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Aprendizagem Docente: Dilemas do Profissional em Inicio de Carreira

Educação

O início de qualquer atividade profissional existe expectativas e angústias ligadas à sensação de receio e insegurança inicial.

RESUMO

É sabido que como dizem tanto a literatura, quanto os jargões da sociedade, ser professor não é uma tarefa fácil, mas também não é tão ruim assim. Pode até parecer como se diz o provérbio popular que estou “puxando brasa para minha sardinha”, não é bem assim, mas pretendo demonstrar neste exposto que apesar dos dilemas vivenciados pelo profissional docente em inicio de carreira, está é uma profissão muito importante que necessariamente, faz-se presente na área da educação. A propósito, acredita-se que para se alcançar uma educação de qualidade é necessário repensar a formação inicial do professor e sua inserção no mercado de trabalho, principalmente nos primeiros anos de carreira.

Palavras_ Chaves: Profissionalização docente; Educação; Inicio de carreira e Dilemas.

1 REFERENCIAL TEÓRICO

Historicamente os processos de transformações sociais influenciaram e continuam influenciando na função social da escola e também na figura do professor.

De acordo com Paro (2007) a escola é concebida como uma agência educativa, tornando a educação um elemento imprescindível a apropriação da cultura, estabelecendo conjuntos de conhecimentos, crenças e valores, isto é, tudo aquilo que constitui o homem como ser histórico.

Conforme Souza (2009) o professor é considerado como o principal responsável para se efetivar a mudança na educação.

Neste sentido, Lima (2012) lembra que ser professor requer o reconhecimento de sua função social englobando os processos de ensinar, aprender e formar seres humanos, a autora destaca também que este contexto estabelece uma interação de uma base consistente e uma formação de qualidade.

Não há consistência em uma profissionalização, a constituição de uma base sólida de conhecimentos e formas de ação. Daí, a importância de uma sólida formação inicial, solidez que também necessita de reconhecimento pelo conjunto societário. (GATTI; BARRETO; ANDRÉ, 2011, p. 93)

Toscano (2012) relata que a formação inicial é de extrema importância na constituição profissional dos futuros educadores, pois é nos cursos de formação inicial que o futuro docente passa a conhecer por meio do estágio supervisionado um pouco do que irá enfrentar na sua jornada de trabalho após a graduação. Neste sentido, a autora enfatiza que, o objetivo da formação inicial é promover através de “ações formativas específicas, construir a sua percepção sobre a sua prática e desenvolver capacidades de ação para enfrentar os desafios com que se deparam. Contudo, no início de qualquer atividade profissional existem expectativas e angústias ligadas à sensação de receio e insegurança iniciais.” (TOSCANO, 2012, p.24)  

França (2012) afirma que o estágio supervisionado é muito importante para a formação inicial do acadêmico, pois lhe permite conhecer a sua função no mercado de trabalho.

É sabido que há uma resistência por parte dos que já estão inseridos no mercado de trabalho em aceitar os estagiários, isso existe em todos os tipos de profissões e na profissão docente não é diferente. É importante destacar que o estágio supervisionado é um momento de troca de conhecimentos entre os alunos em processo de formação e os professores que já atuam na educação. (FRANÇA, 2012).

O sujeito está sempre em transformação, podendo modificar a sua forma de pensar e agir, sendo uma das principais metas do estágio supervisionado, pensar no plano coletivo (escola, universidade e estagiários) as estratégias de ação que possam dar melhores condições para a formação docente. O estágio enquanto objeto, é meramente uma técnica aplicada. Como um fim em si mesmo, não propicia mudanças e nem angaria negociações para a construção de políticas publicas educacionais que melhorem as condições materiais e intelectuais de trabalho do professor. (FRANÇA, 2012, p. 33).

Considero que pedagogicamente o aprendizado é muito mais eficaz quando é adquirido por meio da experiência, por isso o estágio tem um papel essencial para nossa formação acadêmica, pois nos permite obter uma visão mais ampla de toda essa realidade a qual ainda não estamos inseridos. Neste sentido o estágio supervisionado é uma maneira de ir ao encontro da realidade dos alunos, buscar estímulos, fazer novas leituras, é perceber, detalhar e tirar conclusões e aproveitamentos aos novos aprendizados. A relação entre teoria e prática é muito importante nesse processo.

Creio que o estágio supervisionado é uma ocasião privilegiada de aprendizagem da docência, uma vez que consente uma inserção mais efetiva do acadêmico no ambiente escolar, onde encontrará situações reais relacionados ao processo de ensino-aprendizagem, a organização escolar e as políticas públicas que viabilizam o ensino. O estágio é um espaço que permite a construção do conhecimento coletivo entre professores atuantes e professores em formação.

Tanto a forma de gerar o conhecimento e a cultura profissional como o sistema de transmissão concedem a este enfoque um caráter político essencialmente conservador. O conhecimento profissional é um produto da adaptação às exigências do contexto sobre a escola, e ao modo de transmissão é o veículo mais eficaz de reprodução de onde se prepara o aprendiz para aceitar lentamente a cultura profissional herdada e os papéis profissionais correspondentes. (GOMEZ, 1997, p. 32).

Obviamente há uma divergência entre o estágio supervisionado e a inserção do recém-formado em sua realidade profissional.

Para o professor que inicia a sua carreira, o primeiro impacto com a escola pode ser assustador e desgastante, se não for apoiado e preparado convenientemente.  Quando um docente inicia a carreira, fazendo a transição de aluno estagiário para professor principiante, o facto de estar sozinho na sua sala de aula com a sua turma, implica tomar decisões, enfrentar alguma insegurança e desafios que obrigam a crescer enquanto pessoa e profissional. (TOSCANO, 2012, p.43)

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Faz-se relevante enfatizar também que:

Nas escolas, geralmente, o professor novato fica à mercê da sorte, podendo ou não conseguir superar a fase da adaptação que está confrontando. Assim, sem ter com quem compartilhar suas dúvidas, seus acertos e seus erros, o professor acaba apoiando sua prática em ações que vivenciou na época de estudante, reproduzindo a prática de seus antigos professores, o que dificulta sua transformação na busca de uma atuação mais significativa e inovadora em suas atividades docente. (SOUZA, 2009, p.37)

Fica evidente observar que o profissional em inicio de carreira sofre com o choque de realidade entre os campos de formação e de atuação.

Esteve (1991) diante das revoluções sociais, o professor sente dificuldades em redefinir sua função, principalmente para aqueles mais experientes, pois é sabido que o ensino está em constante processo de transformações. O autor enfatiza que com os avanços dos meios de comunicação em massa, englobando o desenvolvimento das fontes de informações, o professor tem o seu papel de transmissor de conhecimento alterado.

O professor é uma figura indispensável em sala de aula, seu papel é transmitir saberes curriculares da escola sem desconsiderar os conhecimentos prévios dos alunos.

Em 2014 iniciei minha carreira docente como professora eventual dos anos iniciais do ensino fundamental e a partir de 2016 por meio do concurso estadual de São Paulo passei a lecionar nos anos iniciais do ensino fundamental em caráter efetivo.  

Apesar de ter pouco tempo de prática em sala de aula tento ouvir os alunos e considerar seus conhecimentos já construídos. Procuro na medida do possível planejar uma aula significativa e ao mesmo tempo busco seguir com os conteúdos curriculares previstos na Matriz processual do estado de São Paulo.

Na relação entre professor e aluno cabe destacar que:

O ensino é, fundamentalmente, diálogo: o importante, para o professor, não é falar do ou sobre o aluno, mas com o aluno, um diálogo verdadeiro que implica a aptidão daquele para o relacionamento pessoal com este, que é outro. (TUNES; TACCA; JUNIOR, 2005, p.693)

É necessário considerar que os alunos chegam à escola com conhecimentos socialmente construídos, devendo estes ser respeitados e ampliados. Nesta perspectiva, vale ressaltar que o professor precisa discutir com os alunos algo pelo qual já faz parte de sua realidade e associar tal discussão aos conteúdos ensinados, este percurso faz com que o ensino se torne significativo e motivador, visto que, a educação para a liberdade pressupõe a conscientização de mundo do educando.

2 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A literatura estudada mostrou que a aprendizagem da docência ocorre a partir da experiência do recém-formado e esta vai sendo aperfeiçoada ao longo do tempo.

Sendo assim, termino por destacar que tentei expor meus anseios, minhas indagações e reflexões sobre a profissão que escolhi pautada pela teoria estudada, pela minha pouca experiência profissional e pelas experiências de professores com quem tive a oportunidade de conhecer e tentar me inspirar em sua prática pedagógica para elaborar minha própria metodologia de ensino.

Embora sendo recém-formada, compreendo que enfrentarei muitos desafios ao longo de minha carreira docente, porém creio e espero que todos os esforços sejam recompensados e que um dia a sociedade perceba que o trabalho dos professores contribui notoriamente para sua conservação, considerando que sem escola, sem professor e sem educação não há como proporcionar uma sociedade justa e igualitária.

3 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ESTEVE, J. M. Mudanças Sociais e Função Docente. In: Nóvoa, Antonio (org.). Profissão Professor. Porto. Porto Editora, 1991, p. 93-124.

FRANÇA, Sandra Stefani Amaral. Politicas para formação de professores: reflexões sobre o estágio supervisionado- do legal ao real. 135f. Dissertação (mestrado) - Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Ciências e Tecnologia. Presidente Prudente - SP, 2012.

GATTI, Bernadete Angelina; BARRETO, Elba de Sá; ANDRÉ, Marli Eliza Dalmazo de Afonso. Políticas docentes no Brasil: um estado da arte.

Brasília: UNESCO, 2001.

GOMEZ, A. I. P. Qualidade do ensino e desenvolvimento profissional do docente como intelectual reflexivo. In: V SIMPÓSIO PAULISTA DE EDUCAÇÃO FÍSICA, MOTRIZ - Volume 3, Número 1, Junho/1997.

LIMA, Vanda Moreira Machado.  A complexidade da docência nos anos iniciais na escola pública. Nuances: estudos sobre Educação, Presidente Prudente, SP, v. 22, n. 23, p. 148-166, maio/ago. 2012.

PARO, Vitor. As funções da escola, a estrutura didática e a qualidade do ensino. In: PARO, V. Gestão escolar, democracia e qualidade do ensino. São Paulo: Ática. 2007, p. 33-81.

SOUZA, Dulcinéia Beirigo de. Os dilemas do professor iniciante: Reflexões sobre os cursos de formação inicial. Revista Multidisciplinar da UNIESP. SABER ACADÊMICO - n º 08 - Dez. 2009.

TOSCANO, Paula Cristina Mendonça. Acompanhamento do professor principiante em sala de aula-Estudo de Caso. Escola Superior de Educação João de Deus. (Mestrado em Ciências da Educação: Especialidade de Supervisão Pedagógica), 2012.

TUNES, Elizabeth; TACCA Maria Carmen V. R; JÚNIOR, Roberto dos Santos Bartholo. O professor e o ato de ensinar.  Cadernos de Pesquisa, v. 35, n. 126, set./dez. 2005.


Publicado por: Jaqueline de Andrade

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.
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