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Memorial descritivo de estágio nos anos iniciais do Ensino Fundamental: uma abordagem em projetos pedagógicos interdisciplinares

Educação

Confira sobre um memorial descritivo de estágio nos anos iniciais do Ensino Fundamental.

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1. INTRODUÇÃO

Pretende-se, neste trabalho, descrever o processo de realização do Estágio II – Docência nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental realizado na Escola Municipal José de Arimatéia Nunes, Pinheiro – Ma, observando-se três momentos harmônicos entre si, mesclando teoria e prática, objetivando um aprendizado acerca de conhecimentos prático-pedagógicos.

Primeiro, escolheu-se o Tema Metodologias de Ensino, com ênfase em Projetos Interdisciplinares. Tema este, bastante discutido nas escolas, tanto de nível fundamental quanto médio. Porém, os conceitos ainda se confundem no meio escolar, havendo pouca distinção entre Projetos, Sequências didáticas e até planejamento de Unidades. Buscou-se esclarecer, limitadamente, a Pedagogia de Projetos: sua origem, os principais defensores da atualidade, tendo como paradigma a obra “Projetos de Pesquisa: Estratégias de ensino e aprendizagem em sala de aula”, de Jorge Santos Martins, que critica as rotinas das escolas caracterizadas por aulas repetitivas – ouvir, ler, escrever. E, que em vez disso, deveriam ser verdadeiros “laboratórios e oficinas vivas do ‘aprender fazendo’[...]”.

Segundo, através deste projeto e sua implementação, objetivou-se, dentre outros, analisar as contribuições da Pedagogia de Projetos para o processo de ensino-aprendizagem; desenvolver uma pedagogia voltada para o desenvolvimento da capacidade investigativa, reflexiva e crítica.

Por último, para alcançar os objetivos propostos adotou-se os procedimentos metodológicos tais como levantamento de material bibliográfico, visitas, observação da turma, registro de informações contidas nos dossiês dos alunos, entrevista com a diretoria, a coordenação e o professor regente, registro de procedimentos das aulas observadas, participação no planejamento, análise do conteúdo programático disponibilizado.

2. PEDAGOGIA DE PROJETOS NO CONTEXTO DA SOCIEDADE DO CONHECIMENTO

Estamos inseridos na chamada Sociedade do Conhecimento ou da Informação, caracterizada por várias possibilidades de se obter informações, principalmente através da rede mundial de computadores. Vivemos uma realidade dinâmica, onde tudo é passageiro; renova-se a cada momento. Surgem novas técnicas, métodos e teorias a cada momento, tornando as “antigas”, absoletas.

Neste contexto, a Escola com seu ensino tradicional, caracterizado por considerar o aluno mero espectador e receptor passivo de informações contidas nos currículos escolares, tem dado espaço para uma Pedagogia baseada em atividades orientadas pelas disciplinas, capazes de fomentar a mobilização e a participação do aluno na exploração dos conteúdos científicos, contextualizando com a realidade vivida ou a ser vivida. Martins (2007, p. 2) retrata com propriedade esta questão:

As salas de aula, em vez de serem locais de rotinas enfadonhas pela eterna repetição do tradicional processo de ensino-aprendizagem – ouvir, ler, escrever –, deveriam ser verdadeiros laboratórios e oficinas vivas do “aprender fazendo” e de treinamento das habilidades conceituais, procedimentais e atitudinais dos próprios estudantes, com orientação de professores preparados dentro dos conceitos da metodologia científica e capazes de despertar nos alunos o gosto pela investigação dos fatos e pala descoberta do conhecimento significativo.

A pedagogia de projetos coaduna-se nessa nova perspectiva, pois, refere-se a um modo de organizar o ato educativo que indica uma ação concreta, voluntária e consciente que é decidida tendo-se em vista a obtenção de algo formativo determinado e preciso. É uma proposta de ensinar a partir de uma situação-problema, da realidade fatual e não da interpretação já elaborada ou sistematizada nas disciplinas. É uma forma de organização pedagógica que contempla uma visão multifacetada, uma aprendizagem globalizadora.

Neste sentido, a meu ver, a Pedagogia de Projetos não é um método, mas uma concepção de como ensinar, envolvendo diferentes projetos/formas de ensino, mas, que contemple especificamente um problema a ser aprendido ou resolvido, a construção do conhecimento pelo aluno de forma individual e coletiva, o trabalho em equipe, a utilização de procedimentos científicos, uma visão de ciência relativa, dentre outros aspectos.

Na visão de Martins (2007, p. 2), o ensino numa perspectiva da Pedagogia de Projetos, teria duas dimensões educacionais: a individual e a social. Em suas palavras:

A dimensão individual, pela valorização dos atributos intelectuais, morais e físicos inatos aos jovens, utilizando tais atributos no aperfeiçoamento de seu desenvolvimento pessoal e de espírito crítico-reflexivo.

A dimensão social, pela evolução do espírito de cidadania democrática e de solidariedade, familiarizando e engajando os jovens em trabalhos coletivos e participativos, solidários, de parceria e de intercambio.

Pode-se sintetizar a Pedagogia de Projetos Interdisciplinares através do seguinte gráfico comparativo:

Perspectiva Compartimentalizada

Perspectiva Globalizante

Enfoque fragmentado, centrado na transmissão de conteúdos prontos.

Enfoque globalizador, centrado na resolução de problemas significativos.

Conhecimento como acúmulo de fatos e informações isoladas.

O conhecimento como instrumento para compreensão e possível intervenção na realidade.

O professor é tido como único informante, tendo o papel de dar as respostas certas e cobrar sua memorização.

O professor intervém no processo de aprendizagem dos alunos criando situações problematizadoras, introduzindo novas informações, dando condições para que eles avancem em seus esquemas de compreensão da realidade.

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O aluno é visto como sujeito dependente, que recebe passivamente o conteúdo transmitido pelo professor.

O aluno é visto como sujeito ativo que usa sua experiência e conhecimento para resolver problemas.

O conteúdo a ser estudado determina o problema

O problema determina o conteúdo a ser estudado.

Há uma segmentação rígida dos conteúdos das disciplinas, com pouca flexibilidade no processo de aprendizagem.

A segmentação é vista em termos de níveis de abordagem e aprofundamento em relação às possibilidades dos alunos (contato, uso e análise).

Extraído do Artigo Pedagogia de Projetos. Autora: Lúcia Helena Alvarez Leite. Curso de Projetos Educacionais: Reconstruindo a aprendizagem sob a perspectiva da pedagogia de projetos. São Paulo: Portal Educação – EAD, 2008, p. 30.

A Pedagogia de Projetos constitui-se de vários miniprojetos em circunscrição e interseção, ou seja, são várias atividades educativas fazendo parte de um projeto globalizador. Esta pedagogia não tem natureza estanque. Não são projetos que só acabam quando outro iniciar. Um projeto está vinculado ao outro. Portanto, a base teórica fundamental da Pedagogia de Projeto é o Construtivismo, que por sua vez, enfatiza o conhecimento prévio do estudante e a aprendizagem significativa.

3. ATIVIDADES DESENVOLVIDAS NO CAMPO DE ESTÁGIO

Após o contato inicial com a Professora Maria da Conceição Ribeiro e apresentação da Carta solicitando para fazer o Estágio II – Docência nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental e o Estágio propriamente dito teve um intervalo de praticamente um mês, devido às dificuldades de conciliar minhas atividades profissionais, de docência no Ensino Médio, e a realização do Estágio.

Inicialmente, fiz observação de um período de aulas. Nesse dia a professora chegou cedo, organizou as carteiras em fileiras, limpou o quadro de giz, aprontou a material didático para aula. Depois que os alunos já estavam em sala, ela chamou a atenção deles para se comportarem, pois estavam sendo observados.

Nos dias 12, 13, 14 e 15 de junho e 04 de julho do corrente ano fiz a Regência da sala. Ministrei aulas de Português, Matemática, Ciências, História e Religião. Algumas delas foi fácil estabelecer o nexo com as atividades do Projeto “Festas Juninas” que estava sendo realizado, como foi o caso da aula de História sobre a “Origem das Festas Juninas”. Mas, todas as aulas foram contextualizadas, buscando os símbolos, a linguagem, as culturas, a história e a religiosidade das festas juninas para desenvolver os conteúdos.

Os objetivos propostos foram alcançados do ponto de vista das aprendizagens dos conteúdos pedagógicos, pois foi necessário pesquisar sobre Projetos didático-pedagógicos, estudar os conteúdos programáticos relativos ao 3º ano, buscar recursos e estudar formas de como trabalhar esses temas de maneira acessível ao entendimento das crianças. Enfim, todo esse esforço foi compensado pela aprendizagem adquirida e pela experiência vivida.

4. CONCLUSÃO

A partir dos estudos feitos acerca da Pedagogia de Projetos, pode-se deduzir que esta consiste não num método, mas uma concepção do processo de ensinar, que busca enraizamento no pensamento pedagógico de vários autores, dentre eles, pode-se citar Dewey, que propõe “educar a criança como um todo”, tendo como princípio a aprendizagem através da realização (do fazer) tarefas associadas aos conteúdos ensinados. Em sua opinião, a educação é uma contínua reconstrução da experiência que possibilita às futuras gerações responder aos desafios da sociedade atual. (Revista Nova Escola, Edição Especial. Grandes pensadores, jul. de 2008, p. 62-64).

Mas, ressalta-se que a Pedagogia de Projetos não é “a galinha dos ovos de ouro” da Pedagogia, se não se primar por um planejamento coletivo, criativo, flexível e que traga a vivência escolar a aprendizagem significativa e a interdisciplinaridade. Os projetos devem visar também à resolução de algum problema ou algum empreendimento que esteja em harmonia com os interesses dos alunos e, relacionados às suas experiências e vivências.

Nas minhas experiências percebi que muitas vezes os Projetos são uma sucessão de atos desconexos. São atividades que ocorrem paralelamente às aulas. Os Projetos de ensino-aprendizagem estão relacionados a datas comemorativas, campanhas do governo, a movimentos de preservação ambiental, por exemplo.

Conclui-se, portanto, que todos os momentos do processo de realização da disciplina Estágio II – Docência nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental foram de grande importância para o meu crescimento pessoal e profissional: oportunizou o estudo (busca da fundamentação teórica); a pesquisa (observação da Instituição e da sala de aula) e; a extensão (Regência de Sala) – que são os elementos basilares da formação universitária.

5. REFERÊNCIAS

LEITE, Lúcia Helena Alvarez. Pedagogia de Projetos. In. Curso Projetos Educacionais: Reconstruindo a aprendizagem sob a perspectiva da pedagogia de projetos. São Paulo: Portal Educação – EAD, 2008.

MARTINS, Jorge Santos. Projetos de Pesquisa: estratégias de ensino e aprendizagem em sala de aula. 2. Ed. Campinas, São Paulo: Armazém do Ipê (Autores Associados), 2007.

REVISTA NOVA ESCOLA. Coleção Grandes Pensadores. ed. Especial. São Paulo: Editora Abril. Julho, 2008.


Por Alairton Luis Araujo Soares
Mestrando em Educação na USP


Publicado por: Alairton Luis Araujo Soares

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.
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