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Deveres da Escola no Ensino da Língua Materna

Educação

Deveres da Escola no Ensino da Língua Materna, as formas variadas da linguagem, obras didático-cintíficas, produção de gêneros textuais, o papel educador, o professor da língua materna.

O objetivo deste trabalho é demonstrar a importância do conhecimento das variações lingüísticas básicas no ensino da língua materna. Alguns autores advogam ser “papel da escola ensinar a língua padrão” (POSSENTI, 2002, p. 17), ou proporcionar ao aluno situações diversas em que a norma culta seja aprendida. Defendemos, todavia, algo além, considerando que o domínio da comunicação escrita deve perpassar por todos os níveis de linguagem oral. E, nesse caminho, acompanhado pela norma padrão, é preciso mostrar a linguagem não somente como fonte de informação e cultura, mas também como forma de lazer, de espairecimento espiritual e, por que não dizer, de harmonização mental do leitor-produtor do texto.

Para atingir o objetivo acima é preciso considerar as formas variadas da linguagem na poesia e na prosa, no cinema, no teatro, no jornalismo, nas obras didático-científicas, na internet e no cotidiano de todos nós. É necessário aprendê-la nos processos sincrônico e diacrônico de sua manifestação literária, científica, social, histórica, econômica, filosófica e antropológica. Em numerosos casos, de modo restrito, em outros tantos, interdisciplinarmente, intersemioticamente, interativamente.

Nos ensinos fundamental e médio, o aluno deve ser educado de modo amplo, no sentido de dominar os aspectos cognitivos básicos do uso da linguagem, sem porém se descurar dos aspectos comportamentais em seus relacionamentos sociais. Para tal, é necessário que a criança e o jovem sejam estimulados a ler e produzir textos que realcem os valores éticos. A produção de gêneros textuais diversificados é elemento primordial na formação intelecto-moral do futuro cidadão e, pois, não deve ser descurada no aprendizado de nenhuma disciplina, seja ela voltada ao raciocínio lógico, ou esteja relacionada às áreas humanas.

Visto isso, defendemos um ensino da linguagem em sua mais ampla manifestação, em especial após o ingresso do aluno, cada vez mais jovem, no ensino superior, quando o treinamento gramatical básico já deveria estar consolidado. Na nova etapa de aprendizagem, o aluno já se imagina independente, auto-suficiente e se torna, muitas vezes, com o próprio incentivo dos professores, contestador, crítico do sistema e dos métodos de ensino para os quais ainda não possui o preparo e o amadurecimento requeridos.

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É então que o papel do educador, na motivação e preparação desse aluno para os novos desafios educacionais se torna importantíssimo. O professor de língua materna, muito em especial, precisa criar situações que conduzam, gradativamente, seu aluno a expressar-se conforme o que se requer de cada cidadão, não somente como profissional, mas também como participante ativo e tolerante, criativo e produtivo nos relacionamentos sociais, tanto no que diz respeito à linguagem falada como na escrita.

É preciso mostrar-lhe que o erro é uma outra forma de aprender, mas que a correção do equívoco, sem punições e ameaças é essencial para a efetivação desse aprendizado. Por outro lado, o aluno necessita dominar os diferentes processos de planejar seus estudos e elaboração de textos, sem, também, deixar de aprender os diversos processos e técnicas requeridas a outro domínio essencial ao aprendizado: a capacitação para a pesquisa.

Com isso, ao professor de língua materna cabe a grande responsabilidade de esclarecer aos seus alunos universitários a diferença entre os diversos domínios lingüísticos na produção textual, sem esquecer de realçar a diferença entre a produção de um trabalho científico e outro artístico ou literário. Nos dois últimos, a manifestação da língua pode se dar pelo uso da linguagem coloquial ou popular, no primeiro, e mesmo nos últimos, é preciso destacar a primazia do uso da norma padrão quando se trata de expressar a finalidade do trabalho ou informar seus elementos estruturais básicos.


REFERÊNCIAS

OLIVEIRA, Jorge Leite de. Texto acadêmico: técnicas de redação e de pesquisa científica. 3. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2007.

POSSENTI, Sírio. Por que (não) ensinar gramática na escola. 9ª impressão. Campinas, SP: Mercado de Letras : Associação de Leitura do Brasil, 2002.


Publicado por: Jorge Leite de Oliveira

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.
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