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A literatura infantil na formação leitora no Ensino Fundamental

Educação

Clique e descubra qual é o papel da literatura infantil na formação leitora no Ensino Fundamental.

RESUMO

O conceito de leitura já foi sinônimo do de decifração, porque previa como leitor um individuo que ao juntar algumas letras as transformava em palavras e as decifrava. Depois de anos de estudos direcionados a essa área educativa percebeu-se que a consciência fonológica e desenvolvida natural e gradativamente a medida em que o leitor vai adquirindo experiência com leitura em seu sentido mais amplo, que prevê a utilização dos cinco sentidos para se efetivar. Não e uma tarefa fácil ensinar a pensar com objetividade e eficácia, e a escrever sem a obsessão do purismo gramatical mas com a clareza, a objetividade e a coerência indispensáveis a fazer da linguagem oral ou escrita um veiculo de comunicação e não de desordenacão de ideias.

A presença de livros de literatura infantil na sala de aula do ensino fundamental pressupõe a busca pela ruptura com o modelo de leitura baseado em decifração. Por meio da presente pesquisa pretendemos demonstrar a relevância da literatura infantil nas salas de aula do ensino fundamental.

Palavras chave: Educação, literatura infantil, leitura

INTRODUÇÃO

O processo de letramento de um indivíduo ocorre de maneira intencional e/ou não, formal e/ou não, no interior da instituição escolar ou nos diversos espaços de vivências de aprendizagem informais e não-intencionais frequentadas por um indivíduo.

Ao sistematizar o conhecimento (função da instituição escolar) por meio de um projeto de intervenção como uma ação sequencial com um fim específico e pré-definido, as chances de sucesso no que concerne aos objetivos de aprendizagem estabelecidos aumentam e convergem para o êxito das demais ações desenvolvidas na escola.

Leitura pressupõe compreensão, associação de imagens, fatos, e cenas de filmes a palavras e textos, no entanto para a efetivação do ato de ler é necessário assimilação e entendimento que só é possível quando o indivíduo leitor atinge o nível do letramento.

É possível, por meio do acesso ao texto literário, desenvolver a percepção de que a maior fonte de aquisição de conhecimento é a leitura, portanto o processo de letramento do indivíduo se faz necessário por razões que vão além da aprendizagem dos conteúdos do componente curricular língua portuguesa, mas para uma aprendizagem interdisciplinar.

O conceito de leitura já foi sinônimo de decifração, porque previa como leitor um individuo que ao juntar algumas letras as transformava em palavras e as decifrava seguindo essa sequência para decifrar textos.

A tarefa da instituição educacional, na pessoa do educador, é desenvolver na criança a noção da relevância da linguagem oral/LIBRAS ou escrita como um veículo de comunicação e aquisição de informações transcendendo uma concepção linguística baseada na decifração.

Uma atuação pedagógica que valorize a leitura do texto literário como ferramenta de efetivação do processo de letramento, que integra o conjunto de ações educativas essenciais ocorridas no interior da instituição educacional durante o processo de formação de um indivíduo, está em consonância com o que os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN’s) estabelecem como objetivos para o ensino fundamental com o que a sociedade e o Estado, enquanto instituição maior da educação, esperam da instituição educacional.

A presença de leitores em potencial na sala de aula de uma turma de 5º ano do ensino fundamental motiva a elaboração de um projeto de intervenção no que concerne ao incentivo de leitura de obras clássicas e contemporâneas da literatura infantil com o suporte de outras mídias tais como a rede mundial de computadores e suporte cinematográfico.

As ações pedagógicas que convergem para o estímulo à prática da leitura devem ter como base princípios como o da diversidade, continuidade, simultaneidade, assiduidade e progressão (Baldi 2009). Ao adotar os referidos princípios, uma intervenção pedagógica permite o acesso e atribuição de significado à obra selecionada e impulsiona a prática da leitura.

Para Antunes (2007, p. 17) “A época da vida mais propícia para a formação de hábitos e de incorporação de conhecimentos básicos é a infância.”

Ao buscar a inserção de propostas de incentivo a leitura em um público infantil buscando a adequação das obras e gêneros literários ao público alvo, é possível promover o interesse pela linguagem escrita a partir do uso da própria língua falada, sinalizada ou escrita.

Seguindo uma concepção na qual a leitura compreende uma relação dialógica entre um sujeito que escreve e um outro que lê, um autor da literatura infantil ao interagir com o seu público-alvo vai buscar elementos que invoquem o gosto pela sua obra, no entanto, compete a instituição educacional promover o acesso e a atribuição de significado ao ato de ler.

A busca pela diversidade de gêneros nas ações pedagógicas com foco na leitura corrobora com o que propõe Porto (2009, p. 25): “O professor deve expor o seu aluno à diversidade de gêneros, alargando sua visão em relação ao uso da língua, ou seja, deixa de ver a língua como uma coisa uniforme, que pode ser apenas “certa” ou “errada”.

A função da leitura de criar expectativa no leitor promoverá a necessidade de habituar-se espontaneamente a uma ação estimulante e prazerosa que ele realizará gradualmente sozinho.

A presente pesquisa pretende discutir a literatura infantil com foco no processo de aquisição da leitura em alunos da primeira fase do ensino fundamental.

A LITERATURA INFANTIL NA FORMAÇÃO DE ALUNOS LEITORES

A acessibilidade da obra literária na sala de aula ou na biblioteca da escola enquanto ação diária visando o letramento dos educandos, consiste em uma ação que corrobora com uma concepção funcionalista da linguagem, que visa a aprendizagem da língua portuguesa a partir do uso da própria língua para que o indivíduo a utilize como meio de comunicação e fonte de aquisição de conhecimento e informação.

A leitura individual visa à aquisição de uma condição autônoma do aluno que, assim como preconiza Paulo Freire, é um dever da instituição escolar: “O respeito à autonomia e à dignidade de cada um é um imperativo ético e não um favor que podemos ou não conceder uns aos outros” FREIRE (1996 p. 59.)

Ações de promoção à leitura consistem em ferramentas de efetivação das políticas públicas educacionais brasileiras como o Programa Biblioteca na Escola criado em 1997, que distribui o acervo literário que visa satisfazer as necessidades das bibliotecas das escolas públicas brasileiras.

A garantia da existência de um acervo diversificado e adequado ao nível de ensino no qual se pretenda desenvolver as ações do projeto de intervenção pedagógica dada pelo referido programa garantem os recursos literários necessários para a efetivação das ações e contempla a proposta da promoção da acessibilidade.

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Segundo Baldi, 2009, os princípios nos quais tais ações devem se basear são: diversidade para que o aluno tenha acesso a um acervo diversificado de livros,  textos e gêneros, variação de atividades e locais de leitura; continuidade que prevê a sequência das ações, evitando atividades avulsas de leitura; simultaneidade que prevê a coexistência de modalidades e propostas de atividades diferentes; assiduidade que dispõe sobre a necessidade de as práticas de leitura serem diárias e progressão que prevê o aumento do nível de complexidade para que o aluno seja cognitivamente explorado sem que se desperdice a potencialidade de crescimento do educando.

A importância dada pela autora aos princípios de continuidade e assiduidade pode ser percebida quando a autora esclarece a proposta “Biblioteca todos os dias”, que prevê que os alunos devem ter acesso diariamente as obras literárias que o (a) educador (a) selecionar conforme acervo da biblioteca da escola:

“A modalidade de leitura que denominamos “biblioteca todos os dias” faz desse espaço um local vivo da escola, freqüentado sistematicamente e de forma produtiva pelas crianças. Um local que tem de estar acessível às crianças como um ambiente rico de estímulos capaz de motivar suas descobertas em relação à leitura e propiciar um contato dinâmico com suas práticas.” Baldi, 2009 p. 18.

Para Baldi ( 2009, p. 13) o uso do livro garante a manutenção de aspectos linguísticos do texto que são relevantes no processo de formação do (a) leitor (a) fluente e crítico (a): “o uso do livro, em vez de substituí-lo por figuras ou outros objetos acreditando que as crianças, mesmo as menores, têm condições para manuseá-lo e potencial para aproveitá-lo principalmente se estiverem com ele desde cedo.” Baldi ( 2009, p. 13).

Para Coelho (2000, p. 16) a instituição escolar compreende um espaço de promoção de saberes entre os quais o conhecimento literário seria notável por favorecer o desenvolvimento do educando em vários níveis:

“A escola é, hoje, o espaço privilegiado, em que deverão ser lançadas as bases para a formação do indivíduo. E, nesse espaço, privilegiamos os estudos literários, pois de maneira mais abrangente do que quaisquer outros, eles estimulam o exercício da mente; a percepção do real em suas múltiplas significações; a consciência do eu em relação ao outro; a leitura do mundo em seus vários níveis e, principalmente, dinamizam o estudo e conhecimento da língua, da expressão verbal significativa e consciente – condição sine qua non para a plena realidade do ser.” Coelho 2000, p. 16

Segundo Porto, 2009, p. 23 as ações de incentivo a leitura devem contar com um acervo que conte com uma diversidade de gêneros literários necessários para que o indivíduo compreenda a língua como parte de um processo dinâmico e não estático: “ O professor deve expor o aluno à diversidade de gêneros, alargando a sua visão em relação ao uso da língua, ou seja, deixa de ver a língua como uma coisa uniforme que pode ser apenas “certa ou errada”. Porto (2009, p. 23).

Porto, 2009 define gêneros como “Modelos de textos que circulam socialmente e que estabelecem formas próprias de organização do discurso”. (Porto, 2009 p. 38). Segundo a autora a utilização de gêneros diversos no processo de formação de leitores, ocorrido de maneira sistemática no estabelecimento educacional, possibilita a formação do pensamento crítico do educando.

Segundo Gregorin Filho, 2009 p. 89 a formação do leitor acontece por meio de práticas de leitura adequadas aos níveis de ensino nos quais o educando se encontra:

“Só se formam leitores por meio de atividades de leitura, e estas devem ser compatíveis com a competência de leitura do indivíduo, mas devem oferecer meios e estímulos para que o leitor vença outras etapas, consiga decifrar novos códigos e se torne cada vez mais plural.” Gregorin Filho, 2009 p. 89.

Sendo assim, a sistematização das ações de incentivo à leitura ocorridas de maneira sistemática na instituição pública escolar, mediante a garantia de funcionamento efetivo de ações de políticas públicas educacionais como o Programa Nacional Biblioteca na Escola, imprescindível para a promoção da acessibilidade literária, corrobora com a proposta de formar leitores críticos e autônomos e simultaneamente desafiá-los a avançar promovendo o contato com diferentes gêneros textuais e ampliando o conhecimento do universo cultural do educando.

REFERÊNCIAS

ANTUNES, I. Aula de português: Encontro e Interação. São Paulo: Ed. Parábola, 2003.

ANTUNES, W. A. Lendo e formando leitores: Orientações para o trabalho com a literatura infantil. São Paulo: Ed. Global, 2007.

BALDI, E. Leitura nas séries iniciais: Uma proposta para formação de leitores de literatura. Porto Alegre: Ed. Projeto, 2009.

BRASIL Parâmetros Curriculares Nacionais Língua Portuguesa. Brasília: MEC – SEF, 1997.

BRASIL Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, 1988.

COELHO, N. N. Literatura Infantil: Teoria, análise, didática. São Paulo: Ed. Moderna, 2000.

FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: Saberes necessários à prática educativa. 35ª edição. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

GREGORIN FILHO, J. N. Literatura Infantil: Múltiplas linguagens na formação de leitores. São Paulo: Ed. Melhoramentos, 2009.

MAIA, J. Literatura na formação de leitores e professores. São Paulo: Paulinas, 2007.

MACHADO, N. J. Educação: projetos e valores. São Paulo: Escrituras Editora, 2000.

MIGUEZ, F. Nas arte-manhas do imaginário infantil na sala de aula: O lugar da literatura na sala de aula. Rio de Janeiro: Ed. Singular, 2009.

NASPOLINI, A. T. Prática de ensino de língua portuguesa. São Paulo: FTD, 2009.

PIETRI, E. Práticas de leitura e elementos para a atuação docente. 2ª edição. Rio de Janeiro: Ed. Ediouro, 2009.

PORTO, M. Um diálogo entre os gêneros textuais. Curitiba: Ed. Aymará, 2009.

RESENDE, V. M. Literatura Infantil e Juvenil: Vivências de leitura e expressão criadora. 2ª edição. São Paulo, 1997.

RICARDO, S. M. B. Educação em língua materna: A sociolingüística em sala de aula. São Paulo: Ed. Parábola: São Paulo 2004.

SILVA, V. M. T. Literatura infantil brasileira: Um guia para professores e promotores de leitura. Goiana: Ed. Cânone, 2009.

SOUZA, R. J. (org.) Biblioteca Escolar e práticas educativas: O mediador em formação. Campinas: Ed. Mercado das Letras, 2009.


Publicado por: Marcela Bandeira de Mello Almeida

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do Brasil Escola, através do canal colaborativo Meu Artigo. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.
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