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O conhecimento como constituição do indivíduo social

Educação

O conhecimento como constituição do indivíduo social, Sociedade, Poder, Hegemonia, Ideologia, Conhecimento, Contexto da Revolução Cultural Chinesa, A Ideologia no Poder Revolucionário, A constituição do “eu”.

O Conhecimento como Constituição do Indivíduo Social

Lenilza do Socorro Dutra Machado*

RESUMO: Este trabalho objetiva apresentar a Revolução Cultural Chinesa, tendo como fonte de aprimoramento e consulta o filme: Balzac e a Costureirinha Chinesa; desta forma, o artigo enfoca a ideologia dominante, o poder hegemônico, a constituição da personalidade singular, no contexto da Revolução. Finalizando com um paralelo a nossa sociedade.

Palavras-chave: Sociedade, Poder, Hegemonia, Ideologia, Conhecimento;


INTRODUÇÃO

O presente artigo é um estudo de cunho, sociológico, antropológico e filosófico, objetiva apresentar o aspecto cultural presente na revolução chinesa. Mais adiante irá analisar o filme de forma sucinta, fazendo uma reflexão a respeito da sociedade, hegemonia e a ideologia do poder presente no filme. E ainda como o conhecimento liberta o se humano.
Na história da sociedade podemos reportarmos a sua forma coletiva, a mesma perpassa por várias formas de organizações, a exemplo mistificação, a religião e na sociedade contemporânea, constatamos a cientificidade, cada vez mais secularizada. A conceitualização de sociedade faz-se necessário, segundo Parsons:

A sociedade é um organismo que deve funcionar harmonicamente, as classes sociais dependem uma da outra, suas diferenciações derivam da participação de um sistema comum de valores e normas que geram interesses coletivos. (PARSONS apud TAMARIT, 1999, p.29).

Contexto da Revolução Cultural Chinesa

Procuramos agora, nos determos à revolução cultural chinesa, um movimento de massa na Republica Popular da China dentre os anos de 1966 a 1976. Lançado pela Guarda Vermelha e seu líder Mao Tse Tung; a intenção dos mentores da revolução era combater o surgimento de classes e categorias privilegiadas, além de desejar revitalizar o espírito da revolução chinesa, e principalmente acabar com o modo de vida da cultura burguesa.
Entre 1966 e 1969 Mao encorajou a formação de Comitês revolucionários (bases da Guarda vermelha), composto pelas mais diversas forças (militares, camponeses, elementos do partido, governo, etc.) e destinados a tomar o poder onde necessário. Como na intelectualidade se encontravam alguns dos inimigos da revolução, o ensino superior foi praticamente desativado no pais.

A análise do filme “Balzac e a Costureirinha Chinesa”, passado em um determinado vilarejo camponês no contexto da revolução, contribui para a reflexão a respeito de uma sociedade doutrinaria plenamente miserável e opressora, amparado por conhecimentos predominantemente cotidiano e místico. No filme podemos perceber como os camponeses eram seguidores ferrenhos da guarda vermelha, pois no começo do filme os mesmos iam exaltam seu líder Mao.

A Ideologia no Poder Revolucionário

O filme aborda a ideologia hegemônica e subordinação do autoritarismo intelectual que o poder legitimo transmite aos “cidadãos”, desestruturando a apropriação do conhecimento científico e filosófico por parte dos camponeses. Paramos para refletir a respeito da ação do poder dentro da sociedade, e mais como se consolida. Parsons coloca que fonte do poder estar entrelaçado a posição-politico-administrativa, o prestigio, o conhecimento, portanto:

“Poder é, em geral, a capacidade de assegurar o cumprimento de obrigações por parte das unidades de um sistema de organização coletiva, na qual as obrigações são legitimas em função de sua relevância para o alcance de objetivos”... (PARSONS apud TAMARIT, 1999, p.28).

Voltamos ao filme para analisar um comentário a respeito do poder ideológico sobre os cidadãos. Por que os mesmos não podem obter o conhecimento cientifico? Por que o acesso à leitura era proibido? Seria a ruptura intelectual a ignorância e alienação do individuo? Ou ainda, a leitura transforma o pensamento do indivíduo que se apropria do mesmo? Alguns trechos do filme deixam claro a forma como a elite doutrinaria, autoritária, repassa a visão de totalidade, de generalização dos camponeses, não respeitando a singularidade de cada indivíduo, pois dessa generalização que se fortalece a hegemonia do poder. E a hegemonia ao julgar todos como iguais, não abrem brechas na entranha do poder, pois através do conhecimento que se constitui sujeito ativo de sua valorização e resistência à hegemonia.

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A constituição do “eu”

Por outro lado, o filme nos remete a reflexão do aspecto filosófico e antropológico do ser humano, como nos constituímos homens? Nossa historia se constrói mediante a relação com o outro? Diríamos que sim, pois o conhecimento vai nos formando e transformando, munido de várias “vozes” que o sujeito na relação com os outros, através do dialogo, constitui o “eu”. Dessa forma Fontana deixa explicito essa relação social com o meio e com o outro:

É no movimento interativo, assumindo ou recusando palavras do outro, que a criança (e não só ela, mas qualquer um de nós) organiza e transforma seus processos de elaboração do significado das palavras desenvolvendo-a... O desenvolvimento da elaboração conceitual da palavra não é resultado de um processo individual e estritamente intelectual (cognitivo). Ele é resultado da prática social do indivíduo nas diferentes instituições sociais. (FONTANA,1999 p.103).

A relação feita com o filme, é que mesmo retrata dois personagens Lu e Ma, que de alguma forma irão construir seu “eu” e ajudar a construir a personalidade individual de outras personagens. Jovens universitários pertencentes à classe burguesa, dotados de apropriação da cultura, do conhecimento e da linguagem irão estabelecer discursos da busca universal do indivíduo. Vale ressaltar que no contexto da revolução os jovens burgueses eram retirados, principalmente das universidades, desprovidos de aparato intelectual, e enviados para uma espécie de treinamento braçal, forçado chamado de “reeducação”. Tinha duração de 2 anos para perderem totalmente as orientações ou educação reacionárias (entenda-se princípios capitalistas ocidentais) e obtenção da descoberta da vida campesina revolucionaria comunista.

A chegada desses rapazes proporcionou junto de seus discursos uma transformação significativa da realidade campesina: o modo de vestir, falar e costume foram se diferenciando; a transformação mais precisa foi na Costureirinha e seu avô alfaiate; percebe-se o modo como o alfaiate, a partir do acesso aos poemas franceses levou a construir roupas diferentes com detalhes refinados (ai estar presente à literatura e a arte). Representado por um signo revestido de significação social.
A costureirinha, esta personagem simbolizando o projeto de vida do ser humano. A transformação foi abrangente e visível, ao obter o conhecimento em livros e poemas franceses, a exemplo Balzac, entendeu que a vida que ela e seus conterrâneos levavam era de homens selvagens, possuidores de sentimentos, e não de homens civilizados que além de sentimentos se apropriam de idéias. Isto levou a mesma a fazer uma mudança radical na sua vida; apesar de presa a um sentimento por Lu, não se retraiu e foi ao alcance de seu objetivo de sua formação histórica como ser humano, consolidada de conhecimento, como indivíduo particular. A reflexão que podemos fazer é que somos seres inacabados, em constantes mudanças.

Conclusão

Portanto, é importante deixa claro, que a desapropriação do conhecimento científico não ocorre somente no meio rural e no contexto revolucionário socialista. Mas também, no meio urbano, no contexto do sistema capitalista, onde a ideologia dominante é opressora e manipuladora de costumes, modos, comportamentos, etc. Em fim falar de “hegemonia consiste na conquista e na manutenção do consenso ativo das classes subordinadas relativamente a um projeto ‘nacional’ em benefício de ‘toda’ a nação...” (TAMARIT, 1999, p.38).

Para finalizar, vale ressaltar outros aparatos ideológicos, como a família, a escola, a mídia e o estado como aparato superior. Contudo, o assunto abordado será aprofundado em outro trabalho. Para tanto, é importante enfatizar que o conhecimento é a porta de formação de cidadão critico, formador de opinião e ativo na sociedade; desse modo rompemos com a alienação, com a manipulação ideológica do poder.


Referências Bibliográficas

SIJIE, dai: Filme; Balzac e a Costureirinha Chinesa.

TAMARIT, José: Educar o Soberano: critica ao iluminismo pedagógico de ontem e de hoje. 2ª ed. São Paulo: Cortez, 1999.

FONTANA, Roseli A. C.: Psicologia e Trabalho Pedagógico.
____________
aluna do Curso de licenciatura plena em pedagogia pela UFPA/Cametá


Publicado por: Lenilza do Socrro Dutra Machado

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.
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