Topo
pesquisar

Supervisor Educacional: Articulador da Educação de Qualidade

Educação

O trabalho desenvolvido nas instituições escolares precisa de uma preparação, um planejamento prévio, uma direção a ser delineada e de profissionais competentes e compromissados com a tarefa de proporcionar uma educação de qualidade.

A Educação vem nas últimas décadas sendo motivo para muitas discussões, isto porque o modo como o ensino formal vinha sendo desenvolvido no Brasil não atendia as perspectivas sociais; diante da necessidade as mudanças essas vêm sendo desenvolvidas, mesmo que a passos lentos.

Nesse caso, o trabalho desenvolvido nas instituições escolares precisa de uma preparação, um planejamento prévio, uma direção a ser delineada e de profissionais competentes e compromissados com a tarefa de proporcionar uma educação de qualidade.

Silva (1981:10) afirma que:

A escola é um sistema social, exigindo, para subsistir, que os papéis estejam claramente diferenciados e designados. Os indivíduos que desempenham papéis devem ser adequadamente treinados e distribuídos entre as diferentes posições. Enfim, todos os atores podem relacionar-se, uma vez que, aceitem as mesmas normas sobre os objetivos que buscam e os meios que empregam para alcançá-los.

Todavia, só é possível almejar bons frutos se todos trabalharem de forma produtiva. O professor, o educando, o supervisor, o quadro administrativo, os pais e toda a comunidade precisam desempenhar adequadamente suas funções. É justamente a integração desses elementos que permite uma análise concreta dos problemas existentes e a definição de estratégias de ação.

Abre-se um parêntese aqui para dizer que mais do que nunca as pessoas estão valorizando o ambiente escolar e procurando neste, os conhecimentos que lhes permitam construir o saber elaborado e com isto promover-se.

Cabe ao supervisor escolar ser conhecedor do seu trabalho pedagógico e desenvolver seus propósitos em harmonia com todo o grupo a fim de detectar os problemas existentes e discutir junto aos demais as possíveis soluções.

Refletir um pouco mais a respeito desta missão, analisando os pontos fundamentais é uma maneira simples de encontrar os pressupostos que orientam o trabalho educacional, por isso, o presente artigo oportuniza um espaço de discussão do papel do supervisor junto aos professores a fim de promover a qualidade educacional.

Normalmente uma Instituição de Ensino não é uma empresa que visa somente lucro, porém, não deixa de ser uma organização que tem uma missão, objetivos, filosofia e estratégias para a sua atuação na sociedade como entidade coletiva e de personalidade jurídica. Assim, tem a sua atuação alicerçada na qualidade.

Juran e Gryna (1991:17) enfatizam que a qualidade consiste nas características de produtos e serviços que vão ao encontro das necessidades dos clientes, desta forma, proporcionam a satisfação em relação ao produto. Na visão dos autores, a Qualidade é a ausência de falhas.

Ressalta-se não apenas a qualidade de produtos, mas colocam que a prestação de serviços é igualmente crucial, incluindo neste, a educação.

No que se refere à qualidade em educação, a Lei 10.171, de 08/01/01, que aprovou o Plano Nacional de Educação – PNE e que dispõe sobre a elaboração de Planos Decenais Municipais e Estaduais correspondentes a partir de sua vigência (art.2º), prioriza a questão referente aos padrões de qualidade em todos os níveis de ensino.

Quando a infra-estrutura prevê a elaboração, no prazo de um ano, de padrões mínimos nacionais compatíveis, como o tamanho dos estabelecimentos e com as realidades regionais que incluem espaço, iluminação, insolação, segurança e temperatura ambiente, instalações sanitárias e para higiene, espaços para esportes, recreação, biblioteca e serviço de merenda escolar, adaptação dos edifícios escolares para o atendimento dos alunos com necessidades especiais, atualização e ampliação do acervo das bibliotecas, mobiliário, equipamentos, material pedagógico, telefone, serviço de reprodução de texto, informática e equipamento multimídia para o ensino.

Ferreira e Aguiar (2000) argumentam que, a qualidade do processo educativo está intimamente ligada ao entendimento, qual a concepção do saber. Contudo, a questão da qualidade na educação remete à questão da finalidade do saber.

Lembrando que, o conhecimento não é um fim, não se ensina e aprende por diletantismo. O saber é um meio, é um instrumento do ser cidadão. No entanto, não se ensina para responder às necessidades do mercado, o saber, como instrumento do ser cidadão, é cada vez mais a matéria-prima que move a nova sociedade do conhecimento.

O cenário da qualidade a educação deve ser encarada em um contexto de mudanças como oportunidade de renovação, por não se limitar no tempo e no espaço, mas em toda a vida por meio da qual o ser humano toma consciência de si mesmo e de suas possibilidades na sociedade. Entretanto, procura redescobrir o sentido da educação para a criança e sua função é primordial, “não como categoria estática, como algo sempre igual” (Arroyo, 1994:01).

Não pare agora... Tem mais depois da publicidade ;)

Para Moran et al. (2000), um ensino de qualidade envolve muitas variáveis:

- Uma organização inovadora aberta, dinâmica com um projeto pedagógico coerente, aberto e participativo;

- Uma organização que congregue docentes bem preparados intelectual, emocional, comunicacional e eticamente motivados e com boas condições profissionais, e onde haja circunstâncias favoráveis a uma relação efetiva com os alunos que facilite conhecê-los, acompanhá-los, orientá-los;

- Uma organização que tenha alunos motivados, preparados intelectual e emocionalmente, com capacidade de gerenciamento pessoal e grupal.

Qualidade na educação: é a capacidade de atender as expectativas de alunos, pais, professores e a própria sociedade. É um julgamento de valor. Cada instituição educacional deve elaborar seu próprio plano de implantação da Qualidade, através de um roteiro individualizado que leve em conta suas principais necessidades de melhorias e suas restrições, utilizando as forças e os recursos disponíveis dentro e fora da organização (Ramos, 1992; Barbosa et al, 1995).

Nesta perspectiva, acreditamos que o supervisor pode ser o articulador da educação de qualidade, para isso, ser inovador, criativo, crítico, moderno e atual não é suficiente. Ele deve ultrapassar as barreiras do conhecimento comum e adequar-se ao momento perante a sociedade global.

Todavia, para que seja possível, exige de seus profissionais flexibilidade e previsibilidade, lembrando que experiências servem apenas de referências, nunca de padrão de ações com segurança de sucesso.

Neste contexto, emerge uma formação supervisora baseada na prática almejando uma reformulação dos seus saberes. E imprescindível que o supervisor reavalie seus saberes em busca de uma nova verdade, reconsiderando-a, analisando-a e refletindo-a constantemente, numa busca incessante da ressignificacão dos saberes, e, por conseguinte, real a atuação do supervisor, comprometida com uma educação de qualidade.

Em síntese, o supervisor é visto no contexto educacional brasileiro atual como sendo um instrumento minimizador de problemas qualitativos referentes ao sistema escolar e também como um acionador dos mecanismos capazes de elevar quantitativa e qualitativamente a qualidade educacional do sistema de ensino como um todo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ARROYO, M. Escola plural. Proposta pedagógica, Rede Municipal de Educação de Belo Horizonte. Belo Horizonte: SMED, 1994.

BARBOSA, José Juvêncio. Alfabetização e leitura. São Paulo: Cortez, 1995.

FERREIRA, Naura e AGUIAR, Márcia. Gestão da educação. São Paulo: Cortez, 2000.

JURAN, J. M., GRYNA, Frank M. Controle da qualidade handbook: conceitos, políticas e filosofias da qualidade. Trad. Maria Cláudia de Oliveira. São Paulo: Makron; Mc Graw Hill, 1991.

MORAN, J. M.; MASETTO, M. T.; BEHRENS, M. A. Novas tecnologias e mediação pedagógica. Campinas, SP: Papirus, 2000.

RAMOS, Cosete. Excelência na educação: a escola de qualidade total. Rio de Janeiro: Qualitymark, 1992.

SILVA, Naura Syria Corrêa. Supervisão educacional. Petrópolis, RJ: Vozes, 1981.

Roberto Giancaterino*

Prof. Dr. Roberto Giancaterino, PhD, nasceu em 1964, na cidade de Campinas, estado de São Paulo. Residente em São Bernardo do Campo - SP. É Pós-Doutorado em Educação; Doutor em Filosofia e Mestre em Ciências da Educação e Valores Humanos. Especialista em Psicopedagogia Clínica e Institucional; Valores Humanos Transdisciplinares; Docência do Ensino Superior; Administração e Supervisão Educacional. Também é Bacharel e Licenciado em Filosofia, Física, Matemática e Pedagogia. Escritor, Pesquisador, Palestrante, Conferencista e Seminarista na Área Educacional. É autor de vários trabalhos científicos reconhecidos por acadêmicos, entre eles: O best-seller “Escola, Professor, Aluno - Os Participantes do Processo Educacional” editado pela editora Madras que já é sucesso mundial. Iniciou-se no magistério em 1984 na disciplina de Matemática, posteriormente, ao final da mesma década já lecionava também na disciplina de Física. Atualmente atua como professor universitário em cursos de pós-graduação em disciplinas pedagógicas, e, na rede pública estadual leciona Matemática e Física. Em seu caminhar pela educação, Giancaterino idealiza com uma educação de qualidade e completa para todos, principalmente aos menos favorecidos e que associe todas as dimensões do sujeito como ser humano. Uma frase marcante de sua autoria: “Um país se constrói com bons homens e bons livros”.

Contato: prof.robertogian@terra.com.br / prof.giancaterino@terra.com.br


Publicado por: ROBERTO GIANCATERINO

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.
  • SIGA O BRASIL ESCOLA
MeuArtigo Brasil Escola