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Cultura, cotidiano escolar e espaços sociais

Pedagogia

Análise sobre cultura, cotidiano escolar e espaços sociais.

Criamos e manifestamos cultura de diversas formas plurais, não é algo estático, sempre se transforma, envolve um processo criativo e ativo na vida humana, se manifestando em seu dia a dia. Não existe um só indivíduo que não possua e não propague cultura, é uma herança social que envolve experiências e ações coletivas. Candau (2003, pag.160) afirma que: "A escola é, sem dúvida, uma instituição cultural”. Educação e cultura estão interligados, são elementos socializadores que mudam maneiras de pensar, é essencial no processo de ensino-aprendizagem.

Diversidade cultural é tema que precisa ser inserido nos currículos escolares, em diferentes atividades e estratégias pedagógicas, abrindo espaço a todos os sujeitos culturais presentes no cotidiano escolar, combatendo preconceitos, articulando aos diferentes pontos de vista, através de atividades multidisciplinares, reunindo soma de saberes e histórias acumuladas. É preciso estimular atividades intelectuais e artísticas, interação entre indivíduos, observar as problemáticas nas relações entre escola e cultura como inerente ao processo educativo, tudo isso se torna instrumento indispensável na construção do conhecimento. Podemos perceber cultura através dos indivíduos que as produzem e seus significados, os processos da globalização e suas múltiplas influências que contribuem para o enriquecimento intelectual e espiritual na sociedade.

Para Forquin (1993) “a relação entre cultura e educação é imprescindível, sendo uma dependente da outra. [...] a cultura é o conteúdo substancial da educação, sua fonte e sua justificação última: a educação não é nada fora da cultura e sem ela. Mas, reciprocamente, dir-se-á que é pela e na educação, através do trabalho paciente e continuamente recomeçado de uma “tradição docente” que a cultura se transmite e se perpetua: a educação “realiza” a cultura como memória viva, reativação incessante e sempre ameaçada, fio precário e promessa necessária de continuidade humana.

Construir um currículo com foco em tais questão, requer novos saberes, objetivos, postura profissional da equipe pedagógica na interação cotidiana que relaciona pessoas diversificadas. É preciso combater discriminações no cotidiano escolar, descobrir novas perspectivas, reconhecendo diferenças e construindo igualdades. Não existe educação sem envolvimento com a cultura da humanidade e seus momentos históricos, a escola é instituição multicultural, formada por diversos agentes que relacionam conhecimento, tensões e conflitos, diferentes realidades. Não existe igualdade se a escola não reconhecer diferenças, educação não deve formatar uma sociedade, é um processo contínuo de construção, desconstrução, reconstrução e inter-relações em busca de um futuro melhor.

Seria um engano cultivar o pensamento que a escola é o único local onde se aprende, existem diversos locais de convivência entre crianças e jovens, sua comunidade, locais religiosos, atividades que realizam de forma extracurricular, ambiente familiar, que demonstram a importância da diversidade cultural, respeito ao próximo, liberdade, mesmo que não formal, mas sempre planejada e conduzida pedagogicamente. É importante trabalhar o contexto social e cultural dos alunos, suas percepções e como suas vidas são interligadas, avaliando estratégias, dialogar na troca de experiências, estabelecer vínculo de confiança, encontrar aliados. A escola não deve silenciar assuntos polêmicos e sim abordar pedagogicamente cada tema, sabemos que nem todos os estudantes possuem as mesmas oportunidades, principalmente relacionando ao diálogo, o espaço escolar é o local onde adquirem conhecimento sobre diversos assuntos, meio de circulação de conhecimentos e possíveis intervenções que se fazem necessárias, para que surja pensamento reflexivo, crítico e responsável.

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Para Forquin (1993) a relação entre cultura e educação é imprescindível, sendo uma dependente da outra. [...] a cultura é o conteúdo substancial da educação, sua fonte e sua justificação última: a educação não é nada fora da cultura e sem ela. Mas, reciprocamente, dir-se-á que é pela e na educação, através do trabalho paciente e continuamente recomeçado de uma “tradição docente” que a cultura se transmite e se perpetua: a educação “realiza” a cultura como memória viva, reativação incessante e sempre ameaçada, fio precário e promessa necessária de continuidade humana (FORQUIN, 1993, p.14).

Igualdade é princípio construído pela consciência social, a equidade entre homens e mulheres, precisa compensar desvantagens sociais e históricas, para terem acesso aos mesmos direitos. Criar estereótipos só leva pessoas a serem julgadas segundo suas escolhas o que pode gerar violência. Percebemos que há uma pedagogia que opera um currículo por meio de lista de procedimentos que produz e reproduz comportamentos, pensamentos, valores, hábitos, criando padrões sociais que acabam querendo regulação social, e segrega pessoas, o que não é ideal e devemos sempre lutar contra. [...] não se deve imaginar um mundo dividido entre o discurso admitido e o discurso excluído, ou entre o discurso dominante e o dominado; mas, ao contrário, como uma multiplicidade de elementos discursivos que podem entrar em estratégias diferentes (LOURO, 2003, p. 42). Educação é processo de intervenção que ocorre o tempo todo, a sociedade necessita de ações que resgatem e reafirmem direitos, mesmo que de maneira não formal, com olhar nas práticas educativas.

Referências Bibliográficas

ALVES, Nilda. Cultura e cotidiano escolar. Disponível em: Acesso em 13 abr. 2021.

CANDAU, Vera Maria. Educação escola e Cultura(s): construindo caminhos. Revista Brasileira de Educação, 2003. Disponível em: Acesso em 13 abr. 2021.

CANEDO, Daniele. Cultura é o que? Reflexões sobre o conceito de cultura e a atuação dos poderes públicos. Disponível em: Acesso em 13 abr. 2021.

FORQUIN, J. C. Escola e Cultura: as bases sociais e epistemológicas do conhecimento escolar. Tradução Guacira Lopes Louro. Porto Alegre, Artes Médicas, 1993.

LOURO, G. L. Gênero, sexualidade e educação. 6ªed. Petrópolis: Vozes, 2003.

 

Thaís Estrella Scherer
Professora de Ciências e Biologia, Pedagoga.


Publicado por: Thais Estrella Scherer

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