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GUERRA DO PARAGUAI

História

Fatores e as divergências sobre a verdadeira razão para o início do conflito que deu inicio a “Guerra do Paraguai”.

RESUMO

A Guerra do Paraguai teve seu início, quando o ditador Francisco Solano Lopes, que tinha como objetivo aumentar o território paraguaio e obter uma saída para o Oceano Atlântico, através dos rios da Bacia do Prata. Ele iniciou o confronto com a criação de inúmeros obstáculos impostos às embarcações brasileiras que se dirigiam a Mato Grosso pela capital paraguaia.  O governo paraguaio aprisionou no porto de Assunção o navio brasileiro Marquês de Olinda, e a invasão do Mato Grosso (atual Mato Grosso do Sul), ocorrida em 26 de dezembro de 1864. Alguns historiadores entendem que o conflito era parte da política expansionista de Solano López, outros afirmam que foi uma reação "desproporcional" do ditador à invasão do Uruguai pelo Império brasileiro.

Palavra chave: Guerra do Paraguai.

ABSTRAC

The War of Paraguay had its beginning when the dictator Francisco Solano Lopes, whose objective was to increase Paraguayan territory and obtain a way out to the Atlantic Ocean, through the rivers of the Prata Basin. He began the confrontation with the creation of numerous obstacles imposed to the Brazilian ships that went to Mato Grosso by the Paraguayan capital. The Paraguayan government imprisoned the Brazilian ship Marquês de Olinda and the invasion of Mato Grosso (now Mato Grosso do Sul) on December 26, 1864. Some historians believe that the conflict was part of the expansionist policy of Solano López, others claim that it was a "disproportionate" reaction of the dictator to the invasion of Uruguay by the Brazilian Empire.

Keyword: War of Paraguay.

1.INTRODUÇÃO

Este trabalho pretende delinear os fatores e as divergências sobre a verdadeira razão para o início do conflito que deu inicio a “Guerra do Paraguai”. Solano López declarou guerra ao Brasil em 13 de dezembro de 1864 e, em seguida, invadiu a região do atual Mato Grosso do Sul. No mesmo ano, o Brasil havia invadido o Uruguai e destituído o presidente daquele país. Cento e cinqüenta anos se passaram do início da Guerra que perdurou por seis anos (1864-1870) e ainda há discussão entre historiadores sobre os motivos que levaram o ditador paraguaio Francisco Solano López a dar início ao maior conflito armado da América Latina. Discordante do que se pensavam anos atrás, as causas da “Guerra do Paraguai” não se relacionavam ao imperialismo da Inglaterra, pois estudos recentes, realizados a partir de comprovação documental, mostraram que esse conflito foi resultado do processo de formação e solidificação das nações da bacia platina.

1. ESTOPIM DA GUERRA

As primeiras ofensivas relacionadas ao início da Guerra do Paraguai foram à apoderação de uma embarcação brasileira (Marquês de Olinda), que navegava pelo rio Paraguai em direção a Cuiabá, e a invasão do Mato Grosso (atual Mato Grosso do Sul), ocorrida em 26 de dezembro de 1864. A ofensiva paraguaia ao Brasil foi uma retaliação à invasão do território uruguaio, implementada pelo governo brasileiro em favor dos colorados e contra os blancos, aliados de Solano López.

A ocupação paraguaia no Mato Grosso foi conduzida por quase oito mil soldados, que facilmente derrotou as fracas forças de defesa dessa região composta por oitocentos e setenta e cinco militares do Exército e três mil membros da Guarda Nacional. Parte do território brasileiro localizada no sul do antigo Mato Grosso continuou sob posse paraguaia até meados de 1868, principalmente devido à dificuldade de acesso a região e o único caminho para essa província consistia na navegação pelos rios da bacia platina.

A Guerra do Paraguai foi fruto das contradições platinas, tendo como razão última a consolidação dos Estados nacionais na região. Essas contradições se cristalizaram em torno da Guerra Civil Uruguaia iniciada com o apoio do governo argentino aos sublevados, na qual o Brasil interveio e o Paraguai também. Contudo, isso não significa que o conflito fosse a única saída para o difícil quadro regional. A guerra era uma das opções possíveis, que acabou por se concretizar, uma vez que interessava a todos os Estados envolvidos. [...]  (DORATIOTO, 2002, p. 93).

Francisco Solano Lopez, logo após a morte de seu pai, Carlos Antônio Lopez assumiu o governo do Paraguai. Participando ativamente da vida política de seu país, influenciou na pacificação das províncias argentinas, ainda no governo de seu pai, ele começou a formar o exército paraguaio. Solano Lopez assumiu o governo em 1862, este momento era extremamente favorável já que havia um grande crescimento do país vinculado ao mercado externo. Isso fez com que aumentasse seu interesse pela navegação fluvial dos rios Paraguai e Paraná e também pelo livre trânsito através do porto de Buenos Aires, já que a saída para o mar tornava-se fundamental para a sequência do processo.  López declarou guerra ao Brasil em 13 de dezembro de 1864  ano em que o Brasil havia invadido o Uruguai e destituído o presidente. Para Doratioto, Solano López tinha um plano: ele teria declarado a guerra em busca de novos territórios e de uma saída para o mar através do domínio do Rio Prata – libertando-se, assim, das tarifas alfandegárias cobradas pelo porto de Buenos Aires. Doratioto (2002) afirma que "López usou a invasão ao Uruguai como desculpa, pois já havia mobilizado forças na fronteira mesmo antes disso acontecer e sem nenhum risco de ameaça". Chiavenato (1979) “o estopim da guerra não foram os ataques paraguaios ao Império, mas uma ação liderada pelo próprio Império brasileiro. Em 1863-1864, no Uruguai, a pedido dos estancieiros gaúchos, o Império comandou a “Cruzada Libertadora” que depôs o governo Blanco presidido por Atanasio Cruz Aguirre”. O autor do livro "Genocídio americano: a guerra do Paraguai" acredita que o Brasil queria a guerra, Solano apenas antecipou. A intervenção brasileira no Uruguai era uma coisa que vinha sendo preparada há muito tempo. A reação do Paraguai foi desproporcional, pois não tinha diplomatas com traquejo para negociar a situação. López teve uma reação passional: quando se viu ameaçado, reagiu de forma patriótica. (CHIAVENATO, 1979)

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2. AS ESTRATÉGIAS

Para o historiador brasileiro Ricardo Henrique Salles, depois da força tarefa no Uruguai, não havia indícios que próximo país a ser invadido seria o Paraguai.  López teria cometido  erros, acreditava que suas força eram invencíveis, subestimou a força do império brasileiro e acreditava que teria o apoio de grupos na Argentina que não aconteceu. "A estratégia dele deu errado, ele fez uma guerra errada. Já o Brasil achou que a guerra seria um passeio e que, com o que tinha na época em efetivos militares, daria conta, o que não ocorreu (SALLES, 1990). O conflito perdurou mais do que foi previsto pelas forças envolvidas "terreno inóspito muito desfavorável e desconhecido" os confrontos ocorreram em terrenos pantanosos, a considerar "à bravura do soldado paraguaio, que via a guerra como uma agressão à sua terra" (SALLES, 1990)

3. O EXTERMINIO DOS PARAGUAIOS

Entre os vários pontos controversos que envolvem a Guerra do Paraguai é a situação do país na época que começou a guerra. Chiavenato (1979) diz que é possível estabelecer a população paraguaia em "mais ou menos 800 mil pessoas", e que "a guerra provocou uma matança absurda" dizimando a população masculina ativa do Paraguai em uma condição "que até hoje não se recuperou". Segundo ele, morreram no conflito cerca de 90% da sua população masculina maior de 20 anos.

"Esta guerra foi uma coisa tão indecente e vergonhosa que só durante o conflito que se soube que, no pacto da Tríplice Aliança, havia uma cláusula que previa que ela só terminaria com a morte de López e a troca de poder no Paraguai, não se poderia assinar armistício" (CHIAVENATTO, 1979), Creditando ao conflito um trauma no continente.  Doratioto (2002) afirma que, "Todos estes números são polêmicos. As informações que eu tenho é que o Paraguai tinha cerca de 400 mil pessoas e que sobraram 180 mil a 200 mil no fim da guerra. Mais de dois terços da população masculina". Por outro lado Salles (1990), diz que; a população paraguaia na época era de 300 mil a 700 mil. "Ninguém consegue chegar a um número preciso". Discordando de Chiavenato quanto ao "extermínio" provocada pela guerra e afirma que 80% dos mortos ou cerca de 300 mil pessoas, foram vítimas de fatores indiretos, como fome e doenças.

4. NEGROS ESCRAVOS

Outra polêmica do conflito acorreu por conta do envio de escravos como soldados. Salles (1990) afirma que;  “A maioria dos soldados era negra, mulata, mestiça, mas o Exército não aceitava escravos. Há uma confusão entre a população negra que era livre e a população que era escrava. Cerca de 10% da tropa era de escravos, que foram libertos para lutar. Isso pegou mal para o Brasil na ordem moral e social, um país escravagista ter que recorrer a escravos para se defender”.

Chiavenato, que teve acesso à documentação da guerra, apesar de não haver números oficiais, confirma que a maior parte do contingente brasileiro era mesmo de escravos. "Eles eram enviados para irem no lugar de brancos de classe média que eram convocados. O Brasil não tinha Exército na época, era uma Guarda Nacional, mas que só existia no papel, com cerca de 23 mil homens que não tinham nem farda” (CHIAVENATO, 1979). Pelo lado paraguaio, o historiador enxerga o patriotismo como fator predominante na luta: “Foi uma luta coesa, o povo entendeu que, se a guerra fosse perdida, seria o fim do Paraguai” (CHIAVENATO, 1979). Salles e Doratioto também afirmam isso: “O paraguaio lutou bravamente. O povo viu a guerra como uma ameaça e uma agressão à sua terra. Claro que, por ser uma ditadura, o governo de López tinha poder coercitivo. Mas isso não explica o povo paraguaio lutar como lutou” (SALLES 1990).

5. CONCLUSÃO

Enxerga no Brasil a culpa pelo conflito? "O Paraguai avisou que, se o Brasil invadisse o Uruguai, declararia guerra. López só declarou guerra porque achou a invasão uma ameaça fatal a ele” (SALLES, 1990). A História oficial brasileira trata a intervenção ao Uruguai e a Guerra do Paraguai como conflitos diferentes quando, na verdade, trata-se de um só. A invasão ao Uruguai foi um "ato agressivo" do Império brasileiro que desencadeou a guerra, afirma Salles. "A ação do Brasil no Uruguai foi sem provocação alguma, foi uma invasão mesmo, usando pretextos fúteis do assassinato de brasileiros no país quando, na verdade, o governo brasileiro comprou a briga de estancieiros gaúchos que tinham interesse em terras", conclui o autor. Partindo dessas controvérsias podemos concluir que: A dinâmica que este acontecimento exerceu na história dos países envolvidos, nos dá a percepção que o tema não se esgota aqui, os estudos das questões referentes á guerra do Paraguai, se dada à importância e o entendimento com os manuais didáticos para contribuir na relação do ensino e o conhecimento produzido de História.

6. REFERÊNCIAS

CHIAVENATO J. J. Guerra do Paraguai: Genocídio Americano. São Paulo. Editora Brasiliense, 1979. CHIAVENATO, Julio José. Genocídio Americano: a Guerra do Paraguai. São Paulo: Brasiliense, 1984.

DORATIOTO, F. F. Maldita Guerra: Nova história da Guerra do Paraguai. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.

SALLLES, Ricardo Henrique. Guerra do Paraguai: escravidão e cidadania na formação do Exército. Terra e Paz, 1990

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2014/12/apos-150-anos-estopim-da-guerra-do-paraguai-ainda-gera-controversia.html Acessado em 25/06/2018.


Publicado por: WILMAR MARCIANO ORTIZ

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.
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