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A incrível arte de lecionar

Educação

Objetivos de ensino e quais passos deverão ser tomados para que esse objetivo seja alcançado é fundamental para uma educação de qualidade.

Ensinar é uma arte, absorver esses ensinamentos e colocar em prática é uma questão de sabedoria. A missão do professor sempre se destacou pelo fato de trabalhar com a mais nobre realidade do mundo: o coração e a inteligência do ser humano. Nada é mais importante do que o ser humano. Se é nobre e necessário dominar o aço e os microrganismos, construir casas e computadores, muito mais nobre é formar o homem, senhor de tudo isto. Os sábios gregos já diziam: dá-me uma sala de aula e mudarei o mundo!

Ter de forma clara quais são os objetivos de ensino e quais passos deverão ser tomados para que esse objetivo seja alcançado é fundamental para uma educação de qualidade.

Para uma discussão analítico-comportamental destes objetivos, é importante salientar que ensino é entendido como atividade que deve preparar o aluno para o futuro, possibilitando o desenvolvimento de habilidades e a aquisição de conhecimentos sobre o mundo e sobre si mesmo, necessários à sua sobrevivência como membro da espécie, como indivíduo e como participante de uma cultura.

A educação deve promover a liberdade do aluno, ensinando-o a lidar eficientemente com seu ambiente e a agir por si próprio, tornando-se independente de outros que lhe digam o que deve fazer, aprendendo a alterar os fatores determinantes de seu comportamento, estabelecendo condições que fogem aos padrões pré-estabelecidos, a fim de que o aluno possa reagir a vários tipos de controles externos e a emitir respostas que são comumente caracterizadas como originais.

Professor, aquele que ensina, que transmite conhecimento, é ser essencial para a formação do ser humano. Entendendo, que uma sociedade desenvolvida, é uma sociedade esclarecida e o esclarecimento vem através dos professores, de um ensino de qualidade.

A missão de um professor é, sem sombra de dúvida, divina, sublime, essencial para a transformação do mundo, mas temos que admitir que os caminhos pelos quais os educadores têm de trilhar são árduos.

O novo papel do professor: facilitador, mentor e mediador

O professor que acompanha a educação deve ser flexível, perceptivo e promover um ambiente empreendedor e criativo. Isso significa transitar entre facilitador, mentor e mediador para propiciar aprendizado autônomo em todas as situações, além de estar aberto a ser também aprendiz e renovar suas práticas pedagógicas.

Facilitador

Um facilitador é uma pessoa que assiste um grupo com objetivos em comum inclusive ajudando a criá-los, além de alcançá-los. Ele deve se abster de controlar processos sempre que possível, intervindo apenas para corrigir técnicas ou apresentar questões norteadoras que possam indicar novos caminhos.

A responsabilidade do facilitador é dar aos alunos as condições para que desenvolvam pensamento crítico e lógico, deixando que reparem seus próprios erros e recompensando criatividade em vez de exigir uma linha de raciocínio única.

Mentor

O mentor atua primordialmente como uma figura de suporte e motivação, conectando as atividades exercidas com as ambições, os valores e os objetivos pessoais de cada aluno. O educador precisa, portanto, conhecer as peculiaridades de sua classe, bem como construir uma relação de confiança mas, mais do que isso, ser ele mesmo um exemplo para seus mentorados, por conta de sua capacidade de influenciar comportamentos.

Em linhas gerais, um mentor encoraja o estudante a gerir seu próprio aprendizado e ir atrás de seu desenvolvimento além do que é exigido pelo currículo escolar.

Mediador

O mediador trabalha principalmente com a ligação entre diferentes significados previamente assimilados, utilizando novas tecnologias e outros recursos disponíveis que estimulem a mão na massa. Ao conectar diferentes disciplinas e explorar formas de aplicar conceitos em contextos e situações fora do comum, ele permite ainda a ampliação do processo de aprendizado.

ENSINAR

O mais célebre educador brasileiro, autor da "Pedagogia do Oprimido", defendia como objetivo de a escola ensinar o aluno a "ler o mundo" para poder transformá-lo. “Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para sua própria produção ou a sua construção". É esta consciência que nos motiva a pesquisar, conhecer e mudar "o que está condicionado, mas não determinado" (FREIRE, 2003, p. 53).

Ensinar é uma maneira de eternizar sabedoria e experiência, de deixar um legado para que outras gerações possam se desenvolver. A função de ensinar, portanto, é essencial à sobrevivência, não só dos indivíduos, mas também dos costumes e da bagagem cultural de uma determinada sociedade.

Os escribas do Egito Antigo já organizavam os primeiros grupos de estudo, anunciando o que seria o protótipo do modelo atual de escolas que hoje conhecemos. Responsáveis pelo registro de doutrinas, histórias, eventos e conhecimentos em alfabeto hieróglifo, nos rolos de papiro, os escribas assumiam funções semelhantes às de um docente moderno.

Alguns séculos mais tarde, na Grécia, desenvolveram-se discussões nas quais mestres como Sócrates incentivavam o questionamento a partir da introdução de temas como matemática, física e filosofia. Sócrates exercia o papel de condutor de debates e promulgador de questionamentos. As reuniões aconteciam geralmente ao ar livre e em formato de círculos, nas quais as opiniões dos alunos eram valorizadas e a técnica da retórica, aprimorada. Naquela época, era muito comum na classe patrícia (a classe alta da sociedade ateniense) a contratação de mestres para ensinar e doutrinar crianças, por meio de aulas particulares. Aristóteles, por exemplo, foi o mestre de Alexandre, o Grande. Já na Idade Média, artesãos mantinham diversos aprendizes em suas oficinas com o intuito de repassar seu conhecimento adiante, nas chamadas “corporações de ofício.”

A partir do século XV e XVI, com a ascensão da nobreza e, posteriormente, da burguesia, professores eram contratados pelos nobres para ensinar seus filhos em casa. Os assuntos variavam entre música, pintura, letras, ciências ou filosofia. O movimento Iluminista foi importante na formalização da educação e no surgimento das primeiras escolas, cujo modelo incorporava o quadro negro, as cadeiras enfileiradas e direcionadas ao professor, que é mantido até hoje na maioria dos centros de ensino.

No Brasil, os jesuítas podem ser considerados os primeiros educadores formais que seguiam o modelo iluminista de ensino. Com o intuito de catequizar e converter os nativos da região, os jesuítas alfabetizaram os índios para que fossem capazes de ler e interpretar a Bíblia. Por causa da colonização portuguesa e espanhola e da forte influência católica, os primeiros grandes colégios do Brasil foram fundados em instituições religiosas, geralmente junto a conventos. Padres e freiras costumavam lecionar, e as turmas eram separadas entre meninos e meninas.

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Ainda no final do século XIX os homens ainda eram predominantes no ato de lecionar. A partir das primeiras décadas do século XX, a tradição do magistério se voltou como uma profissão majoritariamente feminina, principalmente nos níveis infantil e fundamental. A carreira para o magistério era quase unanimidade entre as estudantes que completavam o antigo ginásio. Atualmente, apesar de ainda serem minoria, os homens ocupam um espaço cada vez maior na educação infantil. E as mulheres, por sua vez, estão presentes também no ensino médio e universitário.

Os educadores, numa visão emancipadora, não só transformam a informação em conhecimento e em consciência crítica, mas também formam pessoas cidadãs.

As atitudes e os valores do ensino têm papel fundamental no desenvolvimento dos seres humanos e da sociedade. A função social do professor na formação do ser humano é algo que está atrelado aos valores que aprendemos, desenvolvemos e levamos para a vida.

O ato de ensinar não se baseia simplesmente em passar o conteúdo, mas em utilizar o conteúdo a ser ensinado como instrumento. Este instrumento que o professor utiliza tem o objetivo de socializar o aluno, ou melhor, de humanizar o aluno. Pensa-se em educação como uma instituição destinada a formar trabalhadores obedientes e competentes. Porém a nova corrente que tem se difundido é a de que o professor escreve na lousa com uma mão e com a outra ele humaniza o aluno. Em nível de neutralidade a didática não é neutra a maneira que ensinamos imprime, e muito nos alunos, a visão que eles têm do mundo.

Desta forma não ensinamos somente o conteúdo, mas também o modo de agir em sociedade. O professor tem um compromisso político com o aluno. Pode-se resumir o assunto assim: o trabalho educativo é o ato de produzir direta e intencionalmente, em cada indivíduo singular, a humanidade que é produzida histórica e coletivamente pelo conjunto de homens.

O verdadeiro professor deve ser criativo e capaz de ver no limão azedo a possibilidade de fazer uma limonada. Ser professor é saber ensinar?, ao ensinar a gente aprende, com essa aprendizagem a gente ensina melhor, a aprendizagem deve acontecer naturalmente, valorizar o conhecimento prévio do aluno.

As 10 Competências do Professor

1. Comprometido: É essencial que os professores estejam comprometidos com seu trabalho e com a educação dos jovens. A responsabilidade que está nas mãos de um professor é enorme, por isso deve estar ciente disto e amar sua profissão.

2. Preparado: A formação acadêmica é outra das competências tradicionais que são exigidas de um professor. Esta exigência está aumentando em uma sociedade cada vez mais preparada e competente. Quanto melhor preparado estiver o professor, o melhor.

3. Organizado: Uma boa organização do curso e planejamento prévio são fatores-chave para o sucesso. É muito importante que o professor organize um plano de estudos para ensinar adequadamente e elabora-lo para ter tempo de abordar todos os temas plenamente.

4. Tolerante: Em uma sociedade cada vez mais diversificada e multicultural, é necessário que o professor não tenha preconceitos e trate igualmente a todos os alunos sem mostrar favoritismo.

5. Aberto para perguntas: A discussão e colaboração em sala de aula são essenciais para incentivar os alunos e implementar novas técnicas de ensino. O professor deve estar aberto a responder às perguntas dos alunos e deve se mostrar colaborativo.

6. Narrador: Uma das melhores maneiras de ensinar e transmitir ideias é através de histórias. Os melhores professores usam este método em suas aulas durante séculos. Devido à sua eficácia, esta técnica é utilizada hoje, não só pelos professores, mas também por muitos outros profissionais, como especialistas em marketing em suas campanhas.

7. Inovador: O professor deve estar disposto a inovar e experimentar coisas novas, tanto técnicas de ensino e aplicativos educacionais, ferramentas de TIC e dispositivos eletrônicos. O professor moderno deve ser o primeiro a buscar isso e trazer para a sala de aula.

8. Entusiasta de Novas Tecnologias: O professor deve não só ser inovador, mas também um amante de novas tecnologias. Sejam iPads, projetores ou lousas, os alunos devem antecipar e estar em constante busca de novas TICs para implementar em suas salas de aula.

9. Sociais: Uma das competências tradicionais do professor é estar aberto a perguntas. O ensino tradicional deve enfatizar esta competência e levar a conversa para as redes sociais para explorar as possibilidades do lado de fora da própria classe.

10. Geek: No melhor sentido da palavra. Internet é a maior fonte de conhecimento que o homem já construiu, então um professor deve ser uma pessoa curiosa. Alguém que está sempre pesquisando e procurando dados e novas informações que possa usar para desafiar seus alunos.

Referências bibliográficas

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. São Paulo: Paz e Terra, 1974.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia - saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 2003.

HUGO, Assmann. Curiosidade e Prazer de Aprender – O papel da curiosidade na aprendizagem criativa. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 2004.

LIBÂNEO, José C. Ainda as perguntas: o que é pedagogia, quem é o pedagogo, o que deve ser o curso de pedagogia. In: PIMENTA, S. G. (Org.). Pedagogia e pedagogos: caminhos e perspectivas. São Paulo: Cortez, 2002. p. 59–97.

SANTOS, A. Didática sob a ótica do pensamento complexo. Porto Alegre: Sulina, 2003.

SANTOS, Julio César Furtado. Aprendizagem significativa: modalidades de aprendizagem e o papel do professor. 1ª Ed. Porto Alegre: Mediação, 2008.

SILVA, Ezequiel Theodoro da. O professor e o combate à alienação imposta. São Paulo, Cortez & Autores Associados, 1991.

SKINNER, B. F. Tecnologia do ensino. São Paulo: EPU, 1972.

VASCONCELLOS, Celso dos Santos. Construção do conhecimento em sala de aula. São Paulo: Libertad, 1994 (Cadernos Pedagógicos do Libertad,2). 

ZABALLA, Vidiella Antoni. A prática educativa: como ensinar. Porto alegre: Artmed, 1998.


Publicado por: Benigno Núñez Novo

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do site por meio do canal colaborativo Meu Artigo. O Brasil Escola não se responsabiliza pelo conteúdo do artigo publicado, que é de total responsabilidade do autor. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.