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O papel dos professores na alfabetização textual

Educação

O papel dos professores na alfabetização textual, o nível de formação de professores no Brasil e a real vocação que estes têm para exercer o magistério, alfabetização satisfatória, todo professor deveria estar preparado para estimular dentro de determinad


Este ainda é um tema que se constitui num tabu muito grande para ser desvendado e que poucos autores tem a coragem de abordá-lo: o nível de formação de professores no Brasil e a real vocação que estes tem para exercer o magistério. Basta ter algum contato direto com os atores envolvidos, (alunos ou os próprios professores) para que se tenha noção do tamanho do problema que estes dois fatores implicam na formação de alunos capazes de se tornarem adultos de fato alfabetizados.
 Ao longo do tempo tem se tornado mais fácil criticar as políticas educacionais vigentes no país, pois como tal, tem uma abrangência genérica e quase nunca é revelado o verdadeiro responsável pela tragédia observada no processo ensino-aprendizagem que se faz presente nas diferentes regiões do país.
 Como podemos esperar que os nossos professores sejam autônomos para tomadas de decisões na elaboração do currículo do curso que ministra ou pensar que suas leituras deixem de ser preteridas pelas dos autores, uma vez que admitimos que lhes falta preparo? É inútil, portanto, criticar ações que são tomadas de cima para baixo, tais como aquelas determinadas por livros didáticos, pelos diretores das escolas ou pelas secretarias de educação. A política maior da educação no Brasil, referendada pelos PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais) abre espaço para que todos professores possam colocar suas ações individualizadas em primeiro plano, entretanto, poucos são capazes de assim proceder.
Alunos que desde cedo não tem uma alfabetização satisfatória, ou seja, que não conseguem expressar suas atitudes próprias ou que não conseguem se comunicar, estarão fadados a não exercer sua cidadania por completo mesmo quando adulto. Pouco pode ser feito por quem nada entende, torna-se um cidadão incapaz cuja tutela é exercida por outrem em detrimento de seus reais interesses e desejos.
É importante lembrar que temos sim, embora em proporções ínfimas - como já foi dito, professores capazes de enxergar e colocar em prática ações individuais em suas disciplinas. Muitas vezes, nem falta ao professor a consciência de seu papel transformador e da importância que ele tem para promover relacionamentos interpessoais na sala de aula, o que falta na verdade é ele saber como colocar tais ações em prática. É neste contexto que uns se destacam na profissão e geram como resultado cidadãos capazes de satisfazer as expectativas das famílias que tem a escola e às formas escolares como responsáveis pelo letramento de seus filhos.
 Todo professor deveria estar preparado para “dirigir” a reflexão de seus alunos. Dirigir, entretanto, não é tolher a livre expressão, ao contrário é estimular dentro de determinados parâmetros. É dar ao aluno a possibilidade de interpretar determinado texto e não deixar de corrigi-lo quando fracassar. O professor não deve ser preparado para aceitar tudo que seus alunos fazem, onde mesmo identificando falhas, deixa de impor a realidade fazendo com que o errado se torne certo.

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 Criamos no Brasil uma geração de pensadores, que em nome da livre expressão e entendimento, não conseguem enxergar o verdadeiro sentido de uma leitura. O resultado disso pode ser observado quando o aluno chega a academia, que o tornará um professor, possuindo uma redação tal qual seria aceitável para um aluno de quinto ano do ensino fundamental.
 Variados são os motivos que levam um futuro professor para universidade, talvez o mais clássico seja a concorrência no processo seletivo. É bom lembrar que um futuro excelente engenheiro, por exemplo, vá se tornar um professor medíocre e pouco terá para contribuir na formação de leitores capacitados.
 Uma vez identificado onde está o erro, fica fácil a tomada de decisões para saná-lo. É a universidade que deveria criar mecanismos para “barrar” professores sem vocação, pois o diploma de um profissional despreparado ou sem vocação tem o mesmo peso de um que está preparado e que fatalmente exercerá suas funções com afinco.
Depois de formado, mesmo não qualificado e sem vocação, a maioria continua trabalhando “encostado” no serviço público ou no peso que seu diploma lhe confere formando novas gerações de analfabetos funcionais. Deixar ou não a profissão é quase sempre uma decisão pessoal, afinal quem conhece ou já ouviu falar de um professor demitido por incompetência?
 Não é demais lembrar que estamos falando dos primeiros ciclos de ensino, onde o aluno necessita ser alfabetizado em todos os sentidos: do conhecimento das letras, dos números, aprender a desvendar e resolver problemas e criar seu próprio pensamento crítico. Um educador ou pesquisador da educação que necessita perguntar a si próprio se sabe mais do que os seus alunos sobre isto, não merecem o título que tem e nada do que fizer contribuirá para o desenvolvimento de seus educandos, ao contrário, fará dimanar o ciclo vicioso do analfabetismo funcional.
 Diante do que foi dito, e na expectativa de criarmos uma educação voltada para a alfabetização textual, urge a necessidade de implementarmos mudanças em determinados setores da educação que ao longo do tempo vem demonstrando incapaz de satisfazer os objetivos para qual foram propostos.


Publicado por: MARLI RAQUEL ASSUNÇÃO DE OLIVEIRA LÁZARI

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.
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