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Conversando sobre a linguagem na escola e construindo reflexões

Educação

Conversando sobre a linguagem na escola e construindo reflexões, a linguagem é algo que vai muito além da simples comunicação exercida por duas ou mais pessoas, linguagem verbal, não-verbal e extraverbal, a linguagem escrita.


 A linguagem é um conjunto de ações que servem como uma forma de intercâmbio para as mais variadas maneiras de relacionamento entre os seres humanos. Apresenta-se como uma produção humana que remonta ao longo da história constituída de gestos, cantigas,  demonstrações de amizade ou de inimizade, algo que foi, de fato, dito ou mesmo aquilo que não foi dito na forma de discurso. Este último constitui a forma mais convencional de linguagem é que muitas vezes é confundida por muitos como sendo a única forma de linguagem.
 Faz-se necessário compreender que a linguagem é algo que vai muito além da simples comunicação exercida por duas ou mais pessoas: ela compreende também o pensamento que, depois que aprendemos falar, o torna uma linguagem racional. Sendo assim, utilizamos a linguagem para dar significado a tudo que está a nossa volta como, por exemplo, ao vivenciarmos determinadas situações, ao contemplar determinada imagem e, mesmo os gestos praticados num aceno forma em nosso cérebro um sentido de linguagem.
 Na escola o conceito de linguagem não deve ser restrito à forma verbal quer seja oral ou escrita, ao contrário, deve ser levado em consideração as mais variadas formas conhecidas de linguagem. Ela deve ser estimulada a se revelar através das artes e suas diferentes configurações como a pintura, a música, a fotografia e o cinema. Sob este ponto de vista, a linguagem humana nunca está completada: existe sempre uma maneira de aperfeiçoa-la ou de criar novos estímulos para o surgimento de também novas linguagens.
 Todo o tipo de linguagem seja ela verbal ou não-verbal, inclui também a linguagem extraverbal, que nada mais é do que aquilo que não foi dito, mas que de alguma forma possa ter sido compreendido pela outra parte envolvida na comunicação. Inclui-se aí, o sentido errado ou distorcido da comunicação que um sujeito envolvido na linguagem gostaria que fosse transmitido.
 Em nossas práticas sociais fazemos uso mesmo sem perceber de inúmeras formas de linguagens, que se constituem em gêneros do discurso apresentada de maneira partilhada ou individualizada. Para que a linguagem possa, de fato, ser acolhida é necessário que ela se valha de um suporte que pode ser a própria voz, livros, folhetos, jornais, televisão, internet, etc. Sendo assim, é necessário que escola propicie todos esses suportes aos seus educandos, ajudando-os desta maneira a ampliar sua capacidade de se expressar por diversas formas de linguagens. Não que a escola não deva eleger prioridade numa ou noutra linguagem (via de regra a linguagem oral e escrita), mas que seus currículos devam incluir as diferentes.
 Aqui vale ressaltar que, em muitos, casos é necessário se valer de um determinado gênero da linguagem para que o discurso atenda o intento para a qual foi destinado. Não raro, observamos campanhas educativas – produzidas sob a forma de filmes, com personagens da cultura regional participando com linguagens populares, gírias utilizadas pela população local, até mesmos gestos e caricaturas tudo com o objetivo da população entender a mensagem. Se tal campanha se valha do discurso formal, muitos não entenderão a mensagem.

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Variadas áreas de estudo têm se preocupado em revelar a linguagem escrita. Cada uma à sua maneira, traz contribuições efetivas para os pensadores no melhoramento da forma de se introduzir a linguagem da leitura e da escrita na escola. Os estudos da sociologia, por exemplo, permitem pensar as relações entre a língua, a sociedade e o poder. A sociolingüística se preocupa em determinar as variações existentes numa mesma língua determinando a diferença existente entre a maneira formal de articular e o linguajar predominante e ainda instigando maneiras de como melhorar tal língua, qual a fala que deve ser ensinada pela escola. Daí a importância das ciências que se integram para discutir a linguagem humana.
 Das inúmeras formas de linguagens aqui relatadas, aquela que se constitui como a mais importante e que, por isso, deve ser priorizada pela escola é a linguagem conhecida pelo descerramento das letras. Através do conhecimento completo da maneira que se tem para decifrar esta linguagem é que o individuo adquire o passe para concretização de sua cidadania.
 Apesar da grande importância que a escola tem na formação de indivíduos capazes de decifrar corretamente as variadas formas de linguagem a que ele é exposto, muitos desafios ainda precisam ser vencidos por ela. Vale lembrar das péssimas condições de infra-estrutura que muitas escolas estão submetidas. Os professores também devem ser preparados, desde o início de sua formação, para o enfrentamento das adversidades que a eles serão reveladas como as desigualdades sociais, a violência, o desrespeito ao outro, etc.
 É importante entender que a educação praticada dentro da escola exerce um papel fundamental para demonstrar aos seus educandos que o ser humano, ao mesmo tempo em que é um individuo, ele faz parte de um contexto maior e deve se relacionar na sociedade entendendo suas variadas manifestações efetuadas através das diferentes maneiras que a linguagem pode se expressar.
 Mas para que a escola cumpra o seu inegável papel de ensinar a linguagem humana, ela deve estar atenta as diferentes maneiras de expressões e preparada para difundi-las entre os seus educandos. Uma escola que se preocupa em ensinar apenas a linguagem escrita, aleija seus alunos do saber do mundo e não os prepara para se tornarem cidadãos.
Mesmo a arte – tida como uma linguagem universal – pode e deve ter diferentes interpretações sob o olhar de cada pessoa. Dessa maneira, esta estrutura de linguagem é uma das melhores para que se possa expressar relatos de uma determinada época histórica. Dessa maneira, a escola deve incentivar o ensino da arte como uma importante forma de linguagem.
 Em suma, a linguagem é um instrumento fundamental, pois serve como meio de comunicação e re-organização do pensamento, da memória, da atenção, da percepção, enfim, de todo o processo de constituição da consciência.


Publicado por: MARLI RAQUEL ASSUNÇÃO DE OLIVEIRA LÁZARI

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.
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