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O uso de recursos tecnológicos na educação de jovens e adultos

Educação

Saiba quais são os benefícios dos recursos tecnológicos na Educação de Jovens e Adultos.

RESUMO:

Atualmente vivemos em um mundo pós-moderno, em que tudo gira em torno de tecnologias. Qualquer lugar em que se vá, depara-se com informações que são processadas e compartilhadas em tempo real por meio das mídias digitais. A cada dia são apresentadas inovações tecnológicas, que trazem benefícios para sociedade, seja nas áreas da informação, transporte, educação, saúde entre outras. Devido a essas exigências sociais atuais, busca-se por meio da realização dessa pesquisa bibliográfica, discutir os benefícios dos recursos tecnológicos na Educação de Jovens e Adultos e analisar os problemas que necessitam ser solucionados para uma utilização eficaz desses recursos para o processo de ensino e aprendizagem nesta modalidade de ensino. Este artigo visa também refletir sobre as dificuldades que a Educação de Jovens e Adultos enfrenta e como as tecnologias podem saná-las, além de refletir o papel da escola, do professor e do governo na promoção de uma educação democrática menos excludente que esteja em acordo com uma sociedade na Era da Informação .

PALAVRAS-CHAVE: TICs; Educação de Jovens e Adultos; Inclusão digital ; aprendizagem.

ABSTRACT:

We currently live in a postmodern world where everything revolves around technology.

Anywhere you go, faced with information that is processed and shared in real time via digital media. Every day technological innovations that benefit society, whether in the areas of information, transportation, education, health and others are presented. Because of these current social demands, we seek through the realization of this literature, discuss the benefits of technological resources in the Adult Education and analyzing the problems that need to be addressed for effective use of these resources for teaching and learning this type of education. This article also aims to reflect on the difficulties that the Education of Youth and Adults faces and how technology can solve them, besides reflecting the role of the school, teacher and government in promoting a less exclusionary democratic education that is in agreement with a company in the Information Age.

KEYWORDS: ITCs; Youth and Adults; Digital inclusion; learning.

INTRODUÇÃO:

Esse artigo científico foi elaborado através do interesse proporcionado pela realização de duas práticas pedagógicas no 5° e 6° períodos do curso de Pedagogia, nas disciplinas de Fundamentos e Metodologias da Educação de Jovens e Adultos e Tecnologias da Comunicação e da Informação Aplicadas á Educação, que motivaram a pesquisa sobre a utilização dos recursos tecnológicos na Educação de Jovens e Adultos. Essa pesquisa científica foi embasada através dos argumentos de autores como: Moacir Gadotti (2000), Miriam P.S Zippin Grinspun (2009), Juan Carlos Tedesco (2004) e análise reflexiva de documentos tais como: a Declaração de Hamburgo sobre a Educação de Jovens e Adultos, o Documento Preparatório a VI CONFINTEA, as Leis de Diretrizes e Bases da Educação 5.692/71 e 9.394/96, a Lei de nº 10.172 de 9 de janeiro de 2001 e o Decreto de n°6.300 de 12 de dezembro de 2007, que apresentam propostas relacionadas ao uso das novas tecnologias na escola. O desenvolvimento dessa pesquisa será apresentado em quatro subtemas, que tratam de forma mais específica o tema principal que é o uso de recursos tecnológicos na Educação de Jovens e Adultos. O primeiro subtema apresenta um breve histórico a respeito da Educação de Jovens e Adultos no Brasil. Já o segundo, contém uma breve explicação sobre as origens da tecnologia bem como a sua importância no contexto educativo. Além do mais, nessa segunda parte é feita uma análise geral sobre as políticas públicas que implementam o uso dessas tecnologias no âmbito escolar. O terceiro subtema diferentemente das partes anteriores, busca discutir de forma específica o uso dos recursos tecnológicos na Educação de Jovens e Adultos, além de, propor estratégias de inclusão digital para essa modalidade de ensino. Por fim, o último subtema contém as dificuldades encontradas no uso eficaz das tecnologias na escola e propõe uma breve discussão das dificuldades encontradas na Educação de Jovens e Adultos atualmente, para solucionar os problemas encontrados e melhorar a qualidade de formação na Educação de Jovens e Adultos.

BREVE HISTÓRICO DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS:

A Educação de Jovens e Adultos, conhecida comumente como EJA, já existia desde o período colonial, porém, tinha o foco na catequização do que o ato de educar em si, sendo que, somente no Brasil Império começaram a haver reformas educacionais relacionadas à educação. No entanto, a valorização da Educação de Adultos que antes era doutrinária se efetivou com a era do desenvolvimento industrial, como forma de Educação Tecnicista (CUNHA, 1999). Com o desenvolvimento da indústria, era necessário mão de obra qualificada, que obtivesse basicamente as competências de leitura, escrita e realização de operações matemáticas simples. Porém, a maior parte da população adulta não tinha uma escolarização suficiente que contemplasse essas exigências do mercado de trabalho na indústria e a partir daí, a escola começou a repensar seu currículo e passou a incorporar na sua proposta de trabalho pedagógico a formação técnica isto é, a preparação para o trabalho. A partir do Século XX a Educação de Jovens e Adultos tomou força por meio da criação de um fundo para Alfabetização de Adultos em meados de 1940 e depois com a criação da UNESCO e a primeira campanha do governo, reforçou-se a importância da educação de adultos analfabetos no país (CUNHA, 1999). Com o tempo, o tema Educação de Jovens e Adultos passou a ser bem questionado por meio de congressos, publicações e discussões a respeito das dificuldades nesse processo educativo e, entre o fim da década de 50 até a década de 60, em meio a tantas discussões e busca de reformas, adotou-se o método Paulo Freire na Educação de Jovens e Adultos (SOARES, 1996).

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de n° 5.692/71 aponta o papel do Estado no atendimento da escolarização da Educação de Jovens e Adultos e, em seu artigo 24 até o artigo 28, a Lei mostra essa forma de Educação como sendo parte do ensino supletivo isto é, uma forma de ensino que suprisse a defasagem de escolarização que os adultos tinham. A LDB de 1971 também propõe os objetivos e o funcionamento do ensino supletivo e esta forma de ensino poderia ser realizada tanto de forma presencial em classes, como a distância, mediante correspondência, televisão ou via rádio (BRASIL, 1971).

Apesar de o contexto histórico mostrar o progresso da Educação de Jovens e Adultos desde as primeiras iniciativas, observamos que essa modalidade educativa ainda possui muitos desafios que estão relacionados com a grade curricular, inadequação de livros e metodologias, falta de capacitação de alguns professores para atender a esses alunos jovens ou adultos, a falta de demanda de alunos para a Educação de Jovens e Adultos, a falta de investimento do governo e a dificuldade de acesso, e principalmente, a inexistência do uso das novas tecnologias no contexto escolar em muitas escolas, questões essas que necessitam ser analisadas, para uma oferta de educação de qualidade para a Educação de Jovens e Adultos no Brasil.

Atualmente no Brasil, mesmo com as novas tecnologias que podem contribuir para o ensino em sala de aula em todas as modalidades de ensino, ainda observa-se que as metodologias utilizadas na Educação de Jovens e Adultos em muitas escolas, segue o mesmo modelo da Educação Bancária no qual Paulo Freire que era o maior defensor da Educação da pessoa adulta discordava. Paulo Freire em muitas de suas obras, tais como o livro Pedagogia da Autonomia, dentre outras obras, se apresenta como apoiador de uma forma de Educação Progressista e Democrática, que visa a emancipação do aluno, em que ele possa participar no seu processo de aprendizagem e avaliação de forma crítica e autonôma (FREIRE, 2001). Diferentemente da concepção progressista de Paulo Freire, na concepção da Educação Bancária o aluno era mero receptor dos conteúdos, sem autonomia e reflexão sobre sua própria aprendizagem. O professor detinha como principal função, depositar o conteúdo nas mentes dos alunos que eram consideradas vazias por ele. Além do mais, essa forma de ensino valorizava somente o uso de livros, cópia em cadernos do que era apresentado no quadro e o aluno era avaliado não pelo que ele tinha aprendido mas sim, pelo que ele havia memorizado. No contexto atual, essa Educação Bancária ainda é difundida principalmente na Educação de Jovens e Adultos em que os livros se tornam o centro do ato educativo, livros que por sinal, são inadequados para essa modalidade de ensino, bem como a cópia em cadernos, da matéria apresentada no quadro pelo professor.

AS NOVAS TECNOLOGIAS E A EDUCAÇÃO:

A tecnologia existe desde os primórdios da humanidade com o objetivo de facilitar a vida do homem. O termo tecnologia surgiu a partir da palavra técnica que é um recurso utilizado para sanar a necessidade humana. O homem se valeu da técnica ou instrumentos desde o fim da era glacial e nas eras Mesolítica, Neolítica e Paleolítica como forma de sobrevivência e, com o tempo foi aprimorando o uso da técnica para a satisfação de suas necessidades (GRINSPUN, 2009). No entanto, a tecnologia propriamente dita no qual conhecemos hoje, teve sua ascensão a partir do fim do Século XX e início do Século XXI, com a ampliação dos meios de comunicação e informação com o processo da globalização.

Quando se fala em Tecnologias da Informação e Comunicação isto é, as (TICs), geralmente acredita-se ser somente a internet, porém estas vão além do uso da internet. “São consideradas Tecnologias da Informação e Comunicação, às redes de informáticas e dispositivos que interagem com elas”(TEDESCO, 2004, p. 96). Porém, Tedesco (2004), ainda ressalta que essas novas tecnologias não substituem o uso das tecnologias anteriores, sendo necessário um equilíbrio entre novas tecnologias e as tecnologias convencionais na escola. No contexto escolar pode-se citar como recursos tecnológicos o computador, a internet, a televisão, o rádio, reprodutores de vídeo, materiais impressos e as tecnologias convencionais que não são novas, como retroprojetores e outros, que ainda podem ter utilidade pedagógica na escola.

As TICs são utilizadas no contexto escolar com o objetivo de melhorar o processo de ensino e aprendizagem, aproximando o conhecimento aprendido na escola com a realidade atual em que a sociedade vive. A escola de hoje vai além de ser um espaço com o mero objetivo de transmitir conhecimentos e adquirir competências valorizadas no mercado, a escola envolve a preparação para a vida em sociedade. Diante disso, com relação aos objetivos da Educação TEDESCO diz:

Por isso mesmo, também deve dar conta das transformações que experimenta o contexto cultural imediato em que se desenvolvem as tarefas formativas, ou seja, o contexto de sentidos e significados que permite que os sistemas educacionais funcionem como meio de transmissão e integração culturais. (TEDESCO, 2004, p.34)

Por meio do argumento acima se pode ver que a Educação deve dar conta das novas exigências culturais e sociais, sendo preciso incorporá-las no ato educativo. As novas tecnologias estão inseridas nesse contexto, por isso, precisam ser utilizadas pela escola no processo de ensino e aprendizagem até mesmo na Educação de Jovens e Adultos. Segundo Gadotti, “não existe tempo ou espaço próprio para a aprendizagem, à aprendizagem está em todo lugar e é preciso aprender sempre” (GADOTTI, 2000, p. 250.) Como se pode aprender em todos os lugares, a escola por meio dos recursos tecnológicos pode ampliar o acesso ao conhecimento e posteriormente promover uma educação continuada, de qualidade e finalidade prática.

As Tecnologias da Informação e Comunicação passaram a ser utilizadas pela a escola há consideravelmente poucos anos atrás. Apesar da internet e o telefone existirem antes dos anos 2000, esses instrumentos eram inacessíveis para a maior parte da população e isso refletiu nas políticas públicas direcionadas para a Educação. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação mais recente, isto é a LDB nº 9.394/96, por exemplo, não aborda claramente o uso das tecnologias no contexto educativo, pelo fato, de que no ano que ela foi instituída o acesso a meios de comunicação e informação, eram limitados e não se havia muita exigência com relação ao seu uso no contexto social e profissional. A LDB 9.394/96, portanto trata pouco á respeito do uso das tecnologias na escola, mas apesar disso, no artigo 39, ela reconhece a necessidade da tecnologia, como sendo importante para o desenvolvimento da vida do educando.

Art. 39. A educação profissional, integrada ás diferentes formas de educação, ao trabalho, á ciência e à tecnologia, conduz ao permanente desenvolvimento de aptidões para a vida produtiva. Parágrafo único. O aluno matriculado ou egresso do ensino fundamental, médio e superior, bem como o trabalhador em geral, jovem ou adulto, contará com a possibilidade de acesso à educação profissional. (BRASIL, 1996)

A Lei de Diretrizes e Bases de 1996 mostra que a tecnologia assim como a ciência e a educação profissional são importantes para a vida produtiva, no entanto, a lei não deixa claro se as escolas de Educação Básica ofertariam o acesso a essas formas de educação, principalmente se tratando da educação tecnológica, ou se essas seriam ofertadas somente em instituições especializadas de educação profissional e no ambiente de trabalho.

Atendendo a essa demanda social tecnológica, a Lei de nº 10.172, de 9 de janeiro de 2001, estabelece propostas e diretrizes para a ampliação da educação profissional no Brasil para o atendimento da necessidade de melhor preparação para o trabalho. Obtendo como base esta Lei, veio à necessidade da elaboração de uma proposta de educação tecnológica nas escolas. A partir disso, no ano de 2007, foi criado o decreto nº 6.300, de dezembro de 2007, que dispõe a respeito do Programa Nacional de Tecnologia Educacional (PROINFO), que trata do uso pedagógico das tecnologias da informação e comunicação nas redes públicas de educação básica. Segundo esse decreto, o uso pedagógico dos recursos tecnológicos tem por finalidade contribuir para a inclusão digital por meio da ampliação do acesso a computadores, a rede de internet e outras tecnologias digitais, beneficiando a comunidade escolar e a população próxima da escola (BRASIL, 2007).

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As propostas apresentadas pelo PROINFO eram de dar subsídio financeiro para a construção de laboratórios de informática dentro das escolas para facilitar o acesso ás novas tecnologias para os alunos e a comunidade, além de oferecer capacitação para os professores para que estes pudessem utilizar esse laboratório com os alunos de todas as modalidades de ensino da Educação Básica, inclusive na Educação de Jovens e Adultos. Por meio da implementação desse projeto, os professores poderiam utilizar o laboratório de informática da escola para complementar e fixar os conteúdos estudados em sala de aula através do uso de jogos pedagógicos, apresentação de vídeos e slides, pesquisas entre outras ferramentas que tornam a aprendizagem mais significativa e prazerosa. Contudo, apesar das propostas feitas com relação ao uso das novas tecnologias na escola, ainda há dificuldades com relação a uso desses recursos dentro da escola, porque os laboratórios não estão sendo utilizados eficazmente e os professores ainda não receberam a qualificação necessária para o uso dos recursos tecnológicos dentro da escola.

AS NOVAS TECNOLOGIAS E A EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS:

Como dito anteriormente o uso dos recursos tecnológicos podem ser ferramentas importantes na aprendizagem dentro da escola em qualquer modalidade de ensino. Ainda assim, apesar dos benefícios desses recursos, constata-se que estes não são muito utilizados na Educação de Jovens e Adultos. O Documento Base Nacional Preparatório a VI Confintea, é um documento que retrata a realidade e necessidades da Educação de Jovens e Adultos e também estabelece estratégias de melhoria da qualidade de ensino nessa modalidade educativa. Uma das estratégias apresentadas neste documento é o uso das Tecnologias da Informação e Comunicação para a Educação de Jovens e Adultos. Com relação a isso o documento relata:

As TICs se espalham na prática social de forma irrecorrível, mudando a vida, as relações e as lógicas de apropriação do tempo e espaço, agora submetidos a novos ordenamentos a apreensões. Convive-se com antigas tecnologias, mas não se abre mão das novas em todos os campos da vida social e cuida-se de evitar que novas exclusões sejam processadas. (BRASIL, 2008, p. 18)

O trecho abordado acima mostra que o contexto social exige o uso das tecnologias e utilizá-las não muda somente a forma de agir, mas, sim a forma de viver e relacionar dos indivíduos. A escola deve proporcionar um equilíbrio do uso das antigas e das novas tecnologias para que não se reproduza a exclusão não somente digital, mas a exclusão social por não permitir que os alunos especialmente da Educação de Jovens e Adultos tenham acesso às tecnologias como qualquer outro cidadão.

Se tratando da questão da exclusão digital o documento base a VI Confintea continua:

Todos os sujeitos se veem diante de um novo mundo de informações e linguagens/ferramentas do ambiente virtual multimídia, mas mesmo a apreensão desigual dessas linguagens/ferramentas do fazer este mundo inclui a todos, sem escolha, com diferentes graus de acesso: códigos de barras, cartões eletrônicos, celulares estão na realidade cotidiana, mesmo quando se é levado a pensar no conceito que mais uma vez, ameaça o direito: o da exclusão digital. (BRASIL, 2008, p. 18)

Os recursos tecnológicos estão presentes no dia a dia, por meio dos códigos de barras, celulares entre outros. Não permitir o conhecimento do uso desses recursos faz com que uma parcela da sociedade esteja alienada com relação ao acesso do direito à cidadania. O papel da escola é preparar para a vida, e isso envolve mais do que ensinar conteúdos ou habilidades estabelecidas nos currículos. O educar para a vida envolve preparar o aluno, a lidar com os problemas pessoais e sociais, a saber, os seus deveres e direitos, a ter um bom relacionamento com outros em diversos ambientes e principalmente a ter autonomia que por sinal é o maior desafio que a escola possui hoje. É essa autonomia que os alunos da Educação de Jovens e Adultos precisam aprender dentro da escola, e a inclusão digital pode favorecer nesse quesito.

Contudo, esses recursos tecnológicos precisam ser incorporados ao trabalho do professor para que possam ser benéficos no processo de ensino e aprendizagem na Educção de Jovens e Adultos.

Na contemporaneidade não se pode descartar o ambiente virtual multimídia e o papel das tecnologias da informação e comunicação TICs como recursos pedagógicos à ação do professor, pelo que têm possibilitado ao desenvolvimento de processos de aprendizado, ao acelerarem o ritmo e a quantidade de informações disponibilizadas, ao favorecerem o surgimento de novas linguagens e sintaxes, enfim, ao criarem novos ambientes de aprendizagem que podem ser postos a serviço da humanização e da educação de sujeitos. Vai-se do real ao virtual, do analógico ao digital, educam-se novos gostos, escolhas, percepções para a qualidade da imagem, do movimento, da capacidade de alcançar regiões e locais remotos nunca dantes imaginados, em tempo real, sem defasagens que lembrem distâncias e longas esperas. (BRASIL, 2008, p.17-18)

A escola precisa proporcionar aos alunos de todas as idades o acesso às diversas formas de conhecimento, além do acesso a cultura e a arte. No ensino regular básico isto é, no Ensino Fundamental e Médio esse acesso é facilitado devido ao maior investimento do governo nessas modalidades, já na Educação de Jovens e Adultos, a situação é diferente. Como a maior parte dessa modalidade de ensino é ofertada no turno noturno, é dificultado o acesso presencial em instituições culturais e artísticas como museus, exposições de arte entre outros locais que funcionam somente no horário diurno. Além disso, a Educação de Jovens e Adultos é considerada como uma educação compensatória e aligeirada no Brasil e devido a isso o investimento ao acesso a cultura e a arte é limitado ou escasso.

Ao permitir o acesso ás tecnologias tais como: computadores ligados á internet, filmes, vídeos e outros, os alunos jovens e adultos passam a ter maior acesso as manifestações culturais e artísticas, e por meio dessas tecnologias o acesso ao conhecimento é maior, perpassando barreiras, sócio-culturais e regionais. Em detrimento dessa exigência social, a Declaração de Hamburgo propõe medidas ao longo prazo para a melhoria da qualidade da Educação de Jovens e Adultos no Brasil. Uma dessas medidas é o item 20, do acesso á informação. A Declaração de Hamburgo salienta:

(...) O desenvolvimento de novas tecnologias, nas áreas da informação e comunicação, traz consigo novos riscos de exclusão social para grupos de indivíduos e de empresas que se mostram incapazes de se adaptar a essa realidade. Uma das funções da educação de adultos, no futuro, deve ser o de limitar esses riscos de exclusão, de modo que a dimensão humana das sociedades da informação se torne preponderante. (UNESCO, 1997, p.26)

Desde 1997 quando foi apresentada essa proposta de inclusão digital, observa-se que caminhamos pouco com relação a esse processo. Muitas barreiras necessitam ser quebradas para a diminuição da exclusão digital e o uso eficaz das tecnologias na escola.

AS BARREIRAS NO USO DAS TECNOLOGIAS NA ESCOLA:

A maior das barreiras encontradas com relação ao uso das TICs na escola é a capacitação do professor. Segundo Tedesco, muitos dos professores em serviço não tem conhecimento prévio sobre como devem ser utilizadas as ferramentas tecnológicas e suas possibilidades em sala de aula (TEDESCO, 2004, p.105). Com isso, fica a questão: como utilizar os recursos tecnológicos em sala de aula, se nem mesmo os professores estão preparados para o seu uso em qualquer modalidade de ensino, principalmente na Educação de Jovens e Adultos?

De nada adianta a elaboração de leis, decretos que ressaltam sobre a necessidade da inclusão digital e construção de novos laboratórios de informática, se os professores não estão familiarizados com o seu uso no processo de ensino e aprendizagem. Essa ineficaz utilização dos recursos tecnológicos, resulta em laboratórios fechados e falta de objetivos claros desses recursos em sala de aula. Devido a isso, se faz necessária uma maior capacitação dos professores para uso dessas tecnologias. Contudo, isso não é uma tarefa fácil, leva tempo e que não se resume em apenas um ou dois cursos de formação pedagógica. Para que haja maior eficiência, Tedesco ressalta que “levam de três a quatro anos para o desenvolvimento e integração de maneira proveitosa, das tecnologias e suas tarefas docentes, principalmente quando os professores não tem acesso contínuo e prática do uso dessas tecnologias” (TEDESCO, 2004, p.106).

Quando se há domínio do uso das tecnologias pelo professor, se torna mais fácil o planejamento das aulas com esses recursos e maior objetividade de sua finalidade para os alunos. Seria interessante então, haver maior investimento do governo e das instituições em capacitação desse professor atuante na Educação de Jovens e Adultos.

Outra questão fundamental que dificulta na integração dos recursos tecnológicos em sala de aula na Educação de Jovens e Adultos é o olhar tradicional e compensatório que ela possui. Muitos pensam que só porque essa modalidade de ensino envolve um público de alunos adultos, ou pessoas da terceira idade, não há necessidade de utilizar os recursos tecnológicos em sala de aula, pois o foco dessa educação é alfabetizar ou ensinar o básico para conseguir o diploma. Com isso, pouco se é feito com relação a investimento, a incorporação de recursos tecnológicos e novas metodologias a serem utilizadas pelo professor, para essa modalidade de ensino. É importante o reconhecimento que a educação não acontece somente dentro da escola e que não há uma forma pré-definida de aprendizagem, pois só assim o professor poderá utilizar de diversos recursos, inclusive os instrumentos tecnológicos com maior segurança, aumentando assim o interesse dos alunos da Educação de Jovens e Adultos. Para que haja melhoria na qualidade de ensino na educação desses Jovens e Adultos, envolve mais do que ter o investimento em recursos tecnológicos na escola, é preciso primariamente fazer uma reflexão sobre as dificuldades que a Educação de Jovens e Adultos enfrenta atualmente, bem como, uma mudança de consciência por parte do governo e dos professores, na busca de uma educação igualitária, que atenda as exigências sociais tecnológicas, preparando assim esses alunos para o mercado de trabalho cada vez mais exigente e competitivo.

CONSIDERAÇÕES FINAIS:

Por meio da elaboração dessa pesquisa podemos concluir que, o uso dos recursos tecnológicos são importantes no processo de ensino e aprendizagem em todas as modalidades de ensino da Educação Básica, incluindo a Educação de Jovens e Adultos. O acesso as Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) na Educação de Jovens e Adultos, amplia as possibilidades de acesso ao conhecimento, à cultura, ao lazer, a cidadania e principalmente a autonomia, que ainda é o maior desafio que a escola enfrenta em todos os níveis de ensino. No entanto, apesar dos benefícios que a tecnologia pode proporcionar para a formação dos alunos, é fundamental salientar a necessidade de se repensar o uso das tecnologias na escola, que não estão atingindo os objetivos estabelecidos pelas leis, documentos e decretos relacionados à Educação. A escola deve ter um planejamento claro sobre as finalidades do uso dos recursos tecnológicos, inclusive estes devem ser incluídos no Projeto Político Pedagógico e na Proposta Pedagógica, para que os laboratórios de informática e outros recursos possam ser utilizados pelos os alunos de todos os níveis e idades, na promoção de uma educação democrática inclusiva. A escola não pode continuar estagnada a uma única concepção de ensino, o tempo muda, a sociedade se modifica e ela deve acompanhar essas mudanças para que continue exercendo sua finalidade social educativa. As novas tecnologias precisam está de acordo com o projeto de trabalho da escola, pois mesmo que o futuro cada vez mais caminhe para a era virtual ou digital, o papel social da escola e a função do professor de mediador entre o conhecimento e o aluno continuará, em consonância com as exigências da sociedade no futuro. Contudo, para que as tecnologias sejam utilizadas eficazmente, é preciso haver investimento governamental na capacitação contínua dos professores com relação a essas tecnologias, sobretudo, na Educação de Jovens e Adultos. Além do mais, é preciso reconhecer que o aluno adulto ou da terceira idade, possuem os mesmos direitos que os outros alunos dos diversos níveis de ensino. Esse reconhecimento por parte do governo e até mesmo pelos professores, já é o principio básico para se repensar em estratégias de melhoria da qualidade na Educação de Jovens e Adultos, tanto nos aspectos estruturais como nos aspectos didáticos metodológicos, na busca de uma educação que atenda as necessidades dessa sociedade da Era da Informação.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

BRASIL. Senado Federal. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional: nº 5.692/71. Brasília: 1971.

BRASIL. Senado Federal. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional: nº 9.394/96. Brasília: 1996.

BRASIL. Lei nº 10.172, de 9 de janeiro de 2001. Plano Nacional de Educação. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, DF. Disponível em: www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/LEIS_2001/L10172.htm. Acesso em: 01 mar. 2014.

BRASIL. Decreto nº 6.300, de 12 de dezembro de 2007. Programa Nacional de Tecnologia Educacional- ProInfo. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, DF. Disponível em: www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Decreto/D6300.htm. Acesso em: 01 mar. 2014.

BRASIL. Documento base nacional preparatório a VI CONFINTEA. Brasília. MEC, 2008.

CUNHA, Conceição Maria da. Introdução – discutindo conceitos básicos. In: SEED-MEC Salto para o futuro – Educação de jovens e adultos. Brasília, 1999.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia:saberes necessários à prática educativa. 20.ed. São Paulo:Paz e terra, 2001.

GADOTTI, Moacir. Perspectivas atuais da Educação. –Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000. 294 p.

GRINSPUN, Miriam P. S. Zippin. Educação tecnológica: desafios e perspectivas. – 3. ed. rev. e ampl. – São Paulo: Cortez, 2009. 293p.

SOARES, Leôncio José Gomes. A educação de jovens e adultos: momentos históricos e desafios atuais. Revista Presença Pedagógica, v.2, nº11, Dimensão, set/out. 1996.

TEDESCO, Juan Carlos. Educação e Novas Tecnologias: esperança ou incerteza? - São Paulo. Editora: Cortez, 2004. 255 p.

UNESCO. Declaração de Hamburgo sobre Educação de adultos – V Conferência Internacional sobre Educação de Adultos/ V CONFINTEA. 1997.


Publicado por: Ezi Silveira Rocha

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.
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