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ENGENHOS DA REGIÃO DO BAIXO PARAÍBA LOCALIZADOS NO MUNICÍPIO DE SÃO MIGUEL DO TAIPU – PB

Geografia

Engenhos localizados na várzea da cidade de São Miguel de Taipu, contando sua história, passando sobre seus anos de ouros e sua decadência, chegando aos dias de hoje.

RESUMO

O presente artigo tem por objetivo relatar sobre 06 (seis) engenhos localizados na várzea da cidade de São Miguel de Taipu, contando sua história, passando sobre seus anos de ouros e sua decadência, chegando aos dias de hoje. Pretende-se, neste artigo, poder lhe proporcionar momentos de intensa satisfação ao conhecer um pouco da história dos engenhos, desde a passagem do imperador Dom Pedro II e sua comitiva nos engenhos, a presença de índios, de escravos que perdiam suas vidas sendo jogados nas fornalhas dos engenhos e muitas vezes sendo enterrados na bagaceira.

Palavras-Chaves:  Engenho, Ano de Ouro, Decadência, O hoje.

ABSTRACT

This article aims to report on six (06 ) mills located in the floodplain of the city of São Miguel de Taipu , telling his story , passing on their years of gold and its decline , reaching today.

It is intended in this article can provide you with moments of intense satisfaction to know a little history of the mills , since the passage of the Emperor Dom Pedro II and his entourage in the mills , the presence of Indians , slaves who lost their lives being thrown the furnaces of engines and often being buried in bagaceira.

Key-words: Ingenuity ,Golden Year , Decay . Today

1 ENGENHO ITAPUÁ                 

1.1BREVE HISTÓRIA

O Engenho Itapuá foi construído no ano de 1600, ficando a menos de 1 km da BR 230, à direita de quem desce e a esquerda de quem sobe o Rio Paraíba.

Sua área territorial constituía-se até a estrada principal onde hoje está localizada a BR 230, fazendo extremidades com os engenhos Corredor. Tem um solo plano, mas com ondulações. Arenoso em cujo subsolo é fácil encontra-se água em grande quantidade por ser uma área de matas. Cortado por dois rios o Curimataú e o Paraíba, apresenta vários tipos de solo como o massapé e o piçarreiro. Em meio a suas terras passa uma malha férrea.

Nesse engenho residiu o pai de um homem de grande importância na Paraíba, André Vidal Negreiro, nascido em 1606, e foi visitado pelo imperador Dom Pedro ll, quando o mesmo visitou a cidade do Pilar.

O seu dono, Coronel Ursulino, era uma pessoa respeitada, mas de comportamento cruel, mandava matar os seus inimigos, e outros eram retirados de suas próprias terras a força para ele apoderar-se das mesmas. Os escravos que não fizessem os seus gostos, eram castigados chegando a serem mortos e jogados na bagaceira e alguns eram até queimados após mortos, principalmente quando os mesmos não produziam mais para o engenho. Dono de 500 escravos ou mais, comprava-os pelos menores preços, principalmente aqueles que eram considerados rebeldes.

Com a Lei Áurea, o coronel Ursulino não ficou satisfeito, e desrespeitou a Princesa Isabel, de forma que a mesma mandou a sua guarda vir à Paraíba para arrancar um braço do Coronel Ursulino que entrou em desespero, escondendo-se na casa grande. Os soldados encontraram-no morto, pois tinha praticado suicídio. Existem boatos de que seu cadáver desapareceu sendo usado para seu enterro um rolo de bananeira.

Depois, esse engenho foi comprado pelo senhor José Lins Cavalcanti de Albuquerqu,e o Bubu de Corredor, avô materno do grande escritor José Lins do Rego.

O senhor Budu o deu de presente a sua filha Maria Lins Vieira de Melo - Maria Menina, a tia Maria que o deixou de herança para um de seus filhos Henrique Vieira de Melo seu Vieirinha que se tornou um marco na cidade de São Miguel de Taipu.

Como de costume este engenho também tinha sua capela com uma santa protetora, Nossa Senhora das Angustias, cuja imagem em cerâmica foi feita em uma parede, não se sabendo de sua origem.  Ao fundo da imagem existia um cemitério onde eram enterrados parentes do senhor de engenho. Nesta capela jaz a modesta sepultura de Maria Menina, a tia Maria, a qual é falada no livro Menino de Engenho de 1932, escrito por seu sobrinho José Lins do Rego Cavalcanti.

 1.2 ANOS DE OURO

Com uma área rica em solo e água em abundância por ser terras bem mais propicias, era um grande produtor principalmente de cana de açúcar, tendo, ainda, a fabricação de aguardente, rapadura, açúcar, melaço e outros derivados. Isso ocorreu em grande escala na época de seu primeiro dono, o velho Ursulino.

Os novos donos deram continuidade ao cultivo da cana-de-açúcar e a produção de seus derivados, sendo permitido que seus moradores plantassem agave, algodão e bens de consumo da agricultura.

No que diz respeito à escoação da produção deste e de outros engenhos e as viagens de passageiros era feita através de serviços ferroviários, a The Great Western do Brasil Railway Company Limited, a antiga Estrada de Ferro Conde d’Eu, um ramal de Pilar-PB a –Timbaúba-PE. Desse modo, este engenho teve o privilégio de ter uma estação ferroviária nas suas imediações, tornando mais fácil o transporte da produção.

 1.3 DECADÊNCIA

Com a morte da proprietária, Maria Lins Vieira de Melo, o Itapuá foi dividido entre seus herdeiros, que depois de algum tempo iniciaram as vendas das terras, a parte oeste quem comprou foi o dono do engenho Outeiro, e a outra parte a leste foi vendida a Usina São João que com nova tecnologia e aparelhamento industrial de  moagem, corte,  transporte da cana na época da safra, embora continuasse com o cultivo durante muitos anos da cana-de-açúcar mudou o cenário e a vida do local.

As demais terras onde se localiza a Fazenda Santa Lucia no Café do Vento foram herdadas pelo senhor Henrique Vieira de Albuquerque (Vieirinha) nas proximidades da BR 230.

Com a defasagem do Proálcool, o engenho pertencente à Usina São João entrou em total decadência, ficando suas terras sem produção açucareira, o que ocasionou algumas famílias apoiadas pelo MST invadirem estas terras isto no ano de 1999.                                           

1.4 O HOJE...

Atualmente o engenho está esquecido, desprovido de total segurança há mais de 18 anos, e com o tempo, a força do vento, as chuvas e os vândalos, acabaram, depredaram o pouco que resta dos escombros do patrimônio da casa grande que se encontra em estado de total deploração. As ruínas da capela e d eixo do engenho ainda restam às paredes em pé e o bueiro com sua data de fundação visível, que mesmo com tempo ainda resiste em pé, cobertos de diversos tipos de capins, cipós, urtiga, melão de são Caitano, mais outras gramíneas rastreiras, dentre outras plantas.

Esta área pertence a um só dono e os trabalhadores do antigo engenho que hoje são posseiros da terra vivem de agricultura, onde plantam inhame, mandioca, milho, feijão para sua sobrevivência e os excedentes põe a venda. E, aos redores de suas casas, fazem seus pomares com diversas árvores frutíferas que são consumidas por eles próprios. Ainda, plantam, também, cana- de-açúcar e capins para alimentação dos cabritos e bovinos que fazem parte de sua criação.

2.  ENGENHO LAGOA PRETA

2.1 BREVE HISTÓRIA

Este engenho recebeu esse nome em homenagem a uma lagoa de água muito escura, que existia por trás do mesmo, a qual com as enchentes do rio Paraíba deixou de existir. Suas terras eram compostas de pequenas planícies com ondulações e por colinas tipos arredondadas. Terras com declividade de maneira que o próprio engenho localizava-se em uma pequena elevação de terra. Em sua área territorial havia alguns açudes e lagos tendo como seu quintal o rio Paraíba.

Não constam documentos da fundação do Engenho Lagoa Preta, mas se sabe que a comitiva de D. Pedro ll em 1859 esteve ali quando visitou Pilar.

Não há registro dos primeiros donos, mas esse engenho foi adquirido por uma família que saiu do sertão paraibano a procura de terras próximas ao litoral e do Porto da Capitania com fins de melhor facilidade para transportar suas frutas e os produtos feitos da cana-de-açúcar já que eram grandes produtores.

A linhagem Nóbrega teve a Sinhá Nóbrega, Ana Lins Vieira de Melo que sempre quis ter a admiração dos outros, tendo a fama de ser muito metida de não fala com os menos afortunados e ser muito mesquinha. Foi casada com Dr. Francisco Gouveia de Nóbrega e do casamento nasceram só filhos homens: Alberto, Arnouh, Carlos, Getúlio e Gilberto, este o que mais se destacou dentre os outros.                                 

2.2 ANOS DE OUROS

Este engenho teve sua ascensão no período de plantação da cana-de-açúcar, pois era um dos maiores produtores desta agricultura tendo terra fértil e vasta dimensão na várzea do Rio Paraíba. Fabricavam açúcar, aguardente destilado, rapadura dentre outros derivados da cana-de-açúcar.                                     

2.3 DECADÊNCIA

Seu Gilberto Gouveia de Nóbrega teve a honra de receber através de doação o engenho Lagoa Preta e com sua morte foi entregue aos seus filhos Gilda e Gildo de Nóbrega que passaram a ser donos e administrar o engenho agora com o nome Fazenda Lagoa Preta.

Em meados dos anos 80, a Fazenda Lagoa Preta, antigo Engenho Lagoa Preta, foi arrendada ao senhor Marcos Baracuy, que preservou as características originais e nos fins da década de 90 foi rateado entre os herdeiros que aos poucos foram vendendo suas partes, sendo comprada por pernambucano o Senhor Ercias Barbosa da Menezes que trabalhava com diversos tipos de agricultura.

No ano de 2005, era outro o dono das terras da Fazenda Lagoa Preta que tinha como pensamento resgatar os velhos tempos de plantio de cana-de-açúcar. 

2.3 O HOJE....

Mesmo tendo passado por muitas reformas, os anteriores donos e o atual sempre mantiveram as características originais. Atualmente o Engenho (Fazenda) Lagoa Preta pertence ao empresário da rede de supermercados Bemais, que preserva ainda as características de engenho, tendo um dos bueiros ainda em pé com o nome da Fazenda na lateral.

O seu Preto assim conhecido tem em suas terras heliportos e uma minipista de pousos para ser usada em benefício próprio e na realização de grandes vaquejadas com participantes do Brasil todo, cultivando, também, atividade voltada para piscicultura.

A Fazenda Lagoa Preta subdividem-se em três propriedades com algumas famílias todos posseiros, o dono ficou com todo o conjunto arquitetônico do engenho e toda extensão da várzea com açudes onde existe a criação de diversos tipos de peixes de água-doce.  

3. ENGENHO OITEIRO

3.1 BREVE HISTÓRIA

Este Engenho foi construído em 1891, mais de 30 anos depois que a comitiva do Imperador D. Pedro II ali passou no ano de 1859.  Seu nome vem da língua tupi-guarani cujo significado é “pequena elevação de terra”. A planta da casa grande veio da França, sendo foi construído com uma arquitetura francesa com seus arcos no terraço, sua fachada tem a ver o Louvre. Foi importado desse país os mosaicos do piso, as grandes de ferro das varadas, as muitas pesadas portas e janelas todas de madeiras, uma escada de ferro tipo caracol pra dar acesso ao 1º andar.

Ao seu lado esquerdo encontra-se o rio Paraíba; a sua frente, a cidade de São Miguel de Taipu, uma lagoa e o engenho Novo e, ao fundo, ficam as terras e a fazenda Lagoa Preta.

O seu principal dono e fundador foi o Lourenço Bezerra de Albuquerque Melo que se casou com dona Luzia Lins Cavalcanti de Albuquerque Vieira de Melo sendo descendente de família do engenho Novo. Este casal teve um único herdeiro o filho Gilberto Lins Cavalcanti de Albuquerque. O senhor Loureço Bezerra casa-se outra vez, desta feita com D. Emília Augusta Lins Vieira de Albuquerque, de cujo casamento nasceram cinco filhos.

A descendência dos Lins vem de Portugal, os quais vieram morar no Brasil na região Nordeste, nos estados de Pernambuco e Paraíba. Tinham imensas fazendas de cana-de-açúcar sendo assim grandes latifundiários na era colonial e imperial.

2 ANOS DE OURO

Este engenho sempre foi reconhecido pela sua grande extensão de terras e por isso levando os seus donos sempre a fazerem grandes empreendimentos na fabricação do açúcar e de uma boa aguardente. Como era localizado em região de fácil acesso, pois dentro de suas terras passam linhas de trem, era o mais procurado pelos comerciantes para comprar a cana-de-açúcar e seus derivados: açúcar, mel e aguardente Este engenho foi o grande colaborador da evolução da cidade de São Miguel de Taipu.

O senhor Henrique Vieira de Melo, um dos filhos do 2º casamento de Seu Lourenço, levou este engenho ao conhecimento de toda a Paraíba e até a nível nacional e internacional com a maternidade de inseminação artificial em animais, vindo várias pessoas que estudavam veterinária do próprio Brasil e de outros país como EUA e Japão.

Foi o primeiro engenho da Várzea do Baixo Paraíba que teve, em sua casa grande, banheiros internos. A água para ser utilizada na casa vinha de um moinho do reservatório central.                                                   

3.3 DECADÊNCIA  

O Engenho Outeiro diminuiu a fabricação de cachaça de barril a qual muitas pessoas da região apreciavam, deixando de vez o funcionamento da fabricação de aguardente e rapadura e outros derivados da cana-de-açúcar.  Mesmo, assim, continuou seu apogeu, desta feita, servindo a outros fins agrícolas. É um marco de recordação forte, do valioso ciclo da cana-de-açúcar, fazendo fortuna na Várzea do Rio Paraíba. Em 1989 uma grande parte do Engenho foi vendida e comprada para ser repartida entre os moradores que ali viviam.

 3.4 O HOJE...

A casa grande do Outeiro atualmente encontra-se em perfeito estado de conversação, em seu interior encontram-se várias preciosidades de grande valor histórico e artístico cultural para seus donos, e para o estado da Paraíba, por exemplo a mobília, porcelana com brasão da família Lins, dentre outros como a famosa caixinha de música de grande valor sentimental para José Lins do Rego a qual ele fala no romance “Menino de Engenho”.

A atual Fazenda Outeiro, para sua sobrevivência utiliza-se de outros meios de produção, existindo, atualmente, grade criação de gado raça Nelore, sendo considerado o maior criador do Estado da Paraíba. De lá saem gado para corte e os melhores touros para aproveitamento genérico.

Dentro de suas terras, próximo à casa grande, existem alguns criadores de camarões e tilápia. Mesmo em pouca escala ainda se planta cana-de-açúcar para serem vendidas às usinas, e até mesmo para ração do gado. É o único da cidade de São Miguel de Taipu com seu apogeu financeiro com seus proprietários ainda residindo lá.

 4. ENGENHO NOVO                         

4.1 BREVE HISTÓRIA

Esse Engenho, como os demais, está localizado às margens do Rio Paraíba e ao lado da malha férrea, do lado esquerdo da cidade de são Miguel de Taipu, tendo terras com pequenas elevações e planícies. A casa grande fica em cima de uma elevação de terra como se fosse um mirante e o dono dali visualizava, no passado, os seus domínios de terras, escravos e a vista do rio Una.

Seus principais donos, o Joaquim Francisco Cavalcanti Lins para os íntimos seu Quinca e D. Maria Álvares de Carvalho César, a Sinhazinha do Engenho, esta sendo irmã da senhora Janoca do Engenho Corredor. O casal de proprietários teve quatro filhos. Eram descentes de donos de muitas fazendas no estado de Pernambuco e aqui no estado nas cidades de Pedras de Fogo e Santa Rita.

Aquele engenho teve a ilustre visita da comitiva do Imperador D. Pedro II no ano de 1859, no início de sua formação.

Sabe-se que na década de 30, D. Antonia Cavalcanti Lins. Viúva, mais conhecida por D. Iaiá, cansada e não tendo filhos para deixar herança, nos anos 40 veio para o engenho ajudá-la, seu sobrinho, José Vieira, filho de dona Judite Lins, que depois do falecimento de dona Iaiá, tomou posse do engenho.

Em um dos cômodos deste engenho, mais certo na segunda sala, tem porta que dar acesso a um porão onde ficava a senzala com 3 metros de largura por 10 metros de comprimentos, contendo no máximo 10(dez) buracos para entrada de ar e ver a claridade.

 4.2 ANOS DE OURO

No apogeu da cana de açúcar do engenho, nos primeiros anos de século XX, houve um encontro de grandes líderes da velha República como o Coronel José Pereira da cidade de Princesa, seu cunhado o Senhor Inocêncio Pereira, Matias Rolim de Cajazeiras, o Senhor Pedro Bezerra da cidade de Monteiro, José Gaudêncio da cidade de Campina Grande, Solon de Lucena da cidade de Bananeiras e o então presidente da Paraíba, de 1920-1924, o senhor João Suassuna da cidade de Catolé do Rocha.

Um sino que existia neste engenho tinha um tinido que se escutava em todo o engenho, servindo como um relógio para que os trabalhadores que estavam no eito, no cultivo da cana-de-açúcar parassem para almoçar ou para largar no final do dia.

4.3 DECADÊNCIA

Depois da morte de sua Tia, seu José Vieira procurou contratar um administrador para tomar conta do engenho o senhor João Bosco, que com a chegada das usinas teve que mudar a cultura. Suas terras foram desapropriadas em favor dos moradores, ficando aos senhores donos das terras só a várzea e o parte arquitetônica do engenho.

O engenho deixou de fabricar o açúcar e aguardente na década de 1970, tão logo foi comprado pelo senhor Flávio Ribeiro Coutinho que dominava uma boa parte dos patrimônios açucareiro da baixa Paraíba.  Mas com a chegada das usinas, a mão de obra ficou mais baratas de maneira que o engenho ficou sendo apenas fornecedor de cana-de-açúcar. Este engenho também foi citado nos romances do escritor José Lins do Rego. 

4.4 O HOJE...

Preserva-se ainda neste engenho um grande acervo histórico da sua fundação aos dias atuais, sendo estes objetos bem cuidados e guardado, sem o aceso de outras pessoas, a não ser seus donos ou funcionário da Casa Grande. Neste espetaculoso engenho atualmente ainda existe o sino que veio de Portugal trazido pelo senhor Cândido Roiz Lisboa, em 1864. Ainda continua nas paredes da senzala uma renda bordada pelos negros, e na parede da casa grande uma espada que não se tem ideia de sua idade. Existe uma chapeleira com os chapéus que pertenceram aos senhores de engenho e, também, os moveis se encontram conservados.

Existem duas comunidades de assentamentos rurais: Amarela I e II nome recebido devido ao um barro amarelado que vem do rio; o Povoado João Pedro, nome recebido em homenagem a um importante morador. Essas comunidades têm uma área de 1.046 h. Continua a plantação de cana-de- açúcar às margens do Rio Paraíba agora em pouca quantidade pertencente a Usina São João.                                                                              

5. ENGENHO MARAVALHA

5.1 BREVE HISTÓRIA 

Muito bem situado, localizado ao lado direito da cidade de são Miguel de Taipu, tendo em sua frente o Rio Paraíba e o engenho Taipu, fazendo suas terras fronteiras com o engenho Corredor de Pilar, engenho esse pertencente à família do escritor José Lins do Rego.       

O nome deste Engenho significa: gravetos para fogo. Não existe registro de sua fundação, mas se tem em mente que sua construção foi de material muito frágil sendo feita de “Taipa” por falta de tijolos. Seus moradores foram o casal João Lins Cavalcanti e a senhora Luzia Lins da Veiga Pessoa e seus sete filhos. Esta família, como a do Engenho Oitero, também tem suas raízes em Portugal e se alastrou pelos estados de Pernambuco e Paraíba.                                      

5.2 ANOS DE OURO

Este Engenho era muito bem localizado, uma vez que sua posição daria para ver três dos outros engenhos desta várzea: o Corredor, o Novo e o Taipu.

O senhor Lourenço Vieira de Albuquerque mais conhecido por Seu Lola comprou o engenho na década de 40. O engenho se encontrava em ruinas e tinha deixado de fabricar o seu principal produto a cachaça, Seu Lola reergueu essa fabricação. Era um homem que gostava de ajudar a população de São Miguel de Taipu, chegando a construir um chafariz, cuja água vinha de um determinado açude de suas terras. A sua esposa D. Francisca (D. Bebé) era muito visitada por pessoas influentes da região.

5.3 DECADÊNCIA  

Na década de 30 o engenho passou por uma crise, logo depois sendo vendido, e reerguido. Sua total decadência veio em meados dos anos 60 , sendo desativado totalmente na década de 70. A sua casa grande serviu de moradia até a meados dos anos 90, sendo a casa habitada por uma herdeira, dona Maria Emilia Vieira de Albuquerque Melo.                          

Este engenho é um dos mais destruído da várzea que compõem os engenhos na cidade de São Miguel de Taipu, pois até as plantas frutíferas foram mortas por pragas. As suas terras foram invadidas por um grupo de sem terras que ao longo foi desapropriada para os moradores e aqueles que arrendavam as terras tinham total apoio do Incra.

5.4 O HOJE...

É um dos engenhos da cidade e região que deixou de existir, só se tendo dele a lembrança de sua arquitetura. Há algumas árvores como tamarindos, pés de oliveiras ao redor de onde era a casa grande e do engenho, resta apenas um pedestal de uma fonte.  Suas terras foram desapropriadas em favor dos moradores.

6. ENGENHO TAIPU                              

6.1 BREVE HISTÓRIA

Esse engenho tem como vizinhos, em sua frente o Rio Paraíba e o Engenho Maravalha; no lado direto, as terras do engenho Novo, e a esquerda, o engenho Corredor.

Este engenho não tem uma data de fundação, não existindo documentos, mas a origem de seu nome vem dos povos indígenas. Sabe-se que em 1800 o mesmo tinha escravos um número muito grande, sendo um nos engenhos visitados pela comitiva de Dom Pedro II no ano de 1859.

Nesse período, na época da colheita da cana-de-açúcar tinha o ritual de jogar um escravo, principalmente um idoso, na fornalha, de forma que foram encontradas carcaças humanas perto do engenho.

Seus donos foram o Senhor José Lins Cavalcanti de Albuquerque, mais conhecido por seu Num e Dona Joana Bezerra Cavalcanti que tiveram oito filhos. Não existe em registros que no século de XIX esses eram seus verdadeiros donos. Este engenho é citado no romance do escritor José Lins do Rego onde relata o poço das pedras.                

6.2 ANOS DE OURO

Das extremidades de Pilar, as várzeas do rio Goiana, seguindo em frente até o leste, alcançando João Pessoa mandavam o senhor deste Engenho onde predominava a cana-de-açúcar flor de cuba.

O poder do senhor deste engenho era tão grande que as festas, seja ela qual fosse, não aconteceria sem a sua permissão. Até suas árvores, cercas e suas porteiras dentro das terras do engenho eram respeitadas. Se algum morador de suas terras ou das cidades onde as terras passassem cometesse um crime poderia correr para o engenho que era bem aceito. Até mesmo depois da Lei Áurea foi mantida a escravidão de seus moradores, no cultivo da cana-de -açúcar, e em seu preparo, na colheita do algodão e do agave.

Alguns de seus trabalhadores que moravam em suas terras e viessem a criar algum tipo de animal tinha que pagar o aluguel do pasto.                                                          

6.3 DECADÊNCIA

A sua decadência deu-se no início por falta de união entre os próprios parentes, herdeiros do engenho. Isso acontecei em meados do século XX, pois depois que os principais pilares morreram, sumiram quilômetros e mais quilômetros de terras, ficando poucas terras talvez só a do próprio engenho. 

No ano de 1964, com o auge da Ligas Camponesas, o engenho passou a ser vendido a seus próprios moradores e a aqueles que pudessem comprar seu próprio sítio. No ano de 1991, o engenho chegou a ruínas passando a ser criatórios apenas de bovinos.

6.4 O HOJE....

As terras estão aos cuidados do Incra, com assentamento de nome Novo Taipu abrangendo uma área de 800 hectares. A casa grande está em ruinas, abandonada, algumas vezes servindo de apoio para os próprios moradores seja como posto de saúde ou outros fins.  .A capela passou por várias reformas, estando em perfeitas condições.

7 REFERÊNCIAS

CUNHA, Fernando Targino da. São Miguel de Taipu conta a sua história. João Pessoa: Sal da Terra Editora,2010.

Disponível em: http://samiguelense.blogspot.com.br/. Acesso em: 20/set/2014. Disponível em: http://escritorfernandotargino.blogspot.com.br/2010/08/momentos-poeticos-sobre-os-engenhos-de.html. Acesso em: 25/set/2014.


Publicado por: José Adriano Gomes Correia

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.
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