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Epistemologia social

Educação

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"Aquele que não acredita na educabilidade dos seus alunos faria melhor mudar de ofício

(Meirieu, 2004)."

Para está na Educação é necessário acreditar na causa, aceitar que nossas ações estão sujeitas a erros e ainda assim tentar. Perceber cada ser como único, respeitá-lo enquanto cidadão em formação, mais que isso, aceitar que lições podem e devem ser recíprocas. Tentar o novo, o velho, criar situações, nos enxergarmos como inacabados, tal qual nossos alunos.

A Educação " do 1º a 3º  mundo" , encontra obstáculos semelhantes a serem ultrapassados, o  que difere o sucesso do insucesso é a persitência, o perfil do Educador.

Teorias e práticas se tornam ações, não necessariamente nessa ordem.

A frase de Meirieu, citada acima, afirma que todos somos educáveis, desde que nos dada oportunidades para troca de experiências e exposição de ideias. Nossas crianças tem o cognitivo bastante fértil, bem incentivadas, desenvolvem-se e surpreendem-nos.

Muitos são os discursos , debates, estudos, embora muito se tenha descoberto na Educação, muito pouco  ainda é feito pelos educadores, para os educandos em sala de aula e para os educadores pelo poder público.

É fato que o legado teórico , deixado por muitos e atualmente criado por outros, está sempre a somar, embora não possamos nos esquecer que além do nosso discente, temos autonomia para criar e recriar práticas e assim  registrar os feitos, nascendo então mais teorias.

Salas de aulas recheadas de mundos a serem desbravados, literalmente descobertos situam-se em várias das nossas Escolas. Crianças sedentas de curiosidade, desejosas de alguém que lhes dê  a devida atenção, o devido respeito, anseando por alguém que lhes escutem, que atendam os seus clamores. Essas crianças "gritam quietas" por mudanças, por diversidade, criativade em sala de aula. Querem aprender e sabem como, mas precisam ser conduzidas para poder conduzirem!

Assim também são muitos professores, alguns, com teorias obsoletas insistem em  não aceitar o novo, a evolução dos tempos e pensamentos, os que guardam desde sempre o mesmo caderninho de anotações e protestam sempre a cada início de ano letivo pela mesma série ( ou ano ) para não ter que  fazer um novo plano de aula, novas atividades, os que reclamam da monotonia e não saem dela. Outros, "detém" o saber, os que além de não acatarem ou experimentarem ideias não criam as suas próprias e insistem em reclamar da turma á coordenação.

Ensinar vai além de rotineiramente  ir para uma escola e dar aulas. É  incitar curiosidades, vontades, é por exemplo, antes de iniciar uma aula de geografia, sobre a litosfera, pedir que as crianças tragam pedras ou pedrinhas das que vimos, principalmente no interior, é iniciar uma aula sobre fração com uma melancia e partilha-la com todos, e por aí vai.

Sobre os vários mundos citados acima, saliento que todos valem a pena. A competência do docente expressa-se quando alcança-se o sucesso em turmas heterogênias, obviamente que  é imprescídivel dedicação. Assim como a curiosidade que devemos despertar nas crianças, temos também de tê-la. Enxergar cada um como único e válido nas suas especificidades. Professores devem ter além de habilidades, precisam de sensibilidade.

É plural os motivos que levam nossos alunos ao sucesso ou insucesso. Ao chegar na Escola, nos primeiros anos, já se traz de casa e do "mundo" em que vivem uma educação, a que chamamos de informal, a que estará entranhada, seja boa ou "ruim". Para a segunda, é possível intervenção positiva, para a primeira todo aperfeiçoamento é possível e válido.

Aprendemos com nossas vivências, estamos a todo tempo experimentando, ivestigando ou recriando algo dito/feito por outrem. Teses são erguidas e derrubadas. E é isso que nos  move, a curiosidade!

É esta curiosidade que temos de ter pelos nossos alunos, adotar cada caso como sucesso possível.

       "O professor é militante da justiça social. É investigador da sua sala de aula" (Morrow e Torres, 1997).

Esses princípios exprimem a pertinência da associação professor/investigador mas por outro lado mostram dois planos distintos:

 - Procurar na informação teórica apoio para os problemas de aprendizagem dos alunos;

- Procurar constatar, pela investigação, de que modo as tentativas inovadoras resolvem os problemas encontrados. ( Duarte, 2008 )

Assim, uma coisa é ação pedagógica, outra coisa é a investigação que se faz sobre ela ( mesmo que o professor e o investigador sejam a mesma pessoa ) porque a objetivação proporcionada pela teoria e a alteridade dos pares permitem distanciar os dois planos, o da ação e  o da pesquisa.

Estudos e pesquisas nos servem de base e orientação para aperfeiçoamento da nossa prática, todavia, não é sufieciente mudar a metodologia sem investigar também as necessidades dos alunos, tem de haver complementação entre ambas (ação e investigação / investigação e ação).

O aluno como ser ativo pode  ser consultado sobre suas curiosidades e isto pode ser usado a favor da prática docente, mais que isso, tal ação tornará positivo o feedback.

Concluamos que o registro dos diálogos com os próprios alunos e a análise das suas formulações e ensaios à luz de teorias orientadas poderão dar um importante contributo a uma ação pedagógica, que se pretende transformadora da escola e sociedade. ( Duarte, 2008 )

Toda  aula é possível ser problematizada, ou seja, despertar antes do conteúdo propriamente dito a curiosidade pelos objetos, fenômenos, causas, etc. Percebidos pelos alunos fora dos muros da Escola. Registros são de suma importância tanto para constatação do aluno sobre sua evolução, bem como sucesso da prática do professor. O portfólio é uma boa sugestão para tais registros.

A heterogeneidade na sala de aula pode ser usada, inclusive como ferramenta para o bom professor, podendo este, formar um grupo  de auxílio, onde os mais conhecedores sobre determinado conteúdo ajudarão os que manifestam difuculdades, sendo os membros, revezados de acordo com suas habilidades.

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No respeito pela ordem dos conceitos contida nos programas, nós, professores, tendemos a naturalmente seguir uma marcha da lecionação condizente com essa ordem. Tendemos ainda a esperar orientações pormenorizadas das direções-gerais e regionais ou outras instituições tutelares. Tendemos, em suma, a fazer reprodução de conhecimentos. É que, por mais teorias com que tenhamos contatado no nosso currículo, a nossa formação docente advém sobretudo das imagens dos professores que tivemos, imagens associadas a um modelo uniforme, ligado a um tempo em que a escola era seletiva e os alunos tinham um nível cultural relativamente homogéneo, o que permitia transmitir o saber a esses alunos “como se fossem um só”.  (Duarte, livro em preparação)

Este modelo de homogeneidade , embora ultrapassado, ainda vigora para alguns professores. É natural que guardemos conosco boas (ou más) lembranças dos nossos mestres, afinal, todos nos deixam recordações, sejam elas boas ou menos boas. Infelizemente, alguns profissionais da Educação ao invés de proporcionar o conhecimento, dificultam-no, provavelmente tenham a falsa sensação de soberania sobre os aprendizes e perdem a oportunidade tanto de ensinar quanto de aprender com os nosso meninos e meninas.

Todos nós trazemos  lembranças desagradáveis da escola, seja ela no Ensino Fundamental ou Médio. Ainda que o fato não tenha se dado  conosco,  presenciamos de algum modo, ao logo da vida Escolar um coleguinha que tenha passado por algum constragimento causado pelo professor "carrasco".

O que quero dizer é que não passamos neutros pela vida das pessoas, nem o professor, nem o aluno. O que nos torna ainda mais responsáveis  no nosso  ofício, considerando que somos  nós, os professores, que temos que nos preocupar com legado deixados para as crianças das nossas escolas.

Paulo Freire diz:

"Não basta saber ler que Eva viu a uva. É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho.” 

Paulo Freire, 1996

Existe uma gama de coisas  interessantes  a serem exploradas fora da escola e que podem ser trazidas para dentro dela, ou levar o nosso sujeito ao encontro de tais coisas. Embora as Escolas estejam mudadas e não haja tantos perfis parecidos entre os alunos, temos mais Escolas, (embora algumas bastantes sucateadas) e recebemos mais investimentos a cada ano. Não estou justificando o fracasso  da Escola pela prática docente, porém afirmo que muitos de nós podemos fazem muito além do que realmente fazemos.

É comum na Escola presenciarmos aulas de boa qualidade, onde o professor naturalmente manifesta sua vocação para o magistério. Demonstra humanidade, preocupação, interesse pelos alunos. As Escolas estão compostas, também por professores que atuam dentro e fora da Unidade de Ensino, que sentem a ausência do aluno, percebem tristeza ou alegria demasiadas, que se dispõem a visitar a família da criança, caso seja necessário. Em contrapartida, temos os sofistas de discursos exemplar, que tudo enxergam, por exemplo, a Escola deteriorada, salas cheias, falta de material de consumo, má qualidade da merenda, falhas da gestão, etc. Mas não são sensíveis ao principal, a necessidade do aluno que já vem de uma sociedade excludente, que por vezes vai a Escola pelo forçar da mãe ou para não ver por quatro horas ( mais ou menos ) seus pais bêbados /brigando ou saciar a fome ou tantos outros motivos que não seja aprender,  porque alguém não lhe despertou ainda o prazer para tal.

Com isto, não estou eximindo a responsabilidade do poder público, pelo contrário, mas temos de ser no mínimo éticos com a causa que abraçamos, neste caso a Educação.

Enquanto escrevia estas linhas, li em algum lugar que "Educar dá trabalho,  e se não dá, não é educação." ( desconheço autoria)

Compreendi o "trabalho" como atividades constantes, pesquisas, diferenciação de prática para atender todas as especificidades da turma, e obviamente, a busca pelo reconhecimento e valorização da prática docente, investimento na profissão no tangente a  formações, workshop,investimento em tecnologias facilitadoras da aprendizagem, manutenção dos prédios escolares, etc. Mas também e, principalmente  a consciência de que uma luta não pode interferir no resultado da outra. Não podemos deixar de fazer pelos nossos alunos o que sabemos e podemos fazer porque o governo não faz a sua parte ou tarda em fazê-la. Isso não denotaria um ato de bravura, como os muitos atos  dignos de tantos professores existentes mundo afora  que não desistem dos seus alunos, que sentem prazer em educar, mesmo diante de infinitas dificuldades e obstáculos.

" Não se pode falar em educação sem amor" (Freire). Frase distorcida por muitos, mas que expressa o que escrevi  acima. Não é só trabalho, ocupação ou salário, mas buscar fazer o que se gosta de fazer! Sentir-se desafiado por situações a serem desvendadas, o prazer em fazer parte da história de uma criança que até então não manifestava nenhum estímulo para quaisquer circunstância . Trata-se de trabalhar com dedicação, amor ao que se faz. Plantar expectativas de vida nos futuros adultos da nossa sociedade. É comum em reuniões de pais, (no município que moro e trabalho) ouvir depoimentos do tipo " não estudei porque meu pai queria que eu trabalhasse"; "não estudei porque engravidei logo e tive de casar, meu marido não me deixou ir para escola"; " não estudei porque era muito difícil naquele tempo, só quem tinha dinheiro é que ia para escola."  Atualmente relatos assim se tornaram bem mais raros. A Escola está para todos, no campo, na cidade, ribeirinhos. O nosso desafio agora é  manter nosso aluno assíduo na  Escola. Concorremos com uma gama de coisas interessantes, o que com certeza, aumenta o nosso mérito em despertar no aluno a vontade de está numa sala por vezes sucateada, onde a tecnologia disponível para nós seja giz, livro didático e brinquedos de material reciclado, Lá fora ? Tecnologia de ponta !


Publicado por: Leonarda Macedo

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.
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