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A sala de aula como laboratório de pesquisa do professor

Educação

Você sabia que a sala de aula pode ser considerada como um laboratório de pesquisa do professor? Confira!

A presente escrita trata-se de uma reflexão e análise do artigo "O professor reflexivo para uma escola cidadã: tensões e possibilidades", de Heron Bonadiman. Aqui trago reflexões sobre o que seria o laboratório de pesquisa do professor, tomando por base as ideias de Bonadiman, relacionadas às ideias de outros autores que pensam as práticas pedagógicas e suas relações em sala de aula.

Inicio essa produção textual defendendo a ideia que, acredito eu, permeia todas as discussões apontas pelo autor, principalmente no que diz respeito à ideia que pretendo me deter, o professor pratico-reflexivo. A ideia de que, como afirma Circe Bittencourt (2005), o laboratório de pesquisa dos licenciados é a sala de aula; não é porque alguém se graduou como professor e não fez um bacharelado que ele não é pesquisador, e não deve dar continuidade a suas pesquisas quando sair da academia. Acredito que o profissional docente deve encarar as salas de aula como seu laboratório de pesquisa, e o ensino como objeto.

Por isso compartilho do pensamento de Shön (2000), de que o conhecimento do profissional docente deve formar-se sobre a experiência, através da qual ele pode experimentar a ação e a reflexão em situações gerais, de modo que a sala de aula funcione como um laboratório prático em consonância com estudos teóricos.

E levando em consideração esses aspectos o professor deve se dispor a pensar a sua ação, para ser capaz de planejar e elaborar uma proposição de aula que esteja comprometida com a qualidade da aprendizagem. E isso é basicamente a ideia defendida pelo autor em seu artigo ao expor a ideia de pensadores da educação, que o professor reflexivo é aquele que racionaliza sua própria prática, a crítica, revisa e a fundamenta.

O autor do artigo em análise aponta ainda que essa formação pratico-reflexiva gira em torno da construção coletiva de uma identidade para professor e os momentos de formação. E neste quesito, concordo apenas em parte.

Acredito ser necessário um pensamento coletivo construído desde a academia acerca do que se pretende ao chegar as escolas, de pensar um ensino que auxilie numa formação cidadã, como ele aponta. Mas, penso que deve ser mais que isso, é preciso pensar também enquanto seres individuais, o que eu pretendo com a minha profissão, com a minha prática e o que, e posso concordar com outrem, pretendo acrescentar ao mundo a partir das minhas ações.

Diante disso, concordo com o pensamento de Moscovici (1978) entendendo que “toda ordem de conhecimento pressupõe uma prática e uma atmosfera que lhe são próprias e lhe dão corpo.” E, também, sem dúvida alguma, um papel particular do individuo conhecedor. Cada um de nós preenche de modo diferente esse papel quando se trata de escrever o seu ofício na educação, na arte, na técnica, ou na ciência.

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E, outro ponto importante e que me chamou bastante atenção diz respeito ao que se faz necessário para que o pensamento e, esse professor na forma como ele defende se efetivem: uma escola cidadã. Esta escola é, em suma, uma instituição que se pensa e que se faz pensar constantemente, que educa para a vida em sociedade através da construção de conhecimentos circunstanciados e refletidos, e que estabelece a ligação com a cultura local e a utilização dos espaços na educação das novas gerações, de modo a vincular a educação á cidadania e a solidariedade, não apenas levando os alunos assimilar conhecimentos escolares, mas mobilizá-los e contextualiza-los.

Dentro dessa perspectiva acredito que para que isso ocorra são necessários profissionais, e enquadro os pratico-reflexivos aqui, que se preocupem não apenas com eles, mas com os alunos aos quais atendem e realizem o chamado Estudo da Realidade.

Pernambuco e Paiva (2005) fizeram pesquisas acerca deste estudo e concordo com elas quando colocam que compreender a realidade é “reconhecer os nexos que se estabelecem entre esses diversos aspectos, da cultura, da ciência, da tecnologia e as formas como os sujeitos explicam, agem, avaliam e convivem com o outro”. 

Para elas "o ponto de partida do nosso fazer pedagógico deve ser conhecer a realidade dos sujeitos envolvidos no processo educativo, o que significa conhecer suas experiências familiares, sua comunidade, suas estratégias de sobrevivência, seus conhecimentos, suas expectativas, suas formas de lazer, pois tais elementos orientam suas condutas nos diversos espaços da vida social, seja na escolas, na comunidade, constroem interpretações e explicações sobre as coisas" (PERNAMBUCO, PAIVA, 2005).

Ou seja, é preciso que os profissionais docentes reflitam não apenas sobre eles e suas práticas, mas sobre os alunos e como eles aprendem, ensinam e compreendem através de suas práticas e do seu cotidiano, suas vivências. Uma escola cidadã considera a realidade dos sujeitos e aborda os conteúdos de modo que eles façam sentido e tenham significado para a formação do alunado enquanto cidadãos conscientes, e o professor pratico-reflexo é o profissional capaz de compreender isso e aliar tal compreensão às suas práticas pedagógicas. 

REFERÊNCIAS

BITTENCOURT, Circe (org.) O saber histórico em sala de aula. São Paulo - SP: Contexto, 2005.

MOSCOVICI, Serge. A Representação Social da Psicanálise. Rio de Janeiro – RJ: Zahar Editor, 1978.

PAIVA, Irene A, PERNAMBUCO, Marta Maria,  Caderno Didático 1: pesquisando as expressões da linguagem corporal; (Artes e Educação Física). Natal: Paidéia/UFRN, 2005.

SCHÖN, Donald A. Educando o Profissional Reflexivo: um novo design para o ensino e a aprendizagem. Porto Alegre: Artes Médicas, 2000.


Publicado por: Ildisnei Medeiros da Silva

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.
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