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Mídias na Escola: Adote Essa Ideia

Educação

A apresentação do projeto "mídias na escola: adote essa idéia!" para os professores do ensino fundamental.

A muito se discute o potencial das tecnologias de comunicação e informação enquanto instrumento pedagógico. A chegada das novas tecnologias de informação e comunicação fez surgir novas formas de ensinar e aprender e, a escola, enquanto instituição social responsável pela tarefa de promover cidadãos capazes de atuar de maneira crítica, dinâmica e consciente na sociedade. Não poderia se desvincular dessa realidade, nem tão pouco deixar seus alunos as margens de um processo de exclusão.

Tudo isso, fez com que a postura tradicional adotada por muitos professores começasse a ser questionada. Contudo, assim como ocorre com a maioria dos profissionais que atuam nas mais diferentes áreas, o medo de lidar com o novo também causaram receio e resistência aos profissionais da área de educação. O despreparo e a falta de qualificação dos educadores, associado aos desafios que marcaram a trajetória de implantação dos recursos de informática nas instituições escolares, levou muitos deles a negarem a eficiência de tais instrumentos.

Do mesmo modo a chegada da informática no município de São Bento causou profundo impacto aos que assumiram o compromisso de trabalhar de forma a atender as necessidades do alunado, considerando que ainda não estamos preparados a atender a esta incumbência.

Mediante tal situação, fez-se necessário a elaboração de um projeto que objetive discutir e elaborar soluções que proporcionem aos educadores uma utilização mais efetiva dos recursos midiáticos existentes em suas escolas, no intuito de promover uma educação mais qualitativa e atraente aos seus alunos. Isso só será possível, se antes de tudo os professores puderem ser qualificados para tornarem-se multiplicadores.

Assim o projeto que tem como tema “Mídias na escola: adote essa ideia!” Está dirigido a todos os professores do ensino fundamental I.

Durante a execução do projeto, serão utilizadas as seguintes mídias: TV, vídeo e internet. As primeiras porque a escola as possui e é necessário um uso mais efetivo, e a última por ser o recurso atual que garante um maior número de informações possibilitando a inclusão dos alunos no mundo digital.

Há muito tempo a escola deixou de ser espaço privilegiado a aquisição de conhecimento. O contexto da sociedade contemporânea tem imposto novos ritmos e dimensões a tarefa de ensinar e aprender. E a escola, enquanto instituição social e parte integrante do processo histórico não está isenta a influências de fatores que lhe são externos. Conforme afirma Leite (2002) podemos entender a educação como um fenômeno social, que como parte integrante das condições sócio-político-econômicas da sociedade de classes, influencia e é influenciada pelas demais manifestações sociais.

Mediante tal afirmação, pode-se constatar que a escola deve ser compreendida como espaço de integração, e não como espaço independe dissociado da realidade vivenciada pelos seus integrantes, pois, afinal, se o objetivo da escola é formar cidadãos aptos a atuarem de forma dinâmica e eficiente no processo produtivo, torna-se essencial que esta construa novas alternativas de organização curricular complementando a já existente.

O advento da sociedade tecnológica fez surgir novas formas de produção, circulação e acesso a informação e ao conhecimento, durante muito tempo ignorado pela escola, já que, para esta o professor era tido como detentor de todo o saber. A chegada da televisão, dos computadores e mais recentemente da internet, levantou uma série de problemas e discussões acerca do potencial das tecnologias no espaço educacional e, consequentemente no trabalho docente.

Entretanto, para melhor compreender contexto atual no qual estas tecnologias estão inseridas é importante entender que o início da trajetória da implantação dessas novas tecnologias de comunicação e informação nas instituições escolares foi marcado por muitos desafios. Assim como Gomes & Andrade (2007) ressaltam que “a falta de planejamento, o despreparo dos profissionais e a ausência de ações governamentais para introduzi-los no cotidiano da escola, são alguns desses exemplos.

Todos esses fatores fizeram surgir nos profissionais na área de educação certa insegurança e resistência em utilizar tais ferramentas em sua prática pedagogia. No entanto, se por um lado as instituições educacionais negavam a incorporação dessas tecnologias em seu espaço, sua utilização se tornava freqüente nos ambientes externos. A queda nos preços dos computadores e a instalação de Lan Houses em ambientes acessíveis a população, fez crescer o número de usuários com acesso a informática e a internet.

Mediante esse contexto, o ensino entra em crise e, por conseguinte, a postura do professor. Contudo, não bastava à implantação de laboratórios de informática e equipamentos de multimídia nos estabelecimentos de ensino, era necessária uma mudança na postura de todos aqueles que constituem o processo educativo, a exemplo, de professores e alunos.

Para Barreto (2003) a primeira questão é como integrar as tecnologias de comunicação e informação à educação. Segundo ele, deve-se sair da visão exclusivamente técnica, do deslumbramento e investir no pedagógico, reflexivo e na formação de professores. Na verdade, trata-se de uma visão ampla de como manter uma relação pedagógica com tais ferramentas.

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Neste sentido pode-se afirmar que a utilização das tecnologias de comunicação e informação no âmbito escolar não se resume a aquisição de equipamentos midiáticos, é necessário elaborar uma proposta pedagógica pautada na dinâmica do processo inclusivo, que vise desenvolver a capacidade de autonomia daqueles que por condições externas acabaram a margem do processo.

Com isso, transformações na organização do espaço escolar, bem como na prática docente são indispensáveis, visto que não basta copiar modelos tecnológicos e implementá-los nos currículos escolares. É preciso uma ampla reforma em sua estrutura física e aplicação de investimentos na qualificação dos profissionais que nelas atuam. Para que estes possam aplicar, de maneira correta, o uso destas ferramentas enquanto instrumentos didáticos.

Somado a isso, modificações no papel do aluno e do professor são essenciais para o sucesso da utilização dos recursos midiáticos na educação. No que se refere ao aluno, este deve ser levado a assumir uma posição de co-participante de sua aprendizagem atuando de forma autônoma e assumindo uma postura de pesquisador crítico apto a conviver em grupos onde a aprendizagem se dará muitas vezes pela interação e cooperação nos ambientes virtuais.

De acordo com Alves (2003), para que o aluno ingresse nesse contexto tecnológico inovador, ele precisa tornar-se:

  • Participante ativo das atividades;
  • Pesquisador, agente de busca que seleciona e produz conhecimento;
  • Capaz de desenvolver sentimento de parceria no trabalho colaborativo;
  • Apto a argumentar, questionar, propor e contrapor com fundamentação;
  • Criativo, sugerindo possibilidades diferentes de formas não usuais na resolução de problemas.

No que se refere nas habilidades e condutas do professor, essas devem estar centradas na capacidade de motivação, interesse e apoio aos alunos. Segundo Freire (1996) dentre as competências necessárias ao processo de formação do professor estão:

  • Respeitar o senso comum no processo de sua necessária superação, estimulando a capacidade criadora do educando;
  • Discutir com os alunos os saberes que trazem a escola discutindo-os no contexto do problema estudado;
  • Respeitar a autonomia, a dignidade e a identidade do educando;
  • Construir a compreensão junto com o aluno num processo de comunicação dialógico;
  • Criar possibilidades para produção e construção do conhecimento.

Mediante essas competências, é possível afirmar que o potencial pedagógico das novas tecnologias de comunicação e informação resulta de toda concepção teórica e metodológica adotado pelo professor.

Ainda associada a todas essas mudanças, outro desafio está relacionado à prática de exclusão construída nesses novos espaços educacionais. Sobre isso, Gomes & Andrade (2007) afirmam que “se por um lado a exclusão digital leva o sujeito para fora do espaço econômico e social comprometendo sua inserção profissional e seu convívio na sociedade, o que gera uma forma de segregação e isolamento do mundo, a inclusão possibilita o acesso a novas tecnologias e a internet, a democratização da informação”.

O uso dessas tecnologias em ações educativas, um maior acesso ao conhecimento e ao incentivo a pesquisa, a agilização na solução de demandas, a possibilidade de troca de experiências com outras comunidades conectadas a rede possibilitando um ambiente que fortalece a organização do setor.

Ao refletir sobre estes desafios entende-se que para alcançar os objetivos a que se propõem é necessário que a escola combine pedagogia, tecnologia e prática social, refletindo sobre a melhor forma de utilização dos novos instrumentos tecnológicos na prática educativa e identificando caminhos que levem a solução dos desafios em busca constante por uma educação de qualidade.

Para que o projeto possa ser desenvolvido com eficiência, deve-se considerar a necessidade de levantar dados que comprovem a ausência de material nas escolas e despreparo dos professores para o uso das mesmas. Bem como a busca de material bibliográfico que nos permita dar embasamento teórico a cerca do tema abordado, para ser posto em prática nas produções de oficinas.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALVES, L.; NOVA, C. (org.). Educação à distância: uma nova concepção de aprendizado e interatividade. São Paulo: Futura, 2003.

BARRETO, Raquel Goulart. Tecnologias educacionais e a educação à distância: avaliando políticas e práticas. Rio de Janeiro: Quartet, 2003.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia, saberes necessários a prática educativa. São Pulo: Terra e Paz, 1996.

GOMES, A.V.; ANDRADE, A. F. (org.). A trajetória da informática na educação. Módulo: informática e educação. Curso geografia (UEPB). UNISDIS. 2007.


Publicado por: Marcos Rosendo

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.
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