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Ecoturismo no Brasil: teoria e realidade

Geografia

Origem e evolução do ecoturismo no Brasil, sua relação com a questão ambiental atual, alicerces do ecoturismo,...

Introdução

No atual contexto da globalização, o turismo surge como atividade que vem demonstrando grande crescimento nas últimas décadas em todo o mundo. No Brasil, esta atividade está em ascensão, graças as nossas riquezas naturais, ampla extensão territorial e rico patrimônio histórico-cultural, permitindo ainda a prática da maioria das modalidades de turismo ecológico e também de esportes de aventura, caracterizando o chamado turismo ecológico, ambiental ou também, ecoturismo. Essas atratividades naturais e culturais fazem com que o nosso país seja uma atração para esta modalidade turística, onde os próprios brasileiros como os visitantes estrangeiros tenham a possibilidade de conhecer tais patrimônios, levando em consideração a preservação do ambiente.

Este trabalho tem como objetivo analisar a origem e a evolução do ecoturismo no Brasil, bem como sua relação com a questão ambiental atual. Nesse sentido, seguiremos algumas idéias de autores como Rodrigues (2003), Western (1999), Ruschmann (1997), Cavalcante (2006).

Origem e evolução do Ecoturismo

A modalidade de turismo denominada turismo ecológico, ou simplesmente ecoturismo, constitui-se um dos alicerces na tentativa de alcançar um modelo sustentável de desenvolvimento. É um fenômeno característico do final do século XX, e ao que se percebe do século XXI.

Por ecoturismo podemos entender que ele é uma “viajem responsável a áreas naturais, visando preservar o meio ambiente e promover o bem-estar da população local” (WESTERN, 1999). Para este autor o ecoturismo precisa provocar e satisfazer o desejo de estar em contato com a natureza, é explorar o potencial ecoturístico visando à conservação e o desenvolvimento, sem agredir o meio ambiente. Os primeiros ecoturistas foram aqueles que há um século chegaram aos parques americanos como o de Yellowstone ou aos safaris africanos, os que escalaram o Himalaia, Everest e outros montes, enfim, pesquisadores como Charles Darwin ou Alexander Von Humboldt, esportistas e aventureiros que fazendo do meio ambiente o cenário para realização de seus trabalhos também se preocupavam com a preservação da natureza. No entanto era uma preocupação passiva, essas atividades não possuíam o intuito de ser um meio de preservação, já que tal atividade não provocava nenhum impacto socioeconômico significativo como acontece nos dias de hoje.

O século XX vislumbrou a evolução do ecoturismo juntamente com a necessidade da preservação do ambiente, da criação de áreas naturais protegidas, além da significativa mudança das excursões às áreas naturais. O trekking, o montain - bike, a cavalgada, o rapel e a pesca esportiva são algumas das diversas opções existentes nesta modalidade turística.

As diferentes modalidades de ecoturismo podem ainda ser praticadas no ambiente natural como no ambiente rural, em vista de sua grande relação com este meio.

No entanto, o turismo de massa a essas áreas no decorrer do tempo, trouxe impactos ambientais como: depredando habitats naturais, molestando animais, destruindo a natureza e muitas culturas. Felizmente este comportamento vem sendo mudado e os visitantes hoje estão mais conscientes do valor das diferentes formas de vida, do dano ecológico e cultural que podem provocar.

Nesse sentido, como receber tanta gente sem agredir o meio ambiente? Como desenvolver tal prática de forma que respeite os limites que a natureza impõe ao lugar? Bem, para que uma atividade se classifique como ecoturismo, são necessárias quatro condições básicas: respeito às comunidades locais; envolvimento econômico efetivo das comunidades locais; respeito ás condições naturais e conservação do meio ambiente e interação educacional – garantia de que o turista incorpore para a sua vida o que aprende em sua visita, garantindo assim consciência para a preservação da natureza e dos patrimônios histórico e cultural (CAVALCANTE, 2006).

Em 1994, um grupo multidisciplinar, formado por representantes dos mais diversos segmentos interessados dos setores governamental e privado, analisou e estabeleceu bases para a implantação de uma Política Nacional de Ecoturismo, de forma a assegurar: à comunidade: melhores condições de vida e mais benefícios; ao meio ambiente: uma poderosa ferramenta na valorização dos recursos naturais; à nação: uma fonte de riqueza, divisas e geração de empregos; ao mundo: a oportunidade de conhecer e utilizar o patrimônio natural dos ecossistemas para onde convergem a economia e a ecologia, para o conhecimento e uso das gerações futuras (CAVALCANTE, 2006).

Para que o ecoturismo se desenvolva de maneira que se preserve sua atratibilidade, ou seja, que ao longo do tempo, seus atrativos continuem intactos e motivando a vinda de turistas, é necessário muito cuidado no planejamento e os objetivos abaixo colocados em prática:

  • Promover e desenvolver turismo com base cultural e ecologicamente sustentáveis;
  • Promover e incentivar investimentos em conservação dos recursos culturais e naturais utilizados;
  • Fazer com que a conservação beneficie materialmente comunidades envolvidas, pois somente servindo de fonte de renda alternativa estas se tornarão aliadas de ações conservacionistas;
  • Ser operado de acordo com critérios de mínimo impacto para ser uma ferramenta de proteção e conservação ambiental e cultural;
  • Educar e motivar pessoas através da participação e atividades a perceber a importância de áreas natural e culturalmente conservadas (EMBRATUR, 2004 apud CAVALCANTE, 2006).

O caminho ideal para o ecoturismo é o que se chama desenvolvimento sustentável. Este conceito propõe a integração da comunidade local com atividades que possam promover a conservação e o uso sustentável dos recursos naturais e culturais. O diálogo permanente com a população, o esclarecimento e a informação constante, o incentivo ao seu envolvimento com estas atividades, a participação no Conselho Municipal de Turismo, como também, nos Conselhos dos parques e reservas, são exemplos de ações que podem ajudar os moradores a descobrirem as oportunidades que se abre com a implantação do turismo, e conseqüentemente, do ecoturismo (CAVALCANTE, 2006).

Origem e desenvolvimento do ecoturismo no Brasil

O ecoturismo foi introduzido no Brasil no final dos anos 80, seguindo a tendência internacional. Já em 1989 foram autorizados pela Embratur os primeiros cursos de guia desse tipo de turismo. Em 1992, com a Rio 92, o termo ecoturismo ganhou maior visibilidade, agradou de vez o brasileiro e impulsionou um mercado promissor, que desde então não pára de crescer. O Ecoturismo é uma atividade que busca valorizar as premissas ambientais, sociais, culturais e econômicas conhecidas de todos nós, e inclui a interpretação ambiental como um fator importante durante a experiência turística.

Considerações Finais

À sociedade civil, cabe a consciência e a responsabilidade de conservar o meio ambiente urbano, rural e ambiental, considerando que o produto está agregado a preservação e conservação, para atrair os turistas, garantindo essa fonte de riquezas.
Se o ecoturismo no Brasil encontra-se em um estágio de desenvolvimento recente, este é o momento para incentivarmos a introdução de uma política de âmbito nacional para o setor. Tal política deve orientar governos e legislativos para a implantação de suas estratégias de regulamentação e controle, assim como orientar agências de fomento para criar e facilitar o acesso a incentivos fiscais e financiamentos.

Ressaltando-se, a importância do estímulo a qualificação profissional, a capacitação e aquisição de tecnologias apropriadas, a serem viabilizadas pelo empresariado. Existem empreendedores querendo, investir, de forma séria, em ecoturismo com bons projetos, como aqueles, proprietários de área natural que transformam sua terra em RPPN, ficando obrigado, de forma perpétua, a conservar a propriedade. Por isto é preciso implantar projetos bem embasados, dentro de uma política nacional integrada que aproxime o desenvolvimento do ecoturismo aos objetivos de sustentabilidade social, econômica e ambiental. A falta de uma política nacional clara para o desenvolvimento do setor, aliada à forma desorganizada e, muitas vezes, irresponsável com que as pessoas têm praticado o ecoturismo, têm motivado uma série de preocupações aos governos locais, às organizações ambientalistas às comunidades anfitriãs.

Bibliografia

CAVALCANTE, Márcio Balbino . Ecoturismo no Brasil, visita à natureza. Mundo Jovem, v. 369, p. 02-.02, 2006.

NOVAES, Marlene Huebes. O turismo no espaço rural de Joinville, S. C. na ótica do planejamento. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE TURISMO RURAL: turismo no espaço rural brasileiro, 1, 1999, Piracicaba. Anais... Piracicaba: Fealq, 1999. p. 193 – 199

WESTERN, David. Definindo ecoturismo. In: LINDBERG, Kreg. HAWKINS, E. Donald.(editores) Ecoturismo: um guia para planejamento e gestão. São Paulo: Senac, 1999. 2. ed. P. 13 – 22.

RUSCHMANN, D. V. M. Turismo e planejamento sustentável: A proteção do meio ambiente. Campinas: Papirus, 1997. 6.ed. 199p.

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Márcio Balbino Cavalcante é Geógrafo pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB. Pós-graduado em Ciências Ambientais - FIP/PB. Pesquisador do Terra - Grupo de Pesquisa Urbana, Rural e Ambiental da UEPB/CNPq. e Coordenador de Projetos Educacionais da Secretaria Municipal de Educação.


Publicado por: MÁRCIO BALBINO CAVALCANTE

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.

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