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GESTÃO ESCOLAR E A AÇÃO PEDAGÓGICA DEMOCRÁTICA

Pedagogia

Trabalho da Gestão Escolar e da Ação Pedagógica Democrática.

RESUMO

O presente artigo tem como principal objetivo identificar, através de um estudo bibliográfico, o trabalho da Gestão Escolar e da Ação Pedagógica Democrática. Estes conhecimentos além de auxiliarem na formação acadêmica e na atuação profissional, também farão refletir sobre o processo de gestão e ação pedagógica na escola, reconhecer a importância do trabalho do pedagogo diante da gestão escolar e compreender a especificidade de atuação do pedagogo em seus vários ambientes educativos. É notório que a equipe escolar é a grande defensora da gestão e ação pedagógica na instituição, as competências admiradas e usadas na elaboração deste texto interdisciplinar irão valorizar e utilizar os conhecimentos construídos historicamente sobre a formação do pedagogo, o agir individual e coletivamente, reconhecendo-o como parte integrante de um determinado grupo. Ainda, a escola sendo lugar democrático, deixa que todos os profissionais tenham a possibilidade de demonstrar seus conhecimentos, as competências, talentos, responsabilidade e compromisso para com seu próprio trabalho, como também, para com a proposta de trabalho coletivo na gestão.

PALAVRAS-CHAVE: Gestão, Pedagógica, Ação, Escolar.

INTRODUÇÃO

O presente artigo tem o objetivo de nos detalhar qual a função da gestão democrática e o que realmente é a ação pedagógica das instituições escolares. O bom pedagogo quando passa em um concurso e é efetivado ou quando contratado por processo seletivo deve ter em mente os deveres e direitos do seu trabalho, e principalmente precisa saber trabalhar em equipe.

Sabe-se que a escola foi muito tempo um lugar de autoritarismo, alunos obedeciam aos professores, professores obedeciam à direção e a direção por sua vez aceitava os comandos da secretária municipal de educação, tudo sob uma administração centrada. Porém, isso mudou, hoje constrói-se uma escola democrática, aberta e interativa com o envolvimento político e social de todos que a compõem, reunindo todos os envolvidos no processo educativo.

Sabe-se que a escola foi muito tempo um lugar de autoritarismo, alunos obedeciam aos professores, professores obedeciam à direção e a direção por sua vez aceitava os comandos da secretária municipal de educação, tudo sob uma administração centrada. Porém, isso mudou, hoje constrói-se uma escola democrática, aberta e interativa com o envolvimento político e social de todos que a compõem, reunindo todos os envolvidos no processo educativo.

Faz-se necessária uma escola democrática para se ter um bom funcionamento. A gestão sozinha não conseguirá construir o que para se tornar real, precisa do auxílio de toda a comunidade.

DESENVOLVIMENTO

A escolha certa do administrador escolar é de suma importância para a escola deixar de ser um ambiente de autoritarismo e poder, porém essa escolha hoje ainda é bastante errada pelo fato de ser escolhido esse cargo pela administração do município sendo um cargo de confiança ou algo do tipo. Escolas onde esse erro ocorre, deixa muitas vezes os colegas pedagogos e demais servidores sem o direito de falar e se expressar, como dizia Paulo Freire.

Ninguém vive plenamente a democracia nem tampouco a ajuda a crescer, primeiro, se é interdito no seu direito de falar, de ter voz, de fazer o seu discurso crítico, segundo, se não se engaja, de uma ou de outra forma, na briga em defesa desse direito, que no fundo é o direito também a atuar.  (FREIRE, 1997a, p. 88).

Contudo a escola tende a não crescer, nem a desenvolver-se conforme seria necessário. A administração da escola não pode sozinha resolver todos os problemas e conflitos existentes na mesma, mas pode exercer a sua função de modo democrático, pedindo opiniões sempre que preciso. Transformando a escola num ambiente sério, porém, prazeroso, de carinho e respeito mútuo.

Outro assunto bem relevante nessa história de democratização é a maneira com que o pedagogo é tratado pelos pais, na maioria das vezes. Principalmente na Educação Infantil o papel do pedagogo é visto pelos pais, como cuidadoras apenas, chamando-as de “tias”, isso é indignante para nós futuras pedagogas, pensar que podemos ser chamas assim. Paulo Freire também já sentia com força esse desprezo tanto que fez um livro titulado: Professoras sim, Tias não. Cartas a quem ousa ensinar.

Nesse documento, esse assunto é predominante, além de tratar sobre a democratização. Diante deste assunto, às vezes a atitude do pedagogo que trabalha na gestão é invisível. Deixam passar batido, não ligam para o que os professores falam e questionam em relação à escola/família. Seria papel e função indispensável do pedagogo gestor, criar essa relação de diálogo entre a família e a escola, a escola só é escola com a democratização, para isso, é necessário ainda uma boa gestão.

Quando na faculdade, um professor durante as atividades de aula, dissertou sobre gestão de pessoas, e foi possível ver o quão verdadeiro foi sua fala, em um certo momento disse: “Se você levantar de manhã sem vontade de ir trabalhar, algo está errado. E é 90% de chances de ser a má gestão de seu grupo de trabalho, seja indústria ou até mesmo escola, que o deixa assim. ”

Além de ajudar na convivência entre todos os indivíduos da comunidade escolar, a gestão e ação pedagógica democrática traz benefícios para o aprendizado dos alunos. Toda escola deveria ser assim, democrática, sem autoritarismo e com um censo humanizador. A escola democrática é então, uma instituição voltada a formação do indivíduo como ser humano crítico, que usa seu conhecimento e sua realidade já vivenciada para ter vez e voz na comunidade escolar.

O pedagogo atuante na gestão da escola pode contribuir para organização do trabalho pedagógico na escola: organizando os alunos para um grêmio estudantil, orientando-o nos estudos, no ensino médio pode trabalhar com a orientação profissional já que muitos sentem-se perdidos quanto a isso, avaliação e acompanhamento dos alunos com dificuldades de aprendizagem, ajuda no encaminhamento especializado e serviços de apoio pedagógico, participar ativo no processo de inclusão, discutir sobre questões disciplinar de alunos, entre outros.

É notório na função do pedagogo, as resistências dos alunos diante do processo de ensino-aprendizagem, o pedagogo nesse caso, pode colaborar para que os alunos visualizem as possibilidades dadas para ele se expressar, dar sua opinião em relação as organizações do trabalho pedagógico na escola e que o aluno tem o direito e o dever fazer isso. O ponto de vista destes deve ser considerado pelo pessoal da gestão administrativa da escola, pois essa participação contribui para que se tenha indivíduos críticos, e formando opiniões com capacidade para liderança.

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Para Gramsci (1979, p.137) é necessário que toda escola trabalhe e atue com a democratização e um olhar voltado ao indivíduo construtor, deve-se formar um homem capaz de pensar, criticar, estudar, construir ou de controlar quem constrói, pois é preciso que todos se coloquem no lugar de construir, gestar, governar e até mesmo ser líder de grupos. Nem que para isso ser feito, façamos apenas o uso da imaginação, é necessário se colocar no lugar de quem lidera, ter adversidades, conflitos e complicações para resolver.

Com relação ao papel do pedagogo no processo de inclusão, essa questão ainda é polêmica, o que já não deveria ser. As questões que apontam os desafios para se trabalhar com a inclusão devem ser discutidas pela escola, coletivamente, e exposta no PPP da mesma, como sendo uma questão indispensável e inseparável p da própria concepção de educação admitida pelas instituições de ensino. Cabe ao pedagogo o acompanhamento metódico desse aluno no seu processo de ensino-aprendizagem.

Como dito antes, para todos os alunos o pedagogo gestor ou coordenador pedagógico deve ter uma relação família/escola, mas nesses casos de inclusão deve obrigatoriamente ter relação com a família, para que possibilite um estudo detalhado do aluno, suas reais necessidades, podendo assim definir ações juntamente com a família, visando atender e suprir todas as necessidades na inclusão do aluno. Até mesmo fazer trabalhos para incluir o aluno na turma e escola, visando uma bom relacionamento e adaptabilidade com os colegas, professores e funcionários da instituição.

Ainda, para alunos que necessitam de orientação para estudar, faz-se necessário que o pedagogo coordenador, conheça como o aluno aprende e quais os fatores que podem beneficiar a sua aprendizagem. Assim, o pedagogo pode indicar ao aluno técnicas, estratégias de estudo, de organização pessoal, para criar habito de estudo, de modo que o aluno tenha empenho e força de vontade para estudar. Claro que tudo isso, juntamente com a família respeitando as necessidades e diversidades dos indivíduos.

No caso, o papel do orientador pedagógico não seria necessariamente o papel de encaminhar à atendimento especial alunos com dificuldades, e sim, identificar e trabalhar as mesmas com o professor regente da turma do aluno. Auxiliando o docente na busca da compreensão teoricamente fundamentada no que se refere à dificuldade de aprendizagem e de que forma toda a comunidade escolar pode lidar com o problema.

No que se refere à identificação de dificuldade de aprendizagem, específicas, Pimenta (1995, p. 152) diz que: é importante eliminar-se o conceito de normalidade enquanto parâmetro de interpretação do que é dificuldade. A autora explica que a normalidade vem sendo trabalhada com a concepção ideal de aluno que aprende, e deveria então ser trabalhada especificamente cada caso. Tendo um serviço completo da necessidade específica do aluno com determinada dificuldade, e não com esquemas organizados globalmente identificando uma anormalidade.

Quando existe parceria entre os profissionais da escola e a família dos alunos, muitos problemas de ordem emocional, psicológica ou mesmo ligadas à dificuldade de aprendizagem ou comportamento inadequado, tendem a ser minimizados. Como citado no começo do nosso texto, o modelo Freireano é o que mais se adequa à essa escola democrática, sua pedagogia apoia-se na concepção dialética, ou seja, valorização da realidade do indivíduo e de sua cultura como aspectos fundamentais para a pratica educativa. Tem como princípios básicos, a libertação e humanização do ser humano.

Nesse sentido, a direção escolar que pretende adotar esse método deve denunciar a exclusão e o autoritarismo, ao optar por um ensino igualitário e inclusivo esses profissionais da educação irão ter como tarefas identificar e combater modelos autoritários, expressar suas opiniões e impor a participação digna de todos os cidadãos, tornando a escola um lugar democrático, lugar de diálogo. Construindo assim, uma escola crítica que apoia a família na interação com o processo pedagógico e o ensino-aprendizagem dos alunos.

CONCLUSÃO

Com a finalização desse artigo é possível detectar e compreender a importância de participação individual e coletiva do pedagogo em atividades escolares de forma democrática, sem ter aquela administração forçada e autoritária, respeitando a forma de pensar dos colegas ao mesmo tempo em que aprende com eles. Trabalhando e agindo sozinha a gestão não é escola.

Ainda é possível compreender como acontecimentos relacionados a um tempo, um local, bem como determinados referenciais, contribuem para a formação do pedagogo. Em tempos anteriores eram formados pedagogos autoritários, mas como a educação brasileira vem se moldando dia-a-dia é possível a percepção da mudança no quesito professor autoritário e libertário. Hoje temos uma educação bem eclética, porém com predomínio mais democrático.

Por fim, vê-se a atuação mais constante do pedagogo orientador que busca estimular e promover iniciativas que possibilitem a participação democrática nas relações da escola, frisando a importância do mesmo para com a relação família-escola, que hoje em dia é fundamental para um bom desempenho das crianças e da instituição. Tornando o diálogo uma ferramenta fundamental no processo de ensino-aprendizagem.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Leis de Diretrizes e Base da Educação. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/ldb.pdf.  Acesso em 25/07/2019.

FREIRE, Paulo. Professora sim, tia não. Cartas a quem ousa ensinar. 1993. Disponível em: http://forumeja.org.br/files/Professorasimtianao.pdf Acesso em: 25/07/2019.

GADOTTI, Moacir. Perspectivas atuais da educação. Porto Alegre: Ed. Artes Médicas, 2000. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/spp/v14n2/9782.pdf Acesso em: 20/07/2019.

GRAMSCI, Antonio. Os Intelectuais e a organização da cultura. Rio de Janeiro, 1979. Disponível em: https://cesarmangolin.files.wordpress.com/2010/02/gramsci-os-intelectuais-e-a-organizacao-da-cultura1.pdf Acesso em : 20/07/2019.

PIMENTA, Selma Garrido. O Pedagogo na Escola Pública. 3. ed. São Paulo: Loyola, 1995.

SARAIVA, Ana Cláudia Lopes Chequer; AZEVEDO, Denílson Santos de; REIS, Cíntia Lopes. O pedagogo e seus espaços de atuação nas representações sociais de egressos do curso de pedagogia. UNICAMP, 2012. Disponível em:    http://www.infoteca.inf.br/endipe/smarty/templates/arquivos_template/upload_arquivos/acervo/docs/2577b.pdf Acesso em: 26/07/2019.

Por  Janice Jandrey


Publicado por: Janice Jandrey

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.
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