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IMPORTÂNCIA DOS PROFESSORES E DA FAMÍLIA FRENTE A INCLUSÃO DE PORTADORES DE TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA (TEA)

Análise sobre a importância dos professores e da família frente a inclusão de portadores de transtorno do espectro autista (TEA).

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do site por meio do canal colaborativo Meu Artigo. Brasil Escola não se responsabiliza pelo conteúdo do artigo publicado, que é de total responsabilidade do autor . Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: https://www.brasilescola.com.

ESPECTRO AUTISTA: ALGUMAS CONSIDERAÇÕES

De acordo com a publicação feita do DSM 5 em maio de 2013, o Transtorno Autista, Transtorno de Asperger, Transtorno Desintegrativo da infância e Transtorno Invasivo do Desenvolvimento Sem Outra Especificação que antes eram subcategorias de Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGD), passaram a fazer parte de uma mesma categoria diagnostica, o Transtorno do Espectro Autista (TEA). O diagnóstico de TEA ocorre através da observação comportamental do sujeito, que caso faça parte do transtorno poderá ser detentor de déficits específicos do espectro. Santos e Vieira explicam:

O déficit na comunicação/linguagem pode ser encontrado com a ausência ou atraso do desenvolvimento da linguagem oral. Já o déficit na interação social é recorrente ao autismo, tendo em vista a falta de reciprocidade, a dificuldade na socialização e o comprometimento do contato com o próximo. E outro fator perceptível no autista é o déficit comportamental, onde se encaixa a necessidade do autista em estabelecer uma rotina, além dos movimentos repetitivos e as estereotipias, presentes na maioria dos casos. (SANTOS E VIEIRA, 2017, p.221).

É significativo ressaltar que estes aspectos apontados pelos autores, podem ocorrer com maior ou menor intensidade, e não necessariamente juntos e de forma igualitária tendo em vista, que cada indivíduo autista é único e os comportamentos apresentados por eles por mais que sejam parecidos, não serão necessariamente iguais, pois a manifestação dos sintomas de TEA dependerá do grau de autismo que o sujeito apresenta. (SANTOS E VIEIRA, 2017)

O TEA faz parte de um grupo heterogêneo e peculiar de sujeito para sujeito, apresentando manifestações comportamentais diferentes (por decorrência dessas peculiaridades é chamado de espectro). Com base na perspectiva de que as características clinicas e comportamentais apresentadas pelo indivíduo portador de TEA pode ter grande variabilidade, faz-se necessário um diagnóstico individualizado e preciso, para que o tratamento corresponda as necessidades especificas do nível de autismo denotado. Em relação aos tratamentos abordados no TEA, Mari relata:

A recuperação completa do TEA não é relatada na literatura, mas terapias educacionais, psicossociais e de linguagem, muitas vezes combinados com tratamentos adjuvantes, como a terapia medicamentosa para sintomas específicos, estão bem estabelecidos, inclusive na melhora da interação social, que é o sintoma essencial do TEA. (MARI, 2015, p.03).

Os pertencentes ao espectro autista podem por vezes terem um desenvolvimento social, comunicativo e intelectual, mais lento do que o indivíduo neurotípico (não autista), e partindo do que o autor relatou anteriormente, se torna obvio que com um tratamento adequado o sujeito pode ter avanços significativos ao longo de sua vida.

INCLUSÃO DE PORTADORES DE TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA: O PAPEL DO PROFESSOR

No processo de inclusão de portadores de TEA no espaço escolar, o professor revertesse como o principal norteador para sua realização, pelo fato do mesmo ser a ponte para o desenvolvimento intelectual e social do indivíduo. O aluno que possui necessidades especiais, requer do professor medidas especificas para garantir seu desenvolvimento e aprendizagem, consolidadas através de metodologias eficazes, adaptações de materiais didáticos e ajustes nas formas de lecionar, com o intuito de suprir as necessidades do sujeito com deficiência. Estas medidas referidas anteriormente, somente ocorrerão na pratica caso o professor seja detentor de pleno conhecimento sobre os déficits que um aluno com TEA apresenta, buscando através da capacitação entender o transtorno, e partindo deste entendimento ser detentor dos recursos informativos necessários para tornar a sala de aula um local inclusivo e apto para contribuir para o desenvolvimento e aprendizado do aluno.

Contudo mesmo o professor sendo a ferramenta mediadora do processo de inclusão, o mesmo não pode realiza-lo sozinho, fazendo-se necessário um conjunto de subsídios para que a inclusão possa se tornar realidade. É valido salientar, que existem políticas públicas voltadas para inclusão de alunos com deficiência em escola de ensino regular, mas na grande maioria dos casos, essas política públicas não são colocadas em pratica de maneira correta, por vezes pela falta de incentivo governamental para garantia de infraestrutura nas escolas, capacitação dos profissionais da educação, matérias didáticos adequados as necessidades do aluno e garantia de suporte ao portador de necessidades especiais como a disponibilização de um tutor em sala de aula e acompanhamento psicológico. A falta desses subsídios citados faz com que a escola que por lei deveria ser um local de inclusão, passe a ser um local excludente e até hostil ao aluno dito como “atípico”. (BAPTISTA, 2018).

Diante deste cenário, em que o sujeito com TEA ocasionalmente não recebe os aportes condizentes com suas peculiaridades, proporciona um efeito diretamente na sua perspectiva de desenvolvimento, e partindo do pressuposto que o sujeito com TEA esteja passando por um tratamento terapêutico, consolida-se que a falta de suporte em outros âmbitos como o escolar, desencadeia uma grande diminuição nos benefícios que o tratamento pode proporciona-lo, “Tendo em vista a gravidade do transtorno e os prejuízos que ele acarreta, em todos os âmbitos, o maior desafio é propiciar que os ganhos terapêuticos obtidos sejam expandidos para os outros ambientes não estruturados. ” (Tamanaha et al., 2013, p.30). Assim sendo, fica evidente o papel fundamental que a escola pode exercer sobre o sujeito, e caso não seja feito de maneira eficaz pode não contribuir de maneira adequada para sua evolução.

INCLUSÃO DE PORTADORES DE TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA: O PAPEL DA FAMÍLIA

Em relação ao primeiro impacto da família ao se depararem com o diagnóstico de TEA para um de seus elementos, Tamanaha et al. explica:

Ao receber um diagnóstico que possa implicar tamanha gravidade, a família tende a se desesperar e, com grande facilidade, a se desestruturar. Sendo assim, faz-se necessário apoio familiar para que possam absorver o impacto do diagnóstico, superar a dor e manter a estrutura para lidar com a situação de cuidar de uma pessoa que demande maiores atenções. (TAMANAHA et al., op.cit., p.30).

O autor deixa evidente na citação acima, que a família possui muitas dúvidas e receios sobre o futuro do sujeito com autismo, e apesar de encontrar-se “desnorteada” em precipício com o recebimento do diagnóstico, ela é um alicerce primordial para os cuidados exigidos pelos portadores de TEA, mas para que este apoio ocorra de maneira adequada faz-se necessária a instrumentalização da família sobre o “problema”.

Os indivíduos que são pertencentes ao espectro autista enfrentarão ao longo de suas vidas, obstáculos em detrimento de suas dificuldades, e estes percalços poderão ser amenizados caso os mesmos possuam o apoio familiar adequado, e para isso a família deve se preparar para estar ao lado do portador de TEA, dando a ele o suporte preciso para superar as dificuldades a serem enfrentadas.

A orientação e acolhimento da família do portador de TEA, pode partir de profissionais da saúde engajados no tratamento do espectro autista como terapeutas, mas juntamente, esta instrumentalização pode partir de profissionais da educação capacitados e de agentes comunitários, com intuito de esclarecer a estes familiares, que o autismo não representa o “fim” dos sonhos almejados ao membro da família portador do transtorno, mas sim uma maneira diferente de alcança-los.

É de imensa importância que as orientações a serem dadas aos familiares ou cuidadores, respalde os direitos e deveres pautados por leis, que garantem a inclusão dos portadores do transtorno, “[...] A família precisa conhecer o que as leis sobre a inclusão preconizam para que reivindique direitos e saiba quais e como as instâncias públicas podem ajudar.” (Defendi, 2016, p.37). Com base no que o autor citou anteriormente, fica destacada a importância da informação frente ao processo de inclusão, pois através da mesma, é possível reivindicar direitos, destituir preconceitos, buscar auxilio, e principalmente com o entendimento de estratégias para estimular o êxito no desenvolvimento do sujeito, a família pode atuar de maneira extensiva ao tratamento. Assim sendo, com base nesses pressupostos consolida-se que a família é um dos domínios essenciais para permitir a inclusão do indivíduo de maneira plena.

REFERÊNCIAS 

BAPTISTA, Hanna. Carta de uma mãe/pai de autista para os professores de seu filho. Disponível em: . Acesso em: 27 abr. 2018.l

DEFENDI, Edson. TRANSTORNO DO ESPECTRO DO AUTISMO – TEA. [S.l.: s.n.], 2016. 42 p. Disponível em: . Acesso em: 29 abr. 2018.

MARI, Jair de Jesus. Uma luz azul: identificação precoce, tratamento e prognóstico dos transtornos do espectro do autismo. ANAIS DA 67ª REUNIÃO ANUAL DA SBPC, São Carlos - SP, p. 01-04, jul. 2015. Disponível em: . Acesso em: 26 abr. 2018.>

SANTOS, Regina Kelly dos; VIEIRA, Ântonia Maira Emelly Cabral da Silva. Transtorno do espectro do autismo (tea): do reconhecimento à inclusão no âmbito educacional. Revista Includere, [S.l.], v. 3, n. 1, p. 219-232, mar. 2017. Disponível em: . Acesso em: 25 abr. 2018.

TAMANAHA, Ana Carina et al. Protocolo do Estado de São Paulo de Diagnóstico Tratamento e Encaminhamento de Pacientes com Transtorno do Espectro Autista (TEA). 1. ed. São Paulo: SEDPcD, 2013. 84 p. Disponível em:. Acesso em: 27 abr.2018


Publicado por: Emily Bomfim Souza

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