Whatsapp

REFLEXÕES E ALGUMAS EXPERIÊNCIAS COM A ORIENTAÇÃO EDUCACIONAL ESCOLAR: UM PRESENTE PARA A EDUCAÇÃO ESCOLAR PÚBLICA NAS REALIDADES DO BRASIL PÓS-MODERNO

Educação

Análise e reflexões sobre experiências com a orientação educacional escolar.

Segundo o artigo publicado no site “https://www.brasildefators.com.br/2019/10/04/artigo-or-francisco-de-assis-um-antecipador-da-historia”, com o título “Francisco de Assis: Um Antecipador da História”, por Frei Sérgio Antônio Görgen ofm, editado por Marcos Corbari: “(...) Pois bem. Quando o Movimento Franciscano primitivo ganhou densidade e Francisco passou a ser seguido por multidões de leigos – chegou a constituir uma Ordem Religiosa Leiga – o Santo de Assis exigia-lhes um voto: não portar armas. E aí, nos constantes e comuns recrutamentos de reis, príncipes, senhores feudais e papas para constituir seus exércitos, os leigos franciscanos recusavam em nome do voto prestado, do juramento feito à Ordem Franciscana. Conta a história que gerou crise de falta de combatentes em algumas regiões da Europa. Foi um dos primeiros grandes movimentos pacifistas da história da humanidade e a objeção de consciência como um instrumento prático de recusa à guerra. (...)”

A educação é um espaço mágico, espaço este que faz com que a pessoa humana tenha uma formação completa. É através dela que tudo acontece. Sem ela não haveriam médicos, professores, presidentes de república, vereadores, padres, pastores, advogados, enfermeiras, delegados, engenheiros, e tantos outros profissionais. Ela evoluiu muito nos últimos séculos. De uma educação do tempo das cavernas, passando por uma educação dentro de casa e chegando hoje a uma educação virtual. Os tempos pós-modernos chegaram. As mentes humanas dos tempos atuais são outras. As tecnologias se renovaram. As sociedades se comunicam em segundos por uma pequena máquina chamada celular. Esta máquina ganhou o reforço da internet que, em tempos outros, fazia parte apenas do imaginário de muitos homens e de muitas mulheres mundo afora. Antes, os seres humanos apenas precisavam de trabalho e caça para darem sentido as suas vidas. Nas realidades, atuais, a pessoa humana está enfrentando uma vida extremamente dinâmica. O ser humano de hoje não é mais como os seus antepassados. Nas atualidades, mundo afora, as dinâmicas dos tempos modernos são aceleradas. Mentes e corações dos seres humanos transcenderam as realidades contemporâneas, pós-modernas, trazendo muitas alegrias e ao mesmo tempo tantas misérias. O meio ambiente se acaba diante de tantos desafios. A pessoa humana está matando a mãe natureza. Nestes tempos misteriosos existem tantas verdades, entretanto, se enfrentam muitas mentiras, falta de informações. As informações transcendem territórios e se apresentam nos quatro cantos deste Planeta chamado Terra.  É lamentável como a pessoa humana está destruindo a casa de todos. Direitos Humanos, em muitas realidades deste mundo, já não se materializam no cotidiano de muitas pessoas. Com máscaras de democracias e de liberdades, tanto Estados Nações trazem autoritarismos, mortes, totalitarismos e outras misérias humanas.  As esperanças ainda podem vencer os medos. O mundo, por meio da mãe natureza, consolidada por tantas misérias humanas, trouxe pragas, doenças, moléstias, mistérios, que em muitas realidades, tempos e espaços, nem mesmo os cientistas conseguem respostas imediatas. A crise mundial de saúde pública provocada pela Pandemia da COVID-19, a peste negra, a AIDS, o câncer, a depressão, são apenas alguns dos sinais presentes neste mundo que sofre com as faltas de novos direitos humanos, da manutenção de direitos humanos já existentes, dos cuidados com a casa comum que é o Planeta Terra e do respeito à dignidade. É preciso uma consciência adulta, um coração de amor, um espírito e uma alma de paz, para que estas e outras guerras não aterrorizem as pessoas humanas e toda a mãe natureza com todos os seus elementos vivos. A beleza da vida está na alegria da mãe natureza, na alegria da defesa das vidas, na alegria das curas de todas as moléstias, enfim, no amor para com você, para com o outro, para com o mundo, como espaço infinito de vida plena e abundante. Desafios, medos, sentimentos pequenos e tristes, limitações e obstáculos, e tantas outras misérias humanas, não podem dar espaço, ocupar o espaço, do amor da paz e da vida.

De acordo com a resenha do Professor Carlos Eduardo Jordão Machado, publicada  no site https://www.scielo.br/j/trans/a/kYYprgbRDszGC7yfxm8KKfw/?lang=pt, com o título “O princípio esperança”: “(...) O sonho diurno, o sonho desperto - que difere qualitativamente do sonho noturno, de caráter regressivo, como veremos - perpassa toda argumentação do livro ao tentar dar resposta à questão inconstruível de nós mesmos, começando com o instante no qual nos encontramos ainda dispersos, imersos na "obscuridade do instante vivido" [das Dunkel des gelebten Augenblickes], numa penumbra que nos envolve provocando angústia, tédio; afetos indefinidos, desconcentrados, irracionais, pois ainda não temos o que queremos; é o "diariamente sem saber o amanhã" e que aos poucos se esvai ao vislumbrar que a vida poderia ser diferente do que é. A concentração numa meta, "um querer fazer" que transforma a mera imaginação num ideal: "assim deveria ser" (v.1, p.50). Através de um processo complexo de mediações se alcança às grandes objetivações, ao bem supremo, o novo - "a certeza, o mundo inacabado, a pátria", conforme o capítulo conclusivo do livro dedicado a Marx. Um fio da meada que se estende do instante vivido imediato às obras da ciência, da filosofia e da arte. Um processo que considera o desenvolvimento existencial do indivíduo da infância à maturidade, "o que resta a desejar na velhice", como do gênero, percorrendo diferentes estágios do desenvolvimento do gênero humano. Posso dizer que Bloch leva as últimas conseqüências o que Kant denominou na Crítica do juízo, de Einbildungskraft [força de imaginação], ou seja, determinar concretamente o lugar da fantasia na vida dos indivíduos e nas diferentes formações sócio-culturais, por meio de uma viagem: Egito, Grécia, Índia, China, o medievo, as descobertas geográficas; da experiência das revoluções burguesas às vanguardas históricas - um inventário cartográfico das descobertas do que há de "excedente utópico" em cada momento tanto da história do gênero humano como da trajetória individual, não no sentido da mera recordação [Erinnerung], como em Hegel, que pensa apenas o que foi ao não colocar como tarefa da filosofia ir além de Rodes, ou seja, do presente. Trata-se, nas palavras do jovem Marx, do "sonho de uma coisa" [der Traum von einer Sache]. (...)”.

Diante de todo o exposto, se pode perceber o desenho da educação, com suas filosofias, antropologias, arqueologias, histórias, e tantas outras ciências, para melhorar a pessoa e a mãe natureza. Sem ela existe um vazio. Sem ela, nada, exatamente nada, funciona nesta realidade temporal, transitória. Os grandes homens e as grandes mulheres que fizeram, que fazem e que farão com que a educação cresça mais e melhor, sinalizam o valor imaterial deste grande bem. A educação é um conjunto de ideias, sonhos e esperanças que a pessoa traz para sua vida na perspectiva de um futuro melhor a partir das pesquisas, e experiências, dos passados, diante desta realidade temporal e até mesmo diante da fé e da crença humana de cada pessoa. Políticas, ciências, filosofias, tecnologias e tantos outros espaços em uma sociedade, que transcende a estes aqui exemplificados, solidificam as estruturas de uma educação com qualidade para todos, que vai além dos números e de valores em dinheiro. Na realidade de Brasil, com tantas misérias humanas, expressas em letras de muitas músicas que apenas querem ganhar dinheiro, com muitas políticas de governos, tantas, que apenas querem cometer crimes, com pessoas, muitas, com gestos e pensamentos ruins que causam mortes, enfim, com tantas e tantas misérias humanas, uma educação especial com qualidade urge no meio do povo.

De acordo com a publicação no site “https://www.scielo.br/j/rlae/a/8fNDYCZNMYNn8kBVJvYZcdH/?lang=pt”, com o título “A educação reflexiva na pós-modernidade: uma revisão bibliográfica”, de Jomara Brandini Gomes e Lisete Diniz Ribas Casagrande: “O momento histórico que estamos vivendo, denominado de "pós-modernidade", pode ser entendido como uma crise que está desencadeando uma mudança paradigmática em todos os níveis de compreensão do ser humano. O mundo moderno, de certeza e ordem, tem sido substituído por uma cultura de incertezas e indeterminação. (...) Com base nas repercussões decorrentes da influência da cultura pós-moderna em todas as instâncias da vida em sociedade, podemos afirmar que, certamente, estamos em um momento de crise, se considerarmos que os valores antigos já não resolvem os problemas existentes, e os valores novos não estão ainda firmes e com resultados que atendam às expectativas dos indivíduos. (...) Sem dúvida, estamos vivendo um momento de transição paradigmática onde os conceitos voltados ao ensino, até então vigentes, não respondem às necessidades postas por um presente desestabilizador e um futuro incerto. (...) No processo de ensino e aprendizagem do futuro profissional reflexivo, as percepções, apreciações, juízos e crenças do professor acerca dessa realidade são um fator decisivo de orientação no processo de produção de significados, que constitui, para o aluno, o fator mais importante do processo de construção da realidade profissional. Portanto, o diálogo entre o professor e o aluno constitui princípio de procedimento que leva ao conhecimento crítico do ponto de vista educativo e que estabelece uma relação forte com o processo de levar a pensar, ao invés de apenas se preocupar com o resultado do processo.(...)”

Diante de tantas reflexões, tem-se o rosto adorável da orientação educacional e o seu papel transformador no processo de ensino e de aprendizagem. Processo que transcende as limitações do aqui e do agora. Ele é maior, gigantesco, e deveria fazer com que a pessoa humana se tornasse uma pessoa melhor. Ele não pode, e não deve, se limitar apenas a escrita e a leitura. Ele transcende matérias e toca na própria mente, coração, alma e espírito humano. Ele precisa ser um espaço mágico de construções que de fato e de direito traga sentido as próprias vidas humanas e tantas outras que habitam esta realidade temporal. Deve entender este como algo grande, vivo, ilimitado, transcendente da matéria. É possível que a pessoa da orientação educacional beber das águas dos conhecimentos. Os tempos são outros. A pós-modernidade chegou. As referências do antes servem hoje para a construção do Amanhã.  Não são palavras apenas em versos, poemas, letras de músicas e prosas. São sinais do verdadeiro objeto de trabalho da orientação educacional: os limites transcendentes dos conhecimentos humanos.

De acordo com trabalho publicado no site https://ri.ufs.br/bitstream/riufs/9718/96/95.pdf, com o título “Conhecimento científico e senso comum: Uma abordagem teórica”, por Mirleide Andrade Silva, Edivaldo da Silva Costa e Aline Alves Costa: “ (...) Ao observarmos a relação estabelecida entre esses conhecimentos e o homem, ser que atingiu a maturidade necessária às habilidades triviais, traçamos como objetivo neste estudo, analisar através de discussões teóricas o conhecimento cientifico e o conhecimento do senso comum. Isso se deve ao fato de querermos compreender como os autores tratam o conhecimento cientifico com relação ao conhecimento do senso comum. (...) Atualmente na literatura esse tema é bastante discutido, pois existem ainda cientistas que desprezam o conhecimento do senso comum acreditando que só tem veracidade e utilidade o conhecimento produzido em laboratórios, ou seja, aquele conhecimento que é observado, testado e analisado de forma severa com o auxilio de instrumentos científicos. (...) Na ciência, não interessa apenas saber que a água é formada a partir de dois gases altamente inflamáveis e que a Terra gira em torno do seu próprio eixo e ao redor do Sol - importa descobrir como e por que ocorrem a reação química de formação da água ou a translação e rotação dos astros, e para isso é preciso propor teorias e modelos científicos. (...) Nas atividades diárias qualquer indivíduo assume pequenas decisões, sendo que nesse momento, não existem necessariamente reflexões sobre cada ocorrência do seu dia-a-dia. Até porque se isso fosse possível, não haveria uma dinamização nas ações, seria preciso empreender longos intervalos de tempo para dedicar-se ao refletir criteriosamente e até mesmo se alcançariam graus de loucura nos sujeitos. (...) Espera-se que não se esgotem aqui os estudos numa perspectiva do analisar os mecanismos do conhecimento cientifico e do senso comum a fim de dinamizar as compreensões em torno dessas duas vertentes mutáveis dentro de suas limitações e particularidades.”

A partir destas exposições, foi possível que eu construísse um desenho melhor do fazer da orientação educacional escolar pública. Falo da educação escolar pública por ser uma realidade bem vivida por mim. Nomes de pessoas e de instituições públicas, não serão aqui relacionadas, por uma questão de ética profissional e de direitos. Os nomes destes serão figurados.

De acordo com artigo de José Alberto Couto Maciel, publicado no site https://www.migalhas.com.br/depeso/314975/transcendencia-e-os-julgamentos-no-tst, com o título “Transcendência e os julgamentos no TST”:  “(...)Transcender é um verbo transitivo e intransitivo que significa se elevar acima do vulgar, se superar, ir além de ou ultrapassar alguma coisa e está associado ao fato de atravessar algum tipo de limite, seja físico ou simbólico, algo que estaria relacionado mais além do mundo natural. (...) Mas o direito social , ao meu ver, é constitucional e está propriamente descrito nos artigos 6º, 7º e 8º da Constituição da República, aquela chamada de CIDADÃ porque trouxe esses direitos ao nível máximo jurídico da dignidade humana, e o que é constitucional tem transcendência.”

Caso concreto nº 1: Escola pública X.

Foi uma experiência rica e de construção o trabalho com a orientação, de início de professores, entretanto, mais adiante, culminou com uma orientação de alunos, em uma das escolas do estado do Rio de Janeiro, dentro da cidade de Nova Iguaçu, escola da rede estadual de ensino. Lá foi o impulsionamento de um trabalho que deu frutos, como, por exemplo, a criação de uma Rádio Escolar na qual o alunado tinha ampla participação a partir de orientações minhas. Foram momentos únicos de união de grupos e turnos. Uma Festa Cultural envolvendo, diretamente, alunos, a partir de reuniões com as representações de todas as turmas, também se materializou em momentos prazerosos para todos os envolvidos, apesar de tantos desafios surgidos. Um marco referencial de uma orientação educacional antenada com os tempos pós-modernos, abrindo a participação da comunidade escolar, saindo do puro e simples cuspe e quadro-de-giz e alcançando altos vôos de conhecimentos dentro de um processo de ensino e de aprendizagem amplos. Uma das escolas do bairro do entorno trouxe um grupo de alunos para visitar nosso espaço escolar, o que já é uma conquista na busca de diálogos. Pude sentir mais profundamente, diante deste contexto escolar local, e mais adiante buscar aprofundamentos teóricos, o tema das autonomias dentro da educação escolar. A faixa etária tinha início com alunos a partir dos 16 anos de idades indo até mais ou menos 50 anos de idade. Alguns professores colaboraram com esta dinâmica de participação coletiva. A partir daí, o alunado tinha prazer em partir do cotidiano escolar. Tais incentivos dinamizavam o contexto do processo ensino de ensino e de aprendizagem.

Caso concreto nº 2: Escola pública Y.

Foi uma experiência rica e de construção o trabalho com a orientação, de início de professores, entretanto, mais adiante, culminou com uma orientação de alunos, em uma das escolas do estado do Rio de Janeiro, dentro da cidade de Belford Roxo, escola da rede estadual de ensino. Como é público e notório, as realidades da Baixada Fluminense, deste Estado, estão recheadas, desde tempos outros, com culturas de medos, desafios, mortes, misérias tantas, e tantos outros exemplos materiais de sofrimentos, que acabam com o corpo físico, a alma e o espírito de muitas pessoas humanas. A partir, como no caso acima, de um diálogo aberto e a participação dos atores do cotidiano escolar, muitos da comunidade escolar, com grande destaque para o alunado, foi possível materializar, em pouco tempo, uma educação inclusiva, inclusão esta que transcende aos meros discursos teóricos, políticos e acadêmicos, indo além das fronteiras dos conhecimentos. Em todas estas experiências vividas nos casos concretos aqui trazidos, a orientação educacional, sempre teve a consciência que a educação é um processo político e pedagógico dinâmico, crítico e de construções teóricas e materiais úteis que precisam atender ao cidadão, nestes casos concretos brasileiros, em todos os espaços e tempos. Acolher a orientação educacional nestes casos concretos foi um verdadeiro presente dos céus para um fazer pedagógico pós-moderno. A música e os intervalos, foram momentos especiais de dinâmicas de grupos por meio dos diálogos. Nestes espaços o alunado estava mais livre, aberto, para construir caminhos, saindo de uma rotina tradicional que começaria e terminaria dentro das paredes de uma sala de aula. Claro que, de início, os desafios foram gigantescos com a chegada do novo, entretanto, após conquistas, tudo começava a fluir rumo aos sucessos. A educação de hoje, dos tempos pós-modernos, caminha, ao menos em tese, à frente do seu tempo. O mundo tem uma dinâmica ilimitada de informações e todos os que fazem a educação, muito além de apenas os professores, precisam alcançar esta nova educação. Assim, essa realidade escolar foi um espaço basicamente de diálogos. Entretanto, a partir, como no caso acima, de uma Festa, também construída coletivamente, com diálogos, a educação da escrita e da leitura deu frutos bons. Pude sentir mais profundamente, diante deste contexto escolar local, e mais adiante buscar aprofundamentos teóricos, dois temas: (1) Forças das vontades; (2) As alegrias da vida, com todas as suas diversidades, diferenças. A faixa etária tinha início com alunos a partir dos 15 anos de idades indo até mais ou menos 50 anos de idade. Muitos professores colaboraram com esta dinâmica de participação coletiva.

Não pare agora... Tem mais depois da publicidade ;)

Caso concreto nº 3: Escola pública W.     

Foi uma experiência rica e de construção o trabalho com a orientação educacional, de fato, em uma das escolas do município de Nova Iguaçu, Estado do Rio de Janeiro, dentro da cidade de Nova Iguaçu, escola da rede municipal de ensino. Sonhos, fantasias, imaginação, criatividade, esperanças, a mágica da vida, são alguns dos sentimentos que movem a pessoa humana desde a sua infância. E é por esta trilha que a orientação educacional percorre sua longa jornada. Ninguém disse que fazer educação com qualidade é tarefa fácil. A vida tem desafios muitos, pelos quais a pessoa humana cria certas expectativas, nas quais estas podem ou não se materializar nas realidades. Logo, percebe-se que o trabalho escolar é uma parte gratificante dentro de uma educação que pretende acolher todas as pessoas independentemente de fé, opção sexual, realidades financeiras, e outras realidades temporais. Sair das cavernas de uma sala de aula que pode ser parada no tempo e no espaço, dependendo dos atores que dela participam, é um pulo do ontem, no hoje, em busca de um novo amanhã. A escola que aqui chamo W, foi um espaço mágico onde sonhos e realidades começaram a germinar. Infelizmente, lamentavelmente, a pessoa humana tem seus pecados, pecados estes que em muitos momentos obstaculizam nossos trabalhos. Mesmo assim, foi possível começar algum tipo de ação com a única e exclusiva intenção de transformar vidas. Homens e mulheres de bens precisam ter na educação uma direção. Nesta realidade, pude sentir a vida da criança, com seus pais e professores, na busca de uma materialização de um ensino com qualidade dentro de uma educação qualitativa. Festas, reuniões, eventos outros, momentos únicos, e outras experiências, além de um aprofundamento em realidades dinâmicas pessoais, do alunado, e de parte de suas famílias, que transcendem as paredes do prédio escolar, foram por mim saboreados e, entendo, se traduziu em sinais para as mudanças necessárias naquele meio escolar. Mesmo faltando um algo mais, os resultados começaram, acredito, a surgir nas mudanças de comportamentos para o bem e em reflexões de que as mudanças são necessárias. O Conselho Tutelar local foi de gigantesca contribuição para esta quase missão na educação, parceiro de vários momentos de dúvidas, dificuldades e limitações tantas. Enfim, apesar dos pesares, o início aconteceu. Sou muito grato a aquelas experiências que eu assisti dentro de uma realidade escolar pública com pessoas materialmente pobres, entretanto, com espíritos ricos de sede e fome de conhecimentos. Sabemos que na educação escolar pública falta muito, porém, a pessoa humana precisa ser o tudo na casa de pedras da escola. Se apenas existir esta casa, a educação escolar fica pobre, e pobre de tudo. Nas realidades dos poderes públicos, compromissos são necessários para transformar a educação escolar pública em uma realidade melhor, um todo, com riquezas materiais, físicas e com as possibilidades de espaços coletivos de conhecimentos com prazeres e vontade de multiplicar saberes. Não pode a escola ficar abandonada no tempo e no espaço. São impostos e tantos outros investimentos, públicos e até privados, que precisam ser valorizados e bem investidos. Pude conhecer um pouco mais, diante deste contexto escolar local, e mais adiante buscar aprofundamentos teóricos, o tema do Autismo. A faixa etária tinha início com alunos a partir dos 4 anos de idades indo até mais ou menos 14 anos de idade.

Caso concreto nº 4: Escola pública H.       

Foi uma experiência rica e de construção o trabalho com a orientação, de início de professores, entretanto, mais adiante, culminou com uma orientação de alunos, em uma das escolas do estado do Rio de Janeiro, dentro da cidade de Nova Iguaçu, escola da rede estadual de ensino. Inicialmente, esta realidade escolar enfrentava algumas realidades muito desafiadoras para quem lá convivia. Alunos supostamente com vícios. Alunos nos caminhos de alguns crimes. Professores sem uma orientação mais sólida interferências externas que em nada contribuíram para o sucesso escolar. Muitas denúncias anônimas e outras com a digital, das supostas misérias no cotidiano escolar. Faltas de compromissos transparentes, por parte de alguns atores, com uma educação que transforme vidas. Medos, incertezas, e outros temas prejudicavam o cotidiano escolar daquela realidade. Fiz a opção de lá trabalhar transferido de outra escola desta rede não com objetivos materiais e financeiros, e sim com a sede e a fome de colaborar na consolidação de uma educação completa nos poucos tempos que lá estive. Fiz o impossível, primeiro para atender as demandas dos professores e, mais adiante, para sanar os desafios pedagógicos do alunado, além da construção de uma proposta política e pedagógica dinâmica e que atendesse o Estado de forma dinâmica. O Grêmio Estudantil local em muito ajudou nas minhas dinâmicas. Tantos professores estavam com sede e fome de educação com qualidade. A burocracia estava, exageradamente, atrapalhando o caminhar de uma educação escolar com qualidade. Nunca tive medos de desafios e de matar a sede e a fome de educação. Entendo que uma orientação dentro de uma realidade escolar precisa estar antenada com uma pós-modernidade que liberta a pessoa humana das misérias, que valorize a vida, o meio ambiente e os melhores sentimentos desta realidade temporal. Pude, de forma geral, com todas estas experiências que afunilaram na orientação educacional, sentir a presença de um Deus que tudo pode, transcendência na qual creio e tenho fé, pois sem Ele nada poderia acontecer, pois não cai uma folha de uma árvore se esta grande transcendência não quiser. A educação precisa alcançar mentes, espíritos, almas, corações e, enfim, tudo que dá sentido a vida. Uma vida sem sentido caminha para o abismo que levará a morte eterna. Em pouco tempo, o rosto daquela escola local já era outro. Saiu de uma figura com sinais de mortes e culminou em uma figura bela, com rostos de vitórias, com marcas, visíveis, de vida, e vida plena e abundante diante de um contexto escolar local, em um espaço público de convivências. O Conselho Tutelar local foi de gigantesca contribuição para esta quase missão na educação, parceiro de vários momentos de dúvidas, dificuldades e limitações tantas. Pude sentir mais profundamente, diante deste contexto escolar local, e mais adiante buscar aprofundamentos teóricos, alguns temas: (1) Forças das vontades; (2) As alegrias da vida, com todas as suas diversidades, diferenças; (3) Autonomias dentro da educação escolar; (4) Os desafios individuais, e coletivos, diante da pós-modernidade. A faixa etária tinha início com alunos a partir dos 15 anos de idades indo até mais ou menos 50 anos de idade. Muitos professores colaboraram com esta dinâmica de participação coletiva.

Segundo trabalho acadêmico de conclusão de curso superior de Aline Campos, publicado no site “https://usj.edu.br/wp-content/uploads/2015/08/TCC-II-Aline-Campos-Pedagogia.pdf “, com o título “Orientador Educacional: Qual o seu papel na educação?”: “O orientador educacional é um dos protagonistas da educação e tem sua atuação voltada a compreender o aluno trabalhando para que o mesmo se desenvolva no processo de ensino-aprendizagem. (...) Além do trabalho com os professores, alunos e a comunidade escolar, a orientação educacional deve se relacionar com a comunidade, principalmente com os pais dos alunos. Deve buscar exercer sua função de forma crítica envolvendo-se com a comunidade, procurando conhecer e resgatar sua realidade socioeconômicacultural.  (...) Assim como a família espera muito da escola, acontece o mesmo com a escola em relação à família. (...)  Historicamente a orientação educacional se caracterizou por práticas voltadas ao aluno isolando-o de seu contexto social. Pensava-se apenas em adequar o educando às normas da escola e da sociedade, ignorando sua cultura e saberes. Por se tratar de práticas copiadas do modelo norte-americano que visava à orientação vocacional, cabia também ao orientador educacional orientar o aluno na área vocacional, identificando nos mesmos aptidões para prática do trabalho. Além disso, o orientador nem sempre era bem-visto na escola por não compreenderem seu papel. Por ser um especialista em educação, o mesmo era criticado por remeter a um lugar de hierarquia em relação aos professores. Mas, por outro lado, era visto como alguém que poderia resolver os “problemas” dos educandos que os professores não conseguiam dar conta.  (...) o papel do orientador é de suma importância para a escola por caber a ele contribuir para a busca de soluções que contribuam com o processo de ensino-aprendizagem; (...)”

Não se pretende com este artigo descartar, excluir, queimar, acabar com, destruir, enterrar, uma construção histórica no tema da orientação educacional. O que se pensa é em uma atualização, no espaço e no tempo, de um fazer pedagógico que alcance os novos tempos. O antes precisa ser uma seta hoje na construção de uma amanhã ainda melhor, pois a pessoa humana não fica parada no tempo no espaço. Ela se desenvolve. Os atores de antes não são os atuais atores da pós-moderna. O mundo evoluiu muito. O ser humano não está mais dentro da escuridão das cavernas. A luz chegou. O mundo se transformou radicalmente. Conseguimos visitar outros Planetas. Tais reflexões precisam contribuir para os sucessos de ações no campo de uma educação escolar melhor para todas as pessoas. Mais reflexões e debates precisam acontecer dentro do tema da educação. Precisamos construir um Planeta Terra melhor.

Segundo com trabalho acadêmico de conclusão de curso superior de MOZART SILVANO PEREIRA, publicado no site http://www.nupemarx.ufpr.br/Trabalhos/Monografias/monografia_mozart_pereira.pdf, com o título “Para uma epistemologia jurídica crítica: Considerações acerca do relativismo pós-moderno a partir do materialismo-histórico”: “(...) Em certo sentido, não há como falar em pós-modernidade sem se falar em modernidade, já que esta está pressuposta naquela, ainda que existam dificuldades em saber em que sentido isso se dá (se o “pós” significa ruptura, continuidade, contraposição, sucessão histórica, etc.). (...) O que se entende por modernidade é algo difícil de ser precisado, pois, apesar de ser um termo seguidamente utilizado por filósofos, sociólogos, historiadores e juristas, não há sobre ele uma compreensão única. É um conceito demasiadamente solto, frouxo, que muitas vezes é usado em sentidos diferentes e discordantes, o que acaba atrapalhando a clareza das análises, razão pela qual há quem pense que é um termo a ser descartado. (...) Ao longo dos séculos, a palavra moderno passou por diversas significações. (...) O moderno é a construção do novo e o choque frontal com os valores, hábitos, atividades e modos de vida do passado. (...) Grande parte do ideário dessa modernidade nascente veio da influência da Reforma Protestante e do Renascimento cultural. (...) O mundo já não é visto como um ente de caráter imutável cujo destino é imposto aos homens por uma designação divina. (...) Se a Revolução Francesa impactou sobretudo o modo como a política e a ideologia eram concebidas no período, a Revolução Industrial britânica, complementarmente, influenciou de forma profunda a economia e a produção. O regime estabelecido após a revolução correspondeu à consolidação imediata do capitalismo, que agora poderia – literalmente – funcionar a todo vapor com o estabelecimento de mercados organizados, de Constituições e códigos jurídicos fundamentados na soberania do povo, de direitos civis garantidos aos cidadãos (dos quais ficaram famosos os pronunciados pela Declaração dos Direitos do Homem) e de Estados democráticos, pautado pelos interesses e necessidades da burguesia ascendente. (...) De qualquer modo, a modernidade foi esse amplo processo multifacetado (cultural, ideológico, civilizacional, político) exposto até aqui no qual se forjou uma maneira completamente nova de experimentação do mundo. Realmente, foi um processo tão gigantesco, englobando tantos fatos e eventos, que é difícil encontrar uma matriz comum para identificar tudo o que é moderno (talvez isso explique a vagueza com que o termo é frequentemente tratado). O que aconteceu com esse processo é tema de debate hodiernamente. Por um lado, há quem acredite na plena vitalidade da modernidade capitalista; por outro, existem inúmeros teóricos contemporâneos que a enxergam como algo em declínio; e ainda outros que entendem que ela já está enterrada há tempos. A teoria pós-moderna assenta-se fundamentalmente nos dois últimos argumentos, expressando a reprovação dos valores da modernidade e submetendo-a a uma série de críticas. Imprescindível, portanto, nos ocuparmos do tema da crise da modernidade. (...) Não há como discordar que a separação total entre sujeito e objeto é uma marca basilar da ciência moderna. (...) A distinção entre aparência/essência fica óbvia quando pensamos que, por exemplo, não há como se entender o funcionamento de um helicóptero apenas olhando para ele. (...) Perceber o mundo pelo ângulo da totalidade é, principalmente, entender os fatos sociais por uma perspectiva histórica. (...)”

Outro tema, também relevantíssimo, e que contribui para construção de uma orientação educacional eficiente e eficaz nas realidades das escolas públicas é a família. A família é uma base, com todos os seus desenhos, antigos e atuais, que precisa participar da vida da comunidade escolar. É ela quem traz segurança por ser tutora do aluno e da base dos profissionais e, de fato e de direito, o caminho para a consolidação de um projeto político e pedagógico real. O diálogo entre famílias e escola é necessário. Não pode a família ser colocada à margem da escola. Esta lacuna poderá causar sérios danos, até mesmo irreparáveis, na educação escolar. Não se quer dizer que a família substituirá os profissionais da educação escolar, o que se pensa e no que se acredita é que uma educação precisa valorizar o ser humano por inteiro em todas as suas dimensões, principalmente, fundamentalmente, sociais. O Estado brasileiro necessita em sua realidade escolar pública, de uma melhor participação da família no cotidiano escolar. Não é tema ufológico, impossível, mitológico, é uma relação amigável entre Estado e família, com foco na construção e consolidação de um mundo melhor.

A educação escolar precisa chegar a idade adulta. A pessoa humana não pode ficar escondida, refugiada em desculpas. Não pode ter medo do desconhecido. É preciso enfrentá-lo. Nossas certezas não são absolutas. O diálogo sempre deve ser uma meta de vida. O novo precisa ser considerado.

Segundo com trabalho acadêmico de conclusão de curso superior de Clara Vanessa Maciel de Oliveira e Rocha Santana, publicado no site “https://openrit.grupotiradentes.com/xmlui/bitstream/handle/set/1649/TCC%20CLARA%20MODIFICADO.pdf?sequence=1 “, com o título “A família na atualidade: Novo conceito de família, novas formações e o papel do IBDFAM (instituto brasileiro de direito de família)”: “Com os anos a instituição familiar começou a receber proteção específica do Estado, consequentemente, surgiu à igualdade entre pai e mãe dentro da conjuntura familiar, fazendo também surgir novas formações familiares, atualmente consagradas pela Constituição Federal, e demais normas brasileiras. (...) O século XXI trouxe em seu bojo significativas mudanças na instituição familiar (...) o conceito de família passou por diversas mudanças que foram se adaptando à nossa realidade, pois juntamente com está evolução os nossos institutos jurídicos também foram evoluindo de forma que a família tradicional reconhecida pelo casamento recebeu outras formas, como união estável (art. 226, § 3º CF) e a família monoparental (art. 226, § 4º CF) já adotadas pela Constituição Federal de 1988, assim como a doutrina e a jurisprudência já reconhece esse tipo de união. Outro tipo de família que também foge da tradicional é a homoafetiva que é construída com intuito de constituir família baseada no laço afetivo e na liberdade da sexualidade. (...) O direito de família está umbilicalmente ligado aos direitos humanos, que têm por base o princípio da dignidade da pessoa humana. Este princípio significa em última análise uma igualdade para todas as entidades familiares. Assim, é indigno dar tratamento diferenciado ás várias formas de filiação ou aos vários tipos de constituição de família. (...)”

Autor:  Pedro Paulo Sampaio de Farias

Professor; Pedagogo; Especialista em Educação; Especialista em Gestão Pública; Mestrando em Educação; Pós-graduando em Teologia; Pós-graduando em Antropologia; Graduando em Direito; Líder Comunitário; Líder de Associação de Professores; Sindicalizado da Educação; Servidor Público Estadual e Municipal; Atuante em Movimentos Populares e Movimentos Sociais; Cristão Romano.


Publicado por: PEDRO PAULO SAMPAIO DE FARIAS

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do site por meio do canal colaborativo Meu Artigo. O Brasil Escola não se responsabiliza pelo conteúdo do artigo publicado, que é de total responsabilidade do autor. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.
  • Facebook Brasil Escola
  • Instagram Brasil Escola
  • Twitter Brasil Escola
  • Youtube Brasil Escola
  • RSS Brasil Escola