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Mau hermenêuta é o que crê que pode ficar com a última palavra

Filosofia

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Contextualizando a história desde os mitos gregos, até os dias atuais, sempre houve a necessidade latente da comunicação. Até então as tradições mitológicas e os mitos³ eram passados através de gerações pela oralidade. Como o mito direciona o passado e pode ter caráter contraditório, as mudanças e a evolução dos seres no mundo através de uma nova ordem humana propiciaram o surgimento do pensamento filosófico. Tal pensamento filosófico é atemporal e não admite contradições. Daí haverá uma passagem do mito para o pensamento crítico, racional e filosófico, mas não podemos esquecer que graças ao mito é que surgem as duvidas e o pensamento crítico.

Assim o termo, Hermenêutica provém do verbo grego “hermeneuein” e significa: declarar, anunciar, interpretar e traduzir. Significa que alguma coisa é “tornada compreensível” ou “levada à compreensão”. Temos também a versão de Hermenêutica derivado da mitologia grega, associado a Hermes, o mensageiro dos Deuses, que assumia o papel de traduzir/interpretar as ordens dos Deuses, facilitando o entendimento dos homens. Hermes por sua vez é tido como patrono da Hermenêutica por ser considerado patrono da comunicação e do entendimento humano. São palavras de Gadamer:

“Hermes é chamado o mensageiro divino, aquele que transmite as mensagens dos deuses aos homens: No relato de Homero, ele costuma executar verbalmente a mensagem que lhe fora confiada. Mas frequentemente, e em especial no uso profano, a tarefa do hermeneus consiste em traduzir para uma língua acessível a todos o que se manifestou de modo estranho ou incompreensível. Assim, a tarefa da tradução sempre tem certa liberdade.” GADAMER. V.M.II.p 112

Dessa forma, de modo geral, Hermenêutica aponta para três significados: Expressão, Explicação e Tradução. O sentido de Expressar remete a função anunciadora de Hermes, um movimento de dentro pra fora, muito utilizado na tradição teológica. Explicação: significa a forma didática, o movimento de fora para dentro, por fim a Tradução no sentido de explicação descobrir as instruções contidas em formas simbólicas.

Falando um pouco agora, sobre o sentido de interpretar Heidegger expõem três pontos fundamentais que é o ser, o tempo, e o mundo assim ele usa a palavra Dasein que significa a manifestação do ser no mundo, abertura do sentido, lugar da compreensão o ente mundano. Dessa forma Heidegger afirma. “Por isso o Dasein é o único ente que pode dialogar, e dialogando, ele se faz capaz de interpretar; assim qualquer tarefa de interpretação já se deve situar no chão ontológico da presença do ser-lugar da possibilidade e do sentido.”

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Diante desse aspecto, podemos perceber que a interpretação do ser esta associada à forma de como ele ver o mundo, do contexto histórico e social em que este está inserido, da sua realidade, participação, expressão etc. Tudo isso influencia na sua compreensão da linguagem. Segundo Heidegger, devemos entender a compreensão como a estrutura prévia de qualquer interpretação, isto é, só interpretamos o que já compreendemos antes: O ser. Somente interpretamos aquilo que se nos abre como possibilidade, só podemos interpretar aquilo que nos atinge no mundo de sentido no qual vivemos;

Ainda convém lembrar, a frase citada por Almeida, custódio (2002) no seu livro, onde ele fala sobre a universalidade da Hermenêutica filosófica. “O dialogo que está em curso se subtrai a qualquer fixação. Mau hermeneuta é aquele que acredita que pode ou deve ficar com a última palavra”. Nesse sentido podemos observa que o processo de interpretação está associado à forma de como o ser humano compreende o mundo isto é cada pessoa tem uma forma diferente de interpretar a linguagem. Desse ponto parte Gadamer. (...) A compreensão nunca é privada de mais compreensão. Por isso, nenhuma interpretação esgota a possibilidade de novas interpretações.

Nesse sentido cabe mencionar o circulo de compreensão segundo Heidegger onde ele afirma que “são três modos de compreensão do Dasein, que estão necessariamente imbricados: o Dasein como si mesmo (ser próprio), o Dasein como “outro”“. (Ser com) e o Dasein como “pré” ou “ai” (ser em) assim na interpretação, aparece quem pergunta (o ‘eu’), o perguntador (o ‘outro’) e a totalidade de sentido que torna possível o perguntador (o ‘pré’), pois ele reúne numa totalidade ontológica a facticidade e a existencialidade, mostrando a competência essencial entre ambas.

Dessa forma, podemos compreender que a hermenêutica filosófica foi muito importante para os nossos dias atuais, pois, ela nos possibilitou conhecer as questões de compreensão e interpretação. E o seus fundamentos no que concerne o dialogo e a linguagem, lembrando que estes estão ligados à forma de como o ser, pertence ao mundo.

*Amanda Souza de Oliveira
*Rosivane de Sousa Oliveira


Publicado por: Amanda Souza de Oliveira

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.
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