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A produção de textos no contexto escolar

Educação

Clique aqui e saiba como são feitas as produções de texto na escola.

RESUMO

Esse presente trabalho científico trata a respeito da produção de textos no contexto escolar. Tem por objetivos mostrar como geralmente são feitas as produções de texto na escola, quais são as maiores dificuldades com relação à escrita de bons textos e principalmente, qual o papel do professor na aplicação e correção de propostas de texto em sala de aula.  Para o alcance desses objetivos, buscaremos por meio de pesquisa bibliográfica e pesquisa prática de campo em uma escola do Município de Betim, demostrar o que envolve a produção de textos na escola.

PALAVRAS-CHAVE: Produção de Texto; Língua; Avaliação.

1. INTRODUÇÃO

A produção de textos, na escola, é uma questão de grande preocupação social.    Apesar da elaboração de variados textos durante o período de ensino básico obrigatório, muitas pessoas se sentem despreparadas ao se deparar com propostas de construção de texto no dia a dia.  Diante dessas dificuldades com relação às produções textuais, cabe analisar algumas questões: Quais são as origens dessa dificuldade dos alunos ao construir textos? De que forma a produção de textos deve ser abordada na escola e como o professor deve intervir nas dificuldades dos alunos em suas produções?

 Para a compreensão do tema e resposta de tantos questionamentos a respeito das produções de texto na escola, nos baseamos dos argumentos dos autores João Wanderley Geraldi e Ingedore Koch. Além da pesquisa bibliográfica por meio de uma prática de campo buscamos pesquisar como são realizadas as propostas de produção de texto na escola, bem como a avaliação das produções de textos e intervenção realizada pelos professores nas dificuldades dos alunos no que se refere a esse assunto. 

2.  A CONCEPÇÃO DE LINGUAGEM E A PRODUÇÃO DE TEXTOS

No Brasil, muitos estudantes possuem dificuldades na utilização da língua seja de forma oral ou escrita. No entanto, essa dificuldade não deve ser classificada como uma incapacidade de expressão desses estudantes, mas sim como uma incapacidade de sintetizar informações e juízos para transformá-los em sentenças linguísticas. 

A linguagem é a forma ou instrumento que os falantes de uma determinada língua utilizam para expressar ou comunicar algo a alguém. Segundo Koch (2012), a linguagem é a capacidade que o ser humano tem de interagir com o meio social através de uma língua, das mais variadas formas e variados propósitos e resultados. Em outras palavras, a linguagem, seja na modalidade oral ou escrita, pode se manifestar de diferentes formas, levando em conta os propósitos e resultados daquilo que é dito ou escrito.

A linguagem pode ser concebida de formas diferentes que norteiam como ela é apresentada, seja oralmente ou em forma de escrita. As concepções de linguagem podem ser divididas em três modalidades. A primeira é a linguagem como expressão de pensamento.  O autor João Wanderley Geraldi (2006) aponta-a como tradicionalista. Para ele, se essa concepção de linguagem é adotada, é como se afirmasse que as pessoas não conseguem se expressar por não pensarem. Em síntese, essa concepção admite a expressão puramente como produto do pensamento, sem levar em conta o contexto e o receptor da mensagem que envolve essa expressão linguística.

Em comparação a Geraldi, Koch (2012) apresenta essa concepção que, por sinal, é a mais antiga das concepções linguísticas, como uma forma de representação do pensamento e conhecimento de mundo do homem por meio da língua, isto é, a língua tem a finalidade somente de representar o pensamento humano.   Essa concepção valoriza a gramática pura no processo comunicativo. Quando se leva em conta essa concepção na escrita de um texto, aquele que o escreve expõe no papel as suas ideias, valendo-se da gramática normativa, sem pensar se aquele texto atingirá seus objetivos e poderá ser compreendido por outras pessoas no ato da leitura.

A segunda concepção apresenta a linguagem como instrumento de comunicação.  Nela, leva-se em consideração a interação entre o emissor e o receptor da mensagem. Os autores Geraldi e Koch apontam essa concepção da língua como um código que somente transmite a mensagem ao receptor, que, por sinal, recebe-a de forma passiva. Geraldi ainda diz que geralmente essa concepção é a mais vista em livros didáticos, instruções ou propostas de produção de textos. Ao se valer dessa concepção nas propostas de produção de textos, o professor somente delimita aquele para quem será escrito o texto, porém, o emissor da mensagem não recebe o papel comunicativo que deve representar no ato da escrita, nem mesmo o contexto que se deve levar em conta no processo da escrita.

A terceira e última concepção, é a linguagem como forma de interação. Nesse sentido, ela assume um papel diferenciado das concepções anteriores. Em oposição à linguagem como expressão do pensamento e como forma de comunicação, essa terceira envolve a interação entre o emissor e receptor da mensagem, ambos participam de forma ativa no processo comunicativo.

A linguagem se torna a ponte entre o locutor e o interlocutor no processo da fala e da escrita.  Geraldi (2006) afirma que nessa concepção interacionista.

(...) mais do que possibilitar uma transmissão de informações de um emissor a um receptor, a linguagem é vista como um lugar de interação humana. Por meio dela, o sujeito que fala pratica ações que não conseguiria levar a cabo, ao não ser falando; com ela o falante age sobre o ouvinte, constituindo compromissos e vínculos que não preexistiam à fala. (GERALDI, 2006,  p. 41)

Por meio das palavras de Geraldi, pode-se compreender que a linguagem como forma de interação vai além do ato de ler e escrever. Essa envolve a interação entre atores comunicativos e contexto social ou cultural em que o locutor e interlocutor vivem.

 As propostas de produção textual elaboradas pelo professor, quando assumem a concepção interacionista, permitem ao aluno saber qual papel ele deve exercer e de que forma ele pode permitir a participação do receptor da mensagem ou leitor do seu texto.  Dessa forma, os alunos têm consciência de perguntas essenciais para a escrita de um bom texto, tais como: Quem é o enunciador?(aquele que escreve o texto); Quem é o enunciatário? (aquele que recebe a mensagem ou leitor do texto); Qual é o propósito do texto e em qual gênero deve ser escrito?  Quando essas perguntas são usadas nas construções de textos, os alunos se sentem mais seguros na sua elaboração e, ao mesmo tempo, as correções das produções se tornam mais claras, tanto para o professor quanto ao aluno.

3. O QUE É PRODUÇÃO DE TEXTO NA ESCOLA?

A produção de textos na escola, muitas vezes, é um tormento para muitos alunos e também para os professores. Um dos influenciadores da dificuldade dos alunos na criação de textos está relacionado com os temas propostos para os textos. Segundo Geraldi (2006), os alunos anualmente fazem redações com os mesmos temas e esses geralmente são baseados em datas comemorativas.

 Essa repetição de propostas faz com que os alunos não gostem de produzir textos, por ser uma atividade exaustiva e repetitiva, além de escreverem textos com temas sem utilidade prática. Os textos produzidos na escola além de trazer dissabores para os alunos, também se tornam algo ruim para os professores, que se sentem frustrados ao avaliar textos mal redigidos e ver a falta de interesse dos alunos de melhorar nas produções textuais.

Geraldi (2006) mostra que as produções de texto na escola são feitas voltadas para o professor que é, geralmente, o único leitor do texto. Com isso, os estudantes se sentem desmotivados e não demonstram empenho na escrita de algo que será somente lido por uma pessoa que, no caso, é o professor. O emprego da língua, na escola, então, foge de sua utilidade real que deveria contar com a participação e interação de vários atores no processo comunicativo e isso torna o emprego da língua artificial.

É interessante que os alunos escrevam textos que possam ser compartilhados com outros alunos da escola e até mesmo para outras pessoas fora da escola. O professor precisa promover atividades com os textos redigidos pelos alunos para que, dessa forma, os estudantes se sintam motivados a produzir bons textos para que outros possam lê-los.

 Outra questão importante na produção de textos é a leitura. Quanto mais se lê, maior é a bagagem de conhecimento argumentativo na elaboração de um bom texto. A leitura é um fator importante para se produzir bons textos e esse é um problema que acomete o sistema escolar brasileiro. Um ditado popular brasileiro afirma que o “brasileiro não gosta de ler”. Não é que o brasileiro não goste de ler.  A raiz do problema é que muitos brasileiros não têm um bom hábito de leitura. Essa falta de interesse pela leitura é refletida na escola desde o início das séries iniciais até o fim do ensino fundamental. Os discentes geralmente leem por “obrigação” livros que o professor considera importantes para a sua formação. A maioria dos professores seja conscientemente ou não, por algum motivo ou outro delimita o que os alunos precisam ler e não permitindo sugestões. Com isso, os alunos não possuem acesso a alguns tipos e gêneros textuais e desconhecem outros que fazem diferença na sua formação de bons leitores e escritores.

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4. COMO AVALIAR OU CORRIGIR OS TEXTOS PRODUZIDOS NA ESCOLA?

Antes de pensar em avaliação, é preciso pensar nas origens da dificuldade de produção de textos no contexto escolar. Geraldi (2006) diz que existem diversas opiniões com relação às causas da incapacidade de produções de bons textos pelos estudantes, e estas vão desde a falta de leitura que interfere na escrita, até a condenação dos estudantes que simplesmente não conseguem redigir bons textos. Apesar dessas diversas opiniões, Geraldi (2006) concorda que o resultado dos textos escritos mostram algo além da falta de leitura ou má aplicação de regras, conceitos e técnicas. Diante das várias opiniões e inadequações seja em relação à escrita formal ou em relação ás funções da língua nas produções de textos, o ponto em questão é identificar as origens dessas inadequações, o que elas revelam e o que é preciso fazer para saná-las.

 O uso da redação da escola é uma forma de exercício da escrita, que prepara os alunos para o seu uso futuro. Mesmo que a escola promova as atividades de redação como preparação  para a vida, Geraldi (2006) se opõe a esse discurso, por dizer que é impossível conceber essa preparação para a vida, se a escola exige o uso inadequado de uma modalidade de escrita subjetiva, distanciada da realidade dos alunos.  As propostas de redações, geralmente dadas pelos professores, descaracterizam o aluno do papel do sujeito, fazendo com que ele devolva ao professor aquilo que ele deseja. As produções de texto na escola possuem caráter artificial que é um fator preponderante no resultado final dessas produções.

 Nas avaliações das produções de texto, o professor deve deixar a função de examinador e apontador de erros, para agir como parceiro dos seus alunos, concordando, discordando, acrescentando, questionando, perguntando etc..  Em conformidade com isso, Geraldi (2006) diz:

Para mantermos uma coerência entre uma concepção de linguagem como interação e uma concepção de educação, esta nos conduz a uma mudança de atitude-enquanto professores-ante ao aluno. Dele precisamos nos tornar interlocutores para, respeitando-lhe a palavra, agirmos como reais parceiros: concordando, discordando, acrescentando, questionando, perguntando e etc... (GERALDI, 2006 p. 128).

Com isso, a avaliação atinge uma função qualitativa, de acompanhamento do processo de produção de textos, tornando o aluno participante na construção do seu conhecimento com segurança de suas habilidades de leitura e escrita.

É preciso levar em consideração variedades linguísticas dos alunos, pois essa variedade interfere na escrita deles. A escola não pode anular o aluno como sujeito, isto é, não pode desconsiderar totalmente as variações linguísticas que os alunos possuem, porém, é preciso mostrar os diferentes modos de falar de acordo com as mais diversas situações.  Segundo Geraldi (2006), é importante deixar que os alunos expressem seus pensamentos por meio da escrita e, após isso, o professor identificará as dificuldades de seus alunos e poderá intervir e desenvolver as habilidades de escritas necessárias para cada aluno.

Cada aluno é diferente, e possui necessidades diferentes. Ao avaliar as produções de textos e dificuldades dos alunos, o professor precisa analisá-los individualmente, para a promoção de intervenção efetiva nas suas dificuldades.

5. A PRODUÇÃO DE TEXTOS NA PRÁTICA

Para maior entendimento da produção de textos no contexto escolar, foi realizada uma pesquisa de campo, em uma escola da rede particular no município de Betim, em que houve entrevista e aplicação de questionário a uma professora responsável pelas produções de texto na escola em que trabalha.  A escola abrange os alunos de     até o 9º ano e os alunos possuem a disciplina de produção de textos especifica separada da disciplina de Português. Na entrevista com a professora de produção de textos, focou-se a produção de textos dos alunos do 4º ano. Segundo ela, as suas propostas de produções são elaboradas a partir de tiragens de livros, procurando sempre trabalhar diferentes tipos textuais e temas. Com relação às correções das produções, a professora diz que ela valoriza a alfabetização do aluno, principalmente com relação a ortografia e atendimento da proposta da produção. A professora tem por costume de trabalhar em duplas, em que cada aluno corrige a produção do colega e após isso, ela faz a sua própria correção. Apesar da produção de textos, ser uma disciplina, essa não possui características punitivas, isto é, não cabe aprovação ou reprovação, servindo como complemento para o Português, para o desenvolvimento da capacidade de escrita dos alunos. Como a disciplina tem papel complementar, não há tabela de correção definida das produções de texto dos alunos. Quando os alunos não atendem a proposta, a professora desenvolve um trabalho semelhante para os alunos, para que esses possam melhorar na escrita dos textos. Em todas as aulas são revisadas as propostas de texto anteriores, para que os alunos possam sempre relembrar o que aprenderam para praticar nas produções futuras.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Por meio da concretização dessa pesquisa científica, pode-se observar que as maiores dificuldades com relação a produções de textos pelos alunos se deve a falta de objetivos claros nas propostas e inadequações dos temas propostos. A produção de texto na escola muitas vezes possui aspecto limitado, no qual são privilegiados alguns tipos e gêneros textuais, resultando em desconhecimento e insegurança por parte dos alunos ao se depararem com uma proposta de produção de texto. A produção textual é vista de maneira negativa pelos alunos, por ser na maioria das vezes, algo repetitivo e desgastante.   Diante disso, o professor precisa se preocupar em variar temas e tipos textuais, além de definir objetivos claros em suas propostas de produção de textos.

Com relação à correção e avaliação dos textos produzidos pelos alunos, compreende-se que o professor precisa se valer de diferentes critérios linguísticos claros, para que se possam identificar as dificuldades dos alunos e consequentemente pensar em estratégias de intervenção nessas dificuldades. Quando não há critérios de correção definidos, o professor seja de forma consciente ou inconsciente, fica desorientado, correndo o risco de não ter argumentos diante de questionamento de alunos e até mesmo de pais, com relação aos “erros de ortografia” e inadequações das propostas de textos.  E importante que o professor encare a produção de textos de forma qualitativa, para que sua avaliação tenha por objetivo de ajudar ao aluno e não reprova-lo.

Contudo a produção de textos na escola é algo de grande preocupação, por que durante todo o  tempo de escola, são feitas muitas produções de textos e ainda assim, muitas pessoas saem da escola inseguranças e incapazes de produzir bons textos. A competência de escrita de bons textos, de fato é, um aspecto importante e até mesmo decisivo no mercado de trabalho, por isso, desde cedo o trabalho com a produção de textos na escola seja ela pública ou particular, precisa desenvolver essa capacidade nos alunos, para que estes no futuro possam estar preparados e possam concorrer de forma justa com outros candidatos, na busca de uma colocação no mercado de trabalho.

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

GERALDI, João Wanderley. O texto na sala de aula. Edição 4. São Paulo: Ática, 2006. p. 136.

KOCH, Ingedore Grunfeld Villaça. A inter-ação pela linguagem. 11. ed. São Paulo: Contexto, 2012. 134p.

AUTORAS: ÉRICA REGINA; EZI  SILVEIRA ROCHA; JÉSSICA CAROLINA; WANDA BATISTA.


Publicado por: Ezi Silveira Rocha

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.
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