital a desenvolver um projeto de leitura para crianças hospitalizadas foi um hospital público na cidade de Vitória no Espírito Santo.

Pedagogia Hospitalar era o nome de uma disciplina cursada em uma universidade pública do estado, onde os alunos tinham aulas teóricas e práticas, devendo desenvolver atividades dentro de um hospital. No início do trabalho, o objetivo era somente de conhecer as questões do cotidiano de uma classe hospitalar, mas as alunas sentiram a necessidade de interagir com as crianças e adolescentes internados, por sentir que eles estavam ociosos e tristes. Então foi pedido autorização para que as alunas pudessem interagir com as crianças contando histórias.

O resultado foi muito satisfatório e através desse trabalho foram feitas várias pesquisas sobre o comportamento das crianças e o seu desenvolvimento após as leituras em vários hospitais do estado.

Desde então, projetos estão sendo desenvolvido em muitos hospitais de todo o país, com o intuito de acolher a criança e o adolescente que estão internados, tornando o ambiente mais humanizado, promovendo o relaxamento das crianças, a alegria e a descontração, ajudando assim em sua recuperação.

Matos e Mugiatti (2006, p. 127) destacam alguns projetos de Literatura Infantil que são utilizadas nos hospitais para auxiliar no tratamento das crianças hospitalizadas. Em 1994 foi criado o “Projeto Literatura Infantil”, que surgiu após perceber que as crianças ficavam “presas” aos leitos, tornando o tempo interminável dentro do hospital. O projeto buscou desenvolver atividades que ajudassem também a minimizar os efeitos que o hospital traz, surgindo também como uma fonte terapêutica no auxílio ao tratamento das crianças e adolescentes e servindo como aliado ao processo de humanização.

A forma de conduzir o projeto se dá com a divisão das crianças em faixa etárias e também em área de interesse. Os livros são levados aos leitos e os contadores de história, que na maioria das vezes são voluntários, encantam as crianças, os adolescentes e acompanhantes com deliciosas narrativas. Também são emprestados livros para as crianças maiores, que podem e querem ler sozinhas.

Os hospitais seguem uma rotina que envolve: acordar cedo, fazer exames, hora de tomar o café da manhã, almoço, jantar, o horário para as visitas, médicos e enfermeiras que entram e saem do quarto a todo o momento. Quando a noite chega, o silêncio pesa no ambiente. Observando tudo isso é que foi criado no ano de 2000 o Projeto “Enquanto o Sono não Vem”, partindo da ideia de contar histórias no horário em que a criança vai dormir. Aconteceu então a inovação do ato de contar histórias, trazendo a paz e uma noite tranquila para cada pequeno paciente.

O Projeto “Biblioteca Viva em hospitais” é promovido pela Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança e Banco Citibank. Segundo Paula (2007), o objetivo principal é de preservar a saúde psíquica das crianças e dos adolescentes no período em que estão internados, assim como o acesso livre aos livros a todos os interessados.

A Associação Viva e Deixe Viver, vem capacitando voluntários para se tornarem contadores de histórias em hospitais. A associação é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público, que com o seu trabalho proporciona entretenimento e humanização nos ambientes hospitalares, levando ainda o aprendizado e alegria às crianças.

O autor Laé de Souza criou em 1998 o Grupo “Projeto de Leitura”, que dentre vários trabalhos de sucesso voltado para o incentivo à leitura nas escolas como: o "Ler é Bom, Experimente!", “Minha Escola Lê” e “Lendo na Escola”, também integrou ações vários hospitais trazendo a alegria e o conforto às crianças e adolescentes como o projeto "Dose de Leitura"; "Caravana da Leitura”, com forte presença nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro.

Podem-se citar ainda os projetos: “Contadores de Histórias” em Brasília-DF; “Leitura no Hospital” em Londrina-PR; “Estação da Leitura” em Crateús – CE; “Ler, um bem para todos” em Mato Grosso na cidade de Rondonópolis, “Ler é Preciso” em Garanhuns – PE, dentre muitos outros trabalhos espalhados por todo o país com um objetivo em comum: dar uma nova vida ao ambiente hospitalar.

Os projetos de leitura desenvolvidos nos hospitais como se pode perceber, vem se expandindo e promovendo um bem enorme para quem ouve e para quem conta uma história, tornando a humanização do ambiente hospitalar possível através deste atendimento.

A Literatura Infantil nos hospitais reconstitui um espaço de vitalidade, de preservação e de desenvolvimento psíquica da criança internada. Com a leitura dos livros é possível integrar as crianças com a família e funcionários promovendo estímulos para o processo de cura da criança. As tensões causadas pelos procedimentos dolorosos e o dia-a-dia exaustivo, também são amenizadas com os contos, trazendo a descontração.

O contar histórias, não é uma função específica do Pedagogo, todos podem e devem participar: pais, mães, tios, avós, só é preciso ter o entusiasmo e a vontade de se contar histórias, procurando dar ao paciente um novo significado de vida e ajudar na recuperação saudável e com toda a qualidade que seja possível.

A literatura é também muito importante para que a criança possa desenvolver sua criatividade. Segundo Abramovich, 2003:

São através de uma história que se podem descobrir outros lugares, outros tempos, outros jeitos de agir e de ser, outras regras, outra ética, outra ótica... É ficar sabendo história, geografia, filosofia, direito, política, sociologia, antropologia, etc. sem precisar saber o nome disso tudo e muito menos achar que tem cara de aula... Porque, se tiver, deixa de ser literatura, deixa de ser prazer, e passa a ser didática, que é outro departamento (não tão preocupado em abrir todas as comportas da compreensão do mundo). (2003, p.16)

As histórias inventadas também são ótimas, pois as crianças precisam diferenciar o real do imaginário. Dessa forma são desenvolvidos os sentimentos como o medo, a insegurança, o ódio e o amor dando assim muitas dicas aos pais de como se encontra seu filho, que podem também demonstrar esses sentimentos através de desenhos feitos após as histórias contadas, um procedimento muito bom para conhecer melhor o que se passa com cada criança como: medo, curiosidade, dor, perda, e vários outros assuntos que poderão ser vistos e entendidos mais claramente.

A literatura pode servir como uma “nutrição para a alma”, ou seja, ela é um elemento terapêutico, nutri o indivíduo de esperança, alegria, descontração, bom humor, elementos que são fundamentais para a manutenção, recuperação da saúde e prevenção de doenças.

A ARTE DE LER E CONTAR HISTÓRIAS

Não há “fórmula mágica” para transformar um indivíduo em contador de histórias. Esta tarefa não é tão fácil quanto parece, o processo precisa de estímulo e incentivo, de segurança e criatividade por parte do contador.

Para se tornar um “contador de histórias”, é preciso saber ouvir histórias, estudar, pesquisar, ensaiar. Conhecer como funciona a imaginação das crianças também é um grande passo, pois não se deve querer ensinar ou manipular os seus pensamentos, somente deve-se contar a história, deixando a criança livre imaginar e sonhar.

É sempre necessário ler várias vezes a história que se pretende contar, pois o indivíduo que se propõe a esta tarefa, deve conhecê-la muito bem, com suas pontuações, os momentos de respirar, de se surpreender, de mudar o timbre da voz, assim, quem ouvir a história irá se surpreender mesmo que ela seja contava muitas vezes.

Todo recurso que estiver disponível para chamar a atenção das crianças é válido. Dançar, cantar, usar sotaque, usar objetos, roupas de príncipes, princesas, fantoches, livros com páginas soltas, enfim, tudo que puder trazer o fascínio, estimular a imaginação e a reflexão da criança.

No atendimento hospitalar então, o cuidado é redobrado, pois, muitas vezes a criança está com movimentos limitados e é preciso ter paciência, muita criatividade para chamar sua atenção e ainda deverão ser feitas algumas adaptações para a conclusão do trabalho, como por exemplo, a reprodução de um livro em folhas soltas.

Não se pode impor a vontade do leitor à criança ou adolescente. Eles precisam ter a liberdade de escolha, ou seja, é necessário que os próprios pacientes escolham qual o livro querem ler ou que seja lido, para que tenham mais interesse na história. È preciso também que se respeite o momento de cada paciente, pois, ele pode não estar naquele momento com vontade de ouvir histórias, então uma conversa antes de se iniciar a leitura é sempre bem vinda. 

O livro adequado.

Vários livros podem ser úteis no trabalho com as crianças hospitalizadas, e não precisam ser necessariamente aqueles que tratam de hospitais e doenças, entretanto, estes também não se podem ser excluídos totalmente dos contos, pois os medicamentos, os enfermeiros e as enfermidades, são elementos que estão fazendo parte do dia-a-dia da criança. Todo bom livro que servir de alívio ao stress, lazer, suporte aos procedimentos terá sempre uma importante função para o desenvolvimento da criança.

Zilberman (2005), diz que: “[...] um bom livro é aquele que agrada, não importando se foi escrito para crianças ou adultos, homens ou mulheres, brasileiros ou estrangeiros”, então um bom livro vai interessar para qualquer criança, estando doentes ou não.

A higienização dos livros é também um fator muito importante para quem se propõe a contar histórias para as crianças hospitalizadas, devendo seguir sempre todas as orientações impostas pelo Manual de Higienização em Hospitais.

Existem no mercado, alguns livros que trabalham o ambiente hospitalar, onde trazem uma mensagem de reflexão e conforto sobre o momento da hospitalização. Rubem Alves lançou uma coleção de livros para esse fim, voltados para crianças com histórias próprias, entre elas pode-se destacar: “A operação de Lili”, onde o autor conta a história de uma elefantinha que precisava fazer uma operação para tirar o Gregório da sua trompa, seu amigo sapo, que lá foi lançado após uma brincadeira. Lili estava cheia de medos, mas uma fadinha, a Fada da Floresta, ajudou-a a superá-los fazendo-a dormir para que tivesse vários sonhos bonitos enquanto a operação acontecia. Desse modo, Lili não sentia nenhuma dor e, quando acordou, seu amigo Gregório já estava salvo, além de muito contente. O livro traz uma breve reflexão sobre a condição da criança hospitalizada, entretanto, a forma leve e engraçada faz com que a leitura seja atraente a qualquer leitor.

Ernst Jandl (2004), em seu livro “Eram cinco”, conta a históriade cinco brinquedos que estão doentes, pois aparecem com algum defeito, e estão na sala de espera de um hospital. O livro ajuda a mostrar para a criança que não há mistério em ir ao médico, de uma forma divertida e educativa de acabar com o medo.

Tom McGrath (2004) apresenta em seu livro sob título “Quando você está doente ou internado” um guia de como a criança doente pode se divertir, ficar conectadas com a família e os amigos e ajudarem a si próprias a sarar. Ajuda ainda à criança lhe dar com os sentimentos mais confusos como medo, tristeza e solidão.

Pode-se citar ainda a coleção de livros de “Terapia infantil”, onde foram publicados vários livros com o objetivo de explicar para a criança a sua enfermidade como: a asma, a epilepsia, diabetes, câncer, a morte dentre outros de uma forma descontraída e com o objetivo de auxiliar na cura da criança, pois a criança hospitalizada precisa estar ciente do que está acontecendo a sua volta para que aceite os procedimentos que deverão ser realizados.

Os livros tradicionais também são muito bem vindos pelas crianças, principalmente os “contos de fadas” como: A Cinderela, A Branca de neve, Os três porquinhos, O Rei leão e muitos outros. O que importa realmente é que a criança esteja se divertindo, é trabalhar o imaginário e a fantasia, é fazer com que o pequeno paciente esqueça pelo menos naquele momento as suas dores e a enorme vontade de voltar para casa.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Através deste estudo é possível afirmar que a Literatura quando usada de forma adequada dentro dos ambientes hospitalares pode ser uma grande aliada no processo de ensino-aprendizagem das crianças, enriquecendo a criatividade e o imaginário e até mesmo ser um elemento de continuidade ou em alguns casos o início da escolarização de crianças e adolescentes.

Por sua vez, o professor poderá vivenciar a cada dia no hospital uma nova experiência de sentimentos, sensibilidade e humanidade deixando claro que a sua área de atuação vai muito além dos quadros negros.

Assim, é reafirmada a necessidade de uma formação mais diversificada para o profissional de pedagogia onde possa colocá-lo “em frente” ao mundo, com a versatilidade que os novos tempos exigem. 

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Publicado por: LUCIANA FERREIRA PEREIRA

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.

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