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O estímulo na aprendizagem de alunos do primeiro ano, na visão da gestão escolar

Pedagogia

A gestão da escola na análise das dificuldades de aprendizagem de alunos do primeiro ano e a importância do estímulo afetivo para o aluno em período escolar.

RESUMO

Este artigo apresenta uma análise das dificuldades de aprendizagem de alunos do primeiro ano. O estudo se pautou na abordagem qualitativa da realização das atividades, através da observação feita junto a equipe gestora. Durante a pesquisa constatamos que as principais dificuldades que os educandos apresentam é a baixa auto–estima, devido a falta de participação dos pais na vida escolar de seus filhos. Sendo assim, o estudo confirmou que o estímulo afetivo da família é um fator importante na vida escolar da criança e favorece a aprendizagem do aluno.    

Palavras chave: Aprendizagem, Estímulo e Família. 

ABSTRACT

This article presents an analysis of the learning difficulties of first year students. The study was based on a qualitative approach of carrying out activities through the observation made with the management team. During the research found that the main difficulties is that the students have low self - esteem, due to lack of parental involvement in school life of their children. Thus, the study confirmed that the stimulus affective family is an important factor in child's school life and promotes student learning. 

KeywordsLearning, Encouragement and Family. 

INTRODUÇÃO 

De acordo com Menin (2002), o ambiente escolar deve ser de afeto e não intolerância, ou seja, se quisermos educar para a autonomia, não é possível obtê-la sem o respeito. Em outras palavras, se queremos formar pessoas capazes de refletir sobre os valores existentes, fazer opções por valores que tornem a vida social mais justa e feliz para a maioria das pessoas, assim como a formação de pessoas críticas é preciso que na escola sejam proporcionadas situações em que essas escolhas, reflexões e críticas sejam solicitadas e possíveis de serem realizadas. 

Isso exige que se tenha como enfoque principal não "transmitir conhecimentos" às crianças, mas socializá-las e humanizá-las adequadamente, objetivando sempre uma sociedade formada por pessoas mais responsáveis e equilibradas, com comportamentos saudáveis, agindo com cidadania. Ainda, segundo a autora, se a escola não se comprometer formalmente com a tarefa de formar cidadãos autônomos, ainda que busque ensinar todos os ramos da ciência, não estará comprometida com suas bases. (MENIN, 2002)       

Dessa forma, a escola é concebida como um elemento que deve zelar pela construção do respeito a si mesmo, ao outro e a vida, compreendendo que ensinar é desenvolver o ser humano em sua totalidade, não impondo limites em sua aprendizagem. A escola deve desta forma, proporcionar aos estudantes experiências novas e criativas de aprendizagem baseadas em uma aprendizagem completa, proporcionando maior interação com o meio e fazendo com que todos se sintam valorizados. A escola é um espaço social de construção dos significados éticos. De acordo com esta concepção, a prática educativa deve atender as necessidades sociais, políticas, econômicas e culturais da realidade nacional enfatizando a importância e a urgência de uma educação voltada para as questões sociais, as quais, por sua vez, devem estar permeando os conteúdos e os objetivos do processo educativo, por intermédio da inter-relação entre os conteúdos e as questões da vida real. Nesse sentido um dos objetivos da Educação... 

(...) deve ser o de compreender a cidadania como participação social e política, assim como o exercício de direitos e deveres políticos, civil e social, adotando, no dia-a-dia, atitudes de solidariedade, cooperação e repúdio às injustiças, respeitando o outro e exigindo para si o mesmo respeito. (BRASIL, 1996).  

AFETIVIDADE ENQUANTO ESTÍMULO PARA A APRENDIZAGEM ESCOLAR 

Recentemente há grande interesse no afeto e sua influência no processo de aprendizagem. Piaget em 1954 afirma que a afetividade não modifica a estrutura no funcionamento da inteligência, mas é “a energia que impulsiona a ação de aprender”. 

A ação, qualquer que seja, precisa de organismos fornecidos pela inteligência para alcançar um objetivo, uma meta, mas é necessário o desejo, ou seja, algo que mobiliza o sujeito em direção a este objetivo e isso corresponde à afetividade (DELL’AGLI E BRENELLI, 2006). 

A afetividade não modifica o funcionamento da inteligência, mas, poderá acelerar ou retardar o desenvolvimento dos indivíduos, podendo até interferir em sua inteligência, estruturalmente falando-se (ANDRADE, 2007). 

Martinelli (2006) afirma que, o que se observa com mais frequência é o fato de que o aluno admirado ou valorizado pela escola tem suas características valorizadas, cada vez mais acentuadas e, consequentemente, demonstra-as com mais frequência (ANDRADE, 2007). 

De acordo com Oliveira (2003), “o desenvolvimento de uma criança é o resultado da interação de seu corpo com os objetos de seu meio, com as pessoas com quem convive e com o mundo onde estabelece ligações afetivas e emocionais”. 

A relevância da afetividade familiar na educação da criança 

Na escola, crianças advindas de famílias que não participam da sua educação, ou seja, de familiares que alegam não ter tempo para participar da vida escolar o filho, podem apresentar problemas na aprendizagem.  

Nesta situação, a responsabilidade que deveria estar dividida entre a escola e a família, acaba ficando totalmente a cargo da escola. Como resultado dessa situação, encontramos crianças que mesmo não tendo nenhum problema de ordem clínica, encontram-se com muitas dificuldades para aprender, com baixa auto-estima, não confiando em si própria. A educação é tarefa de todos, ou seja, governo, família, sociedade e é necessária a presença da família atuante na escola, participando e acompanhando seus progressos e resultados. 

A relação que os pais estabelecem com seus filhos é de extrema importância na construção da auto-estima, representação da avaliação afetiva que a pessoa tem de suas características em um determinado momento (Miras, 2004). A criança com auto-estima baixa ou negativa terá maior dificuldade em estabelecer relações com seus pares. Pais que não levam em consideração as possíveis dificuldades apresentadas por seus filhos ou dificultam a relação da criança com a realidade não o prepara para aprender a lidar com suas próprias frustrações (ANDRADE, 2007). Nos estudos realizados por Wens-Gross e Siperstein em 1997, enfatizou-se a importância da família no desenvolvimento da aprendizagem. Esta pesquisa investigou crianças com e sem dificuldades de aprendizagem, estabelecendo comparações com a rede de interações sociais, suporte social, amizades e ajustamento e constataram que crianças com problemas de aprendizagem procuram menos sua família, bem como seus pares para obter suporte na solução de problemas. Em 1979, segundo Andrade (2007), a pesquisa de Watts com crianças deficientes indicou que os problemas de aprendizagem podem estar relacionados a problemas afetivos, destacando assim a importância de um bom ambiente familiar e de uma boa relação escola – aluno. 

“A criança traz para o ambiente escolar toda a carga afetiva de seu desenvolvimento com seus familiares, os problemas emocionais surgirão nos contatos que se estabelecerá e, as crianças que tenham desenvolvido a inteligência emocional saberão lidar com as frustrações que este ambiente e suas relações lhes proporcionarão. Cabe ao professor e aos profissionais envolvidos nesta relação propiciar um ambiente acolhedor e de compreensão para que as crianças possam desenvolver suas potencialidades amplamente” (ANDRADE, 2007). 

Nesse momento torna-se fundamental a intervenção da gestão escolar. 

“A gestão escolar tem na relação escola e família, na busca de formas de interação mais efetivas entre elas, um importante instrumento de inovação educacional, desde que utilizado numa perspectiva democrática. Esta relação, entretanto, pode ser analisada sob múltiplas visões” (GENTILINI, 2001). 

A partir do contato com a equipe gestora da escola, para a realização deste trabalho, percebemos que a falta e estímulo e dedicação dos pais pode provocar nas crianças um estado de desmotivação e falta de interesse, impedindo o seu desenvolvimento e participação, tendo como consequência o atraso em relação à classe. 

De acordo com Godoy (1999), a escola constitui-se no lócus inicial de construção da sociedade e da cidadania; devendo incentivar a participação de todos os que estão envolvidos em sua construção permanente, visando à aprendizagem e o exercício da democracia, visando a transformação social e a superação das desigualdades e favorecendo, principalmente, a formação da cidadania. As instituições família e escola constituem-se em ambientes necessários para a vida da criança, podendo buscar melhores condições de comunicação e de entendimento na interação entre si, como forma de contribuição e de co-responsabilidade pelo desenvolvimento social do aluno e da gestão escolar (Gentilini, 2001). 

A partir deste pensamento, nosso trabalho visa tentar reparar a falta da família, no que se refere a estímulos e afetividade na aprendizagem da criança, possibilitando que esta sinta-se capaz e motivada a aprender mediante às seus próprios esforços, afinal, esse papel seria inicialmente da família e é muito importante no cenário educacional. Família e escola deveriam ser ponto de apoio e sustentação ao ser humano, sendo marcos de referência existencial. Quanto melhor a parceria entre ambas, mais positivos e significativos seriam os resultados na formação do cidadão.  

O problema de pesquisa e os objetivos do trabalho 

Este trabalho trata da questão do estímulo e afetividade como sendo ações fundamentais na aprendizagem do aluno do primeiro ano do ensino fundamental para desenvolver raciocínio e saberes próprios desta fase, sem os quais ele pode sentir-se desmotivado e incapaz de aprender através de seus próprios esforços, para isto miramos as ações da equipe gestora da escola, partindo do pressuposto de que esta trabalha para propiciar alternativas para a integração, socialização e troca de saberes com o ambiente familiar do educando. Pois, segundo Masiero (2009), além de a família contribuir para a construção de um sujeito mais humano, a escola também tem importante participação nesta formação. Cabe a gestão educacional, promover formas de solucionar problemas afetivos na escola, especialmente entre professor e aluno. O professor deve estar preparado para enfrentar situações variadas de expressão sentimental, o que é natural ocorrer, especialmente nos primeiro anos escolares. Para que a equipe docente esteja preparada para enfrentar tais questões, a gestão escolar deve proporcionar a aquisição de habilidades e técnicas através de aperfeiçoamento e troca de saberes, conhecimentos e experiências. Deve estar aberta a novas formas de ensinoaprendizagem, atualizando e modificando o currículo escolar conforme seus interesses e objetivo. Também deve rever as relações entre equipe de trabalho. Um ambiente que favoreça a troca de experiências, e estimule a boa convivência, fortalece o trabalho e o resultado é visível. 

Desta forma, ainda segundo a autora supramencionada, quando a família participa do trabalho escolar e acompanha o dia-a-dia da criança, principalmente nas séries iniciais, fornece uma base sólida para a formação afetiva e cognitiva do educando. Este se sente mais seguro e consciente do mundo a sua volta. 

Porém como a participação familiar na escola estudada não faz parte da realidade de todos os alunos, nossa ação será mirada para estes, através da proposta da equipe gestora no que se refere ao estímulo e afetividade, que deveriam acontecer inicialmente por parte da família, atuaremos como se espera que ela deveria atuar no estímulo da aprendizagem da criança, não queremos tirar a responsabilidade da escola de atuar na afetividade da criança, mas queremos reforçar ainda mais na escola aquilo que eles não recebem em casa caminhando desta forma para a autonomia dos mesmos. 

Na busca deste resultado, objetivamos ainda: 

•      Possibilitar que as crianças consigam chegar a diferentes raciocínios, variando o seu repertório de conhecimentos por si mesmas; 

•      Perder o medo de expressar suas opiniões; 

•      Possibilitar que a crianças sintam na escola um ambiente de desafio e confiança, que atenda suas necessidades. 

Pretendemos a partir destes objetivos, auxiliar estas crianças a resolverem atividades escolares através de estímulos e afetividade. 

O REFERENCIAL TEÓRICO

Para a realização deste trabalho nos baseamos nas idéias apresentadas por diversos autores, dentre os quais Piaget e Vygotsky no que se refere à relação entre afetividade e aprendizagem. A partir do estudo de tais autores, pudemos constatar que a educação exige diversificadas formas de atuação para contribuir com o desenvolvimento das habilidades dos educandos, devendo prever o desenvolvimento racional, afetivo, emocional, social, intelectual e físico. Neste trabalho o que mais nos norteiam são os desenvolvimentos racional (realização das atividades) e afetivo (estímulo, ação e autonomia), sobre isso La Taille, apud Piaget (1992), nos esclarece que:

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(...) de fato, o dualismo afetivo/ razão é fácil de ser compreendido quando dois termos são complementares: a afetividade seria a energia, o que move a ação, enquanto a razão seria o que possibilitaria ao sujeito identificar desejos sentimentos variados, e obter êxitos nas ações.

A afetividade, assim como a razão, não nasce pronta nem permanece imutável. Ambas evoluem ao longo do desenvolvimento da pessoa, são construídas e se modificam de um período a outro, pois, à medida que o indivíduo se desenvolve, as necessidades afetivas se tornam cognitivas. Assim é preciso atuar positivamente na vida da criança: discutir positivamente com ela, levantar desafios estimuladores e deixar que ela faça parte do mundo. Oliveira, apud Vygotsky (1992) afirma que “o pensamento tem sua origem na esfera da motivação, a qual inclui inclinações, necessidades, interesses, impulsos, afeto e emoção”. 

METODOLOGIA 

Através de entrevista com a direção da escola, soubemos que alguns alunos passavam por sérias dificuldades em assimilar o conteúdo trabalhado, e em consequência disso sofriam defasagem em relação ao restante da sala. Ao passarmos a ter contato com tais alunos e conversar com a equipe pedagógica da escola, constatamos que o problema não era de ordem clínica, mas sim de falta de estímulos e apoio por parte da família, que transfere toda educação do filho para a escola. Optamos então por aplicar projetos elaborados junto à equipe gestora com estes alunos. 

O trabalho foi aplicado em uma sala de aula do primeiro ano da escola, com seis alunos da mesma, a seleção foi feita junto a equipe gestora: selecionou-se  a sala onde havia maior quantidade de alunos com dificuldades de aprendizagem sem serem de ordem clínica, dentre os quais, a professora selecionou, dentre seus 18 alunos três cujos pais não participavam da vida da escola ou da vida escolar do filho e apresentavam quadros de baixa auto – estima este como sendo grupo experimental e mais três alunos com as mesmas condições como sendo o grupo controle, estes também realizaram as atividades mas com toda a classe de maneira coletiva. 

O contado com a escola 

O primeiro contato foi com a equipe gestora da escola, para a qual expusemos a ideia do trabalho, a equipe afirmou ter o desejo de trabalhar com essas crianças, a partir de então iniciamos as atividades que duraram cerca de dois meses, passando do contato inicial com a equipe, com a professora da sala, com a sala em geral por meio de observação da realização das atividades propostas pela professora até a aplicação do trabalho. Fomos apresentados a sala como estagiárias que iriam aprender com a professora. 

APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DAS ATIVIDADES 

As atividades realizadas foram elaboradas junto diretora da escola, pois, esta já apresentou algumas idéias e grande interesse em posteriormente aplicar esta atividade em outras classes, adaptando para cada ano escolar. 

QUADRO 1: Elementos identificadores das atividades. 

ATIVIDADE

CONTEÚDO

OBJETIVO

Palavras, desenhos, símbolos e cores 

Estudos de palavra junto com cores e imagens 

(logotipos) 

Entender o que são logotipos; 

Relacionar cores aos logotipos; 

Verificar se os logotipos se referem ao mesmo desenho ou não 

No mundo do faz de conta 

Contos infantis 

Diferenciar realidade de fantasia 

O que você faz durante a semana? 

Reconhecimento da unidade padrão de medida do tempo; calendário 

Utilizar e identificar as unidades de medida de tempo 

Jogo 

Jogo de cartas 

Possibilitar a relação entre as diferentes figuras e seus respectivos 

nomes 

Fonte: Arquivo pessoal. 

Transcrição e análise das atividades 

Atividade 01: Palavras, desenhos, símbolos e cores.

A atividade consistia, em pesquisar em jornais e revistas os logotipos pedidos: 

•      Logotipo onde encontra-se somente o nome da marca; 

•      Logotipo onde aparece tanto o nome quanto uma figura que não relacionamos com o produto; 

•      Logotipo onde aparece tanto o nome quanto uma figura que relacionamos com o produto. 

Durante a pesquisa as crianças identificavam de imediato o que era logotipo, pois, a direção já havia entregue para a professora material para estudo prévio dos alunos. Notamos no grupo experimental que só o fato de estarmos junto eles se entusiasmaram em realizar a atividade. Tanto que eles foram os primeiros a terminá-la e ainda aos estimulados ajudaram crianças do grupo controle que, de acordo com a professora, as vezes não terminam as atividades. 

Análise da atividade 

Pudemos sentir que a participação dos alunos do grupo experimental foi muito satisfatória. Ao realizarem a atividade, tais crianças apresentaram necessidade constante de que confirmássemos se o que estavam fazendo era certo ou errado, demonstrando com isso grande insegurança. Apesar disso, eles realizaram a atividade com êxito, e pareciam sentir orgulho de si mesmos por terem conseguido realizar uma atividade no mesmo tempo e, em alguns casos, mais rápido que o restante da turma. 

Atividade 02: No mundo do faz de conta

Neste dia iniciamos a atividade com música, deixamos que eles cantassem e depois contamos uma história, um conto infantil. Após a leitura, perguntamos aos alunos do grupo controle se aquele texto lhes era familiar, o aluno A respondeu: “Parece com a história da bela adormecida, mas tem “coisa” diferente”. 

Perguntamos aos alunos do grupo controle se concordavam, e por que, responderam que sim com a cabeça, mas não quiseram falar. 

Outro aluno da sala respondeu: “Ah! A bruxa não morreu nessa história e ela ainda tem que fazer um remédio para a Bela Adormecida dormir”. 

Após a leitura e interpretação oral os alunos passaram para as atividades de interpretação propostas pelo livro nas quais puderam exercitar a escrita através do estudo o vocabulário o contexto, ortografia e organização lógica do texto chamado “Guga e a Princesa”, texto que mescla realidade e fantasia. O texto tem como pano de fundo a história da Bela Adormecida. 

A princesa do texto tem um encontro com uma menina brasileira. 

Análise da Atividade 

Ao analisarmos o comportamento dos alunos do grupo experimental diante das atividades propostas, notamos que ao fazerem comentário sobre o texto foram direto ao objetivo proposto, já que de imediato diferenciaram a realidade da fantasia, porém, nas atividades escritas apresentaram uma certa dificuldade em identificar algumas palavras, fato que pode ser normal por tratar-se de alunos de primeiro ano do ensino fundamental.

Atividade 03: O que você faz durante a semana?

Para esta atividade preparamos previamente diversos calendários marcando datas significativas para o grupo, a partir analisamos e constatamos que os alunos já tinham noção de contagem de tempo. 

A atividade proposta foi a construção por parte dos alunos de um calendário do mês, para isso foram integradas atividades de leitura e escrita. 

Os dois grupos realizaram a parte relativa a contagem de maneira autônoma, mas como era de se esperar tiveram um pouco de dificuldade na parte de interpretação, o grupo experimental ao se depararem com a dificuldade logo nos procurou, á o grupo controle, se quer procurou a professora da classe.

Análise da Atividade 

O grupo controle apresentou ações autônomas na realização da atividade em ambas as partes pois, na primeira a realizou de imediato junto com toda a sala, e na segunda ao menor sinal de dúvida já nos procurou para saná-las e resolver a atividade. 

Atividade 04: Jogo 

Em envelopes colocamos por fora uma figura e dentro o nome da mesma. Jogando em duplas o primeiro deve mostrar a figura do seu envelope ao seu colega, que por sua vez deve escrever a letra inicial do nome da figura, depois de escrita a letra, o colega deve mostrar o nome que estava dentro do seu envelope para conferir a letra inicial, se ele acertar ganha ponto, se não, o ponto é do adversário. A cada rodada os participantes trocam de duplas e de envelopes até realizaram a atividade com toda classe. 

Análise da atividade 

A realização da atividade foi muito descontraída, foi uma disputa equilibrada entre os grupos, todos queriam ganhar pontos, e para isso acertar o nome da figura, a questão dos pontos foi um estímulo para as crianças que a cada ponto ganho era como se a auto-estima se elevava, pelo contrário do que imaginávamos, quando não acertavam riam e torciam pelo acerto de um amigo da sala. Placar final: Grupo Controle 16 acertos e Grupo Experimental: 22 acertos. Vale salientar que estávamos o tempo todo ao lado do grupo experimental incentivando-os.  

CONSIDERAÇÕES FINAIS 

Enxergar a educação como uma prática social, no sentido primo do termo, traz particular importância num contexto que toma consciência da necessidade de integração família atuante e instituição de ensino. As instituições escola e família são frutos da sociedade que, por meio delas, educa, socializa e civiliza os cidadãos em prol de seu desenvolvimento. Como construtoras da sociedade, tanto a escola como a família, são instituições educativas e precisam agir como tal. 

A família não deve simplesmente levar a criança para a escola e esperar o produto finalizado no final do dia, ela é parte fundamental na educação escolar da criança, participando das atividades propostas pela escola junto a ela, estimulando sua realização, mostrando para ela que é capaz de fazer muitas coisas. 

Nesse trabalho discutimos a importância do estímulo afetivo para o aluno em período escolar, especificamente do primeiro ano do ensino fundamental. Infelizmente pesquisas comprovam que o insucesso da criança na escola é causado, em grande parte dos casos, pela falta dessa família atuante na aprendizagem da criança, sem a qual ele pode se sentir sozinha, com medo e incapaz. Ao realizarmos as atividades pudemos alcançar nossas expectativas, quando notamos que o objetivo havia sido comprovado: o estímulo afetivo favorece a aprendizagem.  

Durante o período de trabalho junto aos alunos, constatamos que quanto mais próximos de nós, maior a qualidade e confiança na realização das atividades. 

O que ficou claro foi que os alunos não apresentavam baixo rendimento devido a problemas clínicos, mas sim por se sentirem esquecidos e desvalorizados. 

Assim, para que os alunos tenham êxito em suas ações, é necessário que sejam valorizados mesmo em pequenos atos. Essa é uma forma de satisfazer suas necessidades e mantê-los constantemente em busca de novos desafios. Para isso, a gestão da escola deve estar atenta, auxiliar os professores na realização de ações que valorizem o aluno e o guiem no caminho da verdadeira autonomia. 

REFERÊNCIAS 

ANDRADE, A. S. A influência da afetividade na aprendizagem.Monografia apresentada como requisito parcial à obtenção do título de Especialista em Psicopedagogia Clínica junto à Unievangélica Centro Universitário. Disponível em <http://www.arteterapiadf.com.br/textos/monografia_completa.pdf>. Acesso em 02 Mar 2011. 

BRASIL. Lei Federal nº 9.394 de 20 de dezembro de 1996. Dispõe sobre as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. 

DELL’AGLI, B.; BRENELLI, R. A afetividade no jogo de regras. In: Sisto, F.; Martinelli, S. Afetividade e Dificuldades de Aprendizagem: uma abordagem  psicopedagógica. 1.ed. São Paulo: Vetor, 2006. p.32. 

GALVÃO, I. Henri Wallon: uma concepção dialética do desenvolvimento infantil.Petrópolis: Vozes, 1995. 

GENTILINI. J. A. Gestão educacional na transição para o século XXI: algumas (pretensiosas) reflexões. In: Cadernos de Educação. Laboratório Editorial da FCL. Araraquara, v. 2, jul./dez. 2001, p. 115-125. 

GODOY, A. C. de S. Gestão escolar e prática reflexiva. In: BELOTTO, A. A. M.; RIVERO, C. M. da L; GONSALVES, E. P. (Org.). Interfaces da gestão escolar. Campinas: Alínea, 1999. 

LA TAILLE, Y; OLIVEIRA, M. K.; DANTAS, H. Piaget, Vygotsky, Wallon: teorias psicogenéticas em discussão.São Paulo: Summus, 1992. 

LIBÂNEO, J. C. Organização e gestão da escola: teoria e prática. Goiânia: Alternativa, 2001. 

MASIERO, A. A Afetividade nas Relações Escolares. Publicado 20/01/2009. Disponível em: < http://www.webartigos.com>. Acesso em 02 Mar 2011. 

MENIN, M. S. S. Valores na escola.Educ. Pesqui. , São Paulo,  v. 28,  n. 1, 2002. Disponível em: . Acesso em: 13  Fev 2011. doi: 10.1590/S151797022002000100006. 

OLIVEIRA, G. A Transmissão dos Sinais Emocionais Pelas Crianças. In: Sisto, F. ; Martinelli, S. Afetividade e Dificuldades de Aprendizagem: uma abordagempsicopedagógica. 1. ed. São Paulo: Vetor, 2006. p. 78-80. 


Publicado por: Aline Rocha Pereira

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.
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