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A atuação do contrato didático no ensino da matemática

Matemática

Análise e reflexão sobre a relevância dos conhecimentos acerca do contrato didático no desenvolvimento do ensino e da aprendizagem para o professor de matemática.

RESUMO

O presente trabalho tem como principal objetivo fazer uma análise e reflexão sobre a relevância dos conhecimentos acerca do contrato didático no desenvolvimento do ensino e da aprendizagem para o professor de matemática, salientando as contribuições encontradas nesse processo, reforçando que as reciprocidades de comportamentos esperados entre alunos e professores possam ser atuações positivas na mediação do saber. Em que, é de suma importância, compreender os conhecimentos sobre o contrato didático na carreira docente, ressaltando suas contribuições. Ressaltar suas contribuições, tanto para o professor como para o estudante, sabendo que o contrato didático trás benefícios significativos no desenvolvimento da relação professor, aluno e saber. Apresentar ainda que a devolução do professor deve gerar certa autonomia por parte dos alunos e essa autonomia bem utilizada vai ser reconhecida no ambiente escolar, pois a institucionalização e a integração devem ser usadas como referência para o futuro dos estudantes. 

Palavras-chave: Contrato didático. Educação matemática. Desenvolvimento. Aprendizagem.

INTRODUÇÃO

Na história da educação matemática várias pesquisas e estatísticas foram desenvolvidas mostrando as dificuldades que os alunos apresentam na aprendizagem de conceitos. Uma dessas dificuldades é a clareza nas instruções dadas pelo professor, pois é importante que tanto os alunos quanto os professores tenham bem claras quais são as ações e o saber fazer que seja implicado no transcorrer do ensino. Segundo BROUSSEAU, (2013), outra barreira a ser vivenciada em sala de aula é propor que o estudante apresente resposta referente a problemas matemáticos, porque na maioria das vezes ou o aluno simplesmente não mostra interesse em responder e responde qualquer coisa ou não sabe interpretar o problema, impossibilitando a devolução por parte do professor e consequentemente atrapalhando o processo de ensino aprendizagem.

“A devolução é um ato pelo qual o rei – de direito divino – reparte-se do poder ao despachar do gabinete. A devolução significa: isto não é eu que quero, isto é vocês que devem querer, mas eu vos dou este direito porque vocês não podem tomar tudo sozinho. (Brousseau, 1986, p.43)

O professor muitas vezes mesmo inocentemente, tenta identificar a causa que o aluno está respondendo errado e procura mudar a pergunta. O conceito do contrato didático está relacionado com a ideia de algo que já fazemos em sala de aula, sem muita consciência que estamos fazendo.O que levou a analisar o tema “A atuação do Contrato didático no ensino da matemática” foi à importância de planejar obrigações implícitas e explicitas que pais alunos e professores exercem dentro da escola, analisar suas compatibilidades e eficiências no processo de ensino e aprendizagem, determinando clausulas que necessariamente não precisam ser escritas, nem faladas segundo Saddo Ag Almouloud, (2013), mas, que devemos percebê-las no fazer do professor e aluno. Para isso precisamos entender melhor o conceito de contrato didático.

Com base em pesquisas de artigos e estudos relacionados ao tema, o presente trabalho está organizado em subtítulos que apresentarão desde a definição do contrato didático feita por Guy Brousseau, até conceitos sobre ensino e aprendizagem, buscando embasamentos teóricos em estudiosos como Piaget e Vigotsky que desenvolveram grandes estudos mostrando como esses processos podem evoluir.

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

A IMPORTÂNCIA DA RELAÇÃO ENSINO X APRENDIZAGEM

O ensino e a aprendizagem contribuem bastante para o contrato didático, teóricos como Jean Piaget e Lev Semyonovich Vygotsky desenvolveram  estudos sobre o desenvolvimento da criança, embora os dois tivessem pensamentos diferentes. Enquanto Piaget acredita que a criança desenvolve para aprender, Vygotsky defende que a criança aprende para desenvolver.

Vygotsky (1982) não contesta haver diferença entre os indivíduos, que uns tem mais facilidade para aprender que outros levando em consideração à genética. Ainda assim, não entende que essa diferença seja determinante para a aprendizagem. Ele rejeita os modelos baseados em pressupostos inatistas que determinam características comportamentais

Vygotsky da muita importância à socialização e o meio em que a criança habita, ao nascer ela já vem com essa necessidade. Seus estudos ratificam que ao passar do tempo o convívio social interfere e influencia o individuo, e isso acontece desde os primeiros dias de vida. Ao descobrir que a interação social é fundamental deu espaço para novas pesquisas envolvendo a relação com o grupo e estudos sobre questões emocionais.  Dessa forma tornaram-se necessárias outras abordagens de ensino de forma mais clara, facilitando o processo.

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Essa atividade consiste, antes de tudo, em aprender a aprender e, nessa perspectiva, o objetivo do ensino será fazer com que a criança dê forma ao mundo teórico que servirá de ferramenta na resolução de problemas em situação matemática. (ALMOULOUD, 2007, p. 23).

Seguidamente, o professor sendo o intermediador possui diversas maneiras de proporcionar o aprendizado.

CONTRATO DIDÁTICO

Existe um jogo de relações entre professor, aluno e saber que serão acordadas para prosseguir com o ensino. Esse acordo terá regras que não vão estar escritas e muitas vezes não são faladas. Mas elas existem de maneira implícita.

O relacionamento do professor e aluno mantendo algumas atitudes esperadas implicitamente para a construção do conhecimento já se pode denominar de contrato didático, para que ele ocorra precisa-se dos três vértices do triângulo didático, dos três processos de ligação entre professor, aluno e saber. Para que o contrato ocorra vai depender muito mais do professor porque o professor não vai poder impor com autoridade o cumprimento das clausulas e caso isso aconteça poderá ser um inimigo para a construção do saber, estará prejudicando a relação professor-aluno.

Segundo Jonnaert, (2002, p. 166), “No interior da relação didática, o professor e o aluno certamente ocupam posições simétricas em suas respectivas relações com o saber (...). E nisso reside todo o interesse da relação didática.”

A relação didática caracteriza-se por relações assimétricas com o saber. E é por existir essa assimetria que ela encontra a sua razão de ser. Por outro lado, se a relação do aluno com o saber é de um certo tipo no início da relação didática, ela deverá ter mudado ao final, senão, por que organizar esses intercâmbios entre um professor, alunos e um saber? (JONNAERT, 2002, p. 166).

Com a evolução do ensino o contrato também vai sofrer modificações, podendo haver quebra, renegociação e até criação de um novo contrato a fim de melhorar o desenvolvimento do ensino aprendizagem de acordo com a nova situação, tendo cuidado com toda a estrutura. Sabendo que uma má organização, sem determinações claras e de acordo com o nível dos alunos pode acarretar em uma má aprendizagem.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O contrato didático se organiza conforme a realidade com objetivos claros, regras na maioria das vezes implícitas e podendo haver rupturas, estas rupturas tornam possíveis à revisão e reelaboração que são de suma importância para o alcance dos objetivos.

Com o contrato didático a relação professor aluno vem tendo avanços que tem auxiliado do ensino aprendizagem, tendo o professor de fazer com que o aluno seja capaz de resolver os problemas matemáticos por meio de atividades que promovam este fim. O aluno não deve ser encarado como único responsável por sua aprendizagem devendo levar em consideração que a interferência do professor nesse processo é de fundamental relevância. O professor deve ser intermediador sem dar as respostas prontas, estimulando e auxiliando para que os alunos cheguem até elas através da construção do conhecimento.

Sendo assim os conhecimentos sobre o contrato didático pelo professor, pode ajudar o aluno a avançar de forma significativa, proporcionado meios para que o aluno desenvolva seu aprendizado com determinação e reconhecimento.

Referências

BROUSSEAU, G. Introdução ao estudo da teoria das situações didáticas. São Paulo: Ática. 2008.

BROUSSEAU, G., WARFIELD, V. The case of Gaël. In: Journal of Mathematical Behavior, nº 18. 1999.

WARFIELD, V. Invitation to Didactique. Bloomington: Xlibris. 2007.

BROUSSEAU, Guy. O não dito é essencial. Revista Nova Escola. Edição 264, 2013.

PIAGET, Jean. Seis estudos de Psicologia. 21ª ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1995.

VYGOTSKY. L. S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1989

GROSSI, Esther Pillar. Construtivismo pós-piagetiano. Rio de Janeiro: Vozes, 1993

ALMOULOUD, Saddo Ag. Fundamentos da didática da matemática. Curitiba: Ed. UFPR, 2007.

JONNAERT, Philippe. Criar condições para aprender: o socioconstrutivismo na formação de professores. Porto Alegre: Artmed Editora, 2002.

BECKER, Fernando. Educação e construção do conhecimento. Porto Alegre: ARTMED, 2001.

ROSA, Roseli Scuinsani da. Piaget e a matemática. In: I Simpósio Nacional de Ensino de Ciência e Tecnologia, Passo Fundo, 2009. Disponívelem:http://www.pg.utfpr.edu.br/sinect/anais/artigos/9%20Linguagemecognicaonoensinodecienciaetecnologia/Linguagemecognicaonoensinodecienciaetecnologia_Artigo5.pdf

Por

Amanda Martins da Silva

Licenciada em Matemática na Universidade de Pernambuco (UPE), Campus Garanhuns


Publicado por: AMANDA MARTINS DA SILVA

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