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Gravidez e Adolescência: uma questão emergente

Educação

Questão de gravidez entre nossos adolescentes é um dos assuntos mais reais e menos discutidos em nosssas escolas.

INTRODUÇÃO

Desde o nascimento o ser humano percorre um caminho de crescimento que busca alcançar a maturidade, ou seja, busca torná-lo capaz de realizar-se como pessoa e como ser social. Esse processo de crescimento sempre é acompanhado de angústias. Para cada desprendimento há também um sofrimento. Desde o início da vida  até os processos posteriores de adaptação às diversas situações da vida, que o obrigam a abandonar situações conhecidas e confortáveis e arriscar-se em novas vivências que a vida traz.

De todo o processo de desenvolvimento, a adolescência é o período mais tumultuado e decisivo. A criança adaptada à vida familiar é surpreendida por uma seqüência de modificações em seu corpo, acompanhadas de instabilidade psicológica. Isso tudo vai provocar um desequilíbrio e uma transformação de todo o seu ser. Percebe-se deixando a cômoda condição infantil e ingressando no mundo adulto, sem ainda se sentir preparada para isso.

Garotas ainda com corpo de criança, mas a barriga já saliente pela gestação, faz parte do cotidiano da periferia das cidades brasileiras. Nas escolas, muitas jovens assistem às aulas grávidas e, por vezes, acabam perdendo o ano escolar após o nascimento dos filhos. A maioria dessas meninas ainda mora com os pais. Nesses casos, a presença de uma criança compromete ainda mais a situação financeira da casa, e o que é mais triste é que muitas adolescentes  não engravidam por desinformação. Elas sabem como se proteger, mas têm ainda um certo romantismo. Falta consciência porque muitas vezes pertencem a uma a estrutura familiar fraca, além  é claro, a falta de sonhos pessoais e profissionais dessas jovens adolescentes.

Por isso,  temos um retrato preocupante de uma juventude pobre e sem perspectivas, que eterniza de pai para filho um assustador ciclo de pobreza. Os problemas sociais, como a baixa escolarização e profissionalização, não raro funcionam como caldo que engrossam a violência e criminalidade contra nossos adolescentes. Por isso, buscamos aqui refletir sobre porque acontece, quais são suas conseqüências  e como poderemos auxiliar nossas “filhas-mães”.

DESENVOLVIMENTO

Dentre os temas ligados à sexualidade, existem dois que têm preocupado especialmente os educadores e os estudiosos da área: a AIDS e a gravidez precoce. Quanto à AIDS, não preciso dizer muito para justificar o porquê de tanta preocupação; mas a gravidade da gestação inoportuna ainda não foi claramente entendida por nossa sociedade.

Os números são assustadores: por ano, são mais de 600.000 (seiscentos mil!!) partos de adolescentes no Brasil; por ano, são feitos algo em torno de 500.000 (quinhentos mil!!) abortamentos no Brasil, todos clandestinos e ilegais, uma vez que nossa legislação os proíbe. Com isso, podemos estimar que 1.100.000 (um milhão e cem mil!!) adolescentes engravidam por ano no Brasil. Pensando relativamente, a expectativa é de que uma em cada 17 adolescentes engravide nos próximos meses. Não é de espantar? Como se isso fosse pouco, veja os dados da OMS:

"O Brasil, segundo a Organização Mundial de Saúde, é o país onde mais se pratica aborto (10% dos abortos mundiais), sendo que para cada criança que nasce, duas são abortadas. São 13.090 abortos por dia, 570 por hora, 0,5 por minuto. Como conseqüência do aborto praticado por parteiras e curiosas, ou por médicos em lugares sem a mínima condição de higiene, são muitos os casos em que a mulher sofre seqüelas graves."

Não estranhe eu estar falando de abortamentos quando o tema é a gravidez não planejada: é que a mulher adolescente, ao se descobrir grávida, se vê diante de três caminhos: o abortamento, o casamento forçado ou ser mãe solteira. Dá para imaginar como deve ser ruim estar diante dessa dúvida?

Mas, se é assim tão ruim, por que será que tantas mulheres jovens passam por esse problema a cada ano no Brasil? Os estudiosos têm diversas respostas para esta pergunta, das quais quero destacar duas, que me parecem as mais importantes.

Uma das causas de termos tantas gestações inoportunas em nosso meio é a falta de um trabalho regular de orientação sexual nas escolas. O que se percebe é que, de uma maneira geral, os jovens e as jovens têm uma informação razoável sobre os métodos contraceptivos , pois a mídia tem divulgado bastante esses métodos. Mas apenas a informação não basta, estão aí os números  para provar. Falta um trabalho que propicie aos jovens um conhecimento mais abrangente de tais métodos de contracepção e que também lhes propicie transformar essas informações que têm em conhecimento.

Outra das causas da gravidez inoportuna é a falta de diálogo em casa  e a precária e muitas vezes, promíscua estrutura  familiar. De uma forma geral, casais adolescentes que engravidam vêm de famílias onde a sexualidade é tabu, assunto no qual não se toca, um grave erro de grande parte das famílias brasileiras. Por não terem com quem dialogar sobre a própria sexualidade, os jovens acabam por fazer uso inadequado da sexualidade recém- descoberta, além da falta de valores existentes em nossa sociedade.

A gravidez na adolescência é um assunto que preocupa muitos pais e é a realidade para muitos jovens.Com o bombardeio da mídia de imagens eróticas e informações sobre sexo, os adolescentes têm despertado o interesse sexual cada vez mais cedo, iniciando namoros e relações sexuais com menos idade. Mesmo diante desta situação, os pais, muitas vezes não sabendo como agir, acabam ignorando dúvidas e curiosidades dos filhos. Na tentativa de fechar os olhos para a vida sexual dos jovens, em muitos casos, os responsáveis os deixam desamparados de informações sobre prevenção de doenças e como evitar gravidez.Como uma forma de tentar preencher essa lacuna, minimizar os danos e tentar forçar a sociedade a encarar de uma forma mais natural a sexualidade dos adolescentes, o Ministério da Saúde passou a distribuir, preservativos masculinos de diâmetro menor.

O despertar da sexualidade se dá na adolescência. É uma primeira fase, imatura e muito voltada para o apelo corporal.  O jovem desperta para o sexo oposto sem ainda distinguir e escolher alguém, mas pelo simples apelo sexual que o outro sexo representa. Ora, o ambiente está impregnado de estímulos sexuais e o adolescente, que já está fisiologicamente sensível a esses estímulos, ainda por cima, é cobrada por seus pares no sentido de viver experiência nesse campo. Como conviver com isso e dizer não a algo tão atraente e de manifestações tão fortes como o relacionamento sexual? E para completar o quadro, há uma condescendência, às vezes silenciosa outras nem tanto, por parte dos adultos que não reprovam as ousadias nas propagandas e na mídia em geral. E há todo um comércio que vive do sexo e promove todo tipo de facilidades para encontros íntimos, isso quando eles não acontecem nas próprias casas... 

Tenho sentido em sala de aulas, que os jovens são vítimas de desamparo afetivo; eles estão à mercê do despertar da sexualidade - que torna o seu corpo vulnerável a estímulos dessa natureza -, e estão mergulhados num ambiente impregnado de erotismo e sensualidade. E a família e o Estado se omitem de verdadeiramente orientá-los e até contribuem para a desorientação, favorecendo e facilitando uma situação de promiscuidade ou, no mínimo de iniciação sexual precoce. Será que não ocorre aos responsáveis que essa situação é responsável pelo vazio existencial que depois resulta em novas experiências de prazer que levam a transtornos e mesmo às drogas?

Observa-seque, mesmo com a propaganda massiva na mídia sobre as formas de evitar filhos (anticoncepcionais, etc), o número de casos de gravidez na adolescência aumenta ao invés de diminuir. Aí está a falta de conhecimento. Não seria o caso de ao menos "começar a desconfiar" de que os tais métodos anticoncepcionais, em que tanto se insiste, não são assim tão eficientes como se quer fazer crer?  Esta ineficiência se dá por dois motivos: um é a porcentagem de falha que todos esses métodos têm, inclusive o preservativo, seja na prevenção da gravidez, seja na prevenção de doenças sexualmente transmissíveis. A falha do preservativo, ou camisinha, para evitar a gravidez é de 2 a 13%. Penso portanto, que divulgar esses métodos, distribuir preservativos, é incentivar relações.

E outro motivo, também relacionado com esse incentivo é que a sexualidade foi banalizada, passou a ser vista como uma diversão, do prazer pelo prazer, sem se preocupar com as conseqüências de ato. Há um grande desconhecimento da psicologia e do caráter do ser humano por parte dos que consideram que o jovem não é capaz de abster-se de relações, mas, ao mesmo tempo e contraditoriamente, acham que ele será fiel ao preservativo. A mesma curiosidade que estimula para a experiência do prazer sexual é a que move para a busca de mais prazer, num processo crescente onde o preservativo, afinal, é um obstáculo. Portanto, há falha técnica e mecânica, além da pressão psicológica.

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E essa pressão psicológica exerce um poder de perda.  Todos perdem muito, inclusive o filho que vai nascer. Refiro-me aos casos, hoje muito comuns, de meninas e rapazes de 14 ou 15 anos que sequer podem constituir uma família para receber o se u filho. E a menina ainda sofre a agravante de não ter um corpo maduro, plenamente desenvolvido para sustentar uma gravidez. Perdem, ele e ela, a possibilidade de convivência com o grupo de adolescentes e o amadurecimento que decorre disso, perde chances de formação e desenvolvimento profissional. Há casos em que a família, exatamente os avós, seja os maternos ou os paternos, arcam com o neto para possibilitar aos jovens que continuem estudando, em outros casos a família impõem que eles arquem com o filho e vão trabalhar. É justo, mas resultará, muito provavelmente, em despreparo profissional, já que os estudos serão relegados a segundo plano, abandonados ou redirecionados. Em qualquer caso não são situações plenamente favoráveis para o crescimento e amadurecimento familiar.

Programas sérios de prevenção precisam ser desenvolvidos, além do que, precisamos urgentemente, resgatar os valores morais. O comportamento moral dos pais, deve ser tratado num nível de respeito delicado e deve-se ajudar os filhos a apontar para metas elevadas, de nobreza e verdadeira realização. É preciso incentivar a sinceridade sempre, buscando diálogos íntimos cheios de compreensão, de modo que os filhos terão nos pais os seus melhores amigos. E a sexualidade será tratada nesse mesmo clima, como um elemento a mais, cuja finalidade é expressar o amor ao sexo oposto, a uma pessoa especial que eles terão escolhido.

E principalmente eu vejo a necessidade do envolvimento em alguma tarefa solidária: fazer uma campanha para angariar donativos e entregá-los a famílias carentes; visitar crianças ou idosos em orfanatos ou asilos; olhar para os pobres com a preocupação de que todos temos a responsabilidade de aliviar o sofrimento deles e efetivamente agir nesse sentido. Não se pode querer filhos responsáveis no que diz respeito ao sexo, se eles não tiverem sentimento de responsabilidade em outras matérias.

Agora, o que os pais não devem fazer é dar pílulas ou preservativos, pois isso é dar o passaporte. E uma vez ultrapassado o umbral do consentimento dos pais, não há mais nada a fazer, a não ser esperar as conseqüências que podem ser muito amargas. Em última análise, essa atitude significa dizer: "Faça o que quiser, mas não me traga problemas." Será que essa é a única conseqüência de um relacionamento sexual precoce? E o futuro?. Eu me imagino se haverá algum jovem hoje que, ao receber do pai um preservativo, respondesse: "Não pai, eu não quero brincar com sexo". Será que existe isso? Seria bom! Desculpe a franqueza, mas o maior problema são os adultos de hoje, muitos deles frustrados psicologicamente e na sua afetividade com a revolução sexual, e que não conseguem dar um enfoque positivo à sexualidade. No fundo, não sabem dar o que não souberam construir: uma vida amorosa sólida, de verdadeira doação e entrega.

Nós, pais, educadores e a sociedade como um todo, precisamos enfocar esse assunto, sem tabus  e com a maior seriedade e amor possíveis. Falar de sexo protegido pode ser uma falácia. E falar de sexo responsável sem que se tenha criado o filho para a responsabilidade em geral, outra. O sexo não é algo isolado, diz respeito a toda a pessoa. O chamado sexo protegido protege, muito mal aliás, os órgãos genitais. Mas sexualidade não é genitalidade. Tratar o sexo nesse nível é claramente reducionista e frustrante. Entre as duas opções, fica claro que sexo responsável é a melhor escolha, mas é preciso estabelecer as metas dessa responsabilidade em patamares muito elevados, vinculando a sexualidade à família, à doação e entrega que supõe a entrega do corpo. Claro que tudo será mais fácil se eles virem isso na própria casa, mas mesmo quando há dificuldades no relacionamento entre os pais, não se deve abrir mão de indicar aos filhos o melhor caminho.

Caminho esse, como forma de prevenção, ensinando os filhos a assumir as conseqüências dos seus atos.  Os pais precisam estar sempre muito presentes, uma presença com qualidade, atenta e comprometida com a verdade. Isso significa que eles farão um grande esforço por acertar, por procurar o melhor caminho em cada situação, sem ter medo de ser chamados de exigentes, caretas, chatos. Os filhos gostam de ser exigidos, porque isso indica que ocupam um lugar importante na vida dos pais. Na dúvida sobre como agir, os pais deveriam buscar o conselho de orientadores familiares, fazer cursos, ler livros. Ou seja, é preciso ser pai e mãe com mentalidade profissional, de quem se prepara para desempenhar otimamente uma tarefa.

Considerações Finais

Apesar do declínio verificado nas taxas de fecundidade desde a década de 1970, a incidência de gravidez inoportuna na adolescência segue um caminho inverso. Estima-se que, no Brasil, essas jovens meninas sejam responsáveis por 20% dos partos. E o que é pior: na maioria das vezes, esse tipo de acontecimento está relacionado à não-conscientização dos adolescentes.

A escola tem deixado a desejar, pois apenas informa sobre o assunto e os  jovens precisam de adultos seguros, que se aproximem deles com respeito e acolhimento respeitando o tempo  deles  serem  jovens  e  não  de  adulto s rígidos, autoritários, donos de verdades muitas vezes vazias de sentido.

O adolescente precisa ser formado e não informado. E formar significa colocar para fora o potencial do indivíduo. O adolescente precisa ser educado, mas a educação acontece pelo exemplo.

A gravidez na adolescência é uma doença social… Os programas de saúde devem impedir a primeira gravidez para que a adolescente possa praticar sua verdadeira sexualidade, o prazer verdadeiro, o sexo bom, gostoso, que não leve  a uma gravidez precoce e/ ou indesejada. Precisamos ensinar nossos jovens que:

A vida é uma maravilhosa caixa de surpresas!

Não  precisas ter pressa em viver, mesmo que todos digam que a vida corre.  Deus, fez tudo a seu tempo e nos dá o tempo necessário para tudo descobrir.

As crianças querem crescer depressa, os adolescentes querem ser adultos depressa e os mais vividos gostariam de voltar a ser crianças.

E tudo o que todos conseguem com isso é atrapalhar a ordem natural das coisas e é por isso que muitas vezes temos a impressão que o mundo está de cabeça para baixo.

A adolescência é um período intermediário entre a criança e o adulto e é importante buscar a afirmação.

Não corra, não queira experimentar, não queira envelhecer depressa!

Descubra, dia-a-dia, o que essa maravilhosa caixinha te reserva e acolha o que ela te oferece de  braços abertos.

Não tenha medos, eles te impedirão de viver.  Mas não encare a vida com ousadia exagerada, ela poderá causar danos irreparáveis.

Aprenda o equilíbrio.

Cultive seus sonhos, mas sem ignorar que a realidade existe.

Saiba que se todos os seus sonhos se realizassem,  sua vida acabaria.

Não feche os olhos à dor, é ela que te ensina a melhor apreciar seus momentos de felicidade.

Seja bom,  franco, honesto!

As pessoas aprenderão a te conhecer pela sua maneira de viver mais do que pelas suas palavras.

E quando o amor vier te encontrar, acolha-o com doçura, sem esperar demais, sem cobrar demais,  sem querer demais.

E se ele partir, prepare a terra do seu coração para uma nova semente.

Nunca desista de um caminho por causa de uma barreira.

Muitas vezes elas chegam para provar nossa resistência, não para nos impedir de caminhar.

Saiba que a paciência é uma das maiores virtudes.

Cultive-a!

Ela te ensinará a vida!

E, qualquer que seja o caminho que tenha que atravessar, não desanimes.

Construa, dia-a-dia, suas lembranças de amanhã.


Publicado por: Aparecida de Fátima Garcia Oliveira

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.
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