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“Desafio à Escola Pública: jovens aprendendo no ciberespaço”

Educação

Implantar um projeto pedagógico que possibilita a superação dos impasses da escola pública à aprendizagem de jovens no ciberespaço.

O artigo reporta a discussão sobre a aprendizagem de jovens num ambiente conhecido como ciberespaço, no contexto da escola pública, esta levando em consideração seu alicerce advindo dos ideais europeus e a importância em refleti-la na tentativa de mudança. A indagação motivadora durante todo o estudo foi como desafiar os impasses da escola pública projetando o aprendizado de jovens no ciberespaço. Para isso, objetivou implantar um projeto pedagógico que possibilita a superação dos impasses da escola pública à aprendizagem de jovens no ciberespaço. O local para implantação deste projeto é uma escola pública no município de Sabará, os sujeitos são jovens estudantes do ensino médio, com envolvimento dos educadores e gestão escolar, no período de um ano, novembro 2011 ao mesmo mês de 2012. O estudo proposto é o desafio a uma nova forma de pensar, que confronta os impasses desta escola, que possibilite alavancar novas formas de ensinar e aprender, pois acredita-se no planejamento como proporcional à mudanças mais conscientes e organizadas, explorando e defrontando problemas que servem à resoluções a curto e longo prazos.

Palavras-chave: ciberespaço – aprendizagem – escola pública

1. INTRODUÇÃO

A profunda responsabilidade dado a escola no processo de aprendizagem da rede pública de ensino é discutida desde o século passado, quando das idéias européias surgiu o imaginário de formação do novo homem, que contribuísse aos interesses políticos, econômicos e sociais da elite e governo.

Novas reflexões sobre a função política da escola surgiram no contexto das mídias e tecnologias educacionais, com novas formas de comunicação mediada por computadores e internet, sendo novamente alvos dos interesses políticos, sob a lógica da informação mais acessível pela descentralização da cultura contribuída pelo governo, comprometido e preocupado em garantir aos cidadãos direitos a consciência política e interação ao mundo.

O avanço da rede por pessoas integradas ao mundo foi um fato incontestável da aceleração da tecnologia, norteando o universo de relacionamentos entre o computador e a internet (rede) no ambiente conhecido como ciberespaço, na sociedade em rede. Entretanto, o mesmo não ocorreu de maneira rápida aos jovens educandos no ambiente escolar público. Os impasses da instituição escolar são inúmeros, torna o desenvolvimento dessa tecnologia em passes ainda lentos. O ciberespaço é a realidade do aluno, esta confronta no ambiente escolar, com recursos muitas vezes arcaicos.

A responsabilidade do professor para mudar esta realidade é essencial, e como protagonista deste cenário, a experiência contida da Escola Estadual Professor João de Arruda Pinto, no município de Sabará- MG, fez escolhe-la como local para implantação do projeto proposto. Os sujeitos do estudo são jovens estudantes do ensino médio, envolvidos os educadores e gestores. Pretende no período de novembro de 2011 ao mesmo mês, de 2012 alcançar os objetivos idealizados deste projeto.

Assim, para efetivar o presente planejamento, houve uma linha de pensamento ao problema indagado neste estudo, que é como desafiar os impasses da escola pública projetando à aprendizagem de jovens no ciberespaço?

A resposta pode está justamente no objetivo deste artigo, na proposta de implantar um projeto pedagógico que possibilita a superação dos impasses da escola pública à aprendizagem de jovens no ciberespaço. Pois, o início está pronto, o planejar é indiscutivelmente o começo para reflexão e possibilidade à identificação de motivações que faça do educador e aluno grandes aprendizes em um cenário desafiador, mas não inatingível.

2. BREVE HISTÓRIA DA TECNOLOGIA NA ESCOLA PÚBLICA

A escola pública de hoje é o conjunto dos ideais e transformações de uma história, com objetivos políticos, econômicos e sociais, advindos principalmente da Europa e Estados Unidos. O avanço da industrialização nesses países e a repercussão no mundo fez eclodir no século XIX a discussão por uma educação que atendesse os interesses sociais e ao mesmo tempo qualificasse os trabalhadores para melhoraria na economia (PEREIRA et al, 2005).

No Brasil, o alicerce da escola advinda da Europa, configurou o imaginário da elite à formação do “novo homem”, onde a educação elevaria o país a nação desenvolvida como as nações européias. Pereira et al. Apud Hilsdorf (2005, p.60) observa com os signatários do Manifesto Republicano (1870) o objetivo dessa educação da época:

A educação pelo voto e pela escola foi instituída por eles como a grande arma da transformação evolutiva da sociedade brasileira, e assim oferecendo em caução do progresso prometido pelo regime republicano: a prática do voto pelos alfabetizados e, portanto, a freqüência à escola que formaria o homem progressista adequado aos tempos modernos, é que tornaria os súditos em cidadão ativo.

A partir dessa citação, percebe-se que o autor ao referi-la observa a profunda responsabilidade dado a escola na formação do “novo homem”, este pertencente a uma instituição responsável por promover o avanço do país. A escola mantedora dos princípios propostos de igualdade, obrigatoriedade e gratuidade, entretanto, não se consolidaram para o avanço idealizado (PEREIRA et al, 2005) .

Seguindo essa lógica, a organização didático-pedagógica e administrativa do ensino público implicou em debates sobre a função política da escola e democratização da cultura nas sociedades modernas, com a discussão central voltada aos conteúdos utilizados para a escolarização popular, entretanto, a oscilação dos diferentes interesses ideológicos, sociais, políticos, religiosos, econômicos e culturais desarticularam tais princípios referidos (PEREIRA et al, 2005) .

Ainda no contexto do ideal europeu, percebe-se a preocupação com os aspectos políticos relacionados às mídias e principalmente o poder de informação. Os autores Bévorte e Belloni (2009, p 1085) relatam uma fase pioneira, no período de 1950 a 1960, na Europa, nos Estados Unidos e no Canadá, de interesse pela mídia-educação, onde enfatizam a “preocupação com os aspectos políticos e ideológicos decorrentes da crescente importância das mídias na vida cotidiana e se refere mais à informação sobre a atualidade, principalmente política”.

Os autores ainda reportam à mídia-educação como essencial aos processos de socialização, numa concepção de educação ao longo da vida, sendo importante na produção, reprodução e transmissão da cultura, pois a possibilidade que a mídia oferece à apropriação crítica e criativa é indispensável para o exercício da cidadania.

Vale ressaltar, que neste contexto, por mídia-educação entende-se o estudo, o ensino e a aprendizagem das formas modernas de comunicação, portanto serve como objeto de estudo, não como ferramenta pedagógica. (BÉVORTE & BELLONI, 2009).

No tocante à ferramenta pedagógica, esta domina no campo da tecnologia educacional florescida na década de setenta, com significativo desenvolvimento nos Estados Unidos e América Latina, principalmente. No mesmo século, novas formas de comunicação por meio do computador e internet, com aperfeiçoamento do rádio, cinema, televisão e impresso, possibilitou o acesso a mídias mais sofisticadas, conforme explícito por Bévorte e Belloni (2009, p.1091):

Com a difusão crescente em ritmo exponencial, mesmo em países pobres como o Brasil, das TIC e da internet, simples usuários sem formação específica podem ter acesso a mídias sofisticadas, que permitem interatividade e acesso à informação e entretenimento quase sem limites. As mídias tornam-se mais individualizadas, impregnantes e invasivas. Da “aldeia global”, passamos à “sociedade da informação ou do conhecimento” e, sobretudo, à “sociedade em rede”, com suas utopias e aporias (inteligência coletiva, autonomia, democratização da cultura, realidade virtual...).

A sociedade em rede é o universo de relacionamentos entre o computador e a rede, esta compreende a internet no ambiente conhecido como ciberespaço. Nesse ambiente, vinculam-se a infinidade de informações de forma interativa, contribuindo para o desenvolvimento da “inteligência coletiva”, onde navegadores, pessoas interligadas nessa rede, interagem entre si ou com os programas computacionais. Para tais idéias, observa-se que os autores reportam aos estudos de Lévy (1999 p 41): “O ciberespaço não compreende apenas materiais, informações e seres humanos, é também constituído e povoado por seres estranhos, meio textos meio máquinas, meio atores, meio cenários: os programas”.

Um programa, ou software, é uma lista bastante organizada de instruções codificadas, destinadas a fazer com que um ou mais processadores executem uma tarefa. Através dos circuitos que comandam, os programas interpretam dados, agem sobre informações, transformam outros programas, fazem funcionar computadores e redes, acionam máquinas físicas, viajam, reproduzem-se, etc. (Lévy, 1999, p. 41).

Em suma, ao interagir com o mundo virtual, as pessoas o exploram simultaneamente e transforma a relação, torna-se um vetor de inteligência e criação coletivas. A conexão no ambiente virtual é uma alternativa educacional que possibilita “o conjunto de práticas, atitudes, pensamentos e valores, que se desenvolvem com o crescimento do ciberespaço”, a isso, dá-se o nome de “cibercultura” (LÉVY, p. 17, 1999).

A relação entre educação e cibercultura foi estudada profundamente pelos autores Ubiratan e Andrade (2007), na ideologia de Pierre Lévy. Sabe-se que o século XX e XXI foi marcado pelos inúmeros avanços tecnológicos, como o aperfeiçoamento do conhecimento mediado pela informática, esta com possibilidade de acesso dentro da instituição de ensino utilizada no processo educativo.

Desse modo, a aplicabilidade dos recursos tecnológicos no contexto da educação é analisada por Ubiratan e Andrade (2007) na compreensão do uso do computador e ciberespaço para o desenvolvimento cognitivo do indivíduo, memorização e imaginação, por exemplo. A internet aumenta conhecimentos e favorece à formação do indivíduo, quando inserida na escola, pois ao deparar com textos escritos, denominados hipertextos no ambiente virtual, por exemplo, alguma informação é transmitida, que em conjunto aos conhecimentos da própria experiência de vida e centro educativo, o educando pode fazer parte da cibercultura e envolver-se com o mundo real, dominado por redes.

Na concepção de Pereira et al (2008, p.1) a internet pode ser usada para “aumentar oportunidades ao desenvolvimento de experiências de aprendizagem cooperativa, desfrutando de um universo de informação digital em constante expansão”. Os autores relatam a importância da aproximação entre escola e tecnologia que facilita a realidade do aluno, este cada vez mais receptivo aos recursos tecnológicos.

Ao ressaltar a colocação sobre a realidade do aluno, cabe especificar o jovem estudante da escola pública, pois pertence uma sociedade globalizada e conectada, com infinidade de informações e recursos tecnológicos nem sempre disponíveis na escola.

A tecnologia não chegou à escola pública no mesmo período que iniciou sua atividade na rede privada de ensino, pois o desenvolvimento e construção da instituição pública compreendem um arsenal complexo, burocrático, desmotivador e ainda com estigmas do “perigo da máquina”, já o ato de pagar pelos estudos, direciona a gestão consciente obrigatória, com investimentos em educação permanente de professores, em ambiência, incentivos e novos recursos tecnológicos, ao certo, o sistema particular ou privado, ainda há um horizonte de desafios a percorrer, mas é fato, as inovações são vistas em grande parte nesse local. Portanto, o conjunto dessas vantagens e incentivos, proporciona a motivação em educadores e alunos para a principal finalidade do ensino, contribuir para formação do indivíduo.

Dentro da escola pública, qualquer projeto um pouco mais ousado, gera uma rede de procedimentos burocráticos, que desmotiva só de imaginar em defrontar com o “perigo da máquina”, que caracteriza o imaginário de muitas pessoas, estas é importante frisar, estagnadas no tempo, ou rebeldes do século XXI, como àquelas, da época da televisão destruidora de cultura, e retornando à linha de raciocínio, o debate é bastante complexo e por isso não é objetivo deste artigo adentrar-se neste tema, mas indiscutivelmente, a reflexão sobre o jovem dentro da escola pública e ao sai-se dela é necessária e ainda pouco explorada no meio científico, pois qual a concepção deste jovem ao sair do século passado (escola pública) e retornar à realidade? É uma pergunta que norteia à outra: Como desafiar os impasses da escola pública projetando à aprendizagem de jovens no ciberespaço?

2.2  Aprendizagem de jovens, o ciberespaço e o desafio

Ao imaginar o jovem da escola pública é fácil deduzir o contexto de suas frustrações, a começar pela base familiar desfalcada, com pouco ou nenhum princípio humano essencial ao homem, como respeito, dignidade, compaixão, dentre outros. Segundo, a observância e conduta perante a realidade, seja ela dentro ou fora da escola, simplesmente decorrem da experiência de vida do indivíduo no mundo, por exemplo, mesmo de classe menos favorável e família desestruturada é possível encontrar um aluno interessado em aprender, com bons ideais de vida, mas observa-se que, por alguma motivação advinda da relação com o mundo, a pessoa detém essas idéias, portanto, o que é importante e motivador para mim, não é para você, porque as experiências são singulares. Por último, o conjunto princípios e experiências é sem dúvida o alicerce para concepção sobre a escola.

Nesse contexto, o ambiente do ciberespaço é a realidade do aluno, seja em locais alugados, como Lan houses ou por meio de telefones celulares barateados com internet, onde o jovem conecta ao mundo e relaciona, mas ao entrar na escola pública, retorna a realidade estagnada dos nossos avôs, óbvio que o desenvolvimento e sofisticação de instrumentos pedagógicos acontecem, mas lentamente e que toda regra há exceção, além de inúmeros impasses políticos, econômicos e sociais. Isso resulta na discussão sobre a gestão escolar consciente, que planeja sob ideais coletivos, com resultados a curso e longo prazo, que desafia a concepção histórica e cultural, da escola pichada (escritas rabiscadas sobre muros), violenta, gaiola de animais, presídio, dentre outras colocações.

O grande desafio da gestão nos dias atuais está em aproveitar a tecnologia em prol do desenvolvimento de novas competências requisitadas por este contexto, “para reconfigurar o espaço educacional, ampliar os recursos didático-pedagógicos e os benefícios que estes princípios trazem para conduzir o aluno a aprender a aprender (grifo do autor)” (PEREIRA et al, 2008, p.3).

Os mesmos estudiosos focalizam a escola pública analisada, com as possibilidades de mudanças nos cenários educacionais, com a introdução da tecnologia, pois “instrumentos novos precisam produzir efeitos novos, trazer avanços a cada realidade e ao contexto histórico social. A nova era geração precisa de maior consciência dos problemas para buscar soluções” (PEREIRA et al, 2008, p.6).

O Projeto Gestão Escolar e tecnologias desenvolvido em parceria com a Microsoft, na rede estadual de São Paulo é um exemplo do acesso às tecnologias relacionando-as ao contexto digital do aluno e professor, do gestor e funcionários, destacando “sobretudo à equipe gestora, apoiada pela comunidade escolar, motivar o corpo docente e discente, para juntos, enveredar por novos caminhos” (PEREIRA et al, 2008, p.6).

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Para finalizar, Pereira et al (2008, p.7) concluem a análise com o mesmo raciocínio do presente artigo, o grande desafio de inserir o contexto educacional na cultura digital:

Eis o grande desafio da era tecnológica: reconfigurar espaços; desenvolver novas competências e inserir o contexto educacional na cultura digital. O homem só cresce no desafio. Vallin (apud Fonseca, 2006) convoca o homem a uma opção: O mundo entra na era da informação e do conhecimento. Isso tem provocado novas mudanças na sociedade e na escola. Por isso, novos conhecimentos precisam ser desenvolvidos. É preciso aprender a lidar com essa nova situação.

O estudioso Zin (2010, p. 976) preferiu refletir sobre o modo como essas tecnologias foram consideradas no Documento Final da Conferência Nacional de Educação (CONAE), cujas considerações servirão de base para a elaboração das diretrizes e estratégias de ação do novo Plano Nacional da Educação (PNE) 2011-2020. Observa que as políticas públicas educacionais devem promover a discussão sobre os recursos tecnológicos e as teorias e práticas pedagógicas inseridas no processo de desenvolvimento dos agentes educacionais. Para isso, há necessidade de enfatizar e proporcionar críticas, tanto do professor como do aluno, aos recursos tecnológicos, ciberespaço e mudança de paradigmas, de maneira que, a utilidade da tecnologia torna-se aprendizado efetivo, sem esquivar da importância de um projeto pedagógico que impulsiona o desenvolvimento do “processo educacional/formativo”.

A aprendizagem do jovem no ciberespaço é desafiador e custoso, mas conforme as idéias explícitas pelos autores, o processo é lento, mas progressivo, com impasses impactantes para qualquer tentativa ousada de mudança, mas não impossível. Dentre os desafios encontrados, Castro et al (1999, p.1) relata em sua oficina de informática com jovens moradores de rua, resgatando-os à escola pública, “ a dificuldade de meninos e meninas de rua em conseguir escolarizar-se, como de que valorizam a escola, embora não sejam bem sucedidos nela, o que faz com que se sintam incapazes como aprendizes”.

Na conferência internacional (COSN, 2010a) sobre o uso de tecnologias na educação em Washington, DC, Castro (2010, p.629) analisa o evento e suas implicações para tecnologia e educação:

O ensino convencional é pouco vulnerável aos enguiços de infraestrutura. Se a sala não está desabando, há luz e quadro-negro, é possível oferecer educação de qualidade. Mas se a banda não é larga, cai a linha com frequência, as máquinas não tem velocidade para o software usado, nesse caso, praticamente se inviabiliza o emprego da tecnologia.

A infra-estrutura referida neste contexto é outro aspecto desafiador à escola pública, pois deve esperar mais duas décadas para chegar à pintura nova, o quadro de pincel, retroprojetores, sala de informática, dentre outros recursos, para programar medidas novas que possibilitam à aprendizagem de jovens no ciberespaço?

Outra discussão importante e talvez propulsora à resolução desse impasse trata-se de outro tema do congresso, o uso de recursos tecnológicos fora do ambiente escolar, sem menosprezar a escola como local de aprendizagem, mas propor medidas interativas, que no caso Brasil, quem sabe a idéia seja ao mesmo tempo atrativa ao aluno e a salvação por não esperar tais décadas de infraestrutura? 

Qualquer que seja a resposta pelas indagações ao desafio à escola pública ao aprendizado do jovem no ciberespaço, o importante no processo educativo é tecer novos horizontes, desarticular o comodismo e dificuldades enraizadas, de ordem política, econômica e social. Acreditar na mudança planejada e consciente é o objetivo do artigo proposto, não obstante, alguma implicação positiva é possível ao ampliar e discutir novas idéias.

2.3.1 O Projeto

A idéia e o cenário

A idéia de implantar um projeto que desafia os obstáculos e paradigmas da escola pública surgiu da necessidade, responsabilidade e comprometimento com jovens alunos da escola pública, porque o educador observa os impasses da instituição e nem sempre, as reais implicações de mudança desse processo, pode não sentir como o protagonista principal do cenário de interação e por último, ciente disso tudo, ainda por vários motivos e talvez o mais enfatizado, desmotiva num ato sem sucesso de mudança, e não se compromete mais.

A importância do projeto exposto, parte do princípio que, as estratégias pedagógicas fazem refletir as profundas transformações acarretadas, para escola, homem, família, sociedade e por fim, ao país. Quando obtém o real significado de ensinar fazendo o outro compreender, absorver a informação e dela firmar opiniões, o ensino contribui na formação do sujeito, possibilita novas concepções, interações e consciência dos seus problemas. Os resultados de uma aprendizagem eficaz observam nos atos do indivíduo no mundo, isso inclui a ação de pensar, como inerente ao ser humano. Caso o adolescente não aprende matemática na escola, ao calcular um troco a receber, por exemplo, pensará cinco segundos a mais que o aluno que aprendeu a calcular, insignificante né? Não, durante uma entrevista de emprego ou no vestibular, os segundos transcendem para horizontes diferentes, de oportunidades. A sociedade da informação, da economia estável e da captação de mão de obra qualificada, admite sujeito com boa formação, resolutivo, atualizado e conscientes dos princípios elementares ao homem.

Como protagonista principal responsável pela aprendizagem, o cenário melhor para estudar e tentar contribuir de alguma forma às mudanças necessárias na educação de jovens é a escola pública, esta escolhida para implantação do Projeto. Trata-se da escola estadual Professor João de Arruda Pinto.

Localizada no bairro Nossa Senhora de Fátima no município de Sabará, a instituição possui 898 alunos matriculados, sendo 828 do ensino regular e 70 do Programa Educação de Jovens e Adultos (EJA).  A infra-estrutura é composta por 9 salas de aulas utilizadas, 1 biblioteca, 1 laboratório de ciências, diretoria, sala dos professores, quadra de esporte, cozinha, banheiros e 1 laboratório de informática, quatro computadores de uso administrativo e oito de alunos, existe o Programa Nacional de Informática na Educação Proinfo ( um dos objetivos é inserir a tecnologia na escola) e o Projeto Banda Larga na Escola (desenvolvido com a empresa operadora de acesso a internet, OI)  ( BRASIL, 2011).

Os dados acima retirados do Ministério das comunicações são técnicos, não dá dimensão de outros fatores e como é utilizado o espaço escolar descrito.

Na realidade, a escola utiliza quadros de giz, retroprojetores insuficientes, poucos computadores para desenvolver os programas pedagógicos, os muros possuem pichações, não há sala de vídeo com laboratórios que comportam, dentre outros impasses.

Apesar da consciência e determinação pela gestão da escola e funcionários, além dos programas citados pelo incentivo do governo, para mudar esse cenário, os impasses são inúmeros e grande parte sem apoio. A verba, para recompor a instituição de ensino, o reforço da segurança contra a violência, os salários baixos e ainda poucos incentivos, desmotiva qualquer tentativa de mudança, mas acredita-se no poder coletivo para propor mudanças, e o começo já é vitorioso, com a proposta de implantação do projeto, que implicará reflexões e atitudes mais motivadoras.

Metodologia

A implantação do projeto será desenvolvida no período de um ano em três etapas, com encontros e objetivos. Para isso, a compreensão e organização das atividades cotidianas dos profissionais da instituição foram necessárias, de maneira a não interferi-las. Todos os momentos de discussão serão acordados entre os envolvidos e marcados em calendário.

Os envolvidos no estudo são professores do ensino médio e o gestor escolar, ao longo do trabalho há possibilidades de transpor este limite, ampliando para todos os profissionais da escola a discussão do tema. Os sujeitos centrais do projeto são jovens estudantes do ensino médio. A princípio calcula-se: 64 funcionários e professores, destes X professores do ensino médio , 1 diretora, 1 vice-diretor, 1 coordenadora pedagógica e 898 jovens do ensino médio.

Para a organização das etapas é necessário o cronograma das atividades, conforme disposto abaixo.

1- Tabela demonstrativa do projeto com etapas, temas e dias a serem desenvolvidos.

Dia/mês/ano

1ª ETAPA

2ª ETAPA

3ª ETAPA

1º encontro -Definir/nov/11

-Apresentação do projeto e autorização da gestão escolar

 

 

2º encontro - Definir/nov/11

- Apresentação do tema e da proposta do projeto

 

 

3º encontro -Definir/nov/11

-Levantamento dos diagnósticos

 

 

4º encontro - Definir/nov/11

-Discussão e planejamento a curto e longo prazo dos impasses discutidos

 

 

5º encontro - Definir/março/12

 

- Revisão e início da implantação das metas discutidas no planejamento

 

6º encontro - Definir/abril/12

 

- Revisão da implantação

 

Dia/mês/ano

1ª ETAPA

2ª ETAPA

3ª ETAPA

7º encontro - Definir/abril/12

 

- Discussão dos métodos e programas pedagógicos

 

8º encontro -Definir/abril/12

 

- Escolha do programa e método 

 

9º encontro - Definir/maio/12

 

 

-Atividade Prática entre educadores

10º encontro -Definir/maio/12

 

 

-Atividade Prática entre educadores

11º encontro -Definir/jun/12

 

 

-Revisão do Projeto

12º encontro -Definir/jul/12

 

 

-Atividade Prática com alunos

13º encontro -Definir/agos/12

 

 

-Atividade Prática com alunos

14º encontro -Definir/set/12

 

 

-Atividade Prática com alunos

15º encontro -Definir/out/12

 

 

-Avaliação do Projeto

16º encontro -Definir/nov/12

 

 

-Avaliação do Projeto

Ao todo, dezesseis encontros fazem parte da discussão do Projeto e durante o desenvolvimento, esse número, os temas e os tempos propostos podem modificar, pois a flexibilidade faz parte da estratégia de um projeto.

Conforme tabela, os diagnósticos referidos são justamente os impasses para realização do projeto, como exemplos possíveis: as dificuldades ao abordar o tema com os alunos, a desmotivação de alguns jovens, o tempo para desenvolver o projeto no cronograma escolar, dentre outros.

Ainda no planejamento, a escolha do método e programa pedagógicos é talvez o mais trabalhoso, porque terão que avaliar além dos programas já existentes na escola (Proinfo) vários estilos de aprendizagem mediada por computador, como exemplos: jogos virtuais, hipertextos, chats, sites de relacionamentos, dentre outros. O local também será definido neste momento, se no espaço escolar ou não, neste caso, vale relembrar Castro (2010), onde observa projetos semelhantes de sucesso em outros espaços, fora da escola.

A atividade prática pretende colocar os professores neste espaço e método que escolherem, acredita-se que é neste ambiente que perceberão a real contribuição da aprendizagem no ciberespaço.

Por último, a avaliação do retorno deste projeto para educação, talvez um dos indicadores seja a diferença calculada das notas anteriores e após projeto, estas incluem das provas ou avaliações, atividades dentro e fora das salas, outro interessante seria a freqüência escolar.

3. CONCLUSÃO

A história é uma grande fonte ao conhecimento humano, torna possível perceber os problemas reais no contexto cultural de uma sociedade. A sociedade em rede analisada profundamente por Lévy, mostra sua possibilidade de adentra-se no espaço educacional, mas não foi preciso o autor especificar os impasses da escola pública neste processo, basta analisar nas mídias a mensagem que repassam para o telespectador, como violência, baixos salários, desinteresses dos alunos, pais e enfim, dos segundos a mais oportunizados aos jovens de escola privada, tempo este possível pelos acessos a suas próprias realidades, como o interagir e aprender no ciberespaço, no ambiente escolar pouco ou muito motivador.

O projeto proposto é a forma mais lógica que a autora encontrou de reportar aos verdadeiros ideais da escola, não busca a formação da era de industrialização, mas de certa forma um pouquinho semelhante, ao tentar inserir jovens alunos ao mercado de trabalho, exigente no tocante a qualificação, mas vai além, a oportunidade do ser humano interagir no seu mundo dentro do espaço de aprender, com novas formas de pensar educação, aproximando tecnologia com responsabilidade de se transformar aprendizagem. Não é fácil planejar e inserir novas formas de agir, no entanto, difícil é perceber os impasses e justificá-los como únicos responsáveis o governo, a família e a sociedade, sendo como protagonista principal do cenário escolar, o educador, ser adjuvante nos ideais estagnados de escola “caso perdido”. O desafio a esta forma de pensar e aos impasses desta escola talvez possibilite o projeto proposto, de alavancar novas formas de ensinar e aprender, pois acredita-se no planejamento como proporcional à mudanças mais conscientes e organizadas, explorando e defrontando problemas que servem à resoluções a curto e longo prazos.  

4. REFERÊNCIAS

BÉVORT, Evelyne; BELLONI, Maria Luiza. Mídia-Educação: conceitos, história e perspectivas. Educ. Soc., Campinas, v. 30, n. 109, p. 1081-1102, dez. 2009.

BRASIL. Ministério das Comunicações. Disponível em: . Acesso em: 15 ago. 2011, 12:00:15

CASTRO, Cláudia R. et al. Oficina de informática com meninos e meninas de rua: relato de uma experiência. Psicologia: Reflexão e Critica, Porto Alegre, v.12, n.1, p. 1-19, 1999.

CASTRO, Claudio de Moura. Saga do computador mal-amado. Ensaio: aval. pol. públ. Educ., Rio de Janeiro, v. 18, n. 68, p. 611-632, jul./set. 2010.

LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 1999.

PEREIRA, Lílian A. et al. Origem da escola pública brasileira: a formação do novo homem. Disponível em: . Acesso em: 17 ago. 2011, 15:00:30.

PEREIRA, Lizabete Lázara Campos et al. A Gestão da escola pública na era da tecnologia: reconfiguração de espaços educacionais (2008). Disponível em:                              . Acesso em: 16 ago. 2011, 19:00:18.

UBIRATAN A., Mateus; Andrade, Cláudio César de. A relação entre educação e cibercultura na perspectiva de Pierre Lévy. Revista Eletrônica Lato Sensu - UNICENTRO, v.1, n.5, p. 1-12, 2008.

ZUIN, ANTONIO A.S. O plano nacional de educação e as tecnologias da informação e comunicação. Educ. Soc., Campinas, v. 31, n. 112, p. 961-980, set. 2010.


Publicado por: Thais Nacilene Lima e Castro

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.
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