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Águas Subterrâneas-Gestão e Consciência para o Desenvolvimento Sustentável

Geografia

Formação dos lençóis freáticos, proteção das águas subterrâneas, utilização das águas subterrâneas, potencial hídrico da China, reservas hídricas da China, reserva hídrica do Brasil.

RESUMO

O planeta Terra levou milhares de anos para que deixasse de ser uma bola incandescente e pudesse ter elementos como oxigênio e água. Através processo de infiltração, a água moveu-se para baixo devido à força gravitacional ate encontrar uma camada  impermeável que a suportasse. As águas subterrâneas constituem uma importante fonte de água potável, que pode ser extraída através dos poços artesianos ou das fontes que surgem por causa da saturação do solo. O problema é o manejo inadequado dessas reservas subterrâneas que acarretam inúmeros problemas de abastecimento em vários países do mundo. Esses problemas são provocados principalmente pela extração descontrolada da água dos lençóis freáticos, as políticas públicas não tomam as medidas necessárias e cabíveis para a solução do problema, além de não regular-se a forma sustentável de extração da água, ainda percebe-se o descaso com as fontes de abastecimento dos lençóis freáticos. A vegetação que é uma importante aliada da infiltração de água no subsolo é destruída sem que se tome nenhuma providência; esse desinteresse dos governantes já está provocando, em muitos países do Oriente Médio e da África, a guerra pela água desses lençóis, comprometendo a agricultura, que funciona em sua maioria com as águas subterrâneas. China e Brasil vivem situações opostas nessa temática, a China sofre com a redução de seus potenciais hídricos e enfrenta graves problemas populacionais, já o Brasil, é a maior potencia hídrica do mundo, possui regiões muito quentes e secas, como o Nordeste, úmidas como a Amazônia e possui em seu território o maior lençol freático do mundo, o Aqüífero Guarani, mas nem por isso encontra-se livre da escassez de água.

Palavras chave: lençóis freáticos, água, preservação, utilização e desenvolvimento sustentável.

1. Graduando do curso de Licenciatura em Geografia, sexto período, pela Faculdade José Augusto Vieira (FJAV), Lagarto-SE.

1. INTRODUÇÃO

A temática das águas subterrâneas aborda questão ambiental, mas, principalmente, as conseqüências do mau uso deste recurso hídrico que se agrava cada vez mais m decorrer da exploração exagerada.

Inicialmente é discutida a formação dos lençóis freáticos, através do processo de infiltração, conhecendo as zonas do solo bem como uma definição do que vem a ser um lençol freático, esta fonte de água subterrânea que pode armazenar grande quantidade de água potável. Atualmente sua forma de utilização e motivo de discussão em todos os locais do mundo, tendo em vista a falta de gestão pública adequada sobre a problemática, ou seja, os lençóis freáticos são utilizados de maneira depredatória, comprometendo o futuro hídrico e alimentar de muitos países que dependem da irrigação, tanto das bacias hidrográficas como dos lençóis subterrâneos, e, nestas nações, uma outra questão aparece para agravar a situação, que é o quantitativo populacional; tais países localizam-se, grande parte, no Oriente Médio e na África do Norte, em sua maioria, superpopulosos.

Um dos maiores países do mundo possui suas reservas subterrâneas caindo a níveis alarmantes, trata-se da China, o país mais populoso do mundo vive uma era de incerteza sobre seu futuro, esta questão é tratada levando os lados físicos e políticos que administram a auto suficiência do país, bem como o Aqüífero Guarani, o maior lençol subterrâneo do mundo, cuja água localiza-se, boa parte, sob o território do Brasil, que merece também uma atenção especial, assim como outras reservas citadas, enfocadas no presente trabalho.

2. COMO SE FORMAM E O QUE SÃO LENÇÓIS FREÁTICOS

Há aproximadamente quatro milhões de anos atrás formava-se o planeta Terra. Totalmente diferente do atual, o antigo planeta Terra não continha os elementos necessários para a proliferação da vida, como o oxigênio e a água, não passava de uma bola incandescente, onde jatos de vapor formavam a atmosfera primitiva, repleta de gases tóxicos como o metano, o enxofre, o dióxido de carbono etc. Com o resfriamento do planeta, menos de cinqüenta graus Celsius (50°C), as enormes e espaças nuvens que recobriam o planeta Terra e não permitiam a passagem da luz do Sol, caíram durante séculos em forma de chuva, onde a água acumulou-se nas depressões formando os oceanos, rios lagos e, boa parte dessa água infiltrou-se no solo; formaram-se grandes aqüíferos de água doce.

Denomina-se a este fenômeno, através do qual a água penetra nas camadas do solo próximas a superfície do terreno, de infiltração; a água move-se para baixo através da força gravitacional ate encontrar um suporte que a retenha. A infiltração ocorre em duas zonas do solo:

· Zona de aeração: ocorrem as fases de intercâmbio-através da qual a água esta sujeita a retornar a superfície por evaporação ou através das raízes dos vegetais- e de descida- onde ocorre o deslocamento vertical em direção a uma camada de solo impermeável.

· Zona de saturação: onde ocorre a fase de circulação - constitui-se os lençóis subterrâneos obedecendo a ação da gravidade, sempre acontece grande acúmulo de água.

Quando se obedecem as leis de escoamento, define-se dois tipos de lençóis:

· Lençol cativo: encontra-se confinado entre duas camadas impermeáveis sofrendo forte pressão.

· Lençol freático: a superfície é livre e encontra-se sujeita a pressão atmosférica.

Nos lençóis de água freáticos podem ser distinguidas duas zonas. A primeira é constituída pela parte superior, ocupada pela água de capilaridade formando uma franja, cuja altura depende do material do solo, atingindo valores de 30 a 60 cm para areias finas e até 30m para argilas. A segunda zona é ocupada pela água do lençol comprimida entre a franja e a superfície da camada suporte impermeável. (PINTO, 1976, p.45)

Lençóis freáticos são depósitos subterrâneos que se formam quando a água ocupa os espaços existentes entre os grãos que formam as rochas do solo, sendo chamados de zonas saturadas. Logicamente a retenção hídrica não ocorre de forma uniforme, há áreas onde grandes espaços permanecem vazios, o nível de profundidade varia a depender das variações climáticas, da topografia da região, da facilidade e permeabilidade das rochas. Logo, a capacidade de infiltração - quantidade máxima de um solo em absorver, por unidade de superfície horizontal, durante uma unidade de tempo - sendo ultrapassada, irão provocar a transferência desta água para a superfície, alimentando os córregos e ribeirões.

Nas regiões onde as rochas apresentam alto grau de permeabilidade, Jatobá (1998) explica que o escoamento superficial é inexpressivo, estas rochas são representadas por aluviões arenolimosas, basaltos e outras rochas calcárias, sendo assim, a maior parte das águas se infiltra para o subsolo e ainda contribui para a diminuição da erosão superficial.

3. UTILIZAÇÃO E PROTEÇÃO DAS ÁGUAS SUBTERRÂNEAS

As águas subterrâneas através dos lençóis freáticos constituem uma importante fonte para a obtenção de água, visto que em regiões muito áridas onde há uma grande escassez de chuvas, a população utiliza-se muito dos poços artesianos, cuja água dos lençóis freáticos quando ficam confinadas entre duas camadas impermeáveis, sofrendo fortes pressões, ao serem atingidas pelos trabalhos de perfuração dos poços, o líquido armazenado é imediatamente impulsionado para cima, jorrando com força para a superfície. Um outro sistema de exploração e utilização dos lençóis freáticos são as famosas cisternas, que os relatos históricos apontam o uso deste recurso de obtenção de água em todos os povos antigos e, atualmente, as cisternas ainda permanecem como “solução” para amenizar a escassez de água em muitos locais do Brasil, principalmente nos locais mais secos nordeste do país, como o sertão, onde predomina a industria da seca, sendo a utilização de poços artesianos e cisternas como forma de “abafar” a situação. Mas vale ressaltar que o Nordeste não apresenta apenas seca e miséria, mas também muito desenvolvimento nos últimos anos além de também possuir em seus biomas muitas formas de obtenção de água, mesmo em vegetações que, aparentemente estão mortas, nota-se a exuberância e a presença de água nos subsolos, caso da caatinga hipoxerófila, vegetação típica do Nordeste brasileiro.

Uma outra forma de utilização das águas dos lençóis freáticos são as fontes, que surgem devido ao solo não poder armazenar mais a água, então esta escoa para a superfície. Estas fontes, a depender da composição das rochas vizinhas, podem oferecer determinadas propriedades extremamente benéficas ao organismo humano; como esses benefícios vão variar a depender das rochas, estas águas, denominadas de minerais, podem classificar-se como: sulfurosa, bicarbonata, cloretada, entre outras, a depender da sua composição mineral.

Muitas cidades brasileiras apresentam águas minerais, como Águas de Prata (SP), Lambari (MG), Salutaris (MG), Caldas de Cipó e Itapicuru (BA).

Assim como as fontes oriundas de lençóis cercados de sais minerais, as fontes podem surgir com águas aquecidas (termais), provenientes da localização dos lençóis freáticos próximo a rochas ígneas. Estas águas alem de conter grande quantidade de sais minerais, apresentam uma temperatura elevada e o banho com a água termal é excelente para a saúde, segundo alguns campos de pesquisa.

Nas cidades de Poços de Caldas (MG) e Caldas Novas (GO), a temperatura da água pode chegar a quarenta graus centígrados (40°C).

A temperatura da água das fontes e dos poços profundos não apresentam variação diurna, e a amplitude do afastamento anual é fraca ou mesmo nula; quase sempre a água está á temperatura média do lugar. (GARCEZ, 1988, p.53)

Sendo o lençol freático uma boa opção de abastecimento, devido a grande quantidade de água que pode ser armazenada no solo, a proteção deste recurso é uma grande preocupação dos ecologistas, geógrafos e biogeógrafos, pelo fato de que, os lençóis freáticos, incorporam todo o líquido que vem da superfície do solo e todos os elementos hidrossolúveis.

Diversas práticas humanas oferecem risco de contaminação desse importante recurso hídrico, como as maciças pulverizações agrícolas com agrotóxicos, que contaminam o solo e, consequentemente a água que irá se infiltrar no subsolo carregará os dejetos químicos. O extrativismo mineral e as atividades industriais, quase impossíveis de serem controladas devido a grande força do capitalismo, vêm pondo em risco os lençóis em diversas partes do mundo e, logicamente, os países mais pobres sofrem com maior intensidade as conseqüências da escassez de água em seu subsolo.

Na África, o Saara encontra a maior parte da população em regiões periféricas aos oásis, que surgiram através de lençóis subterrâneos, mas, o uso exagerado está sobrecarregando as poucas reservas de água da região, que, segundo os cientistas, já teve grande abundância de água, pois, para a água infiltrar-se tem que haver chuva. Só que a realidade atual é outra completamente diferente, a alta temperatura e a escassez de chuvas não permitem o reabastecimento das águas subterrâneas do Saara, sobrecarregando os oásis.

Outro fator que também constitui uma agressão ao lençol freático é o desmatamento, pois quanto maior é a cobertura vegetal, maior será o tempo que a água das chuvas permanecerá sobre a superfície do solo, diminuindo a quantidade de água que irá evaporar e aumentando a quantidade de água que irá infiltrar-se e abastecer os lençóis freáticos, sem contar outros fatores favoráveis como a diminuição da erosão do solo.

A presença da vegetação atenua ou elimina a ação de compactação da água da chuva e permite o estabelecimento de uma camada de matéria orgânica em decomposição que favorece a atividade escavadora de insetos e animais.

A cobertura vegetal densa favorece a infiltração, pois dificulta o escoamento superficial da água(...)possibilitando maiores valores da capacidade de infiltração no início das precipitações. (PINTO,1976,48 p.)

Faz-se necessário o combate ao desmatamento para que se possa obter uma maior proteção das águas dos lençóis freáticos, o problema é o descaso das políticas publicas com relação à preservação da cobertura vegetal que aliada também a grande dificuldade de se monitorar grandes áreas, como a Amazônia, cuja vegetação contribui maciçamente com a evapotranspiração, que ajudará na formação de nuvens, gerando chuvas, abastecendo as bacias e sub bacias hidrográficas da região. Como as chuvas e as bacias hidrográficas representam um abastecimento aos lençóis subterrâneos, há a necessidade de uma atenção maior com a densa vegetação amazônica.

O primeiro estudo global sobre a escassez de água, publicado em 1988, identificou com clareza o mau uso das águas subterrâneas e a exaustão incontrolada dos lençóis freáticos, sendo uma ameaça seria a segurança alimentar em muitos paises, especialmente aqueles que inda não têm um alto grau de desenvolvimento. Nestes países, os lençóis freáticos emergiram sendo o pilar do desenvolvimento da economia agrícola e alimentar. A não utilização deste recurso de maneira sustentável nos paises que dependem exclusivamente dos lençóis para a irrigação está provocando, de maneira rápida, a queda das superfícies de água doce para níveis alarmantes. O futuro alimentar que Thomas Malthus já alertava muitos anos atrás, hoje em muitos dos países mais populosos do mundo como a China, a Índia, o Paquistão, e quase todos os países do Oriente Médio e África do Norte dependerá exclusivamente da forma como os governantes políticos de cada nação gerem, atualmente, seus recursos hídricos subterrâneos. Amélia Damiani utilizando-se das idéias Malthusianas alerta

(...) para reequilibrar a desproporção natural entre a multiplicação dos homens - o crescimento populacional - e a produção dos meios de subsistência-produção de alimentos.

(DAMIANI, 1998,13 p.)

Esta produção de alimentos depende da água encontrada no subsolo, as conseqüências da não gestão ou de uma má gestão deste problema são potencialmente catastróficas, formará um grande contingente de pessoas com fome e sede em várias partes do mundo, sendo que, em muitos locais, já é um triste realidade.

4. O CASO DA CHINA: O QUE O FUTURO HÍDRICO RESERVA?

Em 1999, o lençol freático cuja cidade de Beijing foi construída caiu 2,5m. Desde 1965, o lençol sob a cidade caiu alarmantes 59m, todos os líderes chineses temem uma escassez e água, à medida que os lençóis subterrâneos do país são exauridos. Hidrologicamente faz-se presente a existência de duas Chinas: a do sul, úmida, que inclui a bacia do Yangtze com todas as terras ao sul, e a bacia do norte, representada por toda a região ao norte da bacia do Yangtze. Ambos estão perdendo força hídrica. A região norte do país está sofrendo, pois, a demanda hídrica ultrapassa a oferta. Para se ter uma idéia, a região que localiza-se abaixo da região norte, que estende-se do norte de Xangai até o norte de Beijing, e que produz 40% dos grãos do país, tem seu lençol freático de abastecimento caindo aproximadamente 1,5m por ano. Os fazendeiros do norte estão enfrentando perdas de água na irrigação pela exaustão dos lençóis subterrâneos, que abastecem também a população das cidades e a demanda industrial. Para piorar a situação as estatísticas mostram, até 2010, um aumento de 50 bilhões de metros cúbicos para 80 bilhões de metros cúbicos nas cidades e de 127 para 206 bilhões de metros cúbicos para a produção industrial, o que afeta significativamente as perspectivas agrícolas da China.

Logo que estão se exaurindo, os lençóis freáticos terão que ter seu bombeamento feito de maneira sustentável e, neste sentido Bressan argumenta:

Os mananciais hídricos comportam, igualmente, a possibilidade de uso múltiplo (...) As estratégias de produção da qualidade dos recursos hídricos envolvem, sobretudo (...) o zoneamento das terras nas respectivas bacias hidrográficas, codificando-se quando possível, as atividades, o crescimento populacional e industrial nas áreas que possam comprometer o uso prioritário das águas, ou seja, para o abastecimento público. (BRESSAN, 1996,73 p.)

Na disputa pela água dos lençóis freáticos entre cidades, indústria e agricultura, a análise econômica desfavorece a agricultura, tendo em vista que a China é uma economia crescente e tem grande força na produção de grãos de trigo. Na agricultura se gasta mil toneladas de água na produção de uma tonelada de trigo, valendo US$ 200. Na indústria a mesma água gerará uma produção 70 vezes maior, sem contar a geração de empregos, por esse expressivo ganho, o desvio de água dos lençóis para a indústria parece obvio.

Observa-se que a escassez de água na China poderá elevar o país ao posto de maior importador mundial de grãos, coincidindo com a queda na produção. A escassez de água pode ser amenizada através de um uso mis eficiente, porém, as bacias hidrográficas que alimentam os lençóis freáticos também perderam grande força hídrica, dessa maneira, os governantes chineses pretendem aumentar o preço da água a um valor mais próximo do mercado e, já avisaram que na competição pelas águas subterrâneas, as cidades e as indústrias tem prioridade, a agricultura fica em último plano.

O futuro da nação mais populosa do mundo depende de como os governantes tratarão as questão hídrica. O lençol de Beijing e as demais reservas subterrâneas não irão suportar por muito tempo, para a China a solução imediata seria:

A recriação da unidade entre homens e natureza(...) um novo sistema produtivo e, por conseguinte, uma transformação da estrutura social como um todo. (BRESSAN, 1996,56 p.).

5. AQUÍFERO GUARANI: UM TESOURO SUBTERRÂNEO

Mais de um terço da população mundial enfrenta sérios problemas com relação à água. A quantidade e a qualidade deste recurso é cada vez menor em varias nações mundiais. O Brasil ocupa uma posição privilegiada tratando-se de água potável, pois, se não bastasse as enormes bacias hidrográficas existentes em seu território, ainda possui grande parte do Aqüífero Guarani em seu subsolo. Este mar de água doce é o maior reservatório subterrâneo do mundo, que recebeu este nome em homenagem aos índios Guaranis, que habitavam a área antes da chegada de portugueses e espanhóis no continente americano.

O Aqüífero Guarani pode abastecer uma população de 360 milhões de habitantes - número bem superior a do Brasil, por muitos e muitos anos, ele possui cerca de 1,2 milhão de quilômetros quadrados de extensão e cerca de 45 quatrilhões de litros do recurso mais precioso do planeta. Sua formação demorou milhares de anos, o Aqüífero Guarani tem em sua composição diversas formações de rochas sedimentares, comprimidas entre duas camadas de rochas ígneas, por esse motivo, a temperatura do aqüífero chega a atingir 80°C em alguns locais e pode ser utilizada de diversas formas, já que possui inúmeras formações e altíssimo grau de pureza.

A extração da água do Aqüífero Guarani já é grande nos países onde o aqüífero localiza-se. No Brasil, os estados que possuem as águas do aqüífero em seu território são: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, sendo que, só no estado de São Paulo, há mais de 500 poços que levam a água do aqüífero até a superfície, beneficiando mais de 2 milhões de pessoas. Para Pedro Fittipaldi:

Para a cidade de São Paulo, por exemplo, que despeja seu esgoto nos rios sem nenhum tratamento e não tem uma política claramente exercida e respeitada de proteção de seus mananciais, o bombeamento das águas do Guarani pode vir a ser a única solução no futuro.

(DISCUTINDO GEOGRAFIA, 7.ed.2005, 58 p.)

Porém, não se pode pensar que a solução de todos os problemas chegou, tem-se um nordeste que não recebe as águas do aqüífero, sofre com a seca e não há planejamento para esta parte esquecida do país. O planejamento afim de um uso sustentável, como sempre “martelou” Bressan, é necessário para a utilização adequada do aqüífero e de todas as reservas subterrâneas. Há ma grande necessidade de uma gestão compartilhada dos recursos, de uma legislação ambiental especifica para o aqüífero, será necessário fortes investimentos e pesquisas de como utilizar-se da melhor maneira possível este recurso, pois, vale lembrar que é m recurso finito e que pode ser contaminado. Neste sentido José Queiroz Neto argumenta:

(...) quando se trata de águas subterrâneas a questão e sempre mais seria, pois, elas têm necessidade de ser tratadas como um recurso finito. A recarga do aqüífero é tão lenta que, ao contrario de águas superficiais, que tem renovabilidade ágil, uma característica intríseca, as águas subterrâneas podem acabar. (apoud DISCUTINDO GEOGRAFIA, 7. ed. 2005)

Muitos outros locais do país também são ricos em águas subterrâneas, a citar, por exemplo, no nordeste do país, as cidades de Caldas de Cipó, Itapicuru, e o povoado Jorro na Bahia e a cidade de Salgado em Sergipe que apesar do pequeno tamanho e pouquíssima expressão política e econômica, apresentam potenciais hídricos muito grandes; o cerrado mineiro consegue possuir água o ano inteiro, apesar de só apresentar quatro meses de chuva graças as veredas e às nascentes que conseguem emergir do subsolo. Esta água infiltrada necessita de uma proteção na cobertura vegetal pra continuar abastecendo os principais rios da região; a destruição das veredas acarreta problemas de abastecimento de água para cinco milhões de mineiros. Sendo assim, o Brasil precisa avançar e construir leis que possibilitem sua sustentabilidade, que o tesouro armazenado em seu subsolo possa garantir o crescimento e a qualidade de vida dos brasileiros, seja esta qualidade em cidades de pequeno, médio e grande porte. No caso do Aqüífero Guarani, Os Estados Unidos e o Banco Mundial tentam ter o controle político do aqüífero, é bom o Mercosul “abrir o olho” e rápido afinal, quem se mostra incapaz de gerir seus recursos tende a receber críticas e ficar indefeso contra ataques de países com maior grau de desenvolvimento; é o que acontece também na Amazônia, todo o potencial hídrico subterrâneo e superficial ameaçado. Se a gestão ocorrer de maneira correta, pode-se afirmar que o Brasil não brigará por água no futuro.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O estudo revelou sobre águas subterrâneas, o quanto à preservação destes reservatórios irá ajudar o desenvolvimento da raça humana, a manter o abastecimento das cidades, da agricultura e que, nas zonas em que eles são abundantes, faz-se necessário examinar em que medida as aglomerações e as aldeias podem se organizar, afim de que ocorra a gestão e a partilha ideal deste precioso bem.

A problemática dos lençóis freáticos revelou a fragilidade das leis ambientais e o despreparo dos gestores públicos nacionais e internacionais, tendo em vista que, o Brasil, maior potencia hídrica do mundo, não consegue administrar suas bacias hidrográficas e os lençóis freáticos existentes em seu território; permite-se que o desmatamento e a poluição por agrotóxicos prejudiquem a água potável que levou milhares de anos para infiltrar-se no solo e, assim como no Brasil, os países que dependem das águas subterrâneas para manter a produção industrial e agrícola não têm controle de seus reservatórios e podem enfrentar escassez de água, é nesse contexto que a China e outros países do oriente médio e da África se encontram, só que em situação muito pior que a nação brasileira,

Em zonas onde acontecem explorações excessivas dos recursos hídricos, o desenvolvimento de novas abordagens para sua gestão sustentável é fundamental, incluindo uma definição do trabalho utilizando-se de recursos como a Cartografia, conhecimentos de profissionais das áreas de Geomorfologia e Geografia física entre outras ciências naturais, além da utilização combinada das águas dos lençóis e da superfície com a colaboração das hierarquias dos poderes governamentais.

7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BARROS, Carlos. PAULINO, Wilson Roberto. Ciências: O meio ambiente.São Paulo: Ática, 2001

BRESSAN, Delmar. A Gestão Racional dos Ecossistemas. In: BRESSAN, Delmar.Gestao Racional da Natureza. São Paulo: Hucitec, 1996

DAMIANI, Amélia. População e Geografia. 4.ed. São Paulo: Contexto, 1998

FITTIPALDI, Pedro. Um Tesouro Subterrâneo. Discutindo Geografia. 7.ed. 56-59 p. São Paulo: 2005

GARCEZ, Lucas Nogueira & ALVAREZ, Guillermo Acosta. Hidrologia. 2.ed. São Paulo: Edgar Blucher Ltda, 1988

JATOBÁ, Lucivãnio & LINS, Rachel Caldas. Introdução à Geomorfologia. 2.ed. Recife: Bagaço, 1998

PINTO, Nelson L. de Souza e et. Al. Hidrologia Básica. São Paulo: Edgar Blucher Ltda, 1976


Publicado por: Ronivaldo Santos de Jesus

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.

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