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Altas Habilidades x Invisibilidade: Da Antiguidade à Contemporaneidade

Educação

Um olhar sobre altas habilidades x invisibilidade!

Resumo:

Percebe-se que figuras ilustres desempenharam  importante papel na sociedade. Transformaram e continuam transformando diversas áreas do conhecimento, inclusive a educacional.  Percebe-se que da Antiguidade à Contemporaneidade pessoas com altas habilidadedes/superdotação continuam na invisibilidade. Significa dizer que entram e saem do sistema educacional sem que sejam identificadas e potencializadas de acordo com suas necessidades e área de interesse. É importante um novo olhar para que os altos habilidosos possam contribuir com o crescimento e produção científica  pois se estimulados poderão desenvolver novas pesquisar e elaborar novos saberes, saindo da invisibilidade e  colaborando com o crescimento intelectual do nosso país.

Palavras-chave: Educação,  altas-habilidades, invisibilidade.

Abstract:

One realizes that illustrious figures played an important role in society. Transformed and continue to transform different knowledge areas, including education. It is noticed that from Antiquity to Contemporary people with high habilidadedes / giftedness remain in stealth. Means that entering and leaving the education system without being identified and leveraged to suit your needs and area of ??interest. It is important that a new look for the high skilled can contribute to the growth and scientific production is stimulated because they can develop new research and develop new knowledge, coming out of invisibility and collaborating with the intellectual growth of our country.

Keyword: Education, high skills, invisibility.

Ao longo da História, percebe-se que figuras ilustres desempenharam  importante papel na sociedade. Transformaram e continuam transformando diversas áreas do conhecimento, inclusive a educacional. Pensadores e filósofos muito a frente de seu tempo, ousaram, revolucionaram e transformaram estruturas sociais e educacionais da Antiguidade. Pesquisaram, fizeram descobertas, inovaram e questionaram. Entre eles,  podemos citar o grande filósofo da Antiguidade -  Platão.  Se analisarmos toda a sua trajetória iremos perceber suas ideias,  influências e legados ainda muito presente e apreciados nos dias atuais.

Platão nasceu em 427 a.C em Atenas, viveu até os 80 anos e era de uma família nobre. Temperamento artístico e dialético , manifestou-se através da expressão estética de seus escritos todo seu talento poético – talento esse que o acompanhou por toda a sua vida. Platão tinha interesses pela filosofia política. Foi seguidor de Sócrates e mestre de Aristóteles. O nome pelo qual ficou conhecido era provavelmente um apelido pois tudo indica que ele se chamava Arístocles.  Recebeu educação especial. Estudou leitura e escrita, ginástica, música, pintura e poesia. Era um excelente atleta. Sua filosofia é baseada na teoria de que o mundo que percebemos com nossos sentidos é um mundo ilusório, confuso. Já o mundo espiritual é mais elevado, eterno, onde está o que existe verdadeiramente, as ideias, que só a razão pode conhecer. Desenvolveu e eternizou suas próprias teorias. Com 40 anos, em meados do século IV a.C, Platão fundou a Academia,  numa época de extraordinária atividade política cultural. A Academia era uma escola de filosofia com o propósito de recuperar e desenvolver as ideias e pensamentos socráticos. Era o local onde se discutia e estudava diversas ciências com predominância da matemática.  Logo a Academia se tornou conhecida e frequentada por um grande número de jovens que vinham à procura de uma educação melhor. Até mesmo os intelectuais consagrados recorriam à Academia para debater suas ideias.  

Platão é o primeiro filósofo antigo de quem possuímos as obras completas sendo que sua atividade literária abrange mais de cinquenta obras. Pode ser considerado um dos principais filósofos gregos da Antiguidade. Tinha o poder de abordar os temas mais diversos, com ideias revolucionárias para a sua época, abrangendo debates sobre ética, política, metafísica e  teoria do conhecimento. Em Platão a filosofia ganha contornos e objetivos morais, apresentando assim soluções para os dilemas existenciais.

Platão valorizava os métodos de debate e conversação como formas de alcançar o conhecimento. Suas principais contribuições para a humanidade,  são: criação de um sistema político, que adotava por base a justiça, supressão da comunidade para a criação de um Estado sem meios de corrompê-lo, planejamento e execução de um projeto, normas e regimentos de uma corporação, divisão de trabalho baseada na capacitação profissional  e dar condições favoráveis de trabalho, evitando desperdícios garantindo assim, a funcionalidade das mesmas.

Suas obras são apreciadas em profundidade – mesmo nos dias atuais, apresentando uma atualidade inimaginável, quando se tem em vista que ela foi produzida há milênios, antes da vinda de Cristo. Estabeleceu princípios éticos para nortear o mundo social, permanecendo ainda hoje, como um ponto de referência obrigatório, representando um conjunto filosófico de grande valor, por se tratar de uma literatura inovadora.

Pode-se dizer que Platão possui manifestação característica e suma de um “ gênio “ grego, tendo em vista suas habilidades e talentos que o diferenciavam das demais pessoas por apresentar algumas ou várias características extraordinárias, incomuns para sua época. Platão  se  destacava pelo seu potencial intelectual  e por seu talento excepcional  para a  Matemática. Mas o  que pode ser entendido  por “ inteligência” ?  Potencial intelectual???

Inteligência pode ser definida como a capacidade mental de raciocinar, planejar, resolver problemas,  compreender ideias e aprender.

O psicopedagogo israelense Reuven Feuerstein afirma que a inteligência humana pode ser estimulada em qualquer idade e de acordo com sua teoria, mesmo indivíduos considerados inaptos podem ter sua inteligência “ expandida”, adquirindo assim capacidade de aprender.

Na psicologia o estudo da inteligência geralmente entende que este conceito não compreende a criatividade, o caráter ou a sabedoria, no entanto superdotados são criativos, geralmente tem bom caráter e são mais sábios. O fato é que conforme a definição que se tome, a inteligência pode  ser considerada um dos aspectos da personalidade.

Já o termo superdotado/habilidoso faz referência a uma pessoa que possui capacidade mental significativamente acima da média. Como um  talento, a alta habilidade /superdotação intelectual é a aptidão inata para atividades intelectuais que não podem ser adquiridos através de esforço pessoal.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, 3% a 5% da população brasileira possui altas hanilidades e segundo as Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica, o conceito de altas habilidades/superdotação é adotado por alguns programas brasileiros para destacar crianças consideradas superdotadas e talentosas. São destacadas as que apresentam  notável desempenho e elevada potencialidade em aspectos isolados ou combinados em se tratando de  capacidade intelectual geral, aptidão acadêmica específica, pensamento criador ou produtivo, capacidade de liderança, talento especial para as artes e capacidade psicomotora.

 Percebe-se assim que apesar de se tratar de um  programa recentes, pessoas com altas habilidades sempre estiveram presentes na sociedade mesmo que não tenham sido identificadas, reconhecidas ,  permanecendo  na invisibilidade. Pessoas essas com alta capacidade de desempenho nas diversas áreas do conhecimento: intelectual, criativo, acadêmico específico ou  habilidade de liderança.  Essas pessoas ainda podem apresentar  habilidades específicas nas artes de representação ou artes de um modo geral .

Superdotação é um conceito que expressa alto nível de inteligência e pode manifestar-se em diversas áreas do conhecimento. Desde a década de 80 surgem novas teorias sobre a inteligência dando maior embasamento sobre altas habilidades. A Teoria da Desintegração Positiva de Dabrowski , o modelo Diferenciado de Superdotação e Talento de Gagné , o Círculo dos Três Anéis de Renzulli , o modelo das Inteligências Múltiplas de Gardner e o modelo WICS de Sternberg são estudos que se destacam, apesar de serem modelos diferentes que não se excluem, mas se completam.

Gardner  deixa claro que a modalidade  refere-se não especificamente a  altas habilidades, mas à manifestação das várias inteligências de um indivíduo,  enfatizando a capacidade de resolver problemas e de elaborar produtos, afastando o conceito de uma inteligência única e geral.  Segundo ele, o ser humano é dotado de inteligências múltiplas que incluem as dimensões linguística, lógico-matemática, espacial, musical, cinestésico-corporal, naturalista, interpessoal, e intrapessoal.  Com isso, entende-se que as altas habilidades podem e devem ser consideradas uma modalidade ao alcance de todos os alunos, já que  se encontram em pleno processo de desenvolvimento de suas atividades e aptos a desenvolverem suas potencialidades, uns demonstrando sua capacidade de uma maneira e outros de outra, porém todos evidenciam capacidades ou habilidades.

Parece não haver uma definição unânime de altas habilidades/superdotação já que o Círculo dos Três Anéis do psicólogo Joseph Renzulli, um dos maiores especialistas no mundo nesta área, aponta a função decisiva da instituição em estimular o desenvolvimento da capacidade criativa em todos os seus educandos, pois segundo o modelo dos três anéis, os indivíduos com altas habilidades/superdotação são os que apresentam habilidades acima da média em relação aos seus pares, em uma ou mais áreas de inteligência e também apresentam elevado nível de envolvimento com a tarefa, ou seja, são bastante motivados e comprometidos, e criatividade elevada.

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Já a Teoria da Desintegração Positiva de Dabrowsky , tem implicações consideráveis para explicar o desenvolvimento emocional do superdotado, o psicólogo polonês, identificou cinco áreas de superexcitabilidade: psicomotriz, sensorial, intelectual, imaginativa e emocional. Chamou este processo de desintegração positiva porque o crescimento e o desenvolvimento delas era acompanhado de angústia e ansiedade.  As superexcitabilidade são uma elevada habilidade inata para perceber estímulos e responder a eles.

Em seu Modelo Diferenciado de Superdotação e Talento, Gagné , propõe que a superdotação é inata e está relacionada ao uso de habilidades naturais expressas espontaneamente, sem treinamento, denominadas aptidões ou dons. Já o talento estaria relacionado a um domínio superior de habilidades sistematicamente desenvolvidas (ou capacidades) em, pelo menos, um campo da atividade humana.

Modelo WICS (Wisdom, Intelligence, and Creativity Synthesized) de Sternberg, segundo o autor, para compreender habilidades devemos pensar não só em termos de Quoeficiente Intelectual, mas também de Inteligência Existosa. Esta é a habilidade intencional para adaptar-se a diferentes ambientes, configurá-los e selecioná-los. Postula que as pessoas inteligentes conhecem suas próprias forças e compensam suas fraquezas.

Como se pode perceber, a concepção de inteligência foi se ampliando no decorrer do tempo, com implicações importantes para a prática educacional, e mais especificamente, para a prática pedagógica do professor, em sala de aula, especialmente no que se refere à identificação das necessidades educacionais especiais do aluno e ao seu ensino.

Diferentemente da maioria dos países do mundo, as altas habilidades no Brasil são predominantemente ignoradas, quando se trata da prática educacional . Órgãos encarregados do estabelecimento das Diretrizes de Educação e Saúde incluíram-a na Educação Especial e como no caso das deficiências, é preciso que  se ofereça condições educacionais adequadas que atendam às necessidades específicas de alunos identificados com altas habilidades/superdotação.

Apesar da legalidade, a crítica que se pode fazer é que como na Antiguidade, pessoas com altas habilidades/superdotação ainda continuam na invisibilidade. Significa que entram e saem do sistema educacional sem serem identificadas. Pior ainda, não são potencializadas e não há adequação curricular. Ou seja, esses alunos não são atendidos dentro de suas áreas de interesse, quase nunca desenvolvem suas habilidades, deixando de prosseguir seus estudos e claro, não contribuem com o crescimento intelectual e científico do país.

Um estudo brasileiro de 2002 apontou que a maioria dos professores do Brasil só possuem conhecimentos superficiais sobre superdotação. Dessa forma não sabem identificar e nem tão pouco sabem atender suas necessidades já que muitos não têm sequer recursos para o desenvolvimento das habilidades específicas.

Apesar de o número de alunos superdotados registrados pelo Ministério da Educação ter  crescido nos últimos anos, passando de cerca de mil para quase seis mil, apenas uma pequena parcela da população   com esse potencial tem acesso ao atendimento especial garantido por lei.A Organização Mundial da Saúde estima que entre 1,5 milhão e 2,5 milhões de alunos no País tenham altas habilidades em pelo menos alguma área do conhecimento, e aproximadamente 8 milhões de pessoas no total.

Além da falta de informação/formação por parte dos educadores há ainda que se combater alguns mitos que perpassam sobre altas habilidades/ superdotação. Entre eles o fato de o superdotado teria  recursos intelectuais suficientes para desenvolver por conta própria o seu potencial superior. Seria assim desnecessário o estímulo ao alto habilidoso. Outro fato interessante é que nem sempre os alunos superdotados têm um bom rendimento escolar. Também não existe um estereótipo, um modelo com características homogêneas.

O que se pode dizer é que a superdotação não independe do meio, é necessário estímulo já que nenhuma criança nasce superdotada, apenas com o potencial para superdotação e que se estimuladas serão capazes de atualizar da forma mais plena as suas habilidades. Desde a Antiguidade, percebe-se que algumas pessoas se destacavam  por suas ideias e descobertas, diferenciando-se de seus pares . Atualmente há vários inventários e listagens elaborados por especialistas contendo indicadores e características específicas que permitem a identificação de comportamento e perfis de alunos com altas habilidades/superdotação. Estes instrumentos podem ser úteis na identificação de necessidades educacionais especiais, que precisam ser atendidas, no contexto escolar.

As crianças com altas habilidades/superdotação não constituem um grupo homogêneo, variando tanto em habilidades cognitivas quanto nível de desempenho e personalidade. De acordo com as Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica é possível atribuir alguns traços comuns aos superdotados: alto grau de curiosidade, boa memória, atenção concentrada, persistência, independência e autonomia, interesse por áreas e tópicos diversos, facilidade na aprendizagem, criatividade e imaginação, iniciativa, liderança, vocabulário avançado para a sua idade cronológica, riqueza de expressão verbal, habilidade para considerar pontos de vistas de outras pessoas, facilidade para interagir com crianças mais velhas ou com adultos, interesse por livros e outras fontes de conhecimento, preferência por situações/objetos novos, senso de humor, originalidade para resolver problemas.

É importante fazer estudo mais aprofundado sobre o tema e identificar ações pedagógicas a educandos que evidenciam elevada capacidade de desempenho escolar, proporcionando cada vez mais o desenvolvimento de suas potencialidades.  De acordo com a LDB 9394/96 compete à escola e aos profissionais de educação prepararem-se para receber e educar as pessoas que apresentam alguma necessidade educativa especial.

Dessa forma o  professor torna-se peça fundamental no processo ensino-aprendizagem, pois através de vários instrumentos de ensino é capaz de realizar práticas pedagógicas adequadas que propiciem um novo olhar sobre a proposta de inclusão de alunos com altas habilidades nas escolas regulares de Goiânia. Por essa razão, é fundamental considerar a dimensão histórico-cultural desse processo, considerando a dinamicidade e complexidade presente na sociedade contemporânea e ainda por ser  considerada uma área polêmica, permeada por controvérsias e preconceitos.

Finalmente pode-se dizer que diante dessa nova realidade, a educação contemporânea  exige uma reflexão filosófica já que vivemos um momento de transição. Há um caminho repleto de possibilidade. O indivíduo precisa se equilibrar, ultrapassar a si mesmo e dominar obstáculos. Apesar da genialidade e legado dos filósofos da Antiguidade é importante buscar e transformar a realidade da educação, entendendo que um dos grandes desafios da educação atual é possibilitar, desenvolver, potencializar e preparar nossos alunos para uma nova realidade onde a única certeza é a transformação constante da sociedade.  Em se tratando de alunos com altas habilidades/superdotação, cabe aos profissionais da educação combater mitos, proporcionar materiais adequados e apontar caminhos que possam guiar nossos alunos para o desenvolvimento e produção de novos saberes científicos.

Referências Bibliográficas:

- DURANT, Will, Historia da Filosofia- a vida e as ideias dos grandes filósofos, São Paulo, Editora Nacional, 1 edição, 1926.

- Enciclopédia Barsa (eletrônica).

- FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1999.

- GARDNER, H. (1995). Inteligências múltiplas: a teoria na prática. Porto Alegre: Artes Médicas.

 - MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO (2001). Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica - Resolução nº 02 de 11 de setembro de 2001.

- PÉREZ, Susana Graciela. Mitos e Crenças sobre as Pessoas com Altas Habilidades. Porto Alegre, 2005.

- _______________. PLATÃO, Vida e Obra. São Paulo: Nova Cultura Ltda, 1999 (Coleção Os Pensadores)

- Brasil. Secretaria de Educação Especial. Política nacional de educação especial: livro 1. Brasília: MEC/SEESP, 1994.

 ______.Secretaria de Educação Especial. Subsídios para a organização e funcionamento de serviços de educação especial: Área de Altas Habilidades. Brasília: MEC/SEESP, 1995.

 ______.Secretaria de Educação Especial. Diretrizes gerais para o atendimento dos alunos portadores de altas habilidades, superdotação e talento. Brasília: MEC/SEESP, 1996.

_______.Secretaria de Educação Especial. Programa de capacitação de recursos humanos do ensino fundamental: superdotação e talento vols.1 e 2. Brasília: MEC/SEESP,1999.


Publicado por: Gilma Nogueira da Silva de Oliveira

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.
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